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domingo, 19 de março de 2017

Outonar


          Sinto um vento mais fresco batendo no rosto e a sensação de serenidade tomando conta. É o Outono chegando anunciando que é hora de aquietar.    
        A estação do ano mais conhecida pelas folhas caídas, temperaturas amenas e uma vontade de não fazer nada interfere diretamente em nosso coração, no ritmo de vida e na comunicação.
        A paisagem do sol extremo, tão frequente no Verão, e que permite viver para fora, beber, comer, sambar, ficar até mais tarde na rua, aos poucos vai sendo substituída por dias frescos, clima mais nublado, folhas no chão e tapetes naturais marrons sendo construídos nas ruas de boa parte das cidades do Hemisfério Sul. Um cenário que permite (não exige, mas pré-dispõe) a olhar para dentro. A aquietar a mente e o coração e a se comunicar mais introspectivamente, como se todos os dias fosse um domingo mais calmo, acompanhado de uma boa xícara de chá.
        Essa é uma época propícia para contemplar, respirar, enxergar as ideias dentro de si, os sentimentos, as dores. Não como uma sinfonia melancólica de uma ópera triste. Mas, um parar, digerir, compreender, se permitir a se ouvir sem pressa, sem ruídos latentes ou desejos urgentes que rompam a interiorização. 
        O Outono não serve para todo mundo. Tem gente que vai ser mais Verão e outros serão um completo Inverno. Mas, talvez, essa época, seja um momento ideal para simplesmente ser, sem ter que interagir tão reativamente, como um jejum para a própria comunicação, num movimento para Outonar.



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domingo, 12 de março de 2017

Pelo direito de permanecer calado

        Há uma enxurrada de informações vindas de todos os lados. E há também muitas opiniões que acompanham essas informações. Nos dias de hoje, é comum pessoas comentarem sobre absolutamente tudo, inclusive de assuntos dos quais não têm conhecimento.
        Um fato mais facilmente notável nas redes sociais, onde qualquer pessoa pode opinar sobre qualquer tema. De certa forma, essa é uma demonstração de que a democracia (ou chame do que quiser) existe de fato, pois a livre expressão é a maior representação da liberdade.
        O que trago como reflexão é: por que é importante opinar? Anos atrás quando eu fazia mestrado, descobri autores que defendem que saber da vida alheia, nem que seja a do vizinho, é um daqueles itens que faz qualquer ser humano se manter vivo. E mais, não basta apenas saber da vida alheia, mas opinar sobre a mesma. Talvez isso explique a enxurrada de opiniões que se observa todos os dias nas redes sociais, por exemplo.
        Mas, (sempre há um “mas”), particularmente penso que nem sempre a opinião é necessária. E pode ser, talvez, extremamente cansativo opinar sobre todas as situações vivenciadas (ou apenas observadas no seu dia-a-dia). Lidar com as situações rotineiras já envolvem bastante opinião, se pensar bem. Você terá que opinar nas metas da empresa, nas decisões do que comprar no supermercado, nos afazeres domésticos.  Se já é trabalhoso tomar decisões simples e as verbalizar em sua rotina, por que se entupir de mais informações e ainda opinar sobre elas?
        Claro, como dizem os teóricos (e o chavão popular mesmo) a grama do vizinho é mais verde, então, comentar sobre as celebridades, sobre um post de blog, sobre o apontamento de uma amiga no Facebook é bastante tentador.
        Penso, porém, que tenho preferido usar o direito de permanecer calada, e apenas ver e ouvir sem ter que opinar ou fazer um julgamento sobre algo. Num português bem claro, não tenho mais saco para tantos fatos, tantas informações e muito menos para opinar sobre tudo. É evidente que existem eventos que acontecem no mundo e que podem ser bastantes interessantes, mas, particularmente vou usar meu direito de permanecer calada (ainda que seja comunicadora e blogueira) diante principalmente das informações que não acrescentam, das brigas toscas do Facebook, das opiniões repletas de maldades ou indiretas, sobre as opiniões radicais.
        Porque penso que se for abrir a boca para não contribuir verdadeiramente com o outro ou com uma situação, não vale a pena emitir uma opinião.




p.s: o título desse post não tem nada a ver com o direito constitucional de permanecer calado. Para entender, um pouco, sobre esse direito, sugiro essa matéria:


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domingo, 5 de março de 2017

Afeto

             
        Em dias muito agitados, captar uma demonstração de afeto é um alívio para a alma. E quando falo de afeto, falo de carinho mesmo. Tenho uma sensação muito boa de que as pessoas acordaram para viver, sem medos, sua afetividade.  É muito interessante a imensa quantidade de pessoas que está se permitindo ter mais carinho (e demonstrar mais afeto), principalmente nos últimos anos.
        Não que o afeto tenha caído de moda, aliás, ele sempre acompanhou o homem ao longo da história. Mas, há uma sensação de que o afeto tomou conta das redes sociais (ok, você vai falar que há muitas brigas políticas no seu Facebook, mas tirando elas, há muito afeto se prestar atenção).
        Um exemplo disso são os inúmeros vídeos que acabam virando notícia até no “hardnews”, justamente por demonstrar a afetividade. Esses dias estava assistindo a um documentário pautado numa pesquisa em que falava que é o afeto que fez a humanidade chegar onde está e não a competitividade. Muitas vezes a ciência se baseou na lei de Darwin, que diz sobrevive a espécie que melhor se adapta às mudanças. Fisicamente, sim. Mas, o cientista do tal documentário complementou: “foi o afeto entre as pessoas de diferentes povos, culturas, línguas e religiões que permitiu as pessoas se unirem para evidenciar o melhor que há dentro de cada um, tornando a Terra um lugar mais habitável” – afirmou o cientista.
        Mas, muitas vezes se quer olhar para a afetividade como algo distante ou que se tem somente em casa, com a família. Será? Já parou para pensar quanta afetividade é verbalizada em seu trabalho? Quantas vezes um bom dia é carregado de um tom otimista? Ou quando uma palavra de carinho é dita no meio daquela reunião difícil?
      Infelizmente, o afeto ainda é confundido com falta de seriedade. Lembrando que verbalizar palavras afetivas não irá diminuir seus talentos, mas muita gente pode confundir com cantada, por exemplo e, de fato, esse é um limiar tênue. Mas, honestamente, penso que se ficar com receio de demonstrar afetividade porque outra pessoa pode entender errado, tudo ficará difícil, pois o amor não conseguirá transpor as barreiras mais pesadas e a vida será essa história que muita gente acredita de “matar um leão por dia”. Que tal, então, dar uma chance para a afetividade? 
        Seja carinhoso(a), amoroso(a), potencialmente piegas com as palavras, rssssss, mas não deixe murchar a força mais linda que existe dentro de cada um, que é o afeto. 



quarta-feira, 1 de março de 2017

Acolher


          Acolher é uma daquelas palavras que trazem uma sensação muito boa quando dita. Já pensou nos sentimentos felizes sentidos quando se é acolhido por alguém? Como amor? Conforto? Realização?
        Ser acolhido é um desejo de todas as pessoas. Em algum momento você vai desejar ser acolhido, receber uma atenção num momento mais introspectivo, de dúvida, urgência ou de alegria. Mas, você já notou que em boa parte dos discursos não existe o acolhimento?
        Talvez a pressa, o desejo de expressar as necessidades mais urgentes tem feito dos diálogos verdadeiros monólogos. Ou seja, há muitos discursos soltos sem que os sentimentos expressos, tanto por quem fala quanto por quem ouve, possam ser tocados.
        Dentro dessa correria insana “imposta” pelo ritmo de vida, muitas pessoas parecem repetir ecos desesperados como: “não tenho tempo” ou “tenho que fazer isso”. Essas são daquelas frases possíveis de serem ouvidas desde o elevador até numa reunião mais séria. E isso é um reflexo de que não se está prestando atenção aos próprios sentimentos. Presta-se muita atenção ao que deve ser feito, mas não no como você está se sentindo hoje.
        É interessante observar que uma das maiores redes sociais da atualidade faz essa pergunta e muita gente responde. Uma sugestão: por que você não faz essa pergunta a si mesmo? Como eu estou hoje? Prestar atenção daquilo que passa em seu coração é um dos primeiros passos para acolher o outro porque o acolhimento passa, antes de tudo, por acolher a si mesmo. Se você não sabe como está se sentindo, dificilmente saberá lidar com a necessidade do outro.
        Sei que esse é um texto introspectivo que vai exigir um pouco mais de profundidade, mas convido você, leitor(a) a debater esse tema, a fundo. Mais do que observar como você se sente naquele dia é interessante perceber como se sente diante do todo: como reage em determinada situação x? Como pensa quando alguém apresenta um argumento mais difícil como, por exemplo, uma demonstração de raiva?
        Acolher é uma ação que propicia ajudar o outro independentemente do contexto e que permite receber o outro como ele é, sem julgamentos. Então, quando alguém está tendo um acesso de raiva é mais fácil julgá-lo dizendo “nossa, como a pessoa é brava”, sem entender o contexto que levou a pessoa a agir assim. Entendo que, dificilmente, alguém terá sangue frio para fazer essa reflexão imediatamente quando alguém está num acesso de raiva. Mas, (e sempre há um porém), é possível ouvir. Acolher não é apenas abraçar e, infelizmente, é facilmente confundido com passar a mão na cabeça. No entanto, você já pensou o quanto seria interessante quando você tivesse um acesso de raiva ou tristeza alguém não julgar seu comportamento e simplesmente ouví-lo? (ou ainda perguntar: por que você está com raiva?)
        Você já tentou acalmar alguém apenas ouvindo-o? Creio que em boa parte do tempo as pessoas estão tentando dar o exemplo do que a pessoa deveria fazer em vez de perceber o que o outro está sentindo. Não à toa, muitas pessoas desistem de falar sobre aquilo que sentem, em alguns casos ampliando ainda mais as barreiras entre uma pessoa e outra.
        Dar o exemplo não é acolher,  mas mostrar um caminho sobre o que você acha que o outro deva fazer em determinada situação (e ás vezes é se exibir mesmo). Mas, tem horas em que uma pessoa não precisa de caminhos. Precisa de acolhimento e a sensibilidade se faz necessária para perceber isso. É preciso respeito ao momento do outro, de seu tempo, de suas escolhas. Não estou dizendo que se tem que valorizar, por exemplo, o pessimismo de um colega de trabalho. Mas, em vez de criar a resistência, já buscou ouví-lo uma única vez, sem criar julgamentos?
        A falta do acolhimento vem de inúmeras projeções dogmáticas da sociedade em que quando alguém fala de seu sentimento, ou quando se pensa nas emoções, é considerado uma pessoa mais fraca. Outro dogma é que as pessoas precisam estar sempre fortes e superar todos seus desafios. Numa sociedade competitiva e pautada na imagem, falar sobre aquilo que sente ou que lhe incomoda se tornou meio fora da casinha. Então, de modo geral, quando alguém fala de uma dificuldade sua, por exemplo, sempre há aqueles que vão apontar o dedo dizendo o que o outro deva fazer ou o que você deveria ser. Cabe a cada um avaliar se consegue resolver uma situação dessa ou daquela maneira e, particularmente, acredito que não cabe a ninguém julgar o quanto a pessoa precisa ser forte nesse ou naquele ponto. 
        E para finalizar, penso que acolher é uma maneira de diminuir os ruídos, conflitos, de demonstrar compaixão e carinho e de amenizar situações que estão mais latentes. Acolher pode ser uma maneira de dar e receber amor, de buscar um caminho mais suave para tudo o que se vive, sem criar uma expectativa sobre como você deseja que os outros sejam, apenas aceitando-os em sua totalidade, ainda que você desejasse que fossem de maneira diferente. Quando puder, acolha com todo o seu coração sem medo, sem julgamentos, apenas permita receber o outro. Talvez esse gesto simples possa ser transformador.