Marcadores

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Um ano novo a cada dia



        Parece uma obviedade o que vou falar, mas existe um tratamento especial com o réveillon. É como se as pessoas se preparassem para um ritual de passagem que permitisse fazer com que, num único dia, começassem a acreditar que algo novo virá. Uma renovação das esperanças de que o próximo ano será, no mínimo, melhor do que passou.
        Tenho um olhar um pouco diferente a respeito do réveillon e penso que talvez mais pessoas tenham sensações parecidas quando o assunto é “ter um ano melhor”. Ancestralmente, datas existem para marcar acontecimentos. O Natal marca o nascimento de Jesus (ainda que muitos contestem que ele tenha nascido nessa data). O carnaval marca um momento de folia, desprendimento, despreocupação. Aniversários marcam uma data nova no calendário de cada um e também traz essa perspectiva de algo novo.
        Marcar datas muitas vezes é legal porque, geralmente, vem acompanhadas de celebrações e celebrar é algo quase divino. É aquele momento em que se compartilha a alegria. Mas, o que isso tem a ver com o ano novo?
        Bom, o réveillon também é aquele momento simbolizado por festa e muitas intenções de mudanças. Acredita-se que terá mais dinheiro, talvez outro namorado ou ainda uma carreira nova. E, claro, não há nenhum problema em se pensar nisso. Mas, há alguns anos observo que o réveillon não tem o mesmo sentido para mim do que para as pessoas, de modo geral. Comecei a entender que ficava muito mais feliz com pequenas situações que conseguia resolver no meu dia a dia do que o réveillon em si. E que havia parado de fazer promessas que não poderia cumprir.
        E, então, entendi que tinha a mesma alegria de rever os amigos que moram em outra cidade (e que vejo só de vez em quando) que as festas que participava na passagem de ano. Uma alegria renovadora. Entendi também que passei a ter mais esperança quando superava obstáculos que pareciam intangíveis. Entendi que iniciava um ano novo quando conseguia mudar crenças enraizadas dentro de mim. Isso sim proporcionava uma enorme sensação de ano novo porque trazia a certeza de que é possível de mudar até mesmo àquelas coisas mais difíceis em si. Comecei a entender que meu ano começava quando eu vencia medos, assumia riscos, quando conhecia novos amigos. Meu ano começava quando conseguia enxergar não mais mudanças externas, mas todo aquele conjunto de ações que me levaram a ser o que hoje eu sou. Pelo menos para mim, isso é o ano novo. É o se permitir refazer dentro de seus propósitos, é se ouvir sem medo, se orgulhar de sua jornada, de tocar seus sentimentos sem receio de que eles não sejam bons.
        Aliás, não existem apenas coisas boas na vida, mas quando se consegue resolver dos mais simples aos mais difíceis dos “problemas” é como se um ano novo se iniciasse para que você (e eu) pudesse escrever mais um ano que deseja.
        Penso que não existe um ano novo, existe um olhar novo sobre o ano que virá. E, pelo menos para mim, 2016 já teve muitos anos dentro de um só, repleto de mudanças. E que venha 2017! Ou muitos dos 2017 que cabem dentro de 365 dias.
        Que venha um ano novo a cada dia.

p.s: vou tirar férias do blog por 30 dias. Também mereço descanso, rssss. Mas, existem mais de 200 textos nesse blog que podem ser lidos por você, leitor(a), nesse mês de janeiro de 2017.

p.s1: quer aprimorar usa comunicação? Faça os cursos on-line da DNA Comunicativo: http://dnacomunicativo.com.br/produtos/


0 comentários:

Postar um comentário