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domingo, 28 de agosto de 2016

Em sua companhia


       Compartilhar e dar muitas risadas é daquelas coisas na vida que fazem nos sentir especialmente vivos. É como se ganhássemos um presente ao final do dia. Faz com que toda a tensão e os “problemas” desapareçam.
        E quanto mais alegria compartilhamos, mais felizes ficamos. Por isso, (e talvez, especificamente por isso), atribuímos a felicidade a estar com alguém. Estar com amigos, estar com a família, namorada, conversar com uma colega. Mas, e quando não há imediatamente alguém por perto (para compartilhar as alegrias) é impossível ser feliz sozinho?  
      Fazer companhia estando em sua própria companhia pode ser extremamente divertido quando não olhamos para essa opção como uma falta de opção, mas uma escolha. Valorizar a nossa companhia (quer dizer, você a sua e eu a minha) é uma daquelas situações consideradas até mesmo raras nos dias de hoje, em que é quase impossível de não sermos acionados de hora em hora, com tantas possibilidades de comunicação. Basta ficar três horas sem olhar para o Whats que a quantidade de mensagens parece não ter fim.
        Então, enquanto não olhamos novamente para o celular, proponho a nós (eu e você) a olhar para as alegrias que carregamos em nosso coração. Como pode ser verdadeiramente gratificante simplesmente estar feliz com ou sem motivo por poder dedicar esse tempo a si mesmo, sem aquela ansiedade de “tenho que contar a uma amiga”. Existe um deleite tão grande em compartilhar segredinhos somente para si, como um sorvete tomado fora de hora, uma nota de cinquenta reais encontrada por acaso ou um postal que recebeu de uma amiga. (Vou abrir um parênteses aqui: tenho uma amiga que me envia postais. Fico muito feliz de olhar para aquele postal sozinha, pois esse é um momento meu, agora compartilhado com você).
        Talvez a felicidade de estar em sua própria companhia permita que entendamos até mesmo a valorização da vida, como um sopro de nossa essência, perpetuada em pequenos fragmentos de felicidade ou na abundância de amor e alegria que podemos ter por nós mesmos.
        E isso pode parecer egoísta ou egocêntrico e até mesmo coisa de pessoas reclusas demais. Nada disso. Estar consigo é um daqueles momentos internos que nos permitem ser livres, sem a expectativa de que alguém concorde ou reprove nossos hábitos, jeitos, pensamentos, como se fosse possível voltar a um casulo mesmo já tendo virado borboleta.
        E esse pode ser um dos encontros mais legais da vida, afinal a companhia já é garantida. 



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