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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Apresente-se, por favor!



     Você já reparou como as pessoas, de modo geral, têm começado uma conversa sem falar um “olá, tudo bem?”
        Fazer uma introdução numa conversa não é capricho ou coisa de gente de mais idade. Na verdade, todas as saudações existem porque é preciso “saudar” uma pessoa quando a encontramos. O “olá” é apenas uma delas, mas também existem inúmeras outras formas de saudar alguém. Por exemplo, “como vai você?” ou então “que bom encontra-lo(a)!” ou ainda “olá, deixa eu me apresentar. Sou fulano(a) amigo(a) de ciclano(a).”
        Mas, por que as saudações estão caindo em desuso como se fosse um acessório dispensável ou se tornando old fashioned? Bom, tenho uma teoria de que velocidade e comunicação nem sempre são “coisas” que caminham juntas. Falar rápido, por exemplo, não é sinônimo de boa Oratória. Bem como a agilidade dos smartphones (e de todos os aplicativos que fazem a comunicação imediata – como o Whatsapp), nem sempre permite que se tenha uma comunicação, de fato, eficiente.
        Então, suponha que alguém lhe aciona no Whats (já que se falou dele) e inicia uma conversa. Imagine que você seja um vendedor de seguros de vida. E recebe uma mensagem assim. “quero saber quanto custa um seguro de vida para um senhor que está doente. Abs.” Não sei quanto a você, mas eu me pergunto aqui com meus botões o que será que aconteceu com o “olá, tudo bem?” Fugiu? Faço esse questionamento porque, primeiramente, quando não se conhece alguém é importante se apresentar. Algo como “olá, tudo bem? Meu nome é fulana e estou interessada em saber mais sobre seguro de vida. Você poderia me ajudar?” pode ser mais claro para quem lê e até para quem faz o pedido mesmo.
        Outro exemplo como esse é quando alguém lhe aciona no Facebook. A pessoa tem 3 amigos em comum com você e por isso acha que se tem a obrigação de conhecê-lo. É claro que existe o Google hoje em dia que permite que se descubra quase tudo.
        No entanto, não acho que o Google possa substituir um diálogo, nem que seja curto. Essa ferramenta poderosa vai mostrar algumas coisas sobre a pessoa que você procura. Mas, e o tom de voz? E como essa pessoa se expressa numa conversa informal? E aí, novamente, questiono: custa muito se apresentar para, inclusive, saber o motivo ou propósito da abordagem?
        Além de tudo, falta “alma” nessas mensagens curtinhas enviadas pelo Whatsapp ou por Face, coisas do tipo “quero saber mais sobre...” Não estou aqui defendendo a volta dos diálogos imensos ou o desejo de voltar chamar “você” de “vossa mercê”, mas um pouco mais de atenção àquilo que se diz (e principalmente à maneira como se inicia os diálogos) evita não apenas os ruídos de comunicação, mas o retrabalho de explicar aquilo que não se conseguiu dizer, talvez por preguiça ou pela “falta de tempo”. Não se preocupe porque o trabalho mal feito em qualquer área da vida vai exigir que você o faça de novo e melhor. Bom, eu optaria por me comunicar melhor (retrabalho não é bom). Pensando bem, apresentar-se não é tão ruim assim. Não é mesmo?


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