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quinta-feira, 31 de março de 2016

Muito barulho por nada!


Muito barulho por nada é uma obra de William Shakespeare em que confusões se desenrolam em nome do amor. Brigas, intrigas, traições fazem parte do roteiro da peça e, claro, como é de se esperar de uma boa comédia romântica, tudo dá certo no final após os ruídos serem desmanchados.
Bem menos românticos são os ruídos existentes na vida corrida do século XXI. Se não bastasse um ruído ser ruim por si só, ainda existe a falta de tempo para arrumar os estragos causados por ele. Seria tão mais gostoso e romântico se os conflitos iniciados por um mal entendido pudessem ser filosofados por dias e até meses, como na obra de Shakespeare! Pois, é. Mas, não é assim.
Apesar da diferença de tempo entre a obra do grande mestre do teatro inglês e a realidade em se vive atualmente ser de quase 500 anos, há alguns pontos em comum entre a trama vivida pelos personagens e a atualidade.
Um desses pontos é que, genialmente, Shakespeare tenta mostrar que nas idas e vindas da vida (um adendo: hoje estou cheia de travas línguas com o texto, rsssss), de modo geral, as pessoas fazem muito barulho por nada. Uma briga aqui, uma intriga acolá que poderia ser mais facilmente resolvidos se as pessoas quisessem. Mas, como é apresentado na obra, parece que uma pitada de pimenta nos discursos faz tornar a vida ainda mais interessante.
Não digo que essa é uma regra nem para todo mundo, muito menos para a maioria. Mas, caro leitor, você há de convir comigo de que existem muitos ruídos por aí que foram iniciados por nada.
Por isso, Shakespeare parece ter dado um nome muito interessante a sua obra: muito barulho por nada! Quanto barulho existente hoje poderia ter sido desfeito apenas com um simples sorriso? Ou até um: “opa, me desculpa”. Ou ainda, “olha, achei ruim o que você me disse.”
No fundo, no fundo, parece que 500 anos após a obra de Shakespeare, as pessoas ainda querem se esconder por trás das palavras ditas pelo outro para não revelar, a si mesmo, o que é que lhe fere no discurso alheio. E aí, vale cada um entender qual é seu desejo diante da intriga ou do mal entendido. Você deseja resolver a situação ou fazer barulho com ela?
Atualmente, as relações andam tão frágeis a tudo que qualquer palavra mal colocada pode, de fato, terminar numa confusão sem final feliz. Quantas vezes você disse algo que ofendeu alguém, mas não era sua intenção? Quantas vezes você comentou algo que levantou a defensiva de um amigo? Quantas vezes percebeu que algo que foi dito foi mal interpretado, por mais que você tenha tentando ser claro?
Então, como teria dito Shakespeare: “a vida é cheia de som e fúria". Ou como diria Caetano Veloso: “ou não”.




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