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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Um ano novo a cada dia



        Parece uma obviedade o que vou falar, mas existe um tratamento especial com o réveillon. É como se as pessoas se preparassem para um ritual de passagem que permitisse fazer com que, num único dia, começassem a acreditar que algo novo virá. Uma renovação das esperanças de que o próximo ano será, no mínimo, melhor do que passou.
        Tenho um olhar um pouco diferente a respeito do réveillon e penso que talvez mais pessoas tenham sensações parecidas quando o assunto é “ter um ano melhor”. Ancestralmente, datas existem para marcar acontecimentos. O Natal marca o nascimento de Jesus (ainda que muitos contestem que ele tenha nascido nessa data). O carnaval marca um momento de folia, desprendimento, despreocupação. Aniversários marcam uma data nova no calendário de cada um e também traz essa perspectiva de algo novo.
        Marcar datas muitas vezes é legal porque, geralmente, vem acompanhadas de celebrações e celebrar é algo quase divino. É aquele momento em que se compartilha a alegria. Mas, o que isso tem a ver com o ano novo?
        Bom, o réveillon também é aquele momento simbolizado por festa e muitas intenções de mudanças. Acredita-se que terá mais dinheiro, talvez outro namorado ou ainda uma carreira nova. E, claro, não há nenhum problema em se pensar nisso. Mas, há alguns anos observo que o réveillon não tem o mesmo sentido para mim do que para as pessoas, de modo geral. Comecei a entender que ficava muito mais feliz com pequenas situações que conseguia resolver no meu dia a dia do que o réveillon em si. E que havia parado de fazer promessas que não poderia cumprir.
        E, então, entendi que tinha a mesma alegria de rever os amigos que moram em outra cidade (e que vejo só de vez em quando) que as festas que participava na passagem de ano. Uma alegria renovadora. Entendi também que passei a ter mais esperança quando superava obstáculos que pareciam intangíveis. Entendi que iniciava um ano novo quando conseguia mudar crenças enraizadas dentro de mim. Isso sim proporcionava uma enorme sensação de ano novo porque trazia a certeza de que é possível de mudar até mesmo àquelas coisas mais difíceis em si. Comecei a entender que meu ano começava quando eu vencia medos, assumia riscos, quando conhecia novos amigos. Meu ano começava quando conseguia enxergar não mais mudanças externas, mas todo aquele conjunto de ações que me levaram a ser o que hoje eu sou. Pelo menos para mim, isso é o ano novo. É o se permitir refazer dentro de seus propósitos, é se ouvir sem medo, se orgulhar de sua jornada, de tocar seus sentimentos sem receio de que eles não sejam bons.
        Aliás, não existem apenas coisas boas na vida, mas quando se consegue resolver dos mais simples aos mais difíceis dos “problemas” é como se um ano novo se iniciasse para que você (e eu) pudesse escrever mais um ano que deseja.
        Penso que não existe um ano novo, existe um olhar novo sobre o ano que virá. E, pelo menos para mim, 2016 já teve muitos anos dentro de um só, repleto de mudanças. E que venha 2017! Ou muitos dos 2017 que cabem dentro de 365 dias.
        Que venha um ano novo a cada dia.

p.s: vou tirar férias do blog por 30 dias. Também mereço descanso, rssss. Mas, existem mais de 200 textos nesse blog que podem ser lidos por você, leitor(a), nesse mês de janeiro de 2017.

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Dosar as palavras



        É assim, as coisas mais legais na vida não duram pouco. Elas não estão nos momentos em que não se está trabalhando e também não existem apenas quando se tira férias. Talvez elas apenas sejam ainda mais legais nesses momentos.
        Não existem tormentas eternamente, nem desavenças para todo o sempre, assim como não existem dramas sem fim. O que existem são memórias. E existem aquelas que se gosta de lembrar e aquelas das quais não se quer pensar.
        Não existe tempo perdido, coisas que não servem para nada, não existe o azar, o dedo podre. Existem escolhas.
        Não existem erros, existem possibilidades.
        Não existe conflitos, existem pontos de vista.
        Não existe sonhos não realizados, existem sonhos por realizar.
        Não existe amor eterno, existe amor enquanto dura.
        Não existem ruídos, existe cada um no seu mundo.
        Não existem regras, existem meios comuns de resolver coisas.
       É assim. Muitas das coisas que são ditas por meio da comunicação são relevantes, de fato, e representam tudo aquilo que se quer ou se pratica na vida. Por isso, alguns fatos parecem marcar a vida para todo o sempre. Mas, brinco também que a comunicação é como uma mancha de café na roupa. Pode causar um impacto imenso no começo, mas uma hora, com o tempo, e boas lavadas (no caso da comunicação boas conversas), ela desaparece. Por isso, é preciso dosar as palavras atribuídas ao momento em que se vive.
        Se sente dor, está dolorido nesse momento e não doente.
      Se está com problemas, está reflexivo pois é isso o que o momento exige.
        É preciso encontrar as palavras certas para representar aquilo que está acontecendo em determinado momento ou o que deseja expressar. E sugiro isso pelo simples fato de que pensamentos se tornam emoções que, por sua vez, se acumulam no coração e, automaticamente, se tornam verdades verbalizadas em forma de comunicação.  Principalmente, quando se está perto do fim do ano e cansado(a).
        Já pensou o que realmente está comunicando nesse momento?

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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Filtrar!



           O que realmente é importante para você?
        Como você percebe seus sonhos? O que lhe faz mais sentido? Seus desejos são os mesmos que há um mês atrás? E se olhar para anos atrás, você se reconheceria dentro dos seus desejos?
        Sonhar e planejar a vida para que ela dê certo é, sempre sombra de dúvidas, daqueles exercícios maravilhosos de imaginação (e de sensações) que o (a) transportam para uma realidade muito mais divertida.
         Nem sempre, no entanto, é possível classificar de imediato quais os sonhos, pelo “o que” seu coração palpita. Afirmo que o excesso de informações é um dos motivos pelos quais os sonhos são esquecidos. Há muitos caminhos para serem seguidos. E, às vezes, nessa grande possibilidade de caminhos a se trilhar para atingir seus sonhos, alguns deles se perdem, outros simplesmente deixam de fazer sentido.
        Por isso, é importante filtrar! E quando digo filtrar, falo de estabelecer um caminho como meta, um jeito (o seu jeitão da madeira) de atingir os objetivos e que demanda muito mais que planejamento: falo de ouvir a intuição. Sabe aquela voz interior que fala consigo vez ou outra, como quem diz “é melhor não seguir esse caminho” ou “cuidado com o que vai falar”. Pois, é! Ela não existe apenas naqueles momentos em que se está em perigo. Ela está a todo momento dentro de você. E, acredite! Você é a melhor pessoa que vai dizer qual caminho seguir para fazer o que deseja.
        E como você irá se ouvir se está repleta de outras informações na cabeça? E, principalmente: como irá se ouvir se está pensando apenas em problemas? Essa comunicação introspectiva é o que chamo de filtrar. É se permitir se observar, como quem assiste um filme. Entender a si mesmo é um grande mistério e, com certeza (e como disse no post anterior, haverá muita gente dizendo o que você deve ser) irá se surpreender com as possibilidades que enxerga em si.
        Que tal, então, permitir ouvir sua voz interior? Se não gosta da palavra “intuição” porque acha muito holístico, chame do que quiser. Mas, você sabe que aí dentro, há uma possibilidade muito grande de ser feliz (se já não é).
        Então, lhe pergunto, novamente: o que realmente é importante para você? Comunique-se e reflita.

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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Você não "tem que ser" nada!



            Penso que o século XXI já é daquelas Eras em que se pode pensar que as escolhas que se faz vão gerar o resultado de quem você é. Demorou-se séculos para o homem aceitar que pode haver igualdade em qualquer nível. Seja nos gêneros (em vez de cada um ficar defendendo seu lado), seja na cor da pele, que não é um determinante para nada, bem como seu estado civil, que não é garantia de uma vida feliz.
        Escolha é ter liberdade, é se permitir ser feliz com o que é, com aquilo que se constrói por meio de suas escolhas, e não o resultado “do que a vida traçou para você”, como se fosse uma vítima da vida. 
        Por isso, nunca antes na história da humanidade, apontar para o outro dizendo o que ele(a) deve fazer de sua vida é daquelas bobagens sem precedentes. Isso porque cada um pode (e arrisco a dizer que talvez até deva) prestar mais atenção e si e não nos outros. A referência para a felicidade é interna e não externa. E, de certa forma, esse pensamento lhe desobriga a “ter que ser” o que os outros desejam.
        Você deve ser rico, "famoso", ter seguidores nas redes sociais, ter feito curso de chefe de cozinha, senão será um ninguém. Bem, é uma escolha pensar isso também. Ou você pode pegar suas escolhas e entender que o caminho que traçou até aqui pode ser uma jornada muito bonita e que sua coletânea de “fracassos” tenham sido oportunidades para chegar onde se chegou. Você construiu sua história, talvez repleto de dúvidas e até de sofrimento, mas essa história é sua. E é sua, também, a competência de administrar o que os outros desejam que você seja.
        Penso cada vez mais que existe um risco muito grande  ao falar o que os outros devam ser ou apontar o dedo dizendo o que os outros deveriam fazer para uma vida mais feliz. Essas são suas experiências e talvez não caibam na experiência dos outros. Isso não quer dizer que não se deva conversar com as pessoas sobre suas dúvidas. Mas, é importante valorizar o que seu coração diz. 
         E ouvir o coração pode ser daqueles momentos maravilhosos em que olha para si com alguma dúvida, mas também felicidades. Porque quando se permite ser quem se é, você não tem que ser nada.            

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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Daquilo que não é dito

     


      Gosto de dizer que a comunicação ocorre muitas vezes naquele momento em que nada dizemos. Você já deve ter reparado que tem horas em que o silêncio diz mais do que muitas palavras. E não falo daquele silêncio avassalador ou constrangedor, que inibe a pessoa com quem deseja “não” falar.
        Falo do silêncio representado por outras pequenas e grandes ações que falam por nós. Um olhar carinhoso e complacente de uma amiga é, às vezes, muito melhor do que muitas palavras que poderiam ser ditas. Assim como um abraço acolhedor pode significar muito mais do que coisas ditas. Existe uma beleza no não dito porque precisamos usar um pouco da intuição para entender as coisas que os outros não nos falam. A beleza está justamente em observar e, em alguns momentos, ter certeza do que o outro disse, sem ter dito uma única palavra.
        Um olhar, sem sombra de dúvida, diz muito. É possível ver (e sentir) a fúria no olhar de outra pessoa. A vergonha que salta dos olhos de alguém que nos fez algo de errado. Bem como a tristeza de alguém que não nos perdoa.
        Mas, também há outros pequenos atos que dizem muito até mesmo quando não queremos simplesmente falar. Uma respiração profunda quando estamos cansados, um afastamento corporal quando queremos nos defender, um levantar de sobrancelhas quando buscamos uma explicação ou nos sentimos contrariados.
        E ainda tem mais: uma amiga que deixa seu tablet (ou livro se preferir) aberto apontando num capítulo específico reforçando seu argumento, bem como aquela música cantarolada por uma colega de trabalho. Os detalhes nos dizem muitas coisas.
        A diferença está no “como” olhamos para os detalhes. Estamos atentos a eles? Estamos prontos para captar a comunicação no todo? Afinal, é no silêncio que muitas coisas são ditas.


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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Onde não puderes amar não te demores

         

      “Onde não puderes amar não te demores” é uma daquelas inúmeras frases que aparecem, todos os dias, no Facebook. Alguns atribuem o pensamento à Frida Kahlo, outros à atriz italiana Eleonora Duse. Não importa muito da onde vem. Mas, sim o que ela deseja transmitir.
        A frase é impactante e pode ser interpretada de inúmeras maneiras. Vou abordar um ângulo que tem a ver diretamente com a comunicação assertiva. Depois de alguns anos trabalhando com o tema cheguei à conclusão de que a comunicação é o reflexo imediato da maneira como se olha para as relações interpessoais e para o amor. Gosto de afirmar que “comunica-se aquilo que está em seu coração”, que também parece uma frase de efeito (mas de papel de carta da Hello Kitty, rssss) e que é pura verdade. A comunicação é o resultado daquilo que cada um consegue traduzir dos seus sentimentos em palavras.
        Por isso, quando alguém diz que “onde não puderes amar não te demores”, talvez esteja querendo falar da questão mais importante das relações interpessoais, que é a maneira como se demonstra o amor por meio daquilo que se diz. Particularmente, entendo assim “se você não consegue depositar seu amor aqui, não insista. Procure relações de amor verdadeiro.” E existe uma grandiosidade nisso (e aí que entra a assertividade) porque é responsabilidade de cada um olhar para seus próprios sentimentos e ser verdadeiro com aquilo que ama ou deixou de amar (e ainda, verbalizar essa “verdade”).
        E isso pode ser aplicado a qualquer situação. Por exemplo, se você não consegue amar mais um amigo, por que manter a imagem de amigo? Se não consegue mais amar um serviço que contratou, por que não dizer a verdade (de que não está feliz com o serviço)? Existe muita grandeza quando se é fiel a seu coração. Não é preciso amar efetivamente a todos e a tudo. Nem sei se é possível isso. Mas, é possível sim prestar atenção onde está o amor e como se verbaliza esse amor. Ser honesto consigo mesmo sobre a sua afetividade é uma das maneiras mais fáceis de colocar a tão famosa frase em prática.
        E é muito interessante também quando você percebe que não há mais amor (e nem o mesmo cuidado) dos outros para contigo. Evidentemente, as pessoas querem ser amadas eternamente. Mas, não existe nenhuma troca justa quando se está numa relação onde alguém não tem amor para lhe dar ou você também já não carrega mais o amor no seu coração pelo outro. Um exemplo disso são as relações desgastadas de trabalho que se tornam cada vez piores quando já não há mais amor naquilo que se faz e, consequentemente, atingirá as relações interpessoais do trabalho.
        Então, numa Era em que o tempo é escasso é preciso entender onde estão suas verdadeiras relações de amor, pois a frase “onde não puderes amar (seja porque você não ama mais ou porque não é amado) não te demores” se tornou cada vez mais necessária. 

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domingo, 9 de outubro de 2016

Quando pontuar é necessário...



              Existe um lado muito legal da comunicação que é quando é utilizada para resolver conflitos. Aliás, tudo na comunicação é muito bonito porque ela expõe um pouco do que cada pessoa é e ainda demonstra como as relações se constroem a partir daquilo que é dito. E, quando utilizada com amor, é possível dissolver os piores mal entendidos.
        E um desses mal entendidos é em relação à própria comunicação. Quando se fala em se comunicar bem para dissolver problemas não significa ser bonzinho o tempo todo. É bastante difícil diante de uma situação desgastante (para os interlocutores) conseguir lidar com “o corrido” sem nenhum irritação ou medo. Passar um momento conflitante também é um momento de superação e, inevitavelmente, haverá emoção nas palavras. Um detalhe muito importante é no “como” se fala e o quanto se pensa antes de falar qualquer coisa para alguém, principalmente durante um conflito. No entanto, pontuar é sempre um alívio.
        Mas, o que é pontuar? É dizer aquilo que se pensa quando você não se sentiu bem com algo ou quando viu algo que é legal e deseja pontuar. Fazer uma pontuação adequada, dentro de um senso de ponderação, e ainda dizê-la num momento certo é quase como uma arte. Existem pontuações que perdem seu valor quando passam um determinado tempo (como um “eu te amo” atrasado, rsssss) e há àquelas que exigem tempo e digestão.
        Dizer o que se pensa não é nenhum pecado. Na verdade, creio eu, que boa parte das mágoas existentes hoje no mundo poderiam ter sido resolvidas com pequenas pontuações. Coisas que não foram ditas e permaneceram engasgadas ou coisas que foram ditas e não compreendidas. Bom, existe um velho ditado que diz que é inevitável voltar no tempo. Neste caso, em qualquer situação em que seja necessário pontuar, pontue. Respire profundamente e pontue. Porque, tem horas que é necessário deixar claro aquilo que se pensa.


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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Internalizar!

      

      Dizer o que o outro deve fazer é muito fácil. Receita para a felicidade, para a sorte, para o amor, para a vida em família é o que mais existe na atualidade. Basta abrir o Facebook para ver um monte de mensagens bonitas com frases impactantes.
        Mas, quanto daquilo que você escreve ou fala, de fato realiza? Muitos sabem o que fazer num momento de mais aperto (ou num momento novo). Uns sugerem planejamento de vida ou de carreira para quando uma situação mais “difícil” chega. Mas, ao se deparar com algo novo (e não necessariamente difícil), você age conforme àquilo que “prega”?
        Penso que existem duas teorias que permitem analisar o “é mais fácil falar do que fazer”. A primeira delas é que falar dos desafios dos outros é muito simples. A vida não é sua, portanto, fica fácil de resolver. Depois, (e complementar a esse pensamento) é que existe o fato de que a vida é complexa por si só. Então, fazer exatamente aquilo que se diz (ou prega) exige, acima de tudo, coragem.
        Não afirmo que aqueles que fazem o contrário do que dizem são covardes. Nada disso! Mas, talvez não percebam que precisam internalizar suas próprias palavras. E internalizar significa estar pronto para mudar. Abrir seu coração para desejar uma mudança interna e permitir vencer seus medos e desafios.
        E, claro, essa mudança não acontece apenas porque você verbalizou para os outros o que desejava fazer. A mudança acontece quando você deseja mudar de verdade, quando permite se observar sem julgamentos, entendendo e acolhendo a si mesmo, como um observador de fora. E, a partir da análise de suas próprias ações, consegue perceber como deseja atuar em sua vida, como um protagonista que assume aquilo que diz.
        Mas, se isso é uma receita de vida? Nem pensar! A vida é sua, você faz o que bem entender! (Rsssssss). Quem sabe internalizar possa ajudar!



domingo, 18 de setembro de 2016

Gotinhas generosas de amor




        Existem dias que são, de fato, puxados! E que se tem a sensação de que nada vai dar certo. É evidente que boa parte das pessoas está sob pressão e o estresse parece ter dominado vários âmbitos da vida. Você não vê gente estressada apenas no trabalho, mas também nos parques, nos shoppings e em quase qualquer lugar que se vá. E gente estressada, você sabe, não ajuda muito para que as coisas fiquem bem.
        Há um prisma a respeito da “vida estressada” que considero bastante interessante: e se simplesmente você olhasse para as coisas com mais tranquilidade? E se não desse bola para a grosseria da atendente no shopping? E se não levasse em conta a provocação do colega de trabalho? E se não entendesse os desleixo do outro não como uma “falta de atenção”, mas como alguém que não pode lhe dar atenção em determinado momento?
        Tornar as coisas mais fáceis não é um “fingimento” da vida real. Na verdade, é um mito achar que somente se é recompensado na vida quando passa por situações difíceis. A vida também tem muitas coisas legais, principalmente quando se olha para ela (e para as situações vividas) com mais amor.
        E não falo do amor piegas, daquela “sensação de apaixonite”, não é isso. Esse amor também é importante, mas  não falo do amor que se espera do outro e sim aquelas gotinhas de amor, do dia a dia, que se pode fornecer a quem quer que seja, independentemente da situação em que se vive. E amor são alegrias compartilhadas, rir das próprias besteiras (e talvez medos), abaixar a guarda para ouvir, ter empatia com quem não conhece. Amar é simplesmente encher o coração de coisas boas e permitir que elas saiam por sua boca.
        Eu tenho certeza de que muitos dos ruídos, das tristezas e até das dores existentes podem desaparecer quando se dá um peso diferente aos fatos e passa a olhá-los com amor. E não importa se você tem algumas gotinhas de amor para dar ou um oceano de coisas boas a fornecer.


domingo, 11 de setembro de 2016

Seu discurso é colaborativo?

  



           Você acredita que seu discurso é colaborativo? Esse é um tema que muitas pessoas gostam de opinar e poucas, de verdade, têm vontade de debater.
        Fala-se muito em processos colaborativos, como se as pessoas caminhassem para uma vida coletiva de trocas mais justas, de trabalhar em conjunto para um mundo melhor. Isso é muito positivo porque, de fato, parece que o zeitgeist do século XXI tem sido a busca constante por aprimorar o convívio entre as pessoas.
        Mas, quanto de colaboração há no seu discurso? Existe uma diferença muito grande em desejar um mundo melhor e cooperar para que ele realmente isso aconteça. Existem  comportamentos que permitem criar um “mundo mais bacana” como separar o lixo, participar de trabalhos voluntários. No entanto, nada afeta tão imediatamente as pessoas  como aquilo que é dito. E reparar no que se diz pode parecer um exercício atribuído ao outro (fulano disse tal coisa, ciclano falou aquilo), mas quanto de responsabilidade se atribui àquilo que se fala?
        Tem sido cada vez mais comum as pessoas falarem palavras bonitas, como as mensagens postadas nas redes sociais. No entanto, a “prova real” se seu discurso é colaborativo ocorre naqueles momentos em que as situações exigem o vigiar do seu comportamento. Você fala mal de seu colega de trabalho? Detona o colega por trás? Você observa a maldade em pequenos atos de um amigo(a), primo(a), namorado(a)? É provocativo?  Se defende mesmo antes de ouvir o que o outro tem a dizer?
        No íntimo, cada um sabe quando poderia ter tornado as palavras mais suaves, ter entendido que o convívio (aquele para tornar um mundo melhor) exige, acima de tudo, tirar da frente aqueles sentimentos ruins e pequenos (e às vezes caprichosos) para compreender o outro. Pense quantas vezes você entrou no processo colaborativo, de verdade, para deixar aflorar o senso de comunidade e verbalizou o desejo de ajudar, participar, contribuir!
        Talvez seja hora de começar a olhar para seu discurso e refletir quão colaborativo você é! Quanto você tira seus caprichos da frente para tornar a vida mais fácil em coletividade? Quanto você permite que os outros expressem seus desejos? Quanto você observa suas provocações (e motivos que levam a fazer a provocação)? 
        Para se ter um mundo realmente, melhor, e colaborativo, pode-se começar por aquilo que se diz. Porque se não for útil, guarde para você. Como dizia o ditado, muito ajuda quem não atrapalha!




domingo, 28 de agosto de 2016

Em sua companhia


       Compartilhar e dar muitas risadas é daquelas coisas na vida que fazem nos sentir especialmente vivos. É como se ganhássemos um presente ao final do dia. Faz com que toda a tensão e os “problemas” desapareçam.
        E quanto mais alegria compartilhamos, mais felizes ficamos. Por isso, (e talvez, especificamente por isso), atribuímos a felicidade a estar com alguém. Estar com amigos, estar com a família, namorada, conversar com uma colega. Mas, e quando não há imediatamente alguém por perto (para compartilhar as alegrias) é impossível ser feliz sozinho?  
      Fazer companhia estando em sua própria companhia pode ser extremamente divertido quando não olhamos para essa opção como uma falta de opção, mas uma escolha. Valorizar a nossa companhia (quer dizer, você a sua e eu a minha) é uma daquelas situações consideradas até mesmo raras nos dias de hoje, em que é quase impossível de não sermos acionados de hora em hora, com tantas possibilidades de comunicação. Basta ficar três horas sem olhar para o Whats que a quantidade de mensagens parece não ter fim.
        Então, enquanto não olhamos novamente para o celular, proponho a nós (eu e você) a olhar para as alegrias que carregamos em nosso coração. Como pode ser verdadeiramente gratificante simplesmente estar feliz com ou sem motivo por poder dedicar esse tempo a si mesmo, sem aquela ansiedade de “tenho que contar a uma amiga”. Existe um deleite tão grande em compartilhar segredinhos somente para si, como um sorvete tomado fora de hora, uma nota de cinquenta reais encontrada por acaso ou um postal que recebeu de uma amiga. (Vou abrir um parênteses aqui: tenho uma amiga que me envia postais. Fico muito feliz de olhar para aquele postal sozinha, pois esse é um momento meu, agora compartilhado com você).
        Talvez a felicidade de estar em sua própria companhia permita que entendamos até mesmo a valorização da vida, como um sopro de nossa essência, perpetuada em pequenos fragmentos de felicidade ou na abundância de amor e alegria que podemos ter por nós mesmos.
        E isso pode parecer egoísta ou egocêntrico e até mesmo coisa de pessoas reclusas demais. Nada disso. Estar consigo é um daqueles momentos internos que nos permitem ser livres, sem a expectativa de que alguém concorde ou reprove nossos hábitos, jeitos, pensamentos, como se fosse possível voltar a um casulo mesmo já tendo virado borboleta.
        E esse pode ser um dos encontros mais legais da vida, afinal a companhia já é garantida. 



segunda-feira, 15 de agosto de 2016

O que é urgente para você?



                A urgência dos dias, num fôlego incessante para se cumprir “as coisas” parece um estado de loucura sem fim. “O dia está corrido”, ou “a vida está com pressa” são frases que se escuta de quase qualquer pessoa em vida profissional ativa.
        Até mesmo àqueles que ainda não tem uma agenda profissional, como as crianças, parecem estar estafadas com o todo. Ou ainda aqueles que deveriam descansar sentem uma certa correria. Bom, ter o que fazer é um senso comum entre as pessoas, na atualidade.
        Parte desse discurso da vida estafada está no próprio discurso. Quanto mais possibilidades existem de evolução de desenvolvimento tecnológico (que, de forma geral, facilitam a vida) mais existirá a possibilidade de se ter o que fazer. Para exemplificar isso, vou contar uma história da época de quando comecei no jornalismo (tipo, uns 17 anos atrás). Lembro-me (vou mudar a pessoa no texto - de terceira do singular para primeira do singular -  porque como sou a dona do blog me permito fazer isso) quando entrei numa redação a primeira vez, o fax era o instrumento mais desejado da época. Já existia internet, claro, mas, não existia a banda larga. Então, como estagiária, eu era escolhida para ir pegar o fax da “Reuters” que traziam as notícias internacionais. Literalmente, em determinada hora do dia, eu ficava ao lado do fax e esperava a notícia chegar. Parecia um milagre aquela máquina imensa cuspindo informações que vinham do outro lado do mundo. Sei que essa história soa bizarra nos dias atuais. Atualmente, a notícia é feita de qualquer lugar por um celular, por qualquer pessoa.
        O que quero dizer com isso é que o modelo de se comunicar mudou mais em 20 anos do que em 20 séculos. E isso faz com que se tenha que fazer adaptações em relação à própria comunicação. E, talvez, a primeira delas é entender o que é urgente. Quando se tem pessoas lhe acionando pelo Whats, Facebook, pela intranet da empresa, pelo telefone, celular, e mais algum aplicativo que deve existir, a vida se torna URGENTE! Urgente em caixa alta mesmo. Tudo parece chamar a atenção imediatamente. O fato é que reagir a todos esses impulsos deixa qualquer pessoa louca. Afinal, é como se você passasse boa parte do seu dia dando respostas. E, não quero parecer mais louca ainda, mas é isso mesmo que está acontecendo.
        Então, lidar melhor com a urgência é um aprendizado (meu, inclusive) para lidar com as novas possibilidades de comunicação.  E, se fizer esse ajuste é possível ter mais tempo para resolver o que for preciso.
        Depois, acredito também que há um discurso muito ruim no ar de que está tudo muito difícil e pesado. Minha avó conta uma história muito interessante que repasso para frente. Ela diz que quando era mocinha, percorria 4 quilômetros à cavalo para dar aula, embaixo de sol ou chuva. Já pensou em fazer isso uns cinco anos da sua vida, sem reclamar? Na época da minha avó era natural montar em cavalos.  Então, tenho uma teoria de que ao tornar a vida mais fácil, às vezes, não se percebe os benefícios. Por exemplo, você não precisa andar à cavalo, mas se tem carro reclama do trânsito. Se não tem carro, reclama do ônibus. Se tem trabalho reclama. Se não tem, reclama. Então, talvez seja necessário observar melhor o momento para avaliar o que é que de fato atrapalha seu dia.
        E para entender isso, não basta classificar “isso é urgente, isso não é”. É preciso parar mesmo. Observar o que é urgente para seu coração, para seu momento, para sua vida, para sua alegria. Uma sintonia que exige presença e não urgência para lidar melhor consigo e, simplesmente, deixar o urgente para quando realmente for urgente.
        Então, lhe pergunto: “o que de fato é urgente para você?”



terça-feira, 2 de agosto de 2016

Apresente-se, por favor!



     Você já reparou como as pessoas, de modo geral, têm começado uma conversa sem falar um “olá, tudo bem?”
        Fazer uma introdução numa conversa não é capricho ou coisa de gente de mais idade. Na verdade, todas as saudações existem porque é preciso “saudar” uma pessoa quando a encontramos. O “olá” é apenas uma delas, mas também existem inúmeras outras formas de saudar alguém. Por exemplo, “como vai você?” ou então “que bom encontra-lo(a)!” ou ainda “olá, deixa eu me apresentar. Sou fulano(a) amigo(a) de ciclano(a).”
        Mas, por que as saudações estão caindo em desuso como se fosse um acessório dispensável ou se tornando old fashioned? Bom, tenho uma teoria de que velocidade e comunicação nem sempre são “coisas” que caminham juntas. Falar rápido, por exemplo, não é sinônimo de boa Oratória. Bem como a agilidade dos smartphones (e de todos os aplicativos que fazem a comunicação imediata – como o Whatsapp), nem sempre permite que se tenha uma comunicação, de fato, eficiente.
        Então, suponha que alguém lhe aciona no Whats (já que se falou dele) e inicia uma conversa. Imagine que você seja um vendedor de seguros de vida. E recebe uma mensagem assim. “quero saber quanto custa um seguro de vida para um senhor que está doente. Abs.” Não sei quanto a você, mas eu me pergunto aqui com meus botões o que será que aconteceu com o “olá, tudo bem?” Fugiu? Faço esse questionamento porque, primeiramente, quando não se conhece alguém é importante se apresentar. Algo como “olá, tudo bem? Meu nome é fulana e estou interessada em saber mais sobre seguro de vida. Você poderia me ajudar?” pode ser mais claro para quem lê e até para quem faz o pedido mesmo.
        Outro exemplo como esse é quando alguém lhe aciona no Facebook. A pessoa tem 3 amigos em comum com você e por isso acha que se tem a obrigação de conhecê-lo. É claro que existe o Google hoje em dia que permite que se descubra quase tudo.
        No entanto, não acho que o Google possa substituir um diálogo, nem que seja curto. Essa ferramenta poderosa vai mostrar algumas coisas sobre a pessoa que você procura. Mas, e o tom de voz? E como essa pessoa se expressa numa conversa informal? E aí, novamente, questiono: custa muito se apresentar para, inclusive, saber o motivo ou propósito da abordagem?
        Além de tudo, falta “alma” nessas mensagens curtinhas enviadas pelo Whatsapp ou por Face, coisas do tipo “quero saber mais sobre...” Não estou aqui defendendo a volta dos diálogos imensos ou o desejo de voltar chamar “você” de “vossa mercê”, mas um pouco mais de atenção àquilo que se diz (e principalmente à maneira como se inicia os diálogos) evita não apenas os ruídos de comunicação, mas o retrabalho de explicar aquilo que não se conseguiu dizer, talvez por preguiça ou pela “falta de tempo”. Não se preocupe porque o trabalho mal feito em qualquer área da vida vai exigir que você o faça de novo e melhor. Bom, eu optaria por me comunicar melhor (retrabalho não é bom). Pensando bem, apresentar-se não é tão ruim assim. Não é mesmo?


segunda-feira, 25 de julho de 2016

Sutilezas...

       


       Digo que é nos detalhes que comunicamos quem nós somos. Nos pequenos gestos, no olhar, no jeito de interagir, na forma de rir. É uma delícia esse conjunto de características que representa cada um de nós.
        A comunicação é um caminho muito lindo de perceber os outros e a nós, como oportunidades diárias de contemplação e beleza. Não falo apenas da beleza física não (claro que ser bonito também é legal), mas daquela beleza representada por uma série de pequenas pecinhas de um quebra-cabeça que refletem a imagem de quem somos.
        Quem é você? Como você se apresenta para o mundo? Gosta de colocar lenços na cabeça? Gosta de usar cores fortes? Usa perfumes suaves ou adora aromas franceses? Você escreve com a mão direita ou esquerda? Ou com as duas? Você sabe dançar? Pular corda? Fala com qual sotaque? Você tem alguma religião? Segue algum dogma ou nenhum?
        E dentro desse conjunto de fatores que você e eu, conseguimos apenas ser. É o existir sem definições, sem precisar buscar referências externas, sem a necessidade de pertencer a algum lugar ou família. Existem coisas que só você sabe a respeito de si mesmo que é capaz de identifica-lo como tal. Aquele detalhe que o faz pensar: “eu faria isso”, podendo ser desde a forma de criar uma receita ou jeito de andar. E que você comunica a todo instante.
        E são esses detalhes que ricamente diferenciam uma pessoa da outra e, se me permitem o comentário, é a beleza da existência. Você já olhou para sua beleza hoje? Ou para a beleza de conjunto de fatores que o definem como a pessoa que é?
        E, então, entre as sutilezas que o compõem, lhe convido a apenas ser, pleno de quem é, todas as possibilidades de seu ser, comunicando você!


sexta-feira, 8 de julho de 2016

Fora de ordem



        Quando as coisas estão fora da ordem é porque elas estão, exatamente, onde deveriam estar. Esse é um aprendizado, às vezes, muito dolorido, afinal, a maioria das pessoas deseja uma ordem fixa, permanente e, se possível, eterna das coisas, pessoas e acontecimentos.
        E, então, vem o caos, que faz com que você se sinta desconfortável e até provocado diante de uma nova realidade, um acontecimento, mostrando uma obrigatoriedade de decisão: que rumo tomarei diante do desconhecido? E por que isso está acontecendo comigo?
        Aí está o aprendizado. O caos talvez seja a maneira como se olha para os fatos e não os fatos em si. Aquilo que parece caótico para você talvez não seja para uma amiga. O que é caos afinal? E por que parece que tudo está fora de ordem?
        Ninguém sabe ao certo, mas existe uma percepção geral no mundo que diz que algo está fora de ordem quando não se estava esperando por aquela situação ou novo fato (ou até novo ponto de vista). Mas, ninguém diz que a construção de realidade pautada no seu ponto de vista (ou no meu) é, de fato, uma realidade ou uma ilusão. Quanto de realidade se cria diante de situações que nem sempre são reais ou necessárias, mas que “para cumprir um ponto de vista seu” submete-se à realidades muitas vezes sufocantes? Talvez o caos venha mostrar quanto de verdade existe na sua realidade, nas suas escolhas, nas suas “verdades”.
      Essa é uma comunicação difícil de fazer consigo mesmo porque a tendência é que se aponte o dedo para o mundo externo como se fosse sempre uma vítima das situações. Bom, essa é uma possibilidade. Mas, a ordem que tanto deseja para si talvez esteja aí internamente, esperando por uma decisão sua de se manter em ordem, independentemente de quanto na sociedade, no trânsito, na vida de modo geral, possa parecer que o caos opere. É uma grande responsabilidade assumir para si a sua ordem. Ou ainda, olhar com ordem quando o caos parecer operar.
        Talvez seja por isso que muitas filosofias (principalmente, as orientais) tendem a salientar o caos como um fato positivo, pois vem trazer um novo olhar sobre as coisas, uma nova rotina, um talento que você não sabia que tinha, uma resiliência que não descobriu dentro de si e que está por se revelar.
        Por isso, que, com o tempo e um bocado de caos, talvez entendamos melhor que quando as coisas estão fora da ordem é porque elas estão, exatamente, onde deveriam estar.



domingo, 26 de junho de 2016

Quando os dias voam...



        Quando os dias voam e tudo parece quase que um transe esquisito talvez seja o momento certo para sair da “loucura”. Encontrar-se no meio da multidão durante situações de agito, que parece não ter fim, é quase que um milagre. Pois bem, isso pode acontecer.
        Vive-se dias tão corridos, ultimamente, que quase se esquece do motivo de se viver. Respiração apressada, com músculos contraídos, um mente incessante que percorre a realidade e a virtualidade ao mesmo tempo como se fosse possível estar presente em dois lugares. E a consequência disso tudo é uma série de ruídos causados por uma comunicação mal feita, reflexo de uma vida desgastante.
        Então, é hora de parar para analisar o todo. Por que se corre tanto? Qual a prioridade dos compromissos? O que é importante para o seu ser naquele momento? Muitas das perguntas que têm um fundo mais humano podem parecer distantes e até utópicas para a realidade atual. Mas, como se viver sem analisar justamente o lado humano?
        Portanto, a prioridade não deve ser apenas o que se deve fazer. Mas, o que o seu ser está fazendo de melhor primeiro para você mesmo e depois para os outros. Afinal, quem se sente desgastado só tem a oferecer o desgaste como resultado, seja no trabalho, em casa, com os amigos.
        E o mais importante é que é justamente na correria que alguns detalhes vão aparecer como um emblema de que é hora da mudança. Um olhar amigo pedindo calma, uma palavra de conforto ou alerta, até mesmo um incidente pode trazer mais atenção ao presente.
        Então, quando os dias voam talvez seja o momento ideal para acessar a sua comunicação consigo mesmo(a). Talvez seja o momento certo para parar de correr e permitir viver o aqui e o agora. Que tal tentar?



terça-feira, 21 de junho de 2016

O ouvir...



        Uma das coisas mais importantes na comunicação é o ouvir. Mas, o ouvir com profundidade, percebendo as tonalidades do que o outro está falando. Percebendo seus sentimentos, suas intenções. É assim que você ouve?
        Ouvi certa vez de um aluno que as pessoas não ouvem os outros porque não se tem mais tempo para ouvir. Refleti bastante sobre essa opinião e, então, questionei: “mas, por que as pessoas não têm tempo?”
        Sei que esse questionamento parece bobo quando se está no século XXI, afinal, basta olhar para sua agenda para saber que a sensação de tempo para realizar as tarefas diminui muito nos últimos anos. Mas, se analisar a questão mais a fundo (da falta de tempo) a resposta pode ser a chave de muitas coisas. A primeira delas é que poucos são aqueles que percebem que a comunicação é o caminho para tudo aquilo que se expressa durante um dia.  Ou seja, é como se você precisasse de uma ferramenta para trabalhar, no entanto não sabe operá-la muito bem. Evidentemente, seu trabalho não vai sair lá muito bem.
        O que fazer nesse caso? Primeiramente, fazer uma auto avaliação a respeito da maneira como se comunica é o primeiro passo para não perder mais tempo. Mensagens ditas com clareza e ouvidas também com clareza trazem eficiência máxima à qualquer situação. Se a falta de tempo era o maior problema para o seu ouvir, então, seu problema está resolvido. Será?
        Particularmente, acredito que a falta de tempo é uma desculpa usada para o não ouvir e para o falar demais. Não é a falta de tempo que leva o não ouvir, mas a falta de vontade mesmo. Assim como toda revolução passada na história da humanidade, vive-se, atualmente, na mais abrangente delas: a da comunicação. Nunca antes na história do mundo (rsssss, desculpa, eu gosto dessa frase) foi possível expressar abertamente aquilo que se pensa, sem que haja uma punição imediata para isso. Então, as pessoas estão tendendo a usar o direito de falar em larga escala, seja nas redes sociais ou fora dela. Até aí, tudo bem, se o ouvir também fizesse parte do processo de expressão. Mas, repito, muitos querem falar, mas poucos querem ouvir.
        Além disso, o excesso de informações está levando as pessoas a ficarem com a cabeça cheia de “coisas” e aí fica difícil mesmo ouvir o que precisa ser ouvido. É o que chamo de ruído mental. Você está diante do seu chefe pensando no seu filho? Está diante da esposa pensando no trabalho? É hora de administrar seus próprios pensamentos! E, para isso, não é preciso um grande esforço. Na verdade, muitas filosofias milenares afirmam que estar presente durante uma fala é meio caminho andado para evitar qualquer ruído de comunicação. Esteja presente. Veja a pessoa que está na sua frente, observe suas expressões, seu jeito de falar, a entonação que confere às palavras, seus sentimentos.
        Agora, você pode estar se perguntando: “mas, por que é importante ouvir?” Bom, poderia ficar aqui horas escrevendo dos ruídos causados pelo não ouvir, mas vou citar apenas um para encurtar a história: não ouvir gera ruídos, que leva a perda de tempo e dinheiro. Considero esse um motivo suficiente para começar a ouvir. Mas, se você ainda não está muito certo de que o ouvir pode trazer benefícios, vou fazer uma lista dos motivos para ouvir bem:
1) você passa a ter trocas justas com as pessoas. Todo mundo quer ser ouvido. Quando você passa a ouvir as pessoas, elas também lhe escutam. Não é retribuição ou culpa, é respeito mesmo.

2) o ouvir evita equívocos: lembra da história do ruído que gera perda de tempo e dinheiro? Ouvir leva você a entender profundamente uma situação, fazendo com que você haja de maneira mais assertiva, levando-o(a) a ganhar tempo e atalhos para realizar o que precisa ser realizado.

3) o ouvir evita que você fale bobagem: quantas vezes você leu no Facebook um comentário esquisito a respeito de algo que não era bem aquilo? Então, é a mesma coisa com a audição. Se você não escuta, acaba falando bobagem.

4) quem escuta profundamente, abre seu coração: não existe coisa mais bonita do que observar uma mudança provocada por alguém que ouviu algo novo. É como mudar uma percepção.

        E, então, ouvir não é tão importante quanto o falar?



quarta-feira, 1 de junho de 2016

A hora de partir...



        Existem alguns momentos na vida em que é preciso ir. Simplesmente deixar o conhecido para seguir outros caminhos. A hora da partida nem sempre é o momento mais importante, apesar de poder haver grandes despedidas. Mas, então, por que se dá tanta importância para o partir?
        Em muitas culturas, partir significa a morte, um sinônimo para um fim desconhecido e que, por isso mesmo, pode ser “terrível”. Cada um enxerga a morte como consegue, ainda que se saiba que essa é a única certeza da vida (todos nós vamos morrer um dia).
        Mas, também existe um senso de mudança de rumo quando se parte. Alguém que parte de um relacionamento vai mudar uma situação. Alguém que morre vai trazer mudanças para um ambiente. Alguém que parte de uma cidade, obrigatoriamente e inconscientemente cria novos hábitos, novos amigos e novo trabalho.
        O partir vem acompanhada da inquietude.  Por isso, pode ser visto com muitos maus olhos quando alguém decide partir. E, tudo o que for dito no momento da partida, ganha um peso extraordinário pois esse é um daqueles instantes que parecem ficar congelados no tempo.
        Em alguns momentos, é importante partir batendo a porta na cara de quem fica, em outros é importante partir deixando portas abertas. E tudo depende do que for dito naquele momento.
        Mas, nunca deixe de partir. Porque partir também é sinônimo de coisas novas, ainda que desconhecidas. 
      Você não sabe o que está traçado você em sua vida, portanto, acredito que é importante partir quando novos rumos (e desafios) aparecem, falando coisas bonitas ou partindo calado(a). Depende, de como você quer partir.