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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O mundo das crianças




        Passou-me pela cabeça, por esses dias, o que eu faria se tivesse oito anos. Buscava me lembrar das brincadeiras, do que gostava de fazer, do que gostava de comer (isso é fácil, eu gostava de tudo!). Lembro-me de ser uma criança saltitante, inquieta, que gostava muito de água (leia-se rio ou piscina) e natureza, com as bochechas rosadas, curiosa até dizer “chega” e que, como dizia minha mãe, eu achava que tudo ia ficar bem. Quanta energia!
       Não posso dizer que tenho mais a mesma disposição dos oito anos, afinal, quase trinta se passaram desde então. Talvez não tenha também mais o mesmo olhar sobre tudo.
        Lembro-me de ver a vida mais cor de rosa quando pequena. De amar coisas bobas como o algodão doce da feira, de brincar de elástico à exaustão, de escutar música com os priminhos, de pular muito durante as brincadeiras (como meus pais aguentavam uma criança tão saltitante?). A vida, de fato, parecia um capítulo novo a cada dia, ainda que, claro, a vida não era nada cor de rosa nem para mim nem para ninguém. Também havia brigas e discussões e competições bobas. Mas... havia o dia seguinte.
        E ainda que o mundo caísse, achava que o dia seguinte ia ser bom. Pergunto-me por que quando adulto a gente não olha pra vida com o mesmo olhar? Por que comunicamos apenas coisas sérias a nós mesmos? Muitos de nós (e já me inclui aí por tabela) se esquece de quantas vezes caiu, de quantas vezes brigou, de quantas vezes chorou quando pequenos e no dia seguinte a vida era outra. Havia o sol no dia seguinte, talvez a piscina, o cachorro-quente, a grama verde, a brincadeira na escola, o dever para fazer e o gostinho de tirar um dez.
        Em que momento amar as coisas simples da vida foi deixado de lado? Em que momento cargos, títulos e outras coisas bobas passaram a ser importantes? Por que não comunicar a maior alegria que é saborear a vida?
      Hoje, olhando para trás, penso que muitas coisas aconteceram nesses últimos trinta anos. Talvez coisas boas, talvez ruins. Mas, quando me lembro daqueles olhinhos que ansiavam por um novo dia, penso: nada tem muita relevância, de fato. Talvez tenhamos que aprender com a criança que um dia fomos, de cair e levantar, de saborear sem culpa, de sorrir por nada, de acreditar que amanhã será um dia melhor. Afinal, o que importa é apenas viver.

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The kids’ world

        It was on my mind, by these days, what I would do if I was eight years old. I tried to remember the games, what I used to like, what I used to like to eat (this was easy, I used to like everything!). I remember I was a bouncy child, restless, that used to like too much of water (river or pool by the way) and nature, with rosy cheek, curious even someone says “enough” and, like my mother used to say, I thought everything would be fine. How much energy!
        I can’t say I have the same disposal of my eight years old, after all, almost 30 years passed since then. Maybe I don't have even the same look about everything.
        I remember seeing a more pink world when I was little. Loving silly things, like the fair cotton candy, play with rubber band to exhaust, listen to music with my little cousins, jump a lot during the games (how my parents endured such a bouncy child?). Life, actually, looked like a new chapter each and every day, even of course life wasn't so pink to me neither anyone. There were fights and silly discussions . But… there was the next day.
        And even the world fall, I thought the next day would be good. I ask myself why when grow up we don’t look to life in the same way? Why we communicate just serious things to ourselves? Many of us (including me) forget how many time we fall, how many times we fought, how many times we cried when little and, in the next day, the life was other. There was sun in the next day, maybe a pool, the hotdog, the green grass, the game on school, the lesson to do and the taste of a A+.
        In which moment loving the simple things of life was left behind? In which moment the roles, titles and others silly things became more important? Why don't communicate the biggest happiness that is to delight the life?
        Today, looking back, I think that many things happened in the last 30 years. Maybe good things, maybe bad things. But, when I remember those little eyes that yearned for a new day, I think: nothing is such relevant indeed. Maybe we have to learn with the child we were one day, of fall and get up, of delight blameless, of smile for nothing, of believe that tomorrow will be a better day. In the end, what is important is to live.

Translator:



Bruna Gonçalves. 23 anos. Redatora publicitária e marketing digital. Faço freelas de conteúdo e de tradução. Pode me encontrar também no blog Não Sei se é Fome ou Tédio ou por e-mail: brunalvgoncalves@gmail.com


Bruna Gonçalves. 23 years old. Copywriter and digital marketing. Freelances in copywriting and translation. You can find me in Não Sei se é Fome ou Tédio’s blog or by e-mail: brunalvgoncalves@gmail.com



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