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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Não se justifique!



  
       Quando comecei a estudar a assertividade escutei em cursos e até de pessoas interessadas no assunto, uma frase recorrente: “não se justifique.”
     Não entendia aquela frase no início, mas depois de anos trabalhando com o tema finalmente captei o real sentido dela. E mais, entendi também que quanto mais assertivo você se torna, menos justificativas concede aos outros.
        Mas, o que é se justificar? Bom, fazer uma justificativa significa dar uma explicação sobre algo que você fez, sobre uma decisão, uma escolha, um caminho e até sobre uma intenção sua.
        E qual o problema em se justificar? Criar uma justificativa para suas escolhas pode ser bastante cansativo ao longo de uma vida porque lhe tira a oportunidade de ser você mesmo(a). Pensa que chato seria ter que explicar por que você decidiu morar na cidade que mora, fazer os cursos que fez, ter os relacionamentos que tem ou teve e usar as roupas que usa. É como se sentir na espera de que alguém sempre dê um “parecer final” sobre suas decisões.
        É evidente que, em alguns momentos, qualquer pessoa terá que se justificar. Por exemplo, você terá que justificar para seu chefe quando chega atrasado. No entanto, tirando as “regras” empresariais, a justificativa tem um aspecto delicado e até doloroso.
        Observando mais profundamente, dentro da alma das pessoas, a justificativa tem um apelo de tentar agradar. Quando alguém, por exemplo, explica sua opção sexual para os outros (independentemente de qual seja essa opção), possivelmente está tentando ou agradar alguém, esperando um feedback de aceitação ou está tentando falar alto para se ouvir. Quando se fica esperando a aceitação do outro, então, a justificativa se torna um perigoso jogo afetivo (ainda que inconsciente) de pedir, pelo amor de Deus, para ser aceito(a) e amado(a).
        É muito triste analisar a justificativa por esse ponto de vista, mas quantas vezes isso já não lhe ocorreu, leitor(a)? Buscou justificar uma escolha sua, esperando o acolhimento nos olhos dos outros, que não encontrou dentro de si?
E ainda tem outro problema. A justificativa pode parecer tentadora para ganhar mais facilmente a aceitação dos outros, mas diante da negativa alheia em relação às suas escolhas, uma pessoa pode passar a vida toda buscando o acolhimento de suas ideias em braços errados. Tudo bem, ninguém é obrigado a "aceitar" as escolhas que você faz o tempo todo. Mas, às vezes se espera de pessoas que nunca vão apoiar suas escolhas, uma palavra amiga. Neste caso, a pessoa passa a ter a sensação de que está errado o tempo todo.
        A justificativa é uma bola de neve sem fim. Não importa quais sejam as suas escolhas, elas são suas! Aqueles que lhe julgam pelas escolhas que faz também têm o direito de fazer as escolhas delas. Mas, não têm o direito de julgar você pelas suas! É uma verdade que a sociedade espera que você se torne alguém rico, famoso, com uma boa carreira, que você tenha a opção sexual que as pessoas achem adequado para você e por aí vai. De verdade, acredito que as pessoas nem sabem se é isso mesmo que elas querem para a vida delas porque ninguém sabe tudo sobre suas escolhas. Elas são apenas tentativas. E não se preocupe em relação ao julgamento porque vai ocorrer! Por que, então, dar tanta bola à opinião dos outros sobre suas escolhas?
       Portanto, quando você se sentir pronto, encha sua vida de coragem e diga para si mesmo(a) quais são suas escolhas, entenda-as e ame-as, pois elas são suas. E, aceite, que é livre para ser quem é!

p.s: a possibilidade de ser você mesmo(a) é algo que sufoca as pessoas. O tema está em poemas, canções, em cartas entre os primeiros estudiosos da Psicologia, mas também está ali na esquina quando alguém fala para você: "liga não, bobo. Siga sua intuição." 

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