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quinta-feira, 4 de junho de 2015

O inferno são os outros?

        Maurício é um cara tranquilo de pouco mais de quarenta anos. Ama andar de bicicleta e aprendeu a ter uma vida mais saudável, quando se mudou para um bairro distante do agito. Frequenta a feirinha de orgânicos e joga futebol com os amigos no campo do bairro. Tem uma namorada linda (com quem se uniu recentemente), um cachorro e uma coleção de bolinhas de gude que guarda desde a infância.
        É um cara feliz, pode-se dizer assim. Tem os pais jovens que também cultivam hábitos saudáveis (ex-hippies). Possui o trabalho dos sonhos, é reconhecido e bem pago. Ao final do dia, leva uma baguete no bagageiro da bicicleta para comer com a sopa que sua esposa fez.
        Mas (sempre há um mas), um belo dia, Maurício descobre que será substituído no trabalho. Alguém mais novo e com menos talento vai ocupar a vaga que sonhou desde a faculdade. Então, aborrecido, volta pra casa, sem a baguete (naquele dia), xingando a todos e a tudo. “Como assim, isso acontece comigo?” – pensa Maurício. Justo ele que, até então, parecia ser um ativista da paz, um cara do tipo sem inimigos.
        Cabisbaixo, Maurício passa a semana trancado em casa, se sentindo derrotado, pensando no que fará agora de sua vida. Sem digerir o que aconteceu, busca encontrar respostas. Passa os canais da televisão sem se importar. E, aquela sensação de vida cheia se esvazia como um balão de ar de uma festa infantil.

    E, então, só então, Maurício percebe que sua paz estava atrelada a uma série de coisas que não a si mesmo. A felicidade estava em algo externo, como se fosse possível mensurá-la. Felicidade de ter, obter, estabelecer. No entanto, bastou tirar um dos itens da “coleção de coisas” de Maurício para seu sonhado mundo desabar.
        Que paz é essa? Maurício talvez faça parte de um time de pessoas que acredita que a paz é a ausência de conflitos, que é tudo aquilo que dá certo sem obstáculos. Mas, onde está a paz se há obstáculos pelo caminho?
        Maurício, então, pensou um pouco e entendeu que ele conseguiria sobreviver num outro trabalho. Melhor, pensou que, de repente, era hora de ter uma empresa, um brechó de brinquedos antigos. E, aos poucos, sua paz retomou.
        Foi, então, que percebeu que a paz está dentro de si, apesar das estranhezas da vida. E que os obstáculos ajudam a comunicar a paz que tanto busca. Sem, desta vez, recorrer a Sartre (“o inferno são os outros”), Maurício se permitiu não mais se sentir excluído, se sentir julgado, permitiu-se apenas estar em paz!


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4 comentários:

Alloyse, excelente como sempre. Li e conclui: Sartre estava errado. O inferno somos todos nós! (Veja o que fizemos com o único planeta que temos, por exemplo.)

Bem isso, Reinaldo. Se formos pensar nossas atitudes ao longo de uma vida, diria que ajudamos e bastante a construir nosso inferno. Espero que, pelo menos com a comunicação, possamos transformar nossa vida num céu. Grande abraço.

Sou sua fã de carteirinha! ;)

É uma fã anônima! Rssssss. Seja bem-vinda, querida!

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