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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Como a comparação não lhe ajuda



        Você já se pensou em morar numa ilha deserta, longe do barulho dos carros, do agito da vida? Talvez esse pensamento já tenha lhe passado pela cabeça alguma vez. Alguns até fazem isso mesmo, vão morar numa ilha deserta. Agora, já parou para se perguntar por que é que a maioria das pessoas não se muda, simplesmente, criando movimento de êxodo urbano?
        Porque, apesar de parecer contraditório, as pessoas precisam se sentir conectadas ao que está acontecendo no presente, se sentir inseridas nos movimentos da sociedade. O nome disso é senso de percepção (já comentei sobre ele aqui). Esse é um dos motivos pelos quais o jornalismo existe. As pessoas não têm uma curiosidade, apenas. Elas têm uma necessidade de perceber a realidade do momento em que estão vivendo e conhecer, discutir sobre ele e estar nele, de alguma forma.
        Alguns podem chamar esse senso de referência, por exemplo, que é um movimento de olhar para fora para entender o que se passa em seu interior.
        Mas, o que é olhar para fora? É um exercício de comparação? Utilizar o seu senso para perceber o que está acontecendo ao seu redor não quer dizer que você vai fazer exatamente o que os demais realizam num período de tempo. O senso de percepção de cada um propõe a observar os movimentos.  O que está acontecendo ali na esquina? Que comércio abriu no seu bairro? O que o prefeito disse essa semana? Será que a presidente vai tomar decisões sensatas? Essa percepção pode ir mais longe: será que Gisele Bündchen vai voltar para as passarelas depois de ter anunciado sua aposentadoria?
        E isso tudo é muito natural. Mas, existe um limite muito tênue entre olhar para fora e comparar a realidade dos outros com a sua. É muito comum se ver pessoas tentando ter uma vida muito parecida com a de alguém que viram na revista, na televisão e até mesmo na sua rua. E isso engloba diversos aspectos sobre a percepção do outro: pessoas buscando ter um corpo que não é o seu; querendo mostrar um status a que não pertence; buscando apresentar alegrias que não são verdadeiras. O Facebook mesmo apresenta pessoas em momentos de felicidade, mas nem sempre aquela realidade traduz a verdade.
        Cuidado, a comparação não vai lhe ajudar.
        Primeiro porque olhar para fora, ainda que seja uma necessidade básica do ser humano, jamais deveria ser interpretado como um “devo ser assim também”. Ao longo da vida, as pessoas cumprem coisas que, aos olhos dos outros, é muito conveniente. Então, por exemplo, as pessoas esperam que você tenha um bom emprego. Lembro-me de uma amiga contando que, depois de ter terminado o doutorado foi morar com o marido na Escócia. Lá ela trabalha em um restaurante e o marido é médico. O salário dos dois é equivalente. Mas, aos olhos daqueles que ficaram no Brasil, ela é louca por não estar lecionando. Que diferença faz para ela? Lembro-me também de uma frase que me disse quando se encheu de tantas comparações com as amigas que no Brasil lecionavam: “se a gente tentar se comparar aos outros e atender aos pedidos verbalizados, estamos fritos. As pessoas são muito exigentes e caprichosas!”
        A meu ver, isso tem um porquê. Na entrevista que a psicóloga Márcia Maito concedeu para o texto sobre apontar o dedo, comentou sobre a dificuldade das pessoas em avaliarem suas próprias posturas, desejos, sonhos e como, ao mesmo tempo,é fácil apontar o dedo para os outros. O mesmo tema foi abordado pela coach Adriana Ferrareto, no post anterior, em que ela comentou sobre a importância de olhar para si e parar de culpar os outros por suas posturas.
        A comparação ainda tem outra faceta: a comparação no sentido de competição.
        Não basta olhar para o outro e compará-lo a você. Alguns não conseguem observar o mundo diferente do seu sem ter que dizer que seu mundo é melhor ou mais importante.  Imagino que você já tenha passado por isso.  Ao contar para as pessoas que você passou por um assalto, por exemplo, alguém comenta: “mas, o que eu passei foi muito pior.” Ou ainda, quando você comenta algo positivo, como por exemplo: “vou para Europa no verão.” Ai, alguém comenta: “ah, mas fui no inverno e é muito mais legal.”
        Esse tipo de afirmação demonstra que a pessoa não está escutando o que você está dizendo. Nem sempre isso é consciente. Na verdade, algumas pessoas precisam valorizar suas vidas para si mesmas.
        Mas, ainda existe a comparação no sentido de depreciação. Nem sempre esse é também um movimento consciente das pessoas, por isso é preciso estar com o coração tranquilo para lidar com as pessoas que se comparam a você no sentido de depreciá-lo.
        Vamos usar um raciocínio para ilustrar esse caso: você tem todo direito de não gostar de qualquer coisa em uma amiga sua. Suponha que seja a roupa. Mas, dizer pra sua amiga que ela é uma jacu é demais, né? E se ela gostar do estilo próprio? E se não ligar para a aparência como você? Quem está se incomodando com o assunto, você ou ela? Então, é hora de se perguntar por que é necessário “ferir” alguém com palavras, porque simplesmente não concorda com um posicionamento seu?
        Agora, existe uma “comparação” legal?
        Claro que sim. Quando se observa um movimento e tem vontade de se conectar a algumas pessoas ou tendência, é hora de observar quem é você e como se insere nesse “movimento”. E aí, a comparação no sentido de escolha é uma oportunidade e tanto para você rever quem é, o que deseja, o que busca, como se posiciona diante do novo e que benefícios você também pode contribuir para essa realidade.
        Sem, no entanto, perder sua essência ou tentar mudar a essência de alguém.

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