Marcadores

Cursos

Treinamento para falar bem na mídia, palestras, reuniões e vídeo aulas.

Comunicação como ferramenta

Conheça os benefícios de uma comunicação mais eficiente.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Partiu Plano B

        Você está em sua mesa de trabalho e, de repente, começa a desconectar e sonhar com aquele hobby que tanto ama. Já pensou em transformá-lo em seu plano A? O sonho é o plano B de sua vida, ainda que não tenha diagnosticado essa possibilidade, mas essa é a meta que gostaria de ter.
        Em vez de advogado, de repente você quer ser é confeiteiro. Em vez de alpinista, contador. Em vez de contador, pianista. É assim para muitas pessoas. Elas não imaginavam que aquela carreira que tanto sonharam num primeiro momento, não bate mais com os desejos do coração.
        E, como é difícil ouvir o coração, não? Mudanças de vida exigem coragem, esforço, dedicação e, com certeza, sair de sua zona de conforto. A boa notícia é que você não está sozinho nesse caminho. E o post de hoje é dedicado a todos aqueles que têm vontade e não aguentam mais o desejo de expressar os seus sonhos. Por que o seu sonho não pode ser seu plano A?
        Não poderia convidar pessoa melhor para falar sobre a mudança de carreira do que Vanessa Brollo. Jornalista (ela é Editora-chefe na RICTV Record e foi minha colega de trabalho durante anos) e possui um blog chamado “Partiu Plano B”. Apaixonada pelo jornalismo, mas também apreciadora do empreendedorismo, entendeu que sua carreira poderia ser um caminho duplo. Sem deixar aquilo que amava e que fez a vida toda, poderia enxergar outras possibilidades, brincar com o novo. E, então, criou o blog com um nome muito sugestivo.
        Vanessa, muito obrigada por participar desse bate papo. Tenho certeza que os leitores se identificarão com suas dicas, sugestões e histórias.

- Como surgiu a ideia de criar um blog sobre o plano B?
Surgiu da minha curiosidade de saber o que motiva uma pessoa a ter coragem de mudar, como você disse, de uma hora para outra uma advogada larga tudo para se tornar chefe de cozinha ou uma funcionária pública pede exoneração para criar um site sobre literatura e comportamento. Esses são alguns dos exemplos. Também cansei, como jornalista, de levar só notícias ruins para as pessoas. Acredito que com o nosso trabalho também podemos divulgar iniciativas de sucesso, que possam inspirar mesmo outras pessoas. E pela boa receptividade das pessoas percebo que existe espaço para boas notícias.

- Você coleciona histórias de pessoas que hoje são empreendedores. Mas, que antes tinham outro trabalho. Vou transformar essa pergunta em duas: 1) como você encontra os empreendedores para contar suas histórias no blog? 2) o que você acha das histórias de mudança do plano A para plano B?
1) Olha, no começo eu ficava de olho na internet, em revistas e mesmo nas histórias de amigos. Agora que o blog tem quase um ano, as pessoas já me procuram, me mandam e-mails, os amigos indicam pessoas, os amigos dos amigos, acaba se tornando uma corrente do bem.
2) O que percebo é que as pessoas não precisam necessariamente estar infelizes no Plano A para mudar e Partir Plano B. O mais comum são profissionais que pensam em mudar para ter mais qualidade de vida. A motivação não é só dinheiro.

3) Acho que vou destrinchar a pergunta, na verdade, em mais uma parte: existe algum comportamento comum entre aqueles que passam do plano B para o plano A?
Parece um clichê, mas TODOS, independentemente se é alguém que faz bolo, que tem uma loja, ou qualquer outra área, falam que é preciso gostar do que faz. Todos também falam que é preciso persistir e que tem que ter paciência. O empreendedor é teimoso e sabe que não dá pra desistir na primeira dificuldade.

- Agora, as pessoas acham que se fizerem aquilo que sonham vão ficar felizes para todo o sempre. Isso não é verdade. As pessoas estão sonhando acordadas?
Pelo menos as pessoas que entrevisto estão bem mais conscientes. É normal que chamem a atenção para a importância de entender de finanças e de administração, por exemplo. No final de cada entrevista esses empreendedores dão dicas e é comum que indiquem para as pessoas que se elas não gostam de fazer divulgação, por exemplo, que encontrem alguém que faça.

- Fazer mudanças de vida pode ser altamente estressante. Quando que o plano B não deve ser tornar o plano A?
Eu acho que só quando a pessoa tem muita certeza que gosta desse Plano B, de verdade e que fez um bom planejamento é que deve começar a tomar decisões. Então nada de pedir demissão de um emprego fixo e investir todas as economias em um sonho.  Aproveite enquanto está no emprego para investir em cursos, aproveite para se informar sobre a área em que pretende atuar. Por isso que o blog pode ser útil porque tem as dicas dos empreendedores.

- Uma das coisas que os empreendedores recentes nem sempre prestam atenção é que a comunicação é um dos fatores mais importantes para divulgação de seu trabalho. E não falo apenas de marketing, não. Falo de saber se comunicar com seu cliente, de como você irá comunicar sua mudança de carreira. Como observa a comunicação nos “empreendedores recentes”?
Olha, alguns têm noção sim da importância e dão esse retorno para os clientes, usam as redes sociais de maneira correta, por exemplo. Mas, muitas vezes me vejo dando dicas para os empreendedores. Mesmo não sendo uma consultora tento passar para as pessoas o que aprendo com meus entrevistados. Mas, acho que cuidar da parte da comunicação faz parte da preparação para quem sonhar em Partir Plano B. Tem que fazer cursos nessa área  e também nas áreas de administração e finanças.

- Dizem que televisão é uma cachaça! O que as pessoas não sabem que além de divertido também é muito trabalhoso ser jornalista de tv. Como você se divide entre o blog e o seu trabalho na televisão. Sem falar do “trabalho” de mãe!
Então, tenho me desdobrado.  Amo meu trabalho na TV , também faço assessoria de imprensa, tenho minha filha, marido, cachorra e gata. E o blog dá muito trabalho, tem que se dedicar. Normalmente faço as entrevistas na sexta de tarde ou no sábado de manhã, prefiro conversar pessoalmente com a pessoa, só algumas entrevistas são por e-mail. Todas às noites fico pelo menos uma hora e meia trabalhando nos posts e fazendo a divulgação. Só consigo porque meu marido é super parceiro e me ajuda muito. Como minha filha já tem 12 anos também fica mais fácil. E agora vou falar o mesmo que os meus entrevistados. Amo fazer o blog, então parece que não estou trabalhando. Mas tem que ter foco. Quando estou na TV só penso nisso, na hora da assessoria de imprensa, tem que focar e na hora de fazer o blog, nem deixo o Facebook aberto, por exemplo, senão é distração na certa.

- Que dica valiosa você daria para quem está partindo para o plano B?
- Primeiro se prepare, faça um planejamento financeiro, pense que durante um tempo você não vai ter salário. Faça cursos, se atualize, conheça a área que pretende atuar e também saiba o que o seu concorrente está fazendo.
- Procure se dedicar a alguma atividade que você goste de verdade.
- Se for trabalhar em casa mantenha uma rotina e tenha um espaço só para o trabalho. Para evitar misturar o dia a dia da casa com o trabalho, deixe isso bem claro para a família.
-Trabalhe, trabalhe, trabalhe muito e tenha paciência. Quando um trabalho é bem feito os resultados aparecem, com certeza.




Vanessa Brollo é jornalista e idealizadora do blog Partiu Plano B. Com experiência de mais de 20 anos em emissoras de TV, atualmente exerce o cargo de Editora chefe do programa Ver Mais Curitiba na RICTV Record. Também faz trabalhos de assessoria de imprensa. E ainda é colunista da rádio CBN Curitiba, onde toda terça-feira de tarde conta histórias do blog.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Como a comparação não lhe ajuda



        Você já se pensou em morar numa ilha deserta, longe do barulho dos carros, do agito da vida? Talvez esse pensamento já tenha lhe passado pela cabeça alguma vez. Alguns até fazem isso mesmo, vão morar numa ilha deserta. Agora, já parou para se perguntar por que é que a maioria das pessoas não se muda, simplesmente, criando movimento de êxodo urbano?
        Porque, apesar de parecer contraditório, as pessoas precisam se sentir conectadas ao que está acontecendo no presente, se sentir inseridas nos movimentos da sociedade. O nome disso é senso de percepção (já comentei sobre ele aqui). Esse é um dos motivos pelos quais o jornalismo existe. As pessoas não têm uma curiosidade, apenas. Elas têm uma necessidade de perceber a realidade do momento em que estão vivendo e conhecer, discutir sobre ele e estar nele, de alguma forma.
        Alguns podem chamar esse senso de referência, por exemplo, que é um movimento de olhar para fora para entender o que se passa em seu interior.
        Mas, o que é olhar para fora? É um exercício de comparação? Utilizar o seu senso para perceber o que está acontecendo ao seu redor não quer dizer que você vai fazer exatamente o que os demais realizam num período de tempo. O senso de percepção de cada um propõe a observar os movimentos.  O que está acontecendo ali na esquina? Que comércio abriu no seu bairro? O que o prefeito disse essa semana? Será que a presidente vai tomar decisões sensatas? Essa percepção pode ir mais longe: será que Gisele Bündchen vai voltar para as passarelas depois de ter anunciado sua aposentadoria?
        E isso tudo é muito natural. Mas, existe um limite muito tênue entre olhar para fora e comparar a realidade dos outros com a sua. É muito comum se ver pessoas tentando ter uma vida muito parecida com a de alguém que viram na revista, na televisão e até mesmo na sua rua. E isso engloba diversos aspectos sobre a percepção do outro: pessoas buscando ter um corpo que não é o seu; querendo mostrar um status a que não pertence; buscando apresentar alegrias que não são verdadeiras. O Facebook mesmo apresenta pessoas em momentos de felicidade, mas nem sempre aquela realidade traduz a verdade.
        Cuidado, a comparação não vai lhe ajudar.
        Primeiro porque olhar para fora, ainda que seja uma necessidade básica do ser humano, jamais deveria ser interpretado como um “devo ser assim também”. Ao longo da vida, as pessoas cumprem coisas que, aos olhos dos outros, é muito conveniente. Então, por exemplo, as pessoas esperam que você tenha um bom emprego. Lembro-me de uma amiga contando que, depois de ter terminado o doutorado foi morar com o marido na Escócia. Lá ela trabalha em um restaurante e o marido é médico. O salário dos dois é equivalente. Mas, aos olhos daqueles que ficaram no Brasil, ela é louca por não estar lecionando. Que diferença faz para ela? Lembro-me também de uma frase que me disse quando se encheu de tantas comparações com as amigas que no Brasil lecionavam: “se a gente tentar se comparar aos outros e atender aos pedidos verbalizados, estamos fritos. As pessoas são muito exigentes e caprichosas!”
        A meu ver, isso tem um porquê. Na entrevista que a psicóloga Márcia Maito concedeu para o texto sobre apontar o dedo, comentou sobre a dificuldade das pessoas em avaliarem suas próprias posturas, desejos, sonhos e como, ao mesmo tempo,é fácil apontar o dedo para os outros. O mesmo tema foi abordado pela coach Adriana Ferrareto, no post anterior, em que ela comentou sobre a importância de olhar para si e parar de culpar os outros por suas posturas.
        A comparação ainda tem outra faceta: a comparação no sentido de competição.
        Não basta olhar para o outro e compará-lo a você. Alguns não conseguem observar o mundo diferente do seu sem ter que dizer que seu mundo é melhor ou mais importante.  Imagino que você já tenha passado por isso.  Ao contar para as pessoas que você passou por um assalto, por exemplo, alguém comenta: “mas, o que eu passei foi muito pior.” Ou ainda, quando você comenta algo positivo, como por exemplo: “vou para Europa no verão.” Ai, alguém comenta: “ah, mas fui no inverno e é muito mais legal.”
        Esse tipo de afirmação demonstra que a pessoa não está escutando o que você está dizendo. Nem sempre isso é consciente. Na verdade, algumas pessoas precisam valorizar suas vidas para si mesmas.
        Mas, ainda existe a comparação no sentido de depreciação. Nem sempre esse é também um movimento consciente das pessoas, por isso é preciso estar com o coração tranquilo para lidar com as pessoas que se comparam a você no sentido de depreciá-lo.
        Vamos usar um raciocínio para ilustrar esse caso: você tem todo direito de não gostar de qualquer coisa em uma amiga sua. Suponha que seja a roupa. Mas, dizer pra sua amiga que ela é uma jacu é demais, né? E se ela gostar do estilo próprio? E se não ligar para a aparência como você? Quem está se incomodando com o assunto, você ou ela? Então, é hora de se perguntar por que é necessário “ferir” alguém com palavras, porque simplesmente não concorda com um posicionamento seu?
        Agora, existe uma “comparação” legal?
        Claro que sim. Quando se observa um movimento e tem vontade de se conectar a algumas pessoas ou tendência, é hora de observar quem é você e como se insere nesse “movimento”. E aí, a comparação no sentido de escolha é uma oportunidade e tanto para você rever quem é, o que deseja, o que busca, como se posiciona diante do novo e que benefícios você também pode contribuir para essa realidade.
        Sem, no entanto, perder sua essência ou tentar mudar a essência de alguém.

p.s: você gostou desse texto? Então, não perca os cursos online da DNA Comunicativo. São reflexivos, práticos, e a preços acessíveis. Basta clicar no botão abaixo:




quinta-feira, 14 de maio de 2015

Quem manda aqui sou eu



                Certa vez, um amigo meu contou uma história muito triste a respeito do ódio que os funcionários podem nutrir por seus chefes. Disse ele (que jura que é uma história verídica) que, na década de 90, um chefe muito odiado por seus colaboradores (daquele do tipo carrasco) foi atropelado por um caminhão em frente à empresa onde foi gestor por mais de trinta anos.
        O senhor acabou sendo esmagado pelo veículo e não sobrou nada. Diante daquela cena horrenda, esse meu amigo teria deixado sua sala correndo e gritando: “por favor, uma ambulância”, mesmo sabendo que qualquer médico nada poderia fazer.
        E, quando uma multidão de funcionários já cercava aquele corpo dilacerado no chão, um dos colaboradores puxou uma salva de pautas, gritando: “finalmente, seu filho da p..., vai pro inferno.” Para surpresa de meu amigo, quase todos aplaudiram o sarcasmo do funcionário. Claro que ele sabia da má fama do chefe, mas ficou muito chocado com aquela situação. Como podem as pessoas ser tão pouco solidárias num momento terrível? Quão ruim pode ser, de fato, o chefe para despertar tamanho ódio?
        Trouxe essa história para ilustrar uma situação ainda existente nas empresas: o chefe autoritário!  Ainda bem que o meio corporativo tem adotado, cada vez mais, técnicas, táticas e psicologia para mediar às situações entre chefes e funcionários.
        E, para falar sobre esse assunto, convido Adriana Ferrareto que é coach, palestrante e treinadora especializada em talentos e desenvolvimento humano, uma expert nas relações e situações do mundo corporativo. Adriana conhece como poucos o cenário de disputas e conflitos nas empresas.
        Convido você, leitor, a participar desse bate papo que tive com a Adriana!

- Adriana, antes de tudo, gostaria de agradecer sua participação no blog. Vamos abordar vários temas sobre esse assunto e que, acredito eu, possam estar relacionados à história do chefe autoritário. Vamos começar por ele mesmo. Como você percebe o posicionamento dos chefes no Brasil? Como observa o comportamento geral deles?
Eu acho que está mudando um pouco a percepção da liderança, mas ainda é muito incipiente essa mudança do olhar do líder. Na verdade, o que acontece é um despreparado das organizações de promoverem pessoas que não estão preparadas para o papel de liderança. Existem dois equívocos aí: ou as pessoas são promovidas porque têm lobby, poder político (conhecem alguém que decide isso e consegue as promover) mesmo sem ter know-how, mas o mais comum que acontece é que, quando uma pessoa, em geral, gera bons resultados, ela é promovida para a função de liderança. Isso é um equívoco porque o fato dela gerar resultados não quer dizer que ela será uma boa líder. Portanto, o ideal seria que nós preparássemos pessoas com competência, habilidades com visão do tempo e valores específicos para a função, para que quando houvesse uma oportunidade na organização, aí sim, fosse promovida líder porque estaria capacitada pra esse processo.
Sobre o comportamento geral dos líderes, eu os observo bastante despreparados e, por sua vez, o comportamento que isso gera, é que para poder receber elogios ou serem reconhecidos, continuam muito operacionais. Então, eles não conseguem subir um degrau nessa hierarquia e, aí, eles tentam fazer o papel de seu colaborador. Detalhe: eles também não sabem desenvolver suas equipes pra executar as funções que outrora faziam. Então, eles não delegam, tem uma péssima comunicação e ficam bravos quando a equipe não realiza. Portanto, a maior parte dos problemas das equipes não advém dos colaboradores dos grupos, mas da má gestão que esses líderes aplicam.

- Dizem que a história do autoritarismo está relacionada à época dos engenhos, onde o senhor da terra mandava e desmandava sem qualquer limite ou ponderação. É evidente que essa referência é bastante acentuada (não acredito que tenhamos senhores de engenho dentro das empresas). Qual sua observação a respeito do autoritarismo? De que maneira ele aparece, atualmente, nas empresas?
O verdadeiro líder tem seguidores, ele é inspirador. Ele tem consistência entre ação e a fala. E por, isso, as pessoas se sentem mobilizadas a seguir pessoas assim. Eu diria que são muito poucos os líderes que têm essa competência infelizmente. Os que não têm tentam impor, através da “carteirada”, da autoridade e do poder que as coisas aconteçam.  E a gestão pelo medo acontece em grande escala. O problema é que isso não é duradouro. Quando um líder é excessivamente duro e faz a gestão pelo poder, ele gera doenças no grupo e na equipe, além de disfunções, que são patologias que vão aparecendo dentro do grupo. Entre elas está a falta de confiança, porque não dá para expor a vulnerabilidade se o chefe vai usar isso contra você. Por sua vez, por esse funcionário não ter confiança no chefe autoritário, não entra em conflitos de maneira saudável, não sabe brigar (em geral ou as pessoas são bélicas ou são submissas). Então, é como se fosse uma pirâmide: falta confiança, por sua vez os colaboradores não conseguem entrar em conflitos de maneira positiva, que na terceira etapa do processo gera falta de comprometimento (falta de cuidar uns dos outros), e por último, foco no resultado. E o autoritarismo do chefe pode desestruturar toda uma equipe levando a essas patologias.

- Para você, qual seria o papel de um chefe e sua postura ideal?
O papel do chefe tem que estar bem delineado pela corporação porque os níveis se modificam. Não dá para generalizar, tem líderes júnior, pleno, sênior dentro das corporações. O ideal é aquilo que a gente chama de pipeline da liderança. O Ram Charan[1] é um grande especialista e é  reconhecido, mundialmente, por essa competência. Ele fala que do nível técnico de gerenciar a si mesmo e o nível de gerenciar outras pessoas, a gente sobe um patamar nesse pipeline, mudando as habilidades, a divisão do tempo e os valores que a pessoa possui. Esse tripé é essencial que o líder conheça. Então, ele precisa saber o que a empresa de fato espera dele nesta função. E também tem que ter essa clareza por parte da empresa. Então, o papel do líder é saber, exatamente, que habilidades são requeridas dele na função e que não são só técnicas. São, sobretudo, comportamentais. Ele precisa saber contratar, deve saber lidar com conflitos, precisa saber dar e receber feedbacks, tem que conhecer profundamente a logística da delegação, ele tem que saber ser gestor de mudança e fazer transição para que as pessoas sintam-se acolhidas mesmo diante do caos, então, existe uma infinidade de competências que o líder precisaria saber para, de fato, ter resultados efetivos e equipes bem estruturadas. A postura ideal desse líder é colaborativa e ele tem que ter um papel de coach. Ele está lá para ajudar as pessoas a chegar onde cada um precisa dentro da empresa. Então, ele não pode atrapalhar, nem coibir. Ele tem que proporcionar um ambiente criativo, que haja liberdade de expressão, que as pessoas possam mostrar suas intenções e seus erros, porque é errando que se aprende. Essa seria uma postura ideal. Sobretudo, ele tem que entender que está no mesmo barco que a equipe, então, não tem superioridade, exceto a diferença de salário. Deveriam todos (chefe e colaboradores) estar imbuídos do mesmo propósito que é gerar resultado para a corporação.

- Observo que os profissionais, em geral, dificuldades de lidar com seus próprios conflitos. E mais, em alguns momentos, podem, inclusive, culpar os chefes por seus erros e até falta de competência. Como um chefe pode observar isso e convidar seu funcionário a se analisar melhor?
São duas questões que devem ser analisadas. A primeira questão é a projeção, que é tudo aquilo que eu não consigo lidar bem em mim e culpo o outro. Via de regra é isso que a gente faz em todas as áreas da vida. Essa competência de olhar para dentro e admitir o que precisa ser melhorado, é um aprendizado e exige equilíbrio emocional. A segunda questão, e que faz as pessoas fazerem isso, é que toda vez que uma pessoa expõe sua vulnerabilidade ela é aviltada. Então, cria um padrão de aprendizado de medo. Como vou expor as minhas dificuldades e conflitos se alguém pode fazer mau uso disso? Então, via de regra, como mecanismo de defesa, essa pessoa tira a atenção dela e vira o holofote para outra pessoa. Normalmente, esse é o comportamento que as pessoas adotam. O convite que o chefe deve fazer, quando ele percebe isso, é de uma conversa individual muito pessoal. Pode trazer fatos e dados para fazer a pessoa perceber que esse comportamento não é saudável para o grupo, não é saudável pra relação dela com seu superior e não é saudável para o próprio desenvolvimento do colaborador. Porque, enquanto eu projeto isso ou mudo o foco pra outra pessoa, deixo de aprender com essa dinâmica. Então, ele pode mostrar através desses elementos o quanto ele cresce se ele admitir que teve dificuldade. Agora, evidente, que isso só vai funcionar se aquele chefe que está falando isso der abertura para a pessoa aprender com seus erros, não ter uma crítica pesada, julgamento duro. Depende de como esse chefe acolhe.

- Como uma coach pode ajudar nessa relação de conflitos entre chefes e funcionários?
Na verdade, existe um papel aí do árbitro que pode fazer mediação quando há um conflito instalado. Não necessariamente precisa ser coach. Ele até pode ser, mas existem hoje formações de institutos como OAB, institutos ligados à mediação e arbitragem onde você se forma para aprender a fazer isso. E aí, com essa capacitação de influência e saber lidar com conflitos, pode mediar essas relações. Então, existem técnicas salutares, com protocolos, que ajudam as pessoas a reverem as suas posições bélicas, como Comunicação Não-Violenta, investigação apreciativa. Existe uma série de elementos que podem ser utilizados. O coach que domina esses conhecimentos pode sim atuar nesses processos fazendo essa mediação. Agora, o ideal seria que, em paralelo também, as pessoas fossem desenvolvidas num processo de coach para que elas possam trabalhar os seus comportamentos e irem se desenvolvendo.

- Como seria a conduta ideal para falar sobre os sentimentos no mundo corporativo?
A conduta ideal para falar de sentimento é não ser melodramático. Não é nenhuma novela mexicana. Quando a gente fala do que sente, é evidente que tem que ter relevância o que é dito.  Um funcionário precisa ter perspicácia e maturidade para não ser “magoento”, como diz o caipira. Agora, se aconteceu um evento, ele é real, concreto e gerou um impacto negativo, a pessoa pode dizer que tipo de emoção isso gerou nela. E quando fala isso com propriedade, sem ficar chorando, gritando, as pessoas tendem a ouvir mais. Porque quando falo do que sinto, isso conecta na empatia do outro. Então, tem um poder muito grande. Não é o movimento que as empresas adotam, mas é um caminho que a gente está buscando a levar as pessoas a acreditar a fazer.

- Por falar em sentimento, é evidente que existem chefes que despertam sentimentos ruins em seus funcionários. Mas, é uma verdade também que existe, em algumas empresas, aquele ódio pelo chefe (ou resistência às suas ideias) pelo simples fato da pessoa ser chefe. Como os profissionais podem observar que, em determinado momento, o chefe está apenas cumprindo o papel dele?

A minha dica é a seguinte: existe uma coisa que é a normose[2], a patologia da normalidade. É normal falar mal do chefe? É! Mas, é lícito? Não! É normal a gente brigar no Facebook por causa de política e parar de falar com os coleguinhas por causa disso? É! Agora, é desejável? Não! É normal torcidas de futebol brigarem umas com as outras? É normal! Mas, é uma temeridade. Essa normalidade, essa normose, se instalou na relação do colaborador e chefe. Basta a pessoa virar chefe que é até excluída dos grupos. Então, um olhar aqui é da gente sair um pouco desse padrão porque ele já está manjado, né? Parar de olhar tanto para o outro e olhar para si mesmo. Acho que essa é a grande dinâmica. E, de fato, as pessoas que não foram líderes não sabem o quanto isso é difícil. Porque o líder tem que amortecer tudo o que vem de cima, e geralmente vem de uma maneira muito dura, para passar pros colaboradores. E as pessoas acham que ser líder é fácil e não é. Agora, se a gente sair desse padrão de ficar criticando as pessoas, a gente arregaça as mangas e vai trabalhar junto e vai fazer o que de fato interessa, né?

- Digo que o tom de voz e as palavras usadas em um discurso representam quase 50% da comunicação. Os outros 50% ficam por conta da intenção na hora de se falar. Os chefes também precisam prestar atenção nisso, não?
Tudo está relacionado: todo corporal, os gestos, o tom da voz, o jeito que olha, tem que ter relação com o propósito que a pessoa se comunica. E no que tange o tom de voz, a gente pode ser firme sem ser agressivo, então, ser firme significa olhar nos olhos, falar com objetividade, dizer o que precisa ser dito (o que a gente chama de assertividade) mas, também pode vir com amor, pode ter ternura nesse processo. Como dizia Che Guevara, "Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás."

- Adriana, gostaria de acrescentar qualquer outra ponderação a respeito do tema?
Quem quer ser líder, tem que perguntar se essa aspiração é motivada pelo que? Ele quer ter poder, quer ter status ou quer ganhar mais dinheiro? Ou, em último caso, isso é uma vocação e sente que tem talento pra isso. A função da liderança é extremamente desafiadora. E a pessoa tem que saber que a remuneração que ela vai ter não justifica o papel da liderança, a não ser que ela goste muito daquilo que ela faz e que ela goste de pessoas. Se a pessoa que está lendo a entrevista não deseja ser líder e tem uma relação difícil com o chefe, ela tem que questionar se aquilo é passível de ser modificado ou se, de fato, ela deseja mudar de trabalho. Realmente, a relação com o superior compromete muito o desempenho. Agora, a última observação é: quanto do meu problema é causado por meu chefe ou tem relação com meu comportamento? Então, quando a gente tem essa sabedoria prática de olhar para si e não só responsabilizar os outros ou outro por nossos problemas, essa maturidade emerge das relações e a gente começa a viver em ambientes mais pacíficos. Então, fica aqui minha sugestão para esse autoconhecimento, cada um ficar no seu galho e buscar desenvolvimento pessoal.

Agradeço Adriana Ferrareto por compartilhar de seus conhecimentos com a gente.

Adriana é natural de São Paulo – SP e atualmente vive em Curitiba, possui graduação em Propaganda e Marketing e é pós-graduada em Desenvolvimento Gerencial. Durante sua carreira gerenciou equipes de alta performance na indústria farmacêutica, acumulando experiência como líder e principalmente como desenvolvedora de novas lideranças. É também Executive Coach, formada pelo Integrated Coaching Institute (ICI), com certificação Internacional em Coaching Integrado, além do Coach U em Coaching Clinic. Possui mais de 1000 horas de atendimento, grande parte delas com diretores e presidentes de multinacionais. Atua como palestrante com temas na área de Desenvolvimento Humano, além de realizar treinamentos e cursos intensivos in company sobre Talentos, Resiliência, Reuniões Eficazes, Gestão do Tempo, Marca Pessoal, Gestão de Carreira e outros. Conheça mais sobre Adriana, no site: http://adrianaferrareto.com.br/


quinta-feira, 7 de maio de 2015

Palavras de mãe

           “Todo mundo pra cama”- fala minha mãe no Whatsapp. "É hora de ir dormir!" Acho engraçado que, apesar de toda tecnologia, mães continuam com o discurso de mães, onde quer que elas estejam.
        Mães têm vocabulário próprio. Foram elas que escreveram o dicionário do cuidado e da prevenção! E, em geral, verbalizam sua “tutela” sempre que possível. “Não esqueça o casaco”. “Não chegue muito tarde em casa.” “Você está comendo direito?”
        Não importa a idade, o sexo ou a proximidade com a mãe. Elas vão expressar, em algum momento, aquele cuidado com aquilo que elas acham que deve ser bom para você.
        E não é por menos. Elas viram você crescer, assim, de um feijãozinho a um metro e tanto (alguns, de um feijãozinho se transformaram em um gigante). Elas lhe proporcionaram a introdução à sociedade. Dentro da possibilidade econômica e cultural de cada mãe, lhe deram o melhor para que você pudesse ser uma pessoa com formação. Deram-lhe educação. Alimentaram você. Ficam apreensivas com febres e dores. Elas se emocionaram com desenhos tortos que você fez quando tinha alguns aninhos e, claro, você não se lembra.
        Mães também são campeãs de verbalizar sensações que você nem sempre gostaria de se lembrar. Quer dizer, pelo menos não na frente dos amigos. Minha mãe, por exemplo, adora contar que eu tinha uma bochecha grande e rosada quando criança (esse bochecha nunca foi embora, rsss) e ela mordia com prazer meu bochechão. E aí, eu virava para meu pai e dizia: “pai, a mãe me mordeu”, fazendo beicinho. 
        E elas também adoram verbalizar histórias das artes que você fez, só pra lhe deixar com mais vergonha ainda. Não tem problema. Esse é o lado delicioso e ridículo das mães. Elas gostam de lamber as crias, ainda que os faça de um jeito um tanto peculiar.
        Outra característica das mães é dizer o que pensa. Um amigo meu me disse esses dias que, com o passar dos anos, as mães perdem mesmo a noção do que é educar e do que é se intrometer, rsssssss. E tem horas que é preciso dizer: “chega, mãe”. Elas não entendem tudo o que você faz, apesar de acharem que “te conhecem como ninguém.” É melhor dar um desconto.
        Mães não são mães apenas de seus filhos. Elas cuidam dos colegas mais novos no trabalho. Adotam estagiários como se fossem de sua família. Mediam conflitos como se estivessem separando a briga dos filhos. Lembro-me de uma síndica que, certa vez, me vendo sair do prédio embaixo de um toró, me pegou na porta e disse: “você não vai sair nessa chuva, menina. Espera passar. Nenhum compromisso é tão urgente assim.” Coisas que mães verbalizam.
        E é uma verdade, também, que mães se estressam. Elas podem falar coisas pesadas, duras, difíceis, praguejar sobre sua vida. Mas, tudo nessa vida passa.Você pode não ter uma conexão muito forte com sua mãe, mas ela é sua mãe.
        Mães erram, porque são humanas.Em alguns momentos, é preciso rever o quanto as lembranças ruins devem prevalecer sobre as boas. Quantas coisas ruins que sua mãe falou são capazes de apagar todas as outras ações que ela fez por você e que, talvez, nem se lembre, como a emoção de lhe comprar um sapatinho novo?
        É uma verdade que amor de mãe jamais deve ser medido em contabilidade, expresso em tabelas, como se fosse possível mensurar. Acho que quando você tem um filho (ou dois ou muito mais), está abrindo caminho para um amor que vai se resumir em doação. Elas doarão (com prazer ou por obrigação) sua vida para você, em detalhes ou em grandes atos, ainda que você não perceba.
        Mães merecem perdão.  Um dia, tudo de ruim que foi dito não fará mais sentido.
        E mais, nenhuma mãe é igual a outra. Não é verdade aquele ditado que diz que "mãe é tudo igual". Elas até podem dizer coisas parecidas, mas mães são muito diferentes. Uma lembrança que guardarei da minha mãe, para todo o sempre, é que quando eu era adolescente, ela lia livros aos pés de nossas camas (minha e das minhas irmãs) antes de dormirmos. Tudo bem, que era Camões ou Antônio Vieira ou algo assim, e não histórias de ninar. Que diferença faz?
        Em meu coração, guardarei os aprendizados ditos com amor, pois sei o esforço que minha mãe fez para me tornar um ser humano melhor. Ainda tenho um longo caminho a percorrer, mas parte da missão está cumprida.
      Gratidão, mãe. Por tudo!