Marcadores

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Servimos bem para servir sempre


        Anos atrás, a colega jornalista,  Giselle Hishida, me fez um favor em pouco tempo. Eu não esperava tamanha agilidade. E, então, quando agradeci, ela disse: “servimos bem para servir sempre. É a filosofia do saco de pão.”
        É verdade. Antigamente (bota aí, década de 80), vinha escrito do lado de fora do saco de pão exatamente essa frase. Aquilo me chamou tanto a atenção que guardei essa história por anos e toda vez que ocorria de alguém prestar um serviço bem feito e com agilidade, me lembrava da filosofia do saco de pão.
        É fato que um serviço bem prestado, realizado com toda atenção, apresenta diferenciais para quem precisa vender ou realizar atendimentos. Mas, em poucos locais, infelizmente, se encontram pessoas realmente dispostas a atender. Dispostas mesmo, gostando daquilo que fazem, realizando o serviço com amor. Poderia ficar aqui horas citando exemplos de maus atendimentos, mas francamente, eu e você, caro(a) leitor(a), não temos tempo a perder com o óbvio. Por isso, hoje proponho uma observação diferente a respeito do atendimento: a filosofia da feira.
        Vou explicar: você já foi à feira livre? Já reparou como os feirantes prezam pelo atendimento? Não à toa, ir à feira é um compromisso que muita gente mantém, durante décadas. Existem algumas lições de atendimento a se aprender com a feira livre. Vou enumerar alguns:

Sorria sempre
        Já viu feirante de cara fechada? Não. Sabe por quê? Até as pessoas mais simples sabem que sorrir atrai clientes. A vida de feirante é dura, meu amigo. Eles acordam muito cedo, vão até a Ceasa e tem que montar uma barraca até às sete horas da manhã na feira. Mesmo cansados, eles abrem um sorriso para qualquer cliente. E, claro, fazem questão de cumprimentar quem passa em frente a sua barraquinha. “Bom dia, freguesa!”.

Eles observam o cliente
        Sabe aquela história de quando você entra em uma loja e quer comprar uma blusinha branca e a atendente traz uma com estampa de oncinha dizendo que combina melhor contigo? Feirantes não ousam ser chatos. Eles observam o que o cliente está procurando e, então, dizem: “a batata está fresquinha. Colhida ontem.” “O ovo é de galinha caipira. Semana que vem elas param de dar ovos.”

Eles estudam os seus produtos
        Nem todo feirante teve a oportunidade de estudar. Pode pesquisar: a maioria é feirante porque o pai era feirante e o avô tinha uma roça. No entanto, eles sabem as propriedades nutricionais de cada alimento que vendem. E, mais, ainda dão dicas para os clientes de como cozinhar os alimentos, como preservá-los e como fazer render o alimento que estão levando. Feirantes também são antenados com as frutas e legumes da moda e levam as novidades para a feira, como a Pitaia, por exemplo, que pipocou nas feiras livres. Tudo aquilo que o consumidor vai querer, eles fazem questão de apresentar ao cliente antes dos supermercados.

Eles sabem lidar com os imprevistos
        “Como está a mexerica, seu Antônio?” – pergunto.
        “Tá boa, filha. Mas, você pode chupar uns gomos e tirar a prova”, diz o feirante.
        “Seu Antônio, está boa, mas um pouco ácida.” – comento.
        “Deixa eu provar. Olha, essa não tá boa mesmo. Vou abrir essa outra caixa aqui pra você, vamos ver” - diz seu Antônio.
        “Agora sim, seu Antônio. Essa está ótima!. Vou levar meia dúzia”

Feirantes dão algo a mais para o cliente voltar
        Não sei se é em toda feira, mas na do meu bairro a banca de hortaliças é um divertimento à parte. Chego sempre dizendo: “quero só um pezinho de alface. Aí, o japonês (senhorzinho de idade) vira e fala assim: “moça bonita que leva alface ganha cheiro verde. E se levar mais uma folha, ganha hortelã.” Os homens também ganham elogios, mas, neste caso, eles falam assim: “moços simpáticos ganham cheiro verde.”
        Nem sempre é possível você dar algo a mais para seu cliente. Mas, um elogio não é algo a mais? No caso dessa banca (a maior da feira, onde trabalha uma família inteira), a simpatia e o brinde são o diferencial. Afinal, alface existe em qualquer vendinha.

Eles cumprem o que prometem
         Já encomendou algum alimento na feira? Faça o teste. Certa vez descobri a Kincãn. Sabe o que é isso? Um tipo de laranja muito pequena, azeda, com a casca maravilhosamente doce. É de comer rezando.
        No entanto, a frutinha floresce apenas nos meses mais frios (em Londrina, o frio não ocorre como nas demais cidades. É um friozinho menos intenso), o que significa que eu tinha poucas semanas para apreciar a novidade. E, então, combinei com o feirante que todo dia X eu iria buscar a kincãn com ele e que era para reservar dois galhinhos. Cumpriu o prometido durante semanas.

Eles sabem negociar
         Você chega ao final da feira e observa que a abobrinha não está lá aquelas coisas. Aí, você fala: “Seu José, quanto está a abobrinha?” Feirante que é feirante vai lhe fazer um desconto. Ele precisa vender e se desfazer da mercadoria. E se você chorar o desconto, em geral, eles não se ofendem, porque querem que o cliente volte. A exceção são aqueles alimentos em que o preço, realmente, está alto, como o tomate e o brócolis, nessa época.
        De qualquer forma, eles já abaixam o preço mesmo que você não peça. Por exemplo: sua compra deu R$ 3,78. Eles dizem: R$ 3,50 tá bom. Pode reparar!

Eles reverenciam o cliente
        Você pergunta o valor de um produto, mas não leva. Não tem problema. O feirante agradece mesmo assim. Na feira onde a predominância é de japoneses, eles ainda possuem um jeito de reverenciar o cliente, que é um “arcar” de corpo para frente, como quem abençoa a visita do cliente. Não é lindo esse gesto?

Eles servem bem para servir sempre
        Bom, depois disso tudo, se você não se convenceu de que a feira livre é uma aula de atendimento ao cliente, lhe convido a fazer duas coisas que são mais gostosas de se fazer na feira: 1) comer o pastel de feira (rssssss) 2) enfiar a mão nos grãos. Sem medo! É terapêutico.
         Por tudo isso, digo: a feira livre é uma grande lição de comunicação, de cortesia, gentileza, administração, atendimento e de gastronomia. Por que, não?


p.s: quer se tornar um expert em atendimento ao cliente? Faça os cursos da DNA Comunicativo. Existem dois cursos direcionados para esse tema: um deles é Melhore sua comunicação com o cliente e o outro é Como a comunicação pode ajudar nas vendas. Basta acessar a loja da DNA Comunicativo no banner abaixo. Detalhe: antes de comprar o curso em formato áudio, você pode ouvir um trechinho de cada um.



p.s1: não sei quem é o autor da pintura que iniciou esse texto. Se você for o autor, me avisa, que coloco seu crédito aqui.

0 comentários:

Postar um comentário