Marcadores

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Escrever

        Quando procuro a palavra transcender no dicionário, uma das primeiras definições que aparece é “ultrapassar”. Esse parece um conceito um tanto linear para uma sensação tão boa.
        Transcender é uma explosão intensa de superação. É aquele momento estático de algo que jamais imaginou “passar por” e que, então, você consegue. E quando se transcende a alguma coisa é quase inacreditável.
           Mas, por que falo sobre o transcender?
      Porque hoje trago uma maneira diferente de enxergar a superação. Não que antes ninguém tenha pensado sobre isso, mas defendo que transcender pode ganhar uma nova dimensão no ato de escrever.
        Não existem verdades absolutas sobre o escrever. No entanto, algumas deduções podem ser realizadas observando (a si próprio) no momento em que se escreve.
        Antes de tudo, vale a pena perguntar: por que você escreve? Ou já teve medo de escrever? Ou ainda, tem vontade de escrever, mas não se sabe o quê?
        Muito bom. Se você tem essas dúvidas é porque, mais do que nunca, tem o desejo de transcender em sua escrita. Quando alguém escreve alguma coisa, pode ser um livro ou um diário, está colocando no papel a expressão máxima de algo que é relevante para si.
        Não necessariamente seja algo que o escritor tenha vivenciado. Pode ser uma observação de sua família, uma história de um amigo que conta alguma coisa que aconteceu naquele círculo de pessoas. Pode ser uma dor contida e nunca contada. Pode ser uma alegria escancarada, um desejo realizado, a compreensão de um problema alheio.
        Escrever é observar em palavras. É entender, mesmo que não tenha compreendido, é viver sem nunca ter estado lá. Escrever é expor algo dentro de si, sem que, obrigatoriamente, tenha se envolvido com aquele sentimento, que pode ser de outro alguém.
       Escrever é deixar-se levar pelo ritmo de seus pensamentos, deixar-se livre para livrar-se de coisas que não se sabe de onde vem e para onde vão, mas que simplesmente existem dentro do seu coração.
      Escrever é algo meio que sem explicação, que nem sempre sabe-se por que começa, mas é muito difícil de dar um ponto final porque, uma vez com o gosto de escrever em suas mãos, jamais terá vontade de parar.
        Escrever não exige licença, nem cobrança, nem certezas. Escrever é fluir em suas possibilidades, deixar-se encantar por si mesmo, como quem dança sem parar por horas ao ritmo que quiser, sozinho, tirando a si mesmo como par.
        Então, existe muita beleza no escrever, porque somente aqueles que se permitem escrever sabem como é boa a sensação de superar-se, a cada dia. De transcender.
        E transcender não apenas no sentido literal, citado no começo desse texto. Mas, num aspecto mais poético, de quem atravessa um mar de possibilidades, permitindo entender ou pelo menos observar quem é, sem vergonha do que pode vir denunciado em palavras.
      E quando tudo está ali, escrito no papel, no computador ou no guardanapo do bar, é hora, então, de transcender ao que já está exposto. Deixe as palavras serem levadas pelo vento porque, ainda que aquilo que está dito seja seu, nenhuma ideia lhe pertence mais. Tudo foi libertado, liberado, permitido, exibido e transcendido.
       Pronto. Agora você pode começar tudo de novo, porque sabe que escrever é aquele hábito delicioso que permite encontrar o que diz seu coração.
          E, então, que tal transcender?


p.s: semana passada, foi comemorado o dia do livro. Dedico esse texto a todos aqueles que têm a coragem de escrever, o prazer de transcender-se em suas ideias, ainda que se afogue em suas emoções. E, é também, minha homenagem a Jane Austen, a moça com quem tomaria muitos chás das cinco. Uma inspiração.

p.s1: não preciso dizer que sou apaixonada por escrever. Então, se você precisar de escrita (para sites, blogs ou outro tipo) pode acionar meus contatos no site da DNA Comunicativo. Crio textos personalizados para você e sua empresa!

2 comentários:

Alloyse, fantástico. Recordo-me de você ter falado sobre esse assunto em um outro post também, claro, o tema era o mesmo, mas o texto totalmente diferente. Formidável! Incrível! Majestoso! Estou cheio com o que li.

Obrigado! Eu amo escrever... Para mim é libertador, é purificador, necessário...

Destaco esta parte:

"Escrever é algo meio que sem explicação, que nem sempre sabe-se por que começa, mas é muito difícil de dar um ponto final porque, uma vez com o gosto de escrever em suas mãos, jamais terá vontade de parar."

Um abraço fraterno do seu admirador, Claudinei!

Oh, Claudinei.
Muito obrigada por seu elogio e carinho.
Na verdade, o propósito do texto era esse mesmo. Tocar as pessoas para que elas escrevam.
Então, querido, lhe convido para escrever. Vamos lá?
Depois compartilhe com a gente.
Grande abraço e tudo de bom!

Postar um comentário