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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Economize tempo usando sua comunicação


        Lembro-me de que certa vez, depois de fazer uma viagem de mais de um mês, mochilando por alguns países, cheguei ao balcão da companhia aérea com um sorriso no rosto e também um cansaço imenso. Coloquei a mochila (que naquele momento já parecia mais um resto de pano) sobre a esteira para fazer o check-in e abri um sorriso para a atendente: “buongiorno”.
        E, então, a atendente pra lá de irritada disse: “estamos em greve.” Fiquei pasma e muda durante certo tempo. E então, a moça, sem qualquer explicação, saiu e foi embora e fiquei ali parada no guichê. Não podia ser verdade. Quer dizer, podia. Mas, como eu não havia lido jornais, nem visto a televisão por mais de 30 dias, então, eu estava fora do mundo mesmo. Tudo o que queria, naquele momento, era enfrentar 15 horas de voo e voltar pra casa.
        Foi, quando olhei ao redor e percebi que o aeroporto estava vazio e as poucas pessoas que ali permaneciam não estavam mesmo muito contentes. Mas, não desisti. Fiquei parada meia hora, até que a atendente voltou. E disse: “você ainda está aqui?”
        Eu sabia que ia precisar de muita diplomacia. Então, disse pra ela que entendia a situação da companhia e que greve era um direito do trabalhador. E que é mesmo irritante quando precisamos defender nossos direitos quando eles deveriam existir, normalmente. Depois desse discurso, disse: “apesar da greve, preciso voltar. ”Perguntei se ela poderia me colocar em outro voo para outro país, onde pudesse fazer outra conexão. “O que você pode fazer por mim?”, perguntei num italiano macarrônico.
        “Por que eu faria algo por você, se eu estou em greve?” – enfatizou a atendente, debochando.
        Várias ideias passaram pela minha cabeça naquele momento. Bom, posso mandar ela a m... e cancelar minha passagem e procurar outra companhia. Posso também esperar para ver o que vai dar. Não, não posso esperar. Tenho que voltar. Vou tentar o lado humano da força, quem sabe! Rssssss.
        Então, virei para ela e disse:“Chiara, seu nome, né? Chiara, você nunca sonhou em conhecer outro lugar?”
        “Estive na Rússia mês, passado,” disse a moça.
        “Não foi lindo?” – perguntei.
        “Maravilhoso.” – respondeu ela.
        “E como foi chegar em casa?” – perguntei.
        Ela entendeu onde eu queria chegar. Então, suspirou um pouco, abriu um leve sorriso de canto de boca e disse: “vou ver o que posso fazer por você.”
        Em dez minutos, ela me chamou e disse: “há espaço num voo direto para São Paulo (o meu voo original ainda ia fazer uma conexão em outro país.) É o único voo disponível da companhia. Está quase lotado.” Perguntei se havia custo adicional e ela disse que não por causa da greve. Mas, que era pra me apressar porque o voo já estava saindo.
        Não preciso dizer que agradeci a moça, imensamente. Trocamos e-mails durante algum tempo até que ela foi morar em uma ilha (talvez na Grécia, não me lembro ao certo), longe do agito dos aeroportos.
        Esse foi um daqueles momentos em que a empatia pode lhe dar uma mãozinha. Ou melhor, em que a empatia permite adoçar os corações mais pesados e duros. Aliás, particularmente, acredito que a empatia é a solução para quase todos os conflitos.
        Existem várias definições para a palavra empatia e muita gente gosta de traduzi-la como “a capacidade de se colocar no lugar do outro.” Trago uma que tem um caráter mais profundo que é a do psicanalista Carl Rogers: "Quando digo que gosto de ouvir alguém estou me referindo evidentemente a uma escuta profunda. Quero dizer que ouço as palavras, os pensamentos, a tonalidade dos sentimentos, o significado pessoal, até mesmo o significado que subjaz às intenções conscientes do interlocutor.”
        Não é linda essa definição? A tonalidade dos sentimentos! Muitos podem questionar que a empatia dita, dessa maneira, é um trabalho apenas para os terapeutas. Será? Você não se acha capaz de ouvir a tonalidade dos sentimentos alheios? Se tirar da frente seus preconceitos, seus medos, sua ansiedade e expectativas em relação ao outro, em um dado momento do discurso não estaria, então, exercendo a empatia? E mais, quando se é empático é possível, inclusive, fazer com que os demais sejam empáticos também. Observe como a atendente se tornou empática depois de ter sido compreendida naquele momento.
        É um ganho mútuo. Mas, tem mais! Somente depois de anos percebi que a empatia é também uma maneira de se economizar tempo. Se eu tivesse brigado com Chiara, ela não teria me ouvido. Se não tivesse demonstrado compreensão, ela poderia ter se sentido pior (acredito, até, que outras pessoas já haviam despejado sua raiva sobre ela, naquele dia, por isso, a defensiva).
        Quando digo uma “economia de tempo”, não falo no sentido capitalista, do tipo “use a empatia para manipular pessoas e ganhar dinheiro.” Mas, ganhar tempo no sentido de não perder tempo com os aspectos mais desumanos de um diálogo. Expressar a ira, a raiva, a defensiva não trazem benefícios nem imediatos nem a longo prazo, porque não oferecem soluções. Claro que existem situações em que é necessário ser enérgico. Mas, quando não é necessário, não seria a empatia uma maneira de economizar vida?
        Isso mesmo! Economizar vida. Afinal, nem você, nem eu temos mais tempo a perder com o que é desnecessário, com aquilo que não traz alegrias, soluções, o que não é colaborativo, inovador ou criativo ou que não traga qualquer saldo positivo. 
         Portanto, “empatize-se.”

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