Marcadores

quinta-feira, 5 de março de 2015

O feminino


           

            Acredito que um dos símbolos mais representativos do feminino no mundo é a atriz Audrey Hepburn. Sua beleza delicada, mas ao mesmo tempo marcante, fez da atriz um ícone da feminilidade. Audrey não era apenas um rostinho bonito sustentado por um corpo esbelto de cinturinha fina. Era uma voz firme para as causas em que acreditou e pelas quais lutou (inclusive, exercendo papéis importantes). Era avant-gard até para os visionários. Negou papéis importantes no cinema para cuidar da família e dedicou parte da vida para retribuir, com amor, tudo aquilo que conquistou.
        Gentileza e atitude, força e suavidade, diplomacia e poder de decisão são características do feminino, em qualquer época da história da humanidade. Desde as Helenas da Grécia às Madonnas dos tempos hipermodernos, o feminino revela sua complexidade. E é tão cercado de mistérios que seria impossível afirmar o que é o “feminino” em uma única palavra. Aliás, o que é o feminino? Ao consultar um dicionário, encontrei a seguinte definição: “feminino, aquilo que é próprio da mulher.” É evidente que nem toda mulher deixa aflorar sua feminilidade, mas com certeza a possui.
        Honestamente, discutir o feminino é uma delícia, porque existem várias maneiras de se olhar para ele. Na maioria, são aspectos muito positivos. Ser feminina é entender a própria natureza, respeitar a si mesma dentro de suas possibilidades de beleza. É proporcionar graça e até certo perfume à situações mais sisudas.  Um exemplo: lembro-me de quando era pequena, via minha mãe usar saias compridas até os pés, com sandálias bem baixinhas. Nela, que é uma mulher alta, ficava lindo, porque usar saia é um ato muito feminino. Lembro-me também de minha vó usar uns óculos de sol grandões, com uns lenços na cabeça, à maneira da senhora Kennedy. Lenços também representam um capricho feminino. Eles servem para “adornar” alguma coisa. E embelezar um ambiente ou a si mesmo é próprio do feminino.
        Outra expressão do feminino (pelo menos para mim) é o tom cor de rosa. Quando nasce uma menininha, as mães logo enfeitam, com um lacinho cor de rosa, os primeiros fiozinhos de cabelo das bebês. Depois, mais tarde, o tom cor de rosa preenche a boca das mulheres, conferindo sensualidade. O rosa é símbolo da luta contra o câncer de mama e também, segundo os holísticos e estudiosos em cromoterapia, a cor do amor, outro sentimento atribuído mais ao espírito feminino...
        Eu poderia passar horas aqui falando apenas do feminino, mas chamei uma pessoa muito feminina para dividir esse assunto comigo. Lênia Luz é fundadora e CEO na empresa Empreendedorismo Rosa e sócia fundadora e diretora de comunicação na empresa AurelioLuz Franchising & Varejo. Por algum motivo, nossos destinos, meu e de Lênia, se cruzaram algumas vezes. Mas, infelizmente, nunca chegamos a trabalhar juntas. Agora, o feminino nos uniu novamente. Eu admiro a Lênia pela coragem, pela força que tem, pela dedicação àqueles que estão a seu redor. Quer coisa mais feminina do que isso? Bora lá. Vamos PROSEAR!

- Lênia, o que é feminino para você?
Feminino para mim é ser dona da própria história, escolher o que se quer independente do que a sociedade espera de nós. É escolhermos ser mãe ou não, é ter uma vida financeira assegurada por nosso trabalho, mas se desejarmos ser providas por alguém, nossa escolha deve ser respeitada. É sermos donas absolutas de nossa sexualidade, independente de nossa orientação sexual.
- Conte pra gente o que é o Empreendedorismo Rosa. E por que teve essa ideia de criá-lo?
O Empreendedorismo Rosa começou como um BLOG e se tornou um movimento segundo muitas das mulheres que nos acompanham. Um movimento por compartilharmos com as mulheres não o impossível, não uma vida empreendedora irreal, mas sim uma vida real e possível. Não criamos a RODA apenas fizemos ela girar de maneira diferente. Tudo começou quando iniciei minha formação dentro do projeto 10.000 Women, patrocinado pelo banco de investimentos Goldman Sachs e desenvolvido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP) juntamente com o IE Business School, renomada escola espanhola de gestão, durante 3 meses na sala 9 da FGV – Fundação Getúlio Vargas em São Paulo.
Fiz parte da turma 5 e passamos esses meses estudando, revendo nossos empreendimentos, reformulando ideias, produzindo um plano de crescimento para nossas empresas, trocando experiências profissionais e pessoais.
Em maio de 2012 o que era uma ideia tornou-se realidade, e o BLOG nasceu com o objetivo de inspirar mulheres que empreendem e intraempreendem.


- Nesses anos todos de empreendedorismo, você tem muitas histórias para contar. Com certeza, algumas marcantes. Você poderia compartilhá-las com a gente?
Agora você me pegou...rs..São muitas histórias mesmo. Mas uma que particularmente me marcou foi uma jovem de 17 anos que começou a empreender por causa de nossos textos. Era moradora do interior de Minas Gerais (uma cidade muito pequena ) e viu em nosso espaço mais que inspiração, viu a realização de uma ideia acontecer através da maneira como falamos sobre gestão que é através da contação da histórias.

- Você é uma daquelas que nunca deixam o feminino de lado. Como percebe as mulheres da atualidade?
Acredito que as mulheres estão resgatando o feminino. Minha geração lutou muito para sermos iguais no mercado de trabalho. Somos da época em que se usava ombreiras para se igualar aos homens até mesmo na maneira de vestir. Hoje não mais. Claro que vemos dentro de uma mídia alguns abusos em relação ao corpo feminino, mas aí é outra conversa, né?
Mas, com a abertura de nossas ações em sermos quem quisermos ser, o feminino é resgatado e mostrado com leveza a quem caminha conosco.

- Particularmente, acredito que algumas mulheres, quando exercem cargos de chefia, podem acabar sendo um pouco rudes e se comportam, muitas vezes, como homens. O que você acha a respeito?
Diria que em alguns momentos temos que levantar a voz, mas não engrossá-la para ser ouvida. Mas cada pessoa tem uma maneira de se posicionar, portanto não posso falar por estas mulheres, mas posso dizer que eu não preciso me portar como um homem para exercer minha posição de liderança, em qualquer lugar que eu esteja.

- Você acredita que as mulheres estão mais competitivas? Inclusive, entre elas?
A competitividade não tem a ver em ser mulher com mulher, e sim em termos um mercado competitivo e diverso e portanto encontrarmos, graças a DEUS, muitas mulheres em mercados similares aos que estamos atuando e tão capacitadas quanto nós. Portanto, é uma competitividade saudável, para o crescimento de nossos empreendimentos e carreiras.

- Acredito que ser feminina é muito mais do que usar batom ou saia. É um conjunto de elementos e ações que proporcionam, acima de tudo, um bem estar às situações cotidianas. Você pensa também sob esse ponto de vista?
Sem dúvida que sim. Ser feminina é sermos quem somos: mulheres que fazem acontecer.

- Você poderia citar filmes, livros ou personagens que remetem àquilo que você considera como feminino? Por exemplo, citei Audrey Hepburn lá no começo do texto. Quais são seus ícones femininos?
Uma mulher que admiro como escritora, que fala sobre as várias facetas femininas é Martha Medeiros e recorto um trecho de um de seus textos que diz: Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa. Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo. As boazinhas não têm defeitos. Não têm atitude. Conformam-se com a coadjuvância. PH neutro. Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das intenções, é o pior dos desaforos.
Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes, ciumentas, apressadas, é isso que somos hoje. Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos. As “inhas” não moram mais aqui. Foram para o espaço, sozinhas.”
Na arte, a Isadora Duncan, considerada a pioneira da dança moderna, que causou tanta polêmica ao ignorar todas as técnicas do balé clássico. Uma personalidade forte e não se curvava à tradições, mas quando dançava mostrava ao que veio. 
No cinema, minha representante é Mary  Streep, por representar tão bem papéis distintos da vida de uma mulher. Indo da comédia ao drama, mas todas as personagens com uma força e leveza feminina impressas. 
- Vamos falar de romantismo. O feminino está relacionado, também, ao mistério, ao não evidenciado, a algo que não é escancarado. Um decote despropositado, um sorriso de canto de boca e um olhar intrigante fazem parte do universo feminino e do romantismo também. Como você observa o romantismo nos dias de hoje?
Bem, eu sou uma mulher romântica, mas se dentro de um conceito geral, ser romântica é gostar de receber flores, estou fora... rs
O que encanta é a boa educação, uma conversa de qualidade e uma dose de sedução na relação de romance com meu marido. Estes temperos, em doses certas, fazem da relação amorosa algo único e super romântico.
Não creio que se perdeu o romantismo, talvez as pessoas estejam menos relacionais, por conta de tanta conversa via tecnologia. E quando se encontram não sabem mais ao certo o que e como fazerem, portanto nem sabem o que é romantismo. A conquista, o jogo de palavras, o beijo que não foi dado, o olhar que foi trocado por uma palavra, isso compreendo que as pessoas vem perdendo sim. Mas se alguns não sabem como é, que tal, nós que sabemos, mostrarmos o caminho?

- O que você diria às mulheres sobre o feminino?
Esta pergunta me remeteu a algumas músicas e deixo aqui trechos que definem o ser feminino, o ser mulher, o ser “quem desejamos ser”
 “- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.” - Joyce
“Essa menina, essa mulher, essa senhora
Em quem esbarro a toda hora no espelho casual
É feita de sombra e tanta luz” - Joyce

“Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado a mesa, ter me conhecido
Ter virado o barco, ter me socorrido” - Ivan Lins
“E eis que de repente ela resolve então mudar
Vira a mesa, assume o jogo
Faz questão de se cuidar (Uhu!)
Nem serva, nem objeto
Já não quer ser o outro
Hoje ela é um também” - Pitty
E por fim, lhes digo, que o feminino nosso de cada dia, está em sermos felizes com as escolhas que estamos fazendo. 
Lênia, queria agradecer por esse bate papo, por esse reencontro. Foi bem... feminino.Termino esse texto com uma frase de Audrey Hepburn da qual gosto muito: "Lembre-se que se algum dia você precisar de ajuda, você encontrará uma mão no final do seu braço. À medida que você envelhecer, você descobrirá que tem duas mãos - uma para ajudar a si mesmo, e outra pra ajudar aos outros."
           


Lênia Luz é empreendedora, fundadora e CEO do Empreendedorismo Rosa. Diretora executiva da Aurelio Luz Franchising & Varejo. Diretora de Empreendedorismo e Negócios da Business Professional Women -BPW  Curitiba. Graduada em fonoaudiologia e pós-graduada em psicomotricidade e arteterapia; Especialista em comunicação humana, em Microfranquias pelo Instituto Tomodati/BID, em Empreendedorismo pela FGV/Goldman Sachs, através do projeto “10.000 Women”. Certificada pela IFA. Criadora dos blogs “Mundo das Franquias” e “Mundo das Microfranquias”. Colunista dos blogs/sites  “ Mulheres Empreendedoras” da PEGN, “Portal Webnews”, “Alma do Negócio”, Bolsa de Mulher”, “Canal do Empreendedor”, “Mulheres no Poder” , “Administradores – O Portal da Administração”, “Revista + Mulher” , “IP Imagem Pessoal” , “It Mãe” e “Tendência de Mulher”.






5 comentários:

Uau Alloyse! Você, Lênia e Audrey: é covardia, pô! Sem palavras, a não ser:

DIVA VIDA

Dividida, preferiu a vida
Preterido, escolhi a plenitude
Em um zape: paralela infinitude
Impossível reencontro
Parabólicas em escape
Cada qual ao seu canto

Diva: bailando espirais em seu eixo
Atrai vidas ao seu centro
Inescapável campo
Atrevo-me? Não, nem tento...

Entre tantos, me movo
Bem ou mal - claudicante
Um 'clown' no humor dos ventos
De novo, para a troça do povo

Mas, há vida
Ela, a diva
Em seu minarete
Eu: piparote 'divertente'

Que lindo,esse poema!
Adorei.
É seu?
Abraços.

É meu. Alloyse. Mas não chamaria de poema... é só uma homenagem às mulheres - pra mim todas divas, seja 08 de março ou em qualquer dia do calendário.

Querido, é sim um poema. Feito com amor e inspiração. Gratidão por compartilha-lo.

Muito bom o bate-papo, adorei como vocês duas discutiram o feminismo atual.

Postar um comentário