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quinta-feira, 26 de março de 2015

Você é você e o outro é o outro




           Quando comecei a estudar a comunicação assertiva, levei um susto. Tive que rever posturas sobre os relacionamentos, como as amizades e o amor. Foram anos de análises e estudos sobre o posicionamento diante das situações e do desejo do outro.
       Nessa busca, encontrei pessoas maravilhosas, que me mostraram caminhos do que é o amor verdadeiro e sobre o limite entre eu e o outro, ampliando minha assertividade.
        Encontrei também muita “pedrada”, porque, infelizmente, enquanto não são mudadas posturas diante das situações mais difíceis da vida, elas continuam a existir.
        E, foi por causa dessas situações que exercitei inúmeras vezes (e continuo exercitando), o olhar sobre o desejo alheio. Uma das primeiras coisas que aprendi foi: “não assuma a responsabilidade pelo sentimento do outro. Cabe a cada um fazer essa análise”
        Existia uma dualidade nessa questão porque se é preciso ouvir o sentimento do outro para que haja empatia, como não vou me sentir responsável se alguém ficou triste com um “não” que eu falei?
        Eis um fato que a empatia não é sinônimo de agradar. Empatia é a capacidade de ouvir o sentimento do outro sim mas, posicionando-se diante desta pessoa com uma opinião que você gostaria de dar. Isso não quer dizer que é preciso concordar com o outro (ou se sentir responsável pelos sentimentos que o outro terá ao você falar alguma coisa). Ou ainda, ser empático não significa que você tenha que ceder aos desejos do outro para que não se sinta culpado(a).    
        Dizer sim ou dizer não a um pedido alheio é sempre um desafio, é verdade! Principalmente, para aqueles que amamos mais. Mas, cabe a cada um avaliar como se sente diante das situações (de um sim ou de um não).
        E é, muitas vezes, nesse ponto que as relações estremecem. Sentir-se responsável pelo sentimento dos outros e ter medo de dizer não (ou de discordar), acredito ser, praticamente, um risco de vida. Você acaba não apenas assumindo uma vida que não é sua, mas fazendo muitas coisas que não deseja, sem trazer qualquer qualidade a sua vida. A troco de quê? De um suposto “afeto” ou atenção que alguém vai lhe dar? Eu chamo isso de barganha do amor!
        Observei ainda, na prática, que quando você se posiciona em não ceder aos desejos dos outros (ou permite-se não se sentir responsável pelo sentimento dos outros, principalmente numa negativa), existem aqueles que vão sim usar de retaliação, maledicência e até violência. Em algumas relações me posicionei com uma opinião que não era o que a pessoa desejava que eu respondesse. A resposta, em alguns casos, chegou a limites, como a perseguição daqueles a quem “ousei” (rssss) não ceder aos seus desejos. Quando se tem reações assim, é um momento de questionar: você quer mesmo manter relações com pessoas que usam os sentimentos delas como ameaça ou manipulação? Não seria esse comportamento o egoísmo?
        No livro Seja assertivo, de Vera Martins, a autora afirma que quando se passa a ser assertivo (veja, ser assertivo não é apenas não se sentir responsável pelos sentimentos dos outros, mas uma série de escolhas e posicionamentos diante dos relacionamentos. Sugiro ler o livro todo, é fantástico!), é possível despertar uma série de reações do tipo zanga, hostilidade, mágoa, chantagem emocional, manipulação, lamentos, vingança, pedidos de desculpas excessivos. Isso porque as pessoas podem não estar preparadas para o seu novo “posicionamento” diante da imposição dos sentimentos delas a você.
        Acredito que uma relação amorosa (seja ela de amizade, pais e filhos, relação a dois) envolve uma palavrinha que deve ser praticada e pensada o tempo todo: respeito. Se você não quer fazer algo e alguém fica chateado, somente porque você não vai ceder a tal desejo (ou quer que você se sinta culpado pelo desejo não cumprido – em outras palavras: quer que você se sinta responsável pelo sentimento alheio), não está respeitando o seu tempo ou espaço ou o seu “ser”. E mais, não está sendo empático com você!
        Isso não quer dizer que não se deva ceder nas relações. É evidente que em qualquer relação terá que se abrir mão de alguma coisa e encontrar o bom senso, para que a relação continue existindo. Seja ir ao bar que você não gosta muito para ver seus amigos até gastar um pouquinho mais com aquela viagem que seu namorado tanto sonhou. Você sabe o seu termômetro do “quanto” pode ceder.
        Mas, se sentir responsável pelo sentimento do outro e ter o receio de dizer não, não vai te levar a ter relacionamentos transparentes (e talvez nem saudáveis). Afinal, quem lhe ama, lhe aceita como é. Sei que essa frase parece utópica porque, fala a verdade, quem aceita efetivamente os outros como são?
       Particularmente, acredito que, apesar da utopia, as relações construídas com base no respeito (e no amor, claro) podem comunicar o melhor de cada ser humano. Mas, se ainda assim, numa relação você se sentir responsável pelo sentimento alheio, porque não concorda com algo, lembre-se de que você é você e o outro é o outro. Afinal, entender seus próprios sentimentos é um exercício que cada um deva (ou deveria) fazer em benefício próprio e não esperar que os outros façam por si.

p.s: agora, se você agrediu alguém ou feriu de alguma forma, fisicamente ou verbalmente, é evidente que você é sim responsável pelo sentimento do outro.





quinta-feira, 19 de março de 2015

Apontar o dedo




            Olá, leitor.
        Hoje convido você a fazer uma reflexão sobre as relações no ambiente de trabalho e também sobre aquele velho hábito de apontar o dedo para os outros. Conversando com a psicóloga Márcia Maito, pude observar que esse é um assunto complexo, porém revelador. O que há por trás dos ambientes nocivos permeados pela agressividade e pelos apontamentos, muitas vezes, desgastantes?
        O texto abaixo é da psicóloga que, gentilmente, trouxe essa reflexão para nós. E após ele, segue um bate papo entre nós.

        Minha experiência de trabalho em equipes multiprofissionais me permite diversos questionamentos acerca de como se constroem as relações interpessoais em um ambiente profissional, onde circulam profissionais de diversas áreas de atuação e conhecimento, mas nesse momento destaco, dentre tantas possíveis interrogações, a comunicação, as dificuldades, os equívocos e principalmente a violência que permeiam, de forma explícita ou velada, a comunicação nesse ambiente específico.
        Abordar esse tema é a tentativa de encontrar uma proposta de intervenção, mas também encontrar a possibilidade de estar inserida e participar de um grupo de forma mais tranqüila, com motivação, encontrar o equilíbrio para comunicar sem agredir, pois a comunicação é imprescindível nas relações interpessoais e nem sempre o que precisa ser dito é agradável, tanto para quem comunica quanto para quem recebe, mas isso não implica que esta deva ser feita de forma agressiva e inconsequente.
        A pergunta inicial é: o que acontece para tornar a comunicação tão prejudicada em determinados ambientes? A violência que se presentifica nas relações não é nada além do que a violência que existe em cada sujeito, que pode se manifestar de diversas formas, inclusive em um grupo específico, onde tais sentimentos podem ser compartilhados e expressos de forma intensa. Em um grupo, as relações de poder, que podem estar associadas a diversos aspectos, seja a diferença imposta por um cargo, ou a diferença imposta por uma condição financeira, e até mesmo a diferença presente nas áreas de atuação e de saber, podem ser vivenciadas de forma agressiva e esse é um motivador para as diversas dificuldades de comunicação.
        Seguindo essa linha de pensamento é importante então questionar o que pertence a nós, sujeitos, que é capaz de tornar nossas relações tão tóxicas. Essa é uma interrogação que deveria ser respondida por cada um, pois, apesar de identificada no coletivo, implica nossa subjetividade. O que me incomoda? O que me torna violento? O que me impede de falar? Ou o que me impele a falar? São perguntas muitas vezes negligenciadas por nós mesmos, fazendo com que o colega de trabalho seja o alvo de sentimentos e reações, assim direcionamos ao outro nossa agressividade, que pode ser o que aparece para esconder uma insegurança, um problema pessoal, uma questão subjetiva de longa data sendo repetida, e assim por diante.
        O caminho que se trilha neste texto é pensar que partindo dessa elaboração é possível propor um novo olhar quando problemas de comunicação se tornam presentes, considerando a possibilidade de uma reflexão sobre a forma de se comunicar e a reação que se tem diante de determinadas situações.

        Márcia, como é possível ter essa percepção de que, ao olhar para o outro, o que uma pessoa possa se incomodar talvez seja um problema dele e que, muitas vezes, é apontado como um problema do outro?
        Essa, provavelmente, é a questão mais importante de todo o contexto, pois para se ter essa percepção é imprescindível um olhar para si, faz-se necessário acalmar um tanto as emoções e permitir uma reflexão, levantar uma série de questionamentos: o que no outro, ou nessa relação me incomoda tanto? Qual é o sentimento mais evidente fruto desse contato? E por que me incomoda? São alguns exemplos para permitir de início um afastamento da situação que causa conflito e o inicio de uma tentativa de separação do que pertence a mim e do que pertence ao outro, permitindo, como resultado dessa reflexão, identificar de forma mais clara a problemática existente em uma relação, se essa separação for suficiente, os sentimentos e reações são amenizados. Mas, se permanece o mal estar, o incômodo, este pode ser o indicativo de que há algo mais, para além do que o outro representa com suas opiniões e ações. Pode indicar um conteúdo subjetivo, que sofre os efeitos de um mecanismo de defesa, a projeção, onde identificamos fora o que é muito difícil e conflitante de ser percebido como um conteúdo pessoal e referente a minha história em particular.
       
        Observo nos discursos comuns, principalmente nas redes sociais, uma agressividade e falta de respeito em relação às opiniões alheias. Caracterizo isso como preconceito, quando alguém não “considera” o argumento do outro e que, portanto, não merece a atenção ou respeito. Você acredita que as pessoas estão mais preconceituosas em relação às opiniões alheias?
        Não acredito que seja uma questão de mais preconceito, acredito que o preconceito sempre existiu nessa condição de crueldade, acredito que o ser humano sempre foi assim, inflado de sentimentos, de supostas verdades que se tenta fazer o outro engolir caso haja discordância inicial. A lida com a diferença é sempre um conflito, pois de início a diferença nos causa uma perda, da referência, da possibilidade de identificação e consequentemente da empatia. Na minha opinião, o que a rede social faz nesse contexto atual é dar voz a tudo isso, mas é uma voz protegida, pois o que se tem no contexto virtual é uma ilusão de maior integração e de maior liberdade de expressão, uma ilusão porque não é exercida dessa forma nos contatos mais pessoais, geralmente o preconceito, o ódio que transborda em textos na internet não se concretiza dessa forma em um discurso ao vivo. Mas o ser humano, quando em um grupo com o qual se identifica, pode ser tão cruel e preconceituoso quanto um individuo é na rede social. 

        E essa situação não seria um paradoxo em relação ao mundo tão diverso (e tão cheio de discursos sobre diversidade) em que vivemos hoje?
        Parece uma contradição, não é mesmo? Quanto mais se fala em diferença e em respeito aparece na mesma proporção discursos alienados e alienantes na tentativa de padronizar. Quanto mais se tem abertura para o diálogo mais proliferam discursos de ódio e preconceito que sem muitos argumentos fecham a possibilidade de diálogo. Penso que esse é um processo de amadurecimento, na verdade espero que seja, pois assim vejo como possível suportar tamanha agressividade. Assim como faz parte de um amadurecer individual, onde temos opiniões e comportamentos que após alguns anos são frutos de questionamentos e mudanças, espero que em relação a sociedade seja possível fazer essa construção também, assim, é importante não desistir da comunicação, do diálogo, e sempre que possível questionar esse processo, daquela forma acima descrita, para que seja possível perceber a violência que muitas vezes se instala nas relações e que essa reflexão permita investir na qualidade das relações, mesmo com as diferenças, que nunca deixarão de existir, mas que não precisam ser motivos de embate.

        Acho que é importante deixar claro que a agressividade, muitas vezes, vem distorcida em uma voz doce e agradável, porém maquiavélica e cheia de julgamentos. Você poderia apresentar alguns tipos de agressões verbais, que não apenas aquela em que, primeiramente, imaginamos (como o gritar, por exemplo)?
        A destituição é um exemplo claro, alguém que julga o outro inferior, que destitui a pessoa ou seu trabalho constantemente, é uma forma bem agressiva de relação e que muitas vezes não vem com gritos, vem geralmente velada de conselho, observação. Eu já presenciei inúmeras formas de agressão em equipes multiprofissionais onde há uma dificuldade de integração, assim o que se cria é um clima de competição, quem sabe mais, faz mais ou melhor, assim quando alguém apresenta algum problema, dificuldade, insegurança, o que é comum, pois em algum momento todos nós vivenciamos esses sentimentos, esse clima institucional produz os seus sintomas, profissionais que se consideram fracassados, profissionais que vivem para julgar o trabalho do outro, pois se sentem avaliados o tempo todo, e assim por diante. Isso tudo, na minha opinião, é muito opressor e representa uma grande violência, que vem de forma muito velada, silenciosa.
       

Márcia, gostaria de agradecer sua disponibilidade de ter compartilhado não apenas seus conhecimentos, como também  suas reflexões. Foram engrandecedoras. Tenho certeza de que para o leitor também.



Marcia Maito
Psicanalista, investindo e apostando no trabalho em clínico desde 2005 e há 5 anos dedicada ao desafio de trabalhar em equipes multiprofissionais.
CRP 08/10732









             

quinta-feira, 12 de março de 2015

Bom dia, pra quem?



        Ligo para o 0800 de uma operadora de telefonia. A moça me diz:“bom dia, senhora, sou fulana, como posso ajudá-la?”. Então, eu digo:”olá, fulana, obrigada por me atender. Você está bem?”
        “Por que pergunta, senhora?” – diz a moça.
        “Porque quero saber se você está bem”, justifico, com certa estranheza (do tipo, estou me preocupando, você não está percebendo).      
        “Sim, estou” – responde a atendente, meio ríspida.
       Então, uma pausa de cerca de 30 segundos acontece depois dessa resposta. Fiquei esperando a reação da moça do outro lado do telefone, que não conseguiu entender um ato tão simples, um “como vai?”. E, quando acreditei que a atendente tivesse desligado, estranhando minha “atenção” dada, ela falou: “ninguém pergunta como estou, desculpa”.
        Respirei fundo e disse que entendia aquela situação. Uma onda de compaixão, mas também de tristeza, tomou conta de mim. Então propus a ela: “que tal começarmos tudo de novo, assim você pode dar outra resposta”?
        “A senhora vai desligar?” – pergunta a moça assustada, num misto também de sentimentos, como quem está com algum receio, mas também com certa alegria de ter sentido que alguém se preocupa com ela, ainda que não a conheça.
        “Não, querida. Vou recomeçar”. Sem dar chances para que ela não me deixasse promover um pequeno ato de bem estar no meu dia (que era, na verdade, para ela), disse: “olá, fulana. Que bom conversar contigo, como você está?”. E, então, a atendente, agora alegre, disse: “eu vou bem e a senhora?” – respondeu. “Eu estou bem. E tenho certeza de que você pode me ajudar,” respondi.
        Não preciso dizer que o papo foi ótimo. Ela me ajudou em tudo o que podia e sim, tirei todas as minhas dúvidas e ainda respondi ao questionário final, avaliando o seu trabalho.
        Fiquei pensando com meus botões: por que diálogos tão simples parecem tão difíceis em um mundo repleto de possibilidades de comunicação?
        Por que as pessoas parecem estar prontas para o pior? Ou aguardando um desfecho negativo? Imagino que a profissão de atendente não deva ser nada fácil. Mas, a vida de ninguém é fácil. Converse com um motorista de ônibus e histórias interessantíssimas irão aparecer.
        Não existe o pior em uma profissão. Existem ofícios. Tem gente que lida muito bem com sangue, como os cirurgiões. Muita gente acharia um absurdo trabalhar com sangue (como eu, por exemplo).
        Mas, lidar com gente tem sempre um “porém”. É como lidar com inúmeros sentimentos que borbulham em uma pessoa e que irão interagir com os inúmeros sentimentos que borbulham no outro ser. E, apesar das chances cabalísticas de um diálogo, muitas vezes, beirar à estranheza vez ou outra, é de se convir de que não é tão difícil de realizar uma simples conversa como “olá, como vai?”.
        E, é aí que observo, com certa tristeza, que se as pessoas estão tão reativas assim é porque seus corações estão cheios de sentimentos ruins. Ou você acha que uma pessoa alegre não vai entender um “como vai” como algo receptivo e agradável?
        Não tenho teorias para defender sobre isso. Apenas, observo, na expectativa de, sempre que possível, poder trocar as “reações” carregadas em conversas mais leves. Porque dialogar também é permitir fluir o que melhor há dentro de si.



quinta-feira, 5 de março de 2015

O feminino


           

            Acredito que um dos símbolos mais representativos do feminino no mundo é a atriz Audrey Hepburn. Sua beleza delicada, mas ao mesmo tempo marcante, fez da atriz um ícone da feminilidade. Audrey não era apenas um rostinho bonito sustentado por um corpo esbelto de cinturinha fina. Era uma voz firme para as causas em que acreditou e pelas quais lutou (inclusive, exercendo papéis importantes). Era avant-gard até para os visionários. Negou papéis importantes no cinema para cuidar da família e dedicou parte da vida para retribuir, com amor, tudo aquilo que conquistou.
        Gentileza e atitude, força e suavidade, diplomacia e poder de decisão são características do feminino, em qualquer época da história da humanidade. Desde as Helenas da Grécia às Madonnas dos tempos hipermodernos, o feminino revela sua complexidade. E é tão cercado de mistérios que seria impossível afirmar o que é o “feminino” em uma única palavra. Aliás, o que é o feminino? Ao consultar um dicionário, encontrei a seguinte definição: “feminino, aquilo que é próprio da mulher.” É evidente que nem toda mulher deixa aflorar sua feminilidade, mas com certeza a possui.
        Honestamente, discutir o feminino é uma delícia, porque existem várias maneiras de se olhar para ele. Na maioria, são aspectos muito positivos. Ser feminina é entender a própria natureza, respeitar a si mesma dentro de suas possibilidades de beleza. É proporcionar graça e até certo perfume à situações mais sisudas.  Um exemplo: lembro-me de quando era pequena, via minha mãe usar saias compridas até os pés, com sandálias bem baixinhas. Nela, que é uma mulher alta, ficava lindo, porque usar saia é um ato muito feminino. Lembro-me também de minha vó usar uns óculos de sol grandões, com uns lenços na cabeça, à maneira da senhora Kennedy. Lenços também representam um capricho feminino. Eles servem para “adornar” alguma coisa. E embelezar um ambiente ou a si mesmo é próprio do feminino.
        Outra expressão do feminino (pelo menos para mim) é o tom cor de rosa. Quando nasce uma menininha, as mães logo enfeitam, com um lacinho cor de rosa, os primeiros fiozinhos de cabelo das bebês. Depois, mais tarde, o tom cor de rosa preenche a boca das mulheres, conferindo sensualidade. O rosa é símbolo da luta contra o câncer de mama e também, segundo os holísticos e estudiosos em cromoterapia, a cor do amor, outro sentimento atribuído mais ao espírito feminino...
        Eu poderia passar horas aqui falando apenas do feminino, mas chamei uma pessoa muito feminina para dividir esse assunto comigo. Lênia Luz é fundadora e CEO na empresa Empreendedorismo Rosa e sócia fundadora e diretora de comunicação na empresa AurelioLuz Franchising & Varejo. Por algum motivo, nossos destinos, meu e de Lênia, se cruzaram algumas vezes. Mas, infelizmente, nunca chegamos a trabalhar juntas. Agora, o feminino nos uniu novamente. Eu admiro a Lênia pela coragem, pela força que tem, pela dedicação àqueles que estão a seu redor. Quer coisa mais feminina do que isso? Bora lá. Vamos PROSEAR!

- Lênia, o que é feminino para você?
Feminino para mim é ser dona da própria história, escolher o que se quer independente do que a sociedade espera de nós. É escolhermos ser mãe ou não, é ter uma vida financeira assegurada por nosso trabalho, mas se desejarmos ser providas por alguém, nossa escolha deve ser respeitada. É sermos donas absolutas de nossa sexualidade, independente de nossa orientação sexual.
- Conte pra gente o que é o Empreendedorismo Rosa. E por que teve essa ideia de criá-lo?
O Empreendedorismo Rosa começou como um BLOG e se tornou um movimento segundo muitas das mulheres que nos acompanham. Um movimento por compartilharmos com as mulheres não o impossível, não uma vida empreendedora irreal, mas sim uma vida real e possível. Não criamos a RODA apenas fizemos ela girar de maneira diferente. Tudo começou quando iniciei minha formação dentro do projeto 10.000 Women, patrocinado pelo banco de investimentos Goldman Sachs e desenvolvido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP) juntamente com o IE Business School, renomada escola espanhola de gestão, durante 3 meses na sala 9 da FGV – Fundação Getúlio Vargas em São Paulo.
Fiz parte da turma 5 e passamos esses meses estudando, revendo nossos empreendimentos, reformulando ideias, produzindo um plano de crescimento para nossas empresas, trocando experiências profissionais e pessoais.
Em maio de 2012 o que era uma ideia tornou-se realidade, e o BLOG nasceu com o objetivo de inspirar mulheres que empreendem e intraempreendem.


- Nesses anos todos de empreendedorismo, você tem muitas histórias para contar. Com certeza, algumas marcantes. Você poderia compartilhá-las com a gente?
Agora você me pegou...rs..São muitas histórias mesmo. Mas uma que particularmente me marcou foi uma jovem de 17 anos que começou a empreender por causa de nossos textos. Era moradora do interior de Minas Gerais (uma cidade muito pequena ) e viu em nosso espaço mais que inspiração, viu a realização de uma ideia acontecer através da maneira como falamos sobre gestão que é através da contação da histórias.

- Você é uma daquelas que nunca deixam o feminino de lado. Como percebe as mulheres da atualidade?
Acredito que as mulheres estão resgatando o feminino. Minha geração lutou muito para sermos iguais no mercado de trabalho. Somos da época em que se usava ombreiras para se igualar aos homens até mesmo na maneira de vestir. Hoje não mais. Claro que vemos dentro de uma mídia alguns abusos em relação ao corpo feminino, mas aí é outra conversa, né?
Mas, com a abertura de nossas ações em sermos quem quisermos ser, o feminino é resgatado e mostrado com leveza a quem caminha conosco.

- Particularmente, acredito que algumas mulheres, quando exercem cargos de chefia, podem acabar sendo um pouco rudes e se comportam, muitas vezes, como homens. O que você acha a respeito?
Diria que em alguns momentos temos que levantar a voz, mas não engrossá-la para ser ouvida. Mas cada pessoa tem uma maneira de se posicionar, portanto não posso falar por estas mulheres, mas posso dizer que eu não preciso me portar como um homem para exercer minha posição de liderança, em qualquer lugar que eu esteja.

- Você acredita que as mulheres estão mais competitivas? Inclusive, entre elas?
A competitividade não tem a ver em ser mulher com mulher, e sim em termos um mercado competitivo e diverso e portanto encontrarmos, graças a DEUS, muitas mulheres em mercados similares aos que estamos atuando e tão capacitadas quanto nós. Portanto, é uma competitividade saudável, para o crescimento de nossos empreendimentos e carreiras.

- Acredito que ser feminina é muito mais do que usar batom ou saia. É um conjunto de elementos e ações que proporcionam, acima de tudo, um bem estar às situações cotidianas. Você pensa também sob esse ponto de vista?
Sem dúvida que sim. Ser feminina é sermos quem somos: mulheres que fazem acontecer.

- Você poderia citar filmes, livros ou personagens que remetem àquilo que você considera como feminino? Por exemplo, citei Audrey Hepburn lá no começo do texto. Quais são seus ícones femininos?
Uma mulher que admiro como escritora, que fala sobre as várias facetas femininas é Martha Medeiros e recorto um trecho de um de seus textos que diz: Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa. Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo. As boazinhas não têm defeitos. Não têm atitude. Conformam-se com a coadjuvância. PH neutro. Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das intenções, é o pior dos desaforos.
Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes, ciumentas, apressadas, é isso que somos hoje. Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos. As “inhas” não moram mais aqui. Foram para o espaço, sozinhas.”
Na arte, a Isadora Duncan, considerada a pioneira da dança moderna, que causou tanta polêmica ao ignorar todas as técnicas do balé clássico. Uma personalidade forte e não se curvava à tradições, mas quando dançava mostrava ao que veio. 
No cinema, minha representante é Mary  Streep, por representar tão bem papéis distintos da vida de uma mulher. Indo da comédia ao drama, mas todas as personagens com uma força e leveza feminina impressas. 
- Vamos falar de romantismo. O feminino está relacionado, também, ao mistério, ao não evidenciado, a algo que não é escancarado. Um decote despropositado, um sorriso de canto de boca e um olhar intrigante fazem parte do universo feminino e do romantismo também. Como você observa o romantismo nos dias de hoje?
Bem, eu sou uma mulher romântica, mas se dentro de um conceito geral, ser romântica é gostar de receber flores, estou fora... rs
O que encanta é a boa educação, uma conversa de qualidade e uma dose de sedução na relação de romance com meu marido. Estes temperos, em doses certas, fazem da relação amorosa algo único e super romântico.
Não creio que se perdeu o romantismo, talvez as pessoas estejam menos relacionais, por conta de tanta conversa via tecnologia. E quando se encontram não sabem mais ao certo o que e como fazerem, portanto nem sabem o que é romantismo. A conquista, o jogo de palavras, o beijo que não foi dado, o olhar que foi trocado por uma palavra, isso compreendo que as pessoas vem perdendo sim. Mas se alguns não sabem como é, que tal, nós que sabemos, mostrarmos o caminho?

- O que você diria às mulheres sobre o feminino?
Esta pergunta me remeteu a algumas músicas e deixo aqui trechos que definem o ser feminino, o ser mulher, o ser “quem desejamos ser”
 “- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.” - Joyce
“Essa menina, essa mulher, essa senhora
Em quem esbarro a toda hora no espelho casual
É feita de sombra e tanta luz” - Joyce

“Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado a mesa, ter me conhecido
Ter virado o barco, ter me socorrido” - Ivan Lins
“E eis que de repente ela resolve então mudar
Vira a mesa, assume o jogo
Faz questão de se cuidar (Uhu!)
Nem serva, nem objeto
Já não quer ser o outro
Hoje ela é um também” - Pitty
E por fim, lhes digo, que o feminino nosso de cada dia, está em sermos felizes com as escolhas que estamos fazendo. 
Lênia, queria agradecer por esse bate papo, por esse reencontro. Foi bem... feminino.Termino esse texto com uma frase de Audrey Hepburn da qual gosto muito: "Lembre-se que se algum dia você precisar de ajuda, você encontrará uma mão no final do seu braço. À medida que você envelhecer, você descobrirá que tem duas mãos - uma para ajudar a si mesmo, e outra pra ajudar aos outros."
           


Lênia Luz é empreendedora, fundadora e CEO do Empreendedorismo Rosa. Diretora executiva da Aurelio Luz Franchising & Varejo. Diretora de Empreendedorismo e Negócios da Business Professional Women -BPW  Curitiba. Graduada em fonoaudiologia e pós-graduada em psicomotricidade e arteterapia; Especialista em comunicação humana, em Microfranquias pelo Instituto Tomodati/BID, em Empreendedorismo pela FGV/Goldman Sachs, através do projeto “10.000 Women”. Certificada pela IFA. Criadora dos blogs “Mundo das Franquias” e “Mundo das Microfranquias”. Colunista dos blogs/sites  “ Mulheres Empreendedoras” da PEGN, “Portal Webnews”, “Alma do Negócio”, Bolsa de Mulher”, “Canal do Empreendedor”, “Mulheres no Poder” , “Administradores – O Portal da Administração”, “Revista + Mulher” , “IP Imagem Pessoal” , “It Mãe” e “Tendência de Mulher”.