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Conheça os benefícios de uma comunicação mais eficiente.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Lorena e a estrela

        Era uma vez uma menina chamada Lorena. De cabelo ruivo, bochecha rosada e sardinhas no rosto, adorava brincar. Era muito viva. E pulava, Deus, como pulava! Pulava para conversar com os adultos, para falar com os amiguinhos. Ela não conseguia ficar quieta.
        Lorena tinha um cãozinho, o Estrela, que ganhou quando tinha apenas 4 anos. Mas, isso já faz muito tempo, porque Lorena já tem oito agora. E, apesar de muito esperta, a menina não sabia lidar muito bem com os números. Certa vez, voltou para casa cabisbaixa com um boletim na mão. Decepcionada com a nota em matemática, comentou com sua mãe (esticando os bracinhos para entregar o boletim): “mãe, eu sou um fracasso”.
        Desconsolada, passou o jantar quieta, enquanto seu irmão Miguel, um ano mais velho, brincava de fazer uma alavanca com o garfo, para atirar grãos de milho no copo da irmã. Ela estava tão chateada, que nem prestou atenção na provocação do irmão. A mãe, vendo que a menina já estava triste, olhou pro marido como quem vai falar algo. O marido, então, sussurrou: “conta, é melhor contar”.
        “Crianças, aconteceu uma coisa com o Estrela. Ele não vai mais poder ficar aqui em casa. Ele foi levado para um canil, no céu.  Miguel saiu da mesa, chorando. Cruzou os braços e disse: não é verdade! Lorena suspirou, baixou os olhinhos e se sentindo ainda mais derrotada apenas saiu da mesa.
        Entrou em seu quarto e bateu a porta. Debruçada sobre a janela, olhou para o céu, tentando encontrar qualquer coisa que acalmasse seu coração. Não conseguia nem chorar. Lorena, então, pensou: “ah, se eu morasse naquela estrela! E se lá fosse um lugar onde tudo desse certo? Eu só queria que tudo acabasse bem.” E, então, ela percebeu que a estrela começou a se aproximar, vagarosamente.




        Lorena não podia acreditar que a estrela que observava de sua janela, estava mesmo se aproximando. A menina ficou paralisada enquanto percebia a estrela chegar cada vez mais perto. Atônita, Lorena parece ter ficado fora de órbita por alguns minutos. Quando se deu conta, a estrela estava na sua frente. E, para a surpresa dela, era do mesmo tamanho que Lorena.
        A estrela, então, estendeu os braços para a menina, pegando em uma de suas mãos. E foi então que...
        ... num segundo, Lorena estava em mundo muito distante, o Estrelar, o planeta das estrelas. Um lugar onde tudo brilhava. Tudo era bonito. Havia natureza, como na Terra. Havia cidades, como se conhece hoje. Mas, ao contrário do que ocorre na Terra, em Estrelar tudo dava certo. Os estrelares também tinham outro diferencial: as estrelinhas não podem falar. Elas se comunicam soltando estrelinhas pelo coração, emitindo um som engraçado. Mas, elas não conseguem falar como os humanos falam.
        Percebendo que Lorena não estava entendendo aquela situação, a estrela escreveu num papel, com canetinha colorida, a seguinte frase: “Lorena, nós nos comunicamos em estrelês. Sabemos que você não sabe essa língua porque só existe em nosso planeta. Você não queria estar em um lugar onde tudo dá certo? Você está nesse lugar.”
        Lorena não podia acreditar que estava em outro planeta. Se beliscou para ver se era verdade mesmo. Então, perguntou: “e o que eu faço agora?”
        A estrela voltou a escrever: “o que você quiser fazer. Podemos te levar para conhecer o lugar onde tudo dá certo. Mas, a gente gostaria que você falasse mais coisas pra gente, contasse histórias, porque a maneira como vocês se comunicam é muito bonita.”
        “É mesmo?” – falou em voz alta. “Nossa, nunca tinha pensado sobre isso”, comentou Lorena. E, enquanto falava e a estrela escrevia, a menina foi chamando a atenção de milhares de estrelinhas que estavam passando por uma rua qualquer de Estrelar.
        Lorena e a estrela (que se denominava estrela-guia) caminharam horas por aquele planeta que era muito parecido com a Terra. Além da maneira de se comunicar, outra exceção eram os meios de locomoção que por lá não existiam, afinal, estrelares voam e podem se transferir de um lugar para outro apenas desejando que isso aconteça. A menina passou o dia inteiro contando histórias da Terra. Quanto mais as estrelinhas gostavam de suas histórias, mais estrelas saíam de seus coraçõezinhos.
        E, então, Lorena percebeu que parte das histórias que contou era linda e a outra metade era de histórias tristes. Foi, então que perguntou para a estrela-guia: “como vocês conseguiram transformar o Estrelar em um lugar em que tudo dá certo”?
        A estrela então escreveu: “nós desejamos muito que tudo desse certo sempre. Desejamos o amor acima de qualquer situação, amor acima da dor, das tristezas, do ressentimento. E, de tanto desejar, viramos estrelas. Mas, já moramos em outros planetas antes de virar estrela.”
        “Quer dizer, que vocês já foram humanos”? – perguntou a menina. “Nem todos”, escreveu a estrela guia. “Alguns foram animais, outros foram anjinhos da guarda e outros foram humanos. Na verdade, pode morar em Estrelar qualquer um que deseje que tudo dê certo e acreditar nisso.”
        “Será que é para cá que o Estrela veio?” – perguntou Lorena. A estrela-guia, então, escreveu: “Lorena, estive sempre ao seu lado, querida. Apenas agora virei estrelinha. Eu sou o Estrela.”
        Lorena ficou emocionada. Abraçou aquela estrelinha e quanto mais abraçava e sorria mais estrelinhas iam saindo do coração da estrela-guia (ou do Estrela, se preferir). “Agora, você tem que voltar para sua casa”, escreveu a estrela-guia. E acrescentou: “além de te ver, queria mostrar para as outras estrelinhas como é bonita a maneira como vocês se comunicam na Terra. Faça bom uso dela, afinal é pela comunicação que vocês podem demonstrar o amor. E lembre-se: deseje e acredite que tudo dê certo e isso vai acontecer. Há os que lutarão contra e os que acharão que você está louca. Não preste atenção nisso.”
        A menina relutou: “não, eu quero ficar aqui com você pra sempre”. A estrela-guia, então escreveu: “não, querida. Esse é apenas um desejo seu. Se acreditar, você um dia poderá ficar aqui pra sempre. Por enquanto, estarei te guiando de longe. E toda vez que quiser conversar comigo, me chame e eu irei.”
        E, então, num piscar de olhos, Lorena estava de volta ao seu quarto. Aos poucos, voltou a ouvir e a sentir tudo o que estava acontecendo em sua volta. Não percebeu que alguém batia na porta.
        Abriu-a correndo. “Filha, estou há mais de dez minutos batendo na porta, fiquei preocupada, pois sei que está chateada” – falou a mãe.
        Lorena pensou: “nossa, só dez minutos? Para mim, passaram-se horas.” E então disse: “não se preocupe, mamãe. Se você acreditar que tudo dará certo, assim será.”






quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Sob o ar rarefeito

        Há os que dizem que o ano começa agora. Que, finalmente, o ritmo de trabalho, afazeres, escola dos filhos, tudo retornaria a partir da quinta-feira pós carnaval.
        Acho curiosa essa afirmação, pois sei que (com exceção da escola dos pequenos) muita gente está na labuta há muito tempo. Empresários, por exemplo, estão sempre trabalhando, ainda que tirem umas férias.
        Já faz certo tempo que observo a relação das pessoas com o tempo, o trabalho e o prazer. Sim, porque se é necessário entender um feriado como um desejo esperado é porque existe algum“porém” nessa relação toda.
        Essa semana li uma manchete de um jornal francês que afirmava que o carnaval é aquele momento em que o brasileiro se esquece de todos os escândalos e problemas (que não são poucos, vale reforçar!) para celebrar a vida. O que me chamou a atenção foi a parte do “celebrar a vida”. Por que não se pode celebrar a vida durante o ano todo, fragmentados em pequenos e grandes momentos? Por que tem que ser no carnaval que muita gente afirma que “solta o grito”, que veste a fantasia para liberar a animação? Não seria possível compartilhar essa alegria em outros ou mais momentos do ano?
        Não venho aqui fazer uma análise sociológica da situação atual de nosso país, afinal, essa tem sido a pauta de discussões da atualidade na mídia e nos movimentos em geral. Muito menos venho dizer que os brasileiros não merecem feriados. Nada disso! O descanso é muito bem vindo.
        Questiono apenas o seguinte: o que faz as pessoas pensarem que um feriado pode aliviar todas as tensões vividas durante um ano? Um amigo me contou, esses dias, que ao tentar marcar cursos para janeiro, o diretor de uma instituição disse a esse meu amigo que não adianta marcar nada para o mês de janeiro e fevereiro porque os funcionários não trabalham direito naqueles meses. Fiquei assustada com a afirmação e ainda comentei com o amigo: nossa, mas eu ministrei cursos em janeiro. Não acho que meus alunos e clientes estão menos aptos ou menos dispostos. Pelo contrário!
        Veja como é curioso o eco do “não adianta fazer antes do carnaval.”  E é aí que entra a relação trabalho, tempo e prazer. Não necessariamente nessa ordem. Observe, leitor, que normalmente as pessoas acompanham o calendário para fazer tudo. O ritmo de vida, inevitavelmente, é cronometrado pelo relógio, ditado pelas obrigações (geralmente de trabalho). E o prazer, onde fica? O que lhe dá prazer, já pensou sobre isso? E por que o prazer tem que ser estabelecido depois do trabalho e cronometrado por um tempo?
        Sei que parecem irresponsabilidades os questionamentos acima, mas posso garantir que ajudam a manter o foco do real desejo da vida de cada um de nós. Claro que todo mundo tem louça pra lavar, tem que trabalhar e atender clientes (no meu caso) e ainda ter que lidar com todas as outras situações do dia a dia, como o trânsito, por exemplo. Mas, por que não se pode estabelecer as coisas prazerosas como prioritárias?
Quando se trabalha com aquilo que realmente gosta, a sensação de trabalho pesado (como um fardo) desaparece (por mais que se trabalhe). Quando se elege o prazer como prioridade, a noção de tempo desaparece. Então, não estaria a sociedade (me incluo nisso) seguindo um fluxo sob o ar rarefeito? Explico: se não se pode (por qualquer motivo) fazer o que se gosta (em especial o trabalho), a ponto de parecer um fardo e precisar de feriados para descansar, estabelecendo a noção de tempo apenas cronometrado pelo calendário e relógios, sem a sensação de prazer, não se estaria vivendo com pouco ar?E é assim que você, leitor, quer viver o ano todo?
        Sei que lancei muitos questionamentos juntos. Mas, viver sob o ar rarefeito não vai fazer com que você consiga perceber o tempo nem desejar o trabalho nem entender o prazer.
        Que tal, então, comunicar algo melhor para você mesmo em 2015? Ainda é tempo de fazer essa análise, afinal, há os que dizem que o ano começa agora.








quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Cinco passos que facilitam sua comunicação



       Você não quer ter um bom dia? Muita gente que deseja um dia maravilhoso, no entanto, não entende como (ou não pretende) contribuir para que isso ocorra.
        Digo nos cursos, palestras e até para clientes, que não existe mais espaço para caprichos nesse mundo. Em um ritmo ditado pelas coisas (e até pessoas) volúveis, se não se entra na dança corre-se o rico de ser retirado da roda. Observe mais facilmente esse movimento no ambiente de trabalho, onde a rotatividade de pessoas é cada vez mais crescente. E isso se deve a vários fatores. Um deles, sem sombra de dúvidas, é que a empresa não agradou o funcionário ou o funcionário não agradou a empresa. As pessoas (e coisas) são substituídas numa velocidade incrível.
        A comunicação na sociedade dos tempos de hoje (ah, como gosto do termo “hipermoderna” de Gilles Lipovetsky) é rápida, imediatista, volúvel e, por que não, leviana. Não quero entrar muito no mérito do quão rasa ela pode ser em várias situações, nos relacionamentos e até nos empregos. Acredito, no entanto, que cinco passos simples no seu dia vão facilitar, e muito, sua comunicação. Mas, por que eu iria querer tornar minha comunicação mais simples, você pode estar se perguntando, caro leitor. Bom, a resposta para esse questionamento é o primeiro passo.
        Você é responsável pela sua comunicação.
        Entenda a frase acima e todas as situações do seu dia irão mudar. Não é mágica. Assumir toda a responsabilidade sobre aquilo que se fala (e como se fala) é um passo importante para mudar sua realidade, porque lhe coloca em situação de vigilância (não o tempo todo, mas principalmente nos momentos em que você poderia falar aquela bobagem e repensa: “ops, melhor não”). Assumir o que vai falar ajuda-o a escolher bem suas palavras; ajuda a parar de ser reativo e a buscar ser assertivo em todas as situações. Observe também que eu disse para você assumir o que você diz, mas não o que os outros entenderam. Afinal, cada um entende como quer.
         Ao acordar, respire.
      As pessoas mal abrem o olho, já checam o e-mail, ligam a televisão (que com certeza tem uma tragédia para mostrar – vou abrir um parêntese dentro desse parêntese: sou comunicadora com formação jornalística e boa parte da minha vida estive nas redações. Respeito o trabalho dos meus colegas. No entanto, acredito que uma pausa ao acordar pode fazer “mais bem” do que assistir a um desabamento, por exemplo). Lembre-se de acordar com calma, tente lembrar sobre o que sonhou, tome um banho, faça sua higiene, tome um café e, aí sim, abra o e-mail ou ligue a televisão. Vive-se hoje um excesso de informações oriundas das mais diversas plataformas de comunicação. Você não vai morrer se ler o e-mail depois de respirar fundo e tomar um banho. Tente reservar esse tempo matinal. Pode ser revelador.
        Perceba seu humor.
       Você tem problemas? Ah, bem-vindo ao clube! Você pode estar com TPM, endividada(o), brigada(o) com o(a) namorado(a), chateada(o) com a(o) amiga(o), com o carro batido, o filho com febre, se achando gorda(o), enfim, poderia fazer uma lista infindável de problemas. Porque, mesmo quando a gente não tem problemas, acha que tem, não é verdade?
        Então, vou lhe contar uma historinha. Certa vez, num dia muito triste da minha vida, conversava com uma amiga (muito, muito querida) e então eu disse: “acho que nunca mais serei feliz.” (que tolinha!) E, então, a amiga me disse: “quando perdi meu filho, achei que nunca mais iria ser feliz. Mas, vi que ainda tinha muita vida para se viver. Mesmo com aquela dor que cortava meu coração, tinha que trabalhar e cuidar de outros filhos. Aprendi a guardar minha dor numa gavetinha quando saía de casa. Me permitia ter um dia tranquilo e só lembrava da dor quando chegava em casa.”
        Diante daquela história, engoli o choro e entendi que o humor é uma escolha, que a felicidade é uma escolha, mesmo diante da dor. Portanto, observe seu humor antes de sair de casa, em vez de “descontar” nas pessoas sua raiva, ódio, ressentimento ou tristeza, verbalizando aquilo que sente.
        Vamos manter a educação?
       Esse é o quarto passo mais importante para sua comunicação. Tudo bem que na atualidade as pessoas começam uma conversa pelo Whatsapp e terminam pelo Facebook ou por e-mail. Mas, nenhuma conversa vai valer a pena se você se esquecer da sua educação. Falo de educação, não etiqueta.
        Palavras educadas são utilizadas para estabelecer diálogos cordiais entre pessoas. “Bom dia”, “boa tarde”, “olá”, “licença” e “por favor”, infelizmente, estão caindo em desuso. “Obrigada”, então, parece ter ficado no século passado. Quanta ingratidão, rssss.
        Na verdade, como “acionar” as pessoas ficou muito fácil, muita gente acredita que os outros têm obrigação de ter uma resposta imediatamente. Não, não, isso não é uma verdade. É apenas a sua falta de educação mesmo.            
          Deixe as pessoas falarem sem interromper.
        Treine seu ouvido para ouvir o que seu interlocutor está falando. Caso contrário, irá ouvir pela metade, fará julgamentos precipitados e não deixará que o outro se expresse, por mais bobagem que pareça que o outro esteja falando. Aliás, por que todo mundo tem que ter a mesma opinião? Deixe as pessoas discordarem de você. Mas, esse é um assunto para outro post. Por hora, esses cinco passos estão de bom tamanho para tornar sua comunicação cada vez melhor.







quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Amor



         Como você descreveria o amor? Momentos de carinho entre duas pessoas? Aquela coisa que só o coração sabe explicar? Uma sensação de paz? Ou seria a falta dela?
       Há milênios, muitos tentam descrever o amor como se as palavras, as artes ou qualquer outra forma de expressão pudessem falar por um sentimento tão nobre. Sem sombra de dúvidas, são os poetas que traduzem melhor o amor.  Quer dizer, há muitos escultores e músicos que também descrevem bem o sentimento. Mas, os poetas, a meu ver (e como esse blog é meu, quero considerar os poetas mais entendidos do assunto, rssss), são aqueles que melhor traduzem as nuances do amor. Quintana, por exemplo, afirma: “Amar é trocar a alma de casa”.
       Mas, também são os poetas que falam sobre as dores causadas pelo amor: “Amar o perdido, deixa confundido esse coração”, diz Drummond em um trechinho de um poema seu.
       Sim, porque amar está muito além de simplesmente entrar em uma bolha de prazeres e delícias. Amar envolve uma série de questões e pode ser muito mais complexo do que se pensa.
       Honestamente, não existem verdades sobre o amor. Cada um ama ao seu jeito. Mas, questiono se o amor, em alguns momentos, mais se parece com um apelo do que se quer do outro do que realmente o que se sente pelo outro.
       Para criar um debate amoroso (por que, não?) a respeito do amor, convidei uma psicóloga expert para falar sobre o “amar”. Por que expert? Maria Marta Ferreira é psicóloga na Clínica Psicobela Saúde Emocional Beleza Integral, de Curitiba. É autora do livro “Ser feliz não é pecado” e sabe, como ninguém, o bem que o amor faz (a si próprio e ao outro), sendo capaz, inclusive, de transformar emoções, gerar motivações e criar novas realidades.

1) Maria, vamos destrinchar o amor em suas várias faces. Mas, vou começar por um clichê. Muitas pessoas querem ter um namorado(a). Aí quando “arranjam” alguém, a situação acaba virando quase que um pesadelo. Isso porque, claro, a pessoa só quis arranjar uma “muleta”. Eu atribuo a isso (me corrija se eu estiver errada) o fato de que o amor tem de vir de si. Ou seja, é preciso comunicar o amor próprio antes de qualquer coisa. Como você avalia o amor entre duas pessoas? E você acredita que os relacionamentos estão (ou estariam) mais difíceis hoje em dia?

Acredito que há tantas formas de amor, quanto existem diferentes pessoas pra amar.  Quando o que se tem em mente é o amor romântico, o querer estar perto, o toque que acalma, que também ascende. A vontade de fazer planos juntos, gastar tempo juntos, construir família, multiplicar, não apenas material genético, mas histórias, experiências. Os protagonistas costumam ser pares, duas pessoas que se encontram, que se escolhem. A partir daí o amor como uma espécie de raiz “pega ou não”. Depende de como amamos, de como agimos.
Cada época o amor tem um tom, porque acompanha a humanidade e suas evoluções, mas há conteúdos no amor que são essenciais, como a necessidade de ser reconhecido, valorizado, de ser importante, especial, valioso para alguém. 
Temos necessidade de amar, porque no final das contas tudo converte-se em relacionamento. Precisamos do outro para nos descobrir, nos experimentar, para crescer, aprender, evoluir.
Há tempos que o coração quer se apaixonar, há tempos que precisa de ternura. São faces, momentos do amor. Amor é emoção, é energia, não se perde, se transforma. Primordialmente acredito que AMAR é FAZER. Amar é verbo, é mais que sentimento, é atitude.
Não basta dizer que ama, é preciso demonstrar que ama, e nesse sentido amor é algo pra ser compartilhado, não dá pra amar sendo demasiadamente egoísta, porque amar exige troca: doar e receber.
Infelizmente alguns falam do amor hoje como “mercado de afetos”. Provavelmente porque há mesmo consumo excessivo, volatilidade, relações vazias, pessoas que procuram não pessoas, mas ideias que fazem das pessoas.
Alguns estão numa busca tão frenética que nem reconhecem quando há possibilidade ou chances para o amor naquele encontro. Estão a procura do “maior amor, do melhor amor”.
Mas, vale lembrar que amor não é produto, é aquela misteriosa energia que brota e muda tudo. Mas, é um BEM intangível, não se pega, não se compra, não se vende, só se SENTE. Mas "todo mundo vê", porque faz a gente brilhar mais e tudo o mais faz brilhar...
  
2) Explique um pouquinho, por favor, a respeito do amor próprio.

Amor próprio é em essência ter estima, afeição, carinho, consideração, respeito consigo mesmo.
Ter um bom relacionamento consigo mesmo é a base para um relacionamento saudável com outra pessoa. Gostar da própria companhia, fazer coisas edificantes pra si mesmo, desenvolver autonomia, ter um bom conceito sobre si nos auxilia a nos sentirmos interessantes e valiosos para o outro. E valorizar e considerar o outro.
Alguém que chega em nossa vida, deve ser para nos fazer MAIS felizes, e não para nos fazer feliz. Essa capacidade e responsabilidade é primordialmente nossa.
Assim felicidade e amor, devem ser somados, e não divididos.

3) Outra questão que gostaria de debater sobre o amor é que as pessoas esperam que o amor seja aquela coisa cheirosa, sempre sorridente, como num filme romântico. É claro que o romantismo é necessário (quem não gosta de um vinho e uma boa música?), mas haverá rotina, momentos de tensão, pontos discordantes entre você e o outro. Como desmitificar o amor nesse caso?

A palavra é essa mesmo retirar o mito, descascar, tirar parte da fantasia. É natural que haja uma vontade de estarmos SEMPRE bem, o problema é que exatamente esse sempre NÃO é possível.
Podemos estar a maior parte do tempo bem. Para sermos inteiros e vivermos relações integrais, maduras, precisamos aceitar e suportar as turbulências e instabilidades. Não que seja fácil ou agradável, mas é necessário e imperativo da vida.
Não amamos do mesmo jeito todos os dias, o amor é cíclico como os ponteiros do relógio. Horas estamos curtindo o ápice, mais que dez, doze! Horas, estamos fracionando entre o três e o nove, horas temos que fazer contas porque estamos em baixa, de cabeça pra baixo, meia dúzia, meia boca...Mas isso muda. O ponteiro gira.
Por isso um relacionamento precisa de confiança, paciência pra vivenciar todos os seus momentos. Novamente é hora de somar, os bons, os médios e os grandes momentos. Se o saldo for positivo, fique por aí que está tudo certo. Do contrário, vale reavaliar.

4) Vamos falar do amor entre amigos. Certa vez li um artigo que falava que as pessoas atribuem “funções” a seus amigos. Por exemplo, essa é minha amiga de ir ao cinema, aquele outro é meu amigo de tomar chopp. Reflito a respeito do “amor de função”. Como você avalia essa questão?

O que está chamado aqui de função eu costumo chamar de “amigos especialistas”. Como os dedos das mãos, em suas diferenças, juntos podem fazer muitas coisas, e separados também.
A vantagem disso é a diversidade, a exclusividade, partes de um todo. Às vezes precisamos rir muito, e nossos amigos “palhaços” nos aliviam a alma, noutras precisamos de uma boa bronca então nosso amigo ranzinza e exigente entra em ação e por aí vai. Não significa que não amaremos nossos amigos que não nos fazem rir. Mas talvez isso nos ensine, que nenhum de nós é completo, por isso precisamos de vários.
Lidar com as limitações e impotências é uma forma majestosa de amor, porque amar também é limite!

5)  Vamos falar de amor de pais e filhos. Vou contar uma historinha para ilustrar minha pergunta. Certa vez, uma amiga chegou chorando em casa, porque ela não queria mais ser aeromoça (mudei a profissão para preservar a pessoa) e queria estudar literatura. Mas, não tinha coragem de contar para a mãe. Fiquei pensando (mas, não disse): “acho que sua mãe não vai te amar menos porque você deixará de ser aeromoça.” Pois, não é que ao contar seu desejo para a mãe, ela (a mãe) cortou relação com a filha durante anos? Explique um pouco a respeito do amor entre pais e filhos?

É natural que teçamos expectativas, que esperemos algo de quem amamos. Comum também são as projeções dos pais sobre os filhos. Muitas vezes lançam sobre sua prole desejos não realizados por eles mesmos.
Muitos adoram “exibir” os feitos de seus rebentos, contar o quanto são bem sucedidos e felizes. E a maioria está mesmo desejosos de que sejam felizes.
O problema é que muitas vezes os pais não respeitam a individualidade, o direito de escolha dos filhos. Pensam que esses precisam pensar como eles pensam, agir como os pais agem. E desconectam de que esses seres são diferentes.
Há pais que condicionam o amor a obediência cega, desrespeitosa. Nesses momentos os filhos precisam ter clareza e coragem pra alçar seus vôos, testar esse amor.
Se o amor de um pai, irmão, seja quem for não resistir ao direito do outro ser quem é em fazer suas próprias escolhas, então esse “amor” é posse, domínio, não amor. Os pais têm o direito de ficarem frustrados, mas tem o dever de respeitar, porque amor de verdade, tem aceitação, tem respeito!

6) Também gostaria de enfocar a manipulação. Muita gente diz que ama. Mas, por ciúmes e até medo de não ser correspondido, acaba manipulando seus parceiros (ou amigos(as), namorados(as) e até filhos(as)) para conseguir atenção. Como perceber um manipulador?

Um manipulador é um egoísta de plantão. Autocentrado, acredita que o mundo só está certo da perspectiva dele. Pouco empático, não se coloca no lugar do outro. Só ele sofre, só ele se esforça, só ele, só ele...
É um inseguro, muitas vezes sem vida própria, costuma ser dependente e controlador. Imaturo também.
Quem se aventura a amar tais seres deve estar disposto a uma doação sem limites. Deve saber que pode doar o sangue, e se preparar para doar mais, porque essas criaturas ávidas, ambicionarão sua alma também.
Os frutos costumam ser sofrimento, cansaço, culpa, e impotência.
Manipuladores não amam, controlam.

  
7) Por que parece tão difícil, hoje em dia, pessoas que aceitem os outros como são? Vemos desde intolerância religiosa até sexual. Isso não seria a falta de “amar o próximo”? E o que seria “amar o próximo”?

Temos visto muitas bandeiras da intolerância hasteadas. Isso contraria o amor, porque uma de suas faces é a tolerância, a aceitação, o respeito às diferenças.
Há quem chame paixão de amor e fanatismo de fé. Habitualmente são pessoas inflexíveis, rígidas, ou idealizadas, parciais que não têm visão para compreender que as moedas são dupla face e que a vida é feita de ambiguidade, dualidade.
Não há só certos, ou só errados. Esse maniqueísmo, esse separatismo denota imaturidade, pouca generosidade e arrogância.
Um dos grandes mestres do amor ensinou que é preciso amar os inimigos. Por certo, inteligente como era não estava propondo demonstração de afeição, ou gestos carinhosos para seus inimigos, estava falando que temos o direito de discordar, de não gostar, de não aderir, MAS, temos a obrigação de respeitar, ou seja, permitir que o outro seja o que é.
Isso não significa permissividade, submissão, mas a compreensão do direito a liberdade. E vale lembrar que liberdade gera consequência e que implica responsabilidade.
Por isso amar o próximo significa tratá-lo como gostaria de ser tratado, respeitá-lo como gostaria de ser respeitado. Doar e receber exatamente o que está disposto a doar e a receber também.

8) Como o amor pode transformar realidades?

Já falamos que amar é um verbo, uma ação. Amar é fazer.
Gosto muito de um texto do Gandhi que diz que “O que destrói a humanidade é a política, sem princípios; o prazer, sem compromisso; a riqueza, sem trabalho; a sabedoria, sem caráter; os negócios, sem moral; a ciência, sem humanidade; a oração, sem caridade.” 
Assim, vejo que princípios, compromisso, trabalho, sabedoria, caráter, moral, caridade são frutos do amor. E como disse Madre Teresa: “a falta de amor é a maior de todas as pobrezas”.

Livrai-nos dessa pobreza!!!
  

Quando perguntei a Maria se ela queria acrescentar mais alguma questão que eu não tinha abordado a respeito do amor, Maria disse: “Querida, passaríamos a vida escrevendo sobre o amor, rsrsr.”
E não é?
Gostaria de agradecer a Maria por dividir seus conhecimentos, sua atenção e tempo para um assunto tão nobre como o amor. Tenho certeza de que foi enriquecedor, não só para mim como para o leitor também. 


Maria Marta Ferreira (CRP 08/07401) psicóloga com mais de 15 anos de experiência em clínica.
Autora de Ser Feliz Não é Pecado – Conexões entre autoestima e fé – Editora Juruá e outros títulos.
Comentarista semanal sobre relacionamentos no Programa Light News (95,1 Transamérica Light) e Fale com Maria – TV Evangelizar.
Diretora da clínica Psicobela, Revista Digital e Site de mesmo nome www.psicobela.com.br
(Comportamento, emagrecimento, autoestima, valorização da beleza integral e saúde emocional).

Maria já esteve nesse blog outra vez, quando resolvi conversar com o Wilson (rsssss). Você pode conferir a participação de Maria clicando no post Eu converso com o Wilson, e você?