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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Você se comunica bem?



        É impressionante como algumas situações traduzem a sensação de clareza de uma intenção. Uma senhora que consente com a cabeça a um jovem que quer ajudá-la a atravessar a rua; um carteiro que percebe a alegria no sorriso de alguém que recebe a encomenda tão esperada; a feição do médico que vai dar uma notícia a uma família que aguarda o resultado de uma cirurgia demorada...
        Perceba que mesmo que essas pessoas (das situações acima) não digam nada, é fácil entender o que está acontecendo e o que, posteriormente, possa ser verbalizado. Mas, por que, então, em outras situações, parece que a comunicação não se faz de maneira simples ou transparente?
        Você já parou para refletir se você se comunica bem? Mas, o que seria a boa comunicação?
      Confundida muitas vezes com a Oratória (que tem sua importância, mas sem uma boa comunicação talvez não tenha muito efeito), a comunicação eficiente nada mais é do que prestar atenção naquilo que se verbaliza, como se fala algo, em que momento que você diz.
        Na prática, ao contrário do que muita gente possa pensar, a comunicação está atrelada muito mais ao seu comportamento diante dos fatos do que qualquer outra coisa. Tudo o que você diz é um reflexo da maneira como você percebe “as situações” no seu dia a dia. Há pessoas, por exemplo, que conseguem manter um humor incrível mesmo nos momentos mais difíceis. Elas conseguem, inclusive, fazer piadas em dias mais tensos, descontraindo o ambiente. Isso não quer dizer que só tem uma boa comunicação quem tem bom humor. Mas, é mais fácil lidar com pessoas bem humoradas, principalmente em momentos de tensão.
        Por isso, indico às pessoas (quando me perguntam o que fazer para se comunicar bem) que para uma boa comunicação é preciso, acima de tudo, prestar atenção em você. Antes mesmo de sair de casa, sinta como está o seu estado de espírito e seja um termômetro para você.
        Quem assume a responsabilidade sobre seus sentimentos não corre o risco de acusar os outros, indevidamente, por suas tristezas ou angústias. É evidente que problemas externos afetam o dia a dia de qualquer pessoa. Desde uma fechada no trânsito até mesmo uma demissão podem causar tristeza, por exemplo. No entanto, a maneira como você lida com sua tristeza é que vai fazer sua comunicação ser mais fluída ou não. Despejar a sua raiva em alguém, porque foi demitido, não vai lhe ajudar, por mais que as pessoas que estejam ao seu redor sejam compreensivas. Que tal verbalizar que precisa de ajuda?
     Em um mundo tão agitado, tão repleto de angústias, questionamentos, dúvidas, não espere que as pessoas estejam prontas para entender o seu sentimento verbalizado de maneira ríspida. Elas não têm tempo para chiliques e nem sempre conseguem entender suas próprias necessidades, tão quanto a dos outros. Por isso, o exercício da observação sobre si mesmo (não como um sentinela dos seus sentimentos, mas observador, apenas) deve partir de você.
        E é um exercício que deve ser feito desde o momento em que se levanta até quando for dormir. Como você se percebe pela manhã? É mau humorado? É isso que quer verbalizar para as pessoas, mau humor? Agora, a pergunta que se deve fazer é por que está mau humorado? Você não gosta do seu trabalho? Está frustrado com algo? Seus planos de vida não deram certo até aqui? Então, é hora de observar não somente seus sentimentos, mas mergulhar mais fundo no que o seu coração está lhe falando e que talvez você não tenha escutado, mas que sua boca talvez esteja verbalizando sem parar.
        Perceba também que quem se isenta do exercício da observação sobre si mesmo não vai se isentar da dor. Quantas pessoas sofrem de ataque cardíaco porque se afogam em suas dores, sem nunca as terem verbalizado? O problema é que as pessoas acreditam que, se esconderem seus sentimentos embaixo do tapete, “cumprindo” suas obrigações de mulher, marido, filho(a), nora, genro, evitam o conflito. Não se engane. A falta de observação sobre si mesmo em situações que não lhe agradam é que nunca o(a) fizeram perceber o quanto você já verbalizou chatices apenas porque não queria cumprir suas obrigações (você não ouviu seu coração, mas ele deixou escapar aquilo que está lhe incomodando).
        Portanto, não tem como fugir. Observar o que se passa em seu coração é o melhor indicativo para ter uma boa comunicação. Quem faz isso, entende: a diferença entre você e o outro, respeitando as opiniões alheias (porque aceita as suas); tem mais chances de não ser preconceituoso (porque quem aceita seus posicionamentos de vida, entende a dos outros, sejam quais forem eles); não tenta impor sua opinião (quem se observa antes de falar algo entende que sua opinião pode não ser a mesma das demais pessoas); não deixa ninguém em saia justa e não faz provocações; estabelece relações mais harmoniosas (pelo simples fato de saber observar antes de falar); se permite ficar calado (porque afinal, se for para polemizar e não acrescentar nada é melhor ficar quieto mesmo).
        Enfim, viu quanta coisa pode mudar em sua vida pelo simples fato de observar os seus sentimentos antes de verbalizá-los? Por isso que insisto que a boa comunicação é o resultado daquilo que você fala, como fala e quando fala. E somente o exercício da observação sobre si (e seus sentimentos) é que dará essa garantia.         
       Como dizia Confúcio: “não posso ensinar a falar a quem não se esforça por falar.”





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