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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Você fica feliz com a felicidade alheia?



         Um dos temas mais debatidos na atualidade é a felicidade. O que é a felicidade, no entanto?
        Eu poderia encher uma página dessas só com “coisas” que me fazem feliz. Tenho quase certeza que não são todos os leitores que concordariam com meu conceito de felicidade.
        Mas, para provocar um pouquinho (rssss), um dos conceitos de felicidade de que mais gosto e que, pelo menos para mim, traz muita tranquilidade ao coração, é quando chego em casa e consigo escrever antes de fazer qualquer outra coisa, como, por exemplo, lavar a louça. É minha pílula de felicidade incondicional. Assim como nadar na piscina em um horário que não tenha ninguém e poder sentir a imensidão das águas.
        Entendi, com o tempo, que felicidade são pequenos momentos que, se você se distrair um pouco da sua rotina, são capazes de trazer sensações incríveis e inexplicáveis. Tomar um sorvete, vestindo terno e gravata, pode traduzir uma sensação de felicidade. Achar dinheiro no bolso da calça pode traduzir felicidade. Ganhar folga quando se estaria de plantão pode traduzir felicidade. Ganhar um abraço quentinho pode ser uma felicidade e tanto. Olhar-se no espelho e perceber que perdeu uns quilinhos pode ser o melhor presente dos últimos anos.
        Mas, felicidade é algo subjetivo. Só não é intransferível porque é possível sim contagiar alguém (ou mais pessoas) com sua felicidade. Uma das coisas mais bonitas que percebo ao tentar conceituar felicidade é que, quando é verdadeira (não as fotos que vemos no Facebook, rsssss) permite elevar o pensamento a outro nível, como se fosse possível flutuar. É um êxtase tão grande que nada pode tirar essa sensação por minutos, dias, meses e até anos.
        Pensando bem, não seria essa felicidade algo meio egoísta? Só se está feliz quando algo aconteceu em benefício próprio? Não existe felicidade quando algo de bom acontece a outras pessoas? Você não fica feliz quando pessoas encontram soluções (ou respostas simples) para as suas vidas?
        Certa vez, assisti a uma história de uma senhora que passou sua vida arrecadando comida para outras pessoas. Quando questionada por que ela tinha feito isso, ela disse: “não existe nada mais compensador do que a felicidade alheia”.
         Não existe mesmo. Porém, no fluxo da vida, essa parece ser uma daquelas inferências que um ser humano faz em determinado momento, toca-lhe o coração e depois esquece. É como se a felicidade pela felicidade alheia durasse apenas alguns momentos. Um registro que passa, sem ficar efetivamente gravado.
        Trago a felicidade como tema do post de hoje porque, no final do ano, esse é sempre um tema debatido entre as pessoas e quase obrigatório pois, afinal, o mês de dezembro tende a trazer mais momentos felizes. Só pelo fato de se ter mais confraternizações, as chances de felicidade aumentam.
        No entanto, é de se espantar como a demonstração de felicidade pela felicidade dos outros não segue o mesmo ritmo quando as atenções não são atribuídas a nós mesmos. Pelo contrário, parece haver um movimento de competição entre as pessoas que lutam pelo seu espaço de felicidade na Terra (antes elas não almejavam apenas um lugar no céu?), como se fosse impossível colaborar com a felicidade alheia.
        Não estou dizendo que as pessoas não têm um pingo de compaixão e amor no coração, que não possam ficar, em alguns momentos, felizes com as felicidades dos outros. Mas, seja honesto, demonstrar felicidade pela felicidade alheia é um ato muito mais raro de encontrar do que ficar feliz pela sua felicidade.
        O tema é tão instigante, que não passou despercebido pelo Papa Francisco. Disse o pontífice (uns dizem que foi num discurso, enquanto outros atribuem a uma oração que ele teria escrito): “as pessoas invejam mesmo é o sorriso fácil, a luz própria, a felicidade simples e sincera e a paz interior.”
         Observe que ele disse a felicidade simples. Não disse: “as pessoas invejam o iate (ou qualquer outro bem material) que você vai comprar com suas economias”. E por que há a inveja? Porque, em tese, a inveja é aquilo que se almeja o que o outro possui. É uma sensação de querer ter algo porque alguém o tem e em teoria você não. E, na prática, é um sentimento que todos nós (me incluo nisso) deveríamos observar melhor.
        Digo que a inveja é aquele momento em que deixamos de nos sentir agradecidos por tudo o que se temos e passarmos a achar que o que os outros têm é infinitamente melhor ou maior. Particularmente, acredito que é uma pobreza de espírito não considerar como “dádiva” tudo aquilo que cada um de nós construiu até aqui. Então, em tese, você deveria estar feliz com suas conquistas, ainda que não tenha sido exatamente como tenha sonhado. Em outras palavras, se sentir gratificado, em vez de querer algo mais.
        Que tal tentar trabalhar seu pensamento para enxergar beleza na felicidade alheia? Não seria um belo exercício (e meta) para 2015?
       Mahatma Gandhi dizia que “não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.”
        Lembre-se de que quem faz seu caminho é você!






2 comentários:

Alloyse: você foi muito feliz na abordagem deste tema. Para deleite e felicidade de seus leitores - como eu. E gentes, fica a dica: os cursos da DNA Comunicativo também são imperdíveis.

Oi, Reinaldo.
Muito obrigada.
Fico muito feliz com sua felicidade! :)
Grande abraço!

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