Marcadores

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Entre o falar e o fazer


        Que quase todo mundo deseja um “mundo melhor”, isso é óbvio. Mas, o que seria o “mundo melhor” para a maioria? Existe uma tendência a explorar o mundo com uma visão mais positiva e otimista, proporcionada por pequenas ou grandes mudanças.
        Nunca antes na história da humanidade (sempre quis escrever isso, rsssss), ouviu-se falar tanto de processos colaborativos efetivamente sendo colocados em prática. As pessoas estão mais participativas, é um fato. Dividir e compartilhar parecem ser as regras do novo mundo. O Zeitgeist dos últimos anos (ou até mesmo da última década) é o reflexo de uma geração (a Y, em especial) que quebrou regras e paradigmas sobre o trabalho e trouxe reflexões mais profundas a respeito do dinheiro, tempo e as visões de sociedade. Ela funciona como uma grande questionadora dos “deve ser assim?” e impulsionadora de novas metodologias, atitudes e, principalmente, a noção de que tudo é possível. Claro que nem todos veem isso como virtudes, mas enfim, deixe os problemas da geração Y para outro dia. Foquemos o processo colaborativo.
        Também faz parte do processo colaborativo da atualidade a preocupação com o meio ambiente, o cuidado com os animais (ou a falta dele),     a preocupação com o envelhecimento da população, demonstrações mais reais sobre espiritualidade (ou uma religião – como queira entender) e também a busca pela verdade. As pessoas estão buscando mais facilmente os seus direitos e estão fazendo garantir (ou pelo menos tentando) se sentirem cidadãos, efetivamente.
        Olha que mundo bonito! É o que você vive? Não, né? Isso porque entre o dizer e o fazer há uma diferença muito grande. Levantar bandeiras, em especial nas redes sociais, pode trazer algum benefício para a sociedade. Pode. No entanto, de pouco adianta levantar bandeiras em prol dos animais no Facebook se você não fecha a torneira na hora de escovar os dentes. Quer dizer, na prática, de um lado você defende a natureza, mas a consome, sem piedade, de outro. Você quer viver em um mundo mais colaborativo, mas não conhece seus vizinhos? Pois, então. Por que não bate na porta deles?
        É que desde que o mundo é mundo (também sempre quis falar isso, rsssss), “o dizer” está vinculado a uma imagem de quem fala, muitas vezes diminuindo as atribuições de seus deveres, uma vez que já foram verbalizados. Em outras palavras: faça o que eu digo, não faça o que eu faço.
        É uma ilusão muito grande (e eu peço que me desculpe pela franqueza) pensar que o mundo vai melhorar porque você deseja que ele seja melhor. O fato de desejar, por si só, já traz uma alegria interior, eu concordo. Mas, você acha mesmo que, por gratidão ao seu desejo de um mundo melhor, a mãe Terra vai lhe dar toda a água do mundo, se você a continuar gastando, sem nenhum cuidado?
        E aí, só mesmo quando seu coração for tocado por essas questões é que sua verbalização vai deixar de ser apenas palavras ditas ao vento. Esses dias, um monge, ao comentar sobre os avanços tecnológicos, disse uma frase que achei maravilhosa: “a humanidade evoluiu muito com a mente e se esqueceu de evoluir com o coração.”
        Faz todo o sentido essa análise dele. Pois, afinal, todo mundo sabe que não se deve gastar água (poderia ser qualquer outra situação, a água é apenas ilustrativa), mas, por que efetivamente não se faz economia com esse recurso já tão pouco abundante?
        Para encerrar, trago uma velha frase de Mahatma Gandhi que, infelizmente, é também pouco utilizada: “que nós sejamos a mudança que desejamos no mundo.” 
            Será que estamos fazendo a nossa parte? Que tal parar de falar e fazer, de verdade, um mundo melhor?






5 comentários:

Alloyse: então, mãos à obra. Nem que seja uma mãozinha pra fechar a torneira na hora de escovar os dentes, né?

Adoro seus textos...Parabéns!

Adoro seus textos...Parabéns!

Obrigada, querida. Volte sempre! :)

Postar um comentário