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Conheça os benefícios de uma comunicação mais eficiente.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Como Vinícius de Moraes

     Quando dois chefes de estado apertam as mãos em um cumprimento, sinalizando um acordo fechado, significa muito mais do que uma pose para uma foto.
        A diplomacia é um exercício que há algum tempo domina as nações numa representação respeitosa de que não é mais necessário mais matar ou morrer para que conflitos sejam resolvidos.
        Mas, o que parece óbvio não é tão simples na prática. Não apenas os chefes de Estado, assim com os próprios diplomatas, sabem que estão quase sempre em campo minado e que, por isso mesmo, não podem expressar uma vírgula fora de lugar. Não à toa, estudam muito durante sua carreira para que possam compreender leis, regras, culturas, política e organizações diferentes da sua.
        Não seria a diplomacia uma prima íntima da empatia? Diplomatas têm que participar de cerimônias e reuniões muitas vezes cansativas e difíceis. Fazem de tudo para preservar uma regra básica da diplomacia: nunca faça nada (e nem fale nada) que no território alheio possa significar uma ofensa porque é preciso, acima de tudo, entender (e respeitar) o outro.
        Gosto muito dessa “regrinha” da diplomacia para explicar um fato muito comum na comunicação: a falta de cuidado ao falar com o seu interlocutor. Por si só a palavra diplomacia traduz sentidos como bom senso, cordialidade e resolução. Por que resolução? Porque ser diplomático (não apenas na carreira, mas na vida) é compreender que o diálogo terá que fluir. Os argumentos serão expostos e que para se chegar a um denominador comum será necessário ter tranquilidade para argumentar, paz de espírito (ou algo parecido) para falar sem pesar nas palavras e encontrar argumentos que levem a uma solução. Não raro será preciso ceder, nem que seja um pouco.
        Não lhe parece incomum essa situação? O que ocorre, atualmente, é que a imposição de ideias é tão grande que a diplomacia parece ter ficado ultrapassada. A sensação que se tem ( e não é só minha) de que quanto mais plataformas de comunicação são criadas, menos as pessoas têm se preocupado com aquilo que expressam.
        E, expressar suas ideias não é o problema em si. A falta da diplomacia a um diálogo é o que leva a um conflito e aí uma conversa que seria básica pode virar um problemão. Em outras palavras, ao impor suas ideias poderá iniciar uma grande briga.
        Mas, já se perguntou por que é necessário impor suas ideias? Num universo tão abrangente e repleto de possibilidades porque é que alguém ainda acredita que as pessoas são obrigadas a engolir suas ideias?
        Não à toa também as pessoas andam reclamando das mídias sociais, que tem se parecido com verdadeiros campos de batalhas, repletos de falta de respeito e, muitas vezes, sem nenhuma diplomacia. A meu ver, claro.
Pode-se achar que a diplomacia é um exagero. Lembro uma história atribuída a Vinícius de Moraes, que teria sido expulso do Itamaraty (quando era diplomata) por não concordar com as formalidades. Mas, como um diplomata nato, fez muitas parcerias ao longo de sua vida. Algumas boêmias, outras românticas (teve nove casamentos) e outras políticas.
        Pelo menos para mim, o poetinha é um exemplo de que para ser diplomata não precisa ser chique. Basta ter bom senso!









quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Aquilo que comunica você!


        Tempos atrás, algumas pessoas me pediram para criar um curso sobre o que escrever para os clientes no Natal. Fiquei pensando que o melhor seria encaminhar mensagens que partissem do seu coração.
        Mas, claro, existe uma regrinha básica na comunicação, que é: observe o seu interlocutor antes de falar. Isso ajuda a criar mensagens empáticas e simpáticas (olha o trocadilho!). Mas, é preciso ir um pouquinho além! Que tal destacar na mensagem uma característica da pessoa a quem você deseja o seu “Feliz Natal”?
        A observação sobre os outros nada mais é do que um exercício muito simples de parar de julgar o outro com seu olhar discriminatório: se a pessoa se veste assim é porque é assado. Se a pessoa come isso é porque não faz dieta da moda. Infelizmente, o julgamento sobre os outros parece ser uma constante em nossa sociedade. Por isso, o exercício da observação pode, em alguns casos, ser até demorado ou doloroso (tô cheia dos trocadinhos!).
        Por isso, sugiro apenas olhar o outro com seu coração. E, então, deixe-se perguntar: o que há de peculiar nessa pessoa? É muita prepotência achar que só você tem coisas legais a oferecer nessa vida. Outras pessoas estão ao seu redor justamente para oferecer contrapontos a seus conceitos, já tão enraizados, que fazem cegar a mais bela característica alheia.
        Um fato curioso sobre a opinião que se tem dos outros é que muitas pessoas não percebem também outra regrinha básica da comunicação e que trago Vera Martins (grande comunicadora) para explicar: "o conflito existe como resultado da afirmação do nosso eu perante o outro". Não imponha qualquer coisa a uma pessoa, muito menos o seu ponto de vista sobre ela!
        Vou dar um exemplo: eu não uso chinelos porque eu não sei andar com eles. Mas, admiro quem os usa. Acho que, inclusive, quem usa chinelo tem um senso de liberdade talvez muito maior do que o meu.  Mas, conheço muita gente que acha que usar chinelos é sinônimo de “pé de chinelo.” Como você quer transmitir mensagens bacanas para alguém se não para de julgar essa ou aquela pessoa?
        Faça então o exercício: pare na frente de uma pessoa, observa-a falando, andando, comendo, correndo, conversando intimamente, conversando no trabalho. Observe a riqueza de detalhes que cada ser humano tem. Cada detalhe é mais facilmente identificável quando você permite ao outro se expressar, tranquilamente.
        Então, observe as peculiaridades daquela pessoa: se sorri quando alguém chega perto; se sua bebida preferida é um cafezinho pequeno; se fala baixinho ou se fala alto; se usa roupa colorida ou é monocromático; se espera você falar ou fala sem parar; se olha nos olhos dos outros ou se é tímido; se come o mesmo tipo de comida todos os dias; se escreve com a mão direita ou esquerda. Tudo isso são detalhes que muitas vezes passam despercebidos pelo simples fato de que você ficou reparando no seu preconceito em relação ao outro e não no que o outro é efetivamente.
        Escrever mensagens de fim de ano pede também leveza em seu coração. Pede paz de espírito, pede harmonia, serenidade. Na verdade, acredito que essa deveria ser uma regra também para a comunicação no dia a dia: se pacificar antes de conversar com alguém! Já tentou? Pode ser incrível.
        E, para encerrar, sei que você tem caraterísticas incríveis a comunicar de si mesmo. Que tal, então, colocar abaixo, nos comentários? Comunique comigo (e com todos que lerão) o seu eu!





p.s: o curso que ministrarei é sobre mensagens de fim de ano para clientes. Não é tão fácil identificar as características de um cliente. Por isso, o curso traz dicas super bacanas de mensagens para quem você não conhece profundamente. Segue o link do curso a quem se interessar: Como escrever mensagens de fim de ano para seu cliente?
Para quem não puder fazer o curso online, pode se inscrever que receberá o curso por e-mail, posterior a realização do mesmo.



quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Entre o falar e o fazer


        Que quase todo mundo deseja um “mundo melhor”, isso é óbvio. Mas, o que seria o “mundo melhor” para a maioria? Existe uma tendência a explorar o mundo com uma visão mais positiva e otimista, proporcionada por pequenas ou grandes mudanças.
        Nunca antes na história da humanidade (sempre quis escrever isso, rsssss), ouviu-se falar tanto de processos colaborativos efetivamente sendo colocados em prática. As pessoas estão mais participativas, é um fato. Dividir e compartilhar parecem ser as regras do novo mundo. O Zeitgeist dos últimos anos (ou até mesmo da última década) é o reflexo de uma geração (a Y, em especial) que quebrou regras e paradigmas sobre o trabalho e trouxe reflexões mais profundas a respeito do dinheiro, tempo e as visões de sociedade. Ela funciona como uma grande questionadora dos “deve ser assim?” e impulsionadora de novas metodologias, atitudes e, principalmente, a noção de que tudo é possível. Claro que nem todos veem isso como virtudes, mas enfim, deixe os problemas da geração Y para outro dia. Foquemos o processo colaborativo.
        Também faz parte do processo colaborativo da atualidade a preocupação com o meio ambiente, o cuidado com os animais (ou a falta dele),     a preocupação com o envelhecimento da população, demonstrações mais reais sobre espiritualidade (ou uma religião – como queira entender) e também a busca pela verdade. As pessoas estão buscando mais facilmente os seus direitos e estão fazendo garantir (ou pelo menos tentando) se sentirem cidadãos, efetivamente.
        Olha que mundo bonito! É o que você vive? Não, né? Isso porque entre o dizer e o fazer há uma diferença muito grande. Levantar bandeiras, em especial nas redes sociais, pode trazer algum benefício para a sociedade. Pode. No entanto, de pouco adianta levantar bandeiras em prol dos animais no Facebook se você não fecha a torneira na hora de escovar os dentes. Quer dizer, na prática, de um lado você defende a natureza, mas a consome, sem piedade, de outro. Você quer viver em um mundo mais colaborativo, mas não conhece seus vizinhos? Pois, então. Por que não bate na porta deles?
        É que desde que o mundo é mundo (também sempre quis falar isso, rsssss), “o dizer” está vinculado a uma imagem de quem fala, muitas vezes diminuindo as atribuições de seus deveres, uma vez que já foram verbalizados. Em outras palavras: faça o que eu digo, não faça o que eu faço.
        É uma ilusão muito grande (e eu peço que me desculpe pela franqueza) pensar que o mundo vai melhorar porque você deseja que ele seja melhor. O fato de desejar, por si só, já traz uma alegria interior, eu concordo. Mas, você acha mesmo que, por gratidão ao seu desejo de um mundo melhor, a mãe Terra vai lhe dar toda a água do mundo, se você a continuar gastando, sem nenhum cuidado?
        E aí, só mesmo quando seu coração for tocado por essas questões é que sua verbalização vai deixar de ser apenas palavras ditas ao vento. Esses dias, um monge, ao comentar sobre os avanços tecnológicos, disse uma frase que achei maravilhosa: “a humanidade evoluiu muito com a mente e se esqueceu de evoluir com o coração.”
        Faz todo o sentido essa análise dele. Pois, afinal, todo mundo sabe que não se deve gastar água (poderia ser qualquer outra situação, a água é apenas ilustrativa), mas, por que efetivamente não se faz economia com esse recurso já tão pouco abundante?
        Para encerrar, trago uma velha frase de Mahatma Gandhi que, infelizmente, é também pouco utilizada: “que nós sejamos a mudança que desejamos no mundo.” 
            Será que estamos fazendo a nossa parte? Que tal parar de falar e fazer, de verdade, um mundo melhor?






quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Namastê

        Há algumas interpretações para “Namastê”. Falada com mais frequência na Ásia, a palavra virou hit nas academias de Yoga e se popularizou no Ocidente.
        “Eu me curvo diante de ti” é uma das interpretações para Namastê. Existe outra, a qual (pelo menos, eu acredito) traduz melhor o sentido da palavra. Diz assim: “o Deus que habita em mim saúda o Deus que há em você.” Não existe nada mais lindo quando se consegue reverenciar alguém com o seu coração, permitindo se curvar diante da grandeza dos outros.
        E aí é que está, talvez, um ponto de vista muito sutil sobre a palavra Namastê. Na maioria das vezes, a reverência é realizada para pessoas que são próximas, amigas, e que trazem algum benefício imediato ou a longo prazo. Reconhecer um ato de bondade, uma mão amiga que chega em boa hora, com certeza merece toda a gratidão. Portanto, Namastê! Namastê também para aqueles que trazem sorrisos e distribuem carinho.
        Mas, você seria capaz de reconhecer o Deus que há dentro daqueles que lhe fazem ou fizeram algum “mal”? Sim, existe um Deus dentro deles.
        Quando uma pessoa machuca seu coração, seja por qualquer motivo (desde a ingratidão até a traição), essa pessoa está lhe mostrando inúmeras coisas. A primeira delas é: você precisa de relacionamentos como esse? A segunda é: você precisa mesmo se cercar de pessoas que não lhe respeitam? E, ao mostrar isso, também estão lhe servindo como guias na escuridão de seus sentimentos. Eles vão fazer você chorar, sofrer, vão lhe difamar, vão tentar te ver no chão. Mas, o que alguém que lhe causou um dano não percebe é que funciona como bússola de verdades que ficaram escondidas atrás das ilusões criadas por você.
        Então, por mais que doa, o sofrimento traz a luz da verdade. Traz a percepção de que você merece um outro caminho. De que merece qualquer coisa que não esse sofrimento que lhe foi causado.
        Eu sei que é um pensamento indigesto acreditar que aqueles que lhe fazem “o mal” lhe trazem o bem. Mas, eu não disse que essa digestão ocorre do dia para a noite. É preciso ruminar muitos sentimentos para entender esse mecanismo.
        É preciso entender, acima de tudo, por que é que se chegou àquela situação: por dinheiro? Por carência? Por conveniência? Sua ilusão fortaleceu um pensamento, que virou verdade, então não era verdade, não é mesmo?
        Portanto, quando se percebe a dor (da traição, da mentira, da ingratidão) percebe-se apenas a verdade como ela é. Quer guia melhor para a vida do que a verdade?
        No entanto, muitas vezes ela dói porque a ilusão se pareceu com um grande amor da vida, que, na verdade, era um boicotador. Ou uma amiga querida, que morria de inveja de você, ou ainda um colega de trabalho que não tem um quinto do seu talento e que fala mal de você por trás. Quando as máscaras caem é porque, finalmente, se enxergou a verdade.
        Quem lhe atrapalha, portanto, lhe apresenta oportunidades de ver a vida com outros olhos. Talvez lhe faça enxergar um mundo muito mais amoroso para si mesmo, mais harmonioso e próspero. Fortalecendo-o, fazendo-o crescer, amadurecendo e gerando o autorespeito. Talvez leve um tempo para esquecer, perdoar ou simplesmente não se incomodar mais com o fato. Depende de cada um.
        O que as pessoas que querem lhe prejudicar, como se fosse uma vantagem, não percebem, é que enquanto alguns entendem a vida como possibilidades de aprendizados e crescimento, esses passarão, talvez a vida toda, perdidos entre uma rasteira e outra. E o mais triste: jamais conseguirão reconhecer no outro um “Deus” porque, com certeza, não o reconhecem em si mesmo.  A busca desesperada pela vantagem já é, por si só, a demonstração de um coração vazio de amor verdadeiro.
        E, é nesse momento que é preciso agradecer e reconhecer que aqueles que lhe querem “o mal” lhe serviram como verdadeiros professores da vida. Trouxeram a verdade (mesmo que em forma de dor), comunicaram todas as suas ilusões e mentiras que inventaram para si. Agradeça e deixe a situação ir embora, porque a verdade se pronunciará.

        Portanto, nos desafios da vida (entre o sofrimento e a verdade) quando tudo parecer ruir, curve-se diante do outro e o reverencie.  A verdade jamais lhe será negada. Namastê!