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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O tempo a seu favor


        Imagine-se na seguinte cena: em um longo campo de trigo, você caminha com uma enxada em mãos. Vestindo roupas sobrepostas feitas de algodão e linho, percebe que começar a chover. Distante de casa lembra-se de que deixou as crianças brincando com objetos feitos de pano. Você não tem como avisá-las. Corre contra a chuva por mais de vinte minutos, perdendo o fôlego e preocupado(a) com o que pode ter acontecido a elas. Os trovões, junto à tempestade, trazem-lhe uma angústia ainda maior. O ano é 1645. Não há comunicação e não há o que se possa fazer, além de correr.
        Uma cena que traz aflição a qualquer pessoa. Se a situação fosse na atualidade você até poderia sair correndo, mas com certeza usaria o celular para estabelecer uma comunicação mais rápida.
        Assim como o telefone móvel, todas as demais plataformas de comunicação são benefícios que ajudam a aproximar pessoas e estabelecer uma comunicação mais urgente. Seria incrível se a comunicação, em pleno século XXI, não angustiasse tanto quanto correr contra uma tempestade em 1645.
        Mas, a enxurrada de informações que se vive hoje parece inundar o cérebro até dos mais famintos por novidades. O autor Richard Wurman afirmou, em um dos seus livros que “uma edição do The New York Times em um dia da semana contém mais informação do que o comum dos mortais poderia receber durante toda a vida na Inglaterra do século XVII”. Essa pode ser uma explicação para que você, seus parentes, amigos e vizinhos parecem se sentir sufocados com as inúmeras plataformas de comunicação e a velocidade com que as informações aparecem.
        Como lidar com tudo isso, então?
        Administrar o que é realmente importante é o primeiro passo para separar as informações necessárias das tentações que pipocam de todos os cantos, em forma de “novidades”. Você precisa mesmo abrir o Facebook antes de abrir seus olhos na cama, assim que acorda? É necessário ler os e-mails enquanto toma o café? Estabelecer uma ordem para o fluxo de informações é como coloca-las em gavetinhas. Elas vão estar lá, mas você deve “pegá-las” somente quando for necessário.
        Por isso, “o importante” é o quesito mais relevante a ser destacado na “seleção natural das informações”. E disciplina é palavra de ordem para auxiliar nesse processo.
        Escreva em uma folha (à mão ou digite na sua agenda) como será a sua semana. Feito isso, separe (na agenda mesmo) um tempo, todos os dias, para acessar o Facebook (e escreva quanto tempo você irá passar nesta rede social); estabeleça o tempo e os dias da semana para ver o Linkedin (e participar de grupos, se esse for seu propósito); tire momentos do dia para interagir no Whatsapp e, de nenhuma maneira, faça seu trabalho acessando esse aplicativo (ou qualquer outro). Assim como essas redes, as demais também precisam “constar na agenda”. Chato, né? Mas, não se engane! De outra forma, as redes sociais parecem muito mais tentadoras do que você imagina. E aí, seu dia, simplesmente, se foi e você não desenvolveu seu trabalho.
        Alguns aplicativos ajudam nessa missão: eles “travam” suas redes sociais durante um período estabelecido por você mesmo (veja exemplos no rodapé).
        Outra maneira de sair da enxurrada de informações é desligar o celular. É evidente que essa plataforma é fundamental para seu trabalho e sua vida. Mas, seja honesto! Você precisa mesmo deixar o celular ligado durante aquela reunião? Ou o dia todo no trabalho? Estabelecer alguns horários em que não se utilizará o celular também auxilia no processo de “limpeza de informações”. Fica mais fácil de trabalhar quando o telefone móvel não lhe desfoca naquilo que estava concentrado. Se for urgente, a sua família poderá ligar no telefone da empresa a qual trabalha.
        No entanto, se sua vida financeira depende do telefone é possível direcionar a chamada para centrais que funcionam como verdadeiras “secretárias”. Elas anotam quem ligou e passam o recado, por torpedo, para quem as contratou. As empresas de telefonia móvel também oferecem serviços para “administração das chamadas”. Basta acessar sua operadora e investigar qual é o melhor serviço para você ou sua empresa. Assim como desligar as notificações dos celulares (toda vez que receber torpedo, e-mail ou whatsapp) ajuda a não desviar do trabalho.
        É preciso também delimitar o tempo para as conferências ou ligações via SKYPE/HANGOUT. Não é porque essas ferramentas oferecem planos gratuitos que você vai “arrastar” o assunto. Faça uma lista do que precisa ser conversado nessas “reuniões”. Apresente-se e seja gentil com seu interlocutor. No entanto, se foque à lista de assuntos e traga seu “parceiro(a)” de conversa de volta ao foco toda vez que dispersar. 
        E, por último (apesar de parecer que deveria ter sido o primeiro tópico) separe, para o final do dia, as leituras de tudo aquilo que quer ver na internet. Quando você chega em casa já está cansado. Portanto, é nesse momento que seu cérebro, intuitivamente, irá escolher o que mais lhe agrada.
        Ufa! Com esses passos simples é possível fazer tudo o que é preciso e ainda não se “atrochar” de novidades que, honestamente, talvez não fizessem tanta diferença no seu dia.
        Pensando bem, correr contra uma chuva por vinte minutos não deve ser tão ruim assim. Difícil mesmo (pelo menos me parece) é separar o joio do trigo. Não é mesmo?


Curiosidades:
Serviços de atendimento ao telefone:
http://www.atendemos.com.br/site/index.php

Serviços que bloqueiam distrações:


O tempo que o brasileiro passa na internet:

3 comentários:

Alloyse, texto mais do oportuno. Dentre outras que indicam civilidade, lembrei-me da regra, (mais do atual do nunca, e que, em geral, muitas pessoas ainda fazem questão de ignorar): "desligue a torneira ao escovar os dentes". Seu artigo convida à reflexão, sem dúvida. Mas 'tá faltando um manual completo de como lidar com educação, civilidade e respeito a si e, principalmente, aos outros com as novas, e bem-vindas, claro, tecnologias - você não acha?

Querido, concordo plenamente contigo.
Mas, como toda revolução, a mudança é gradual e até devagar.
Falarei sobre isso no meu próximo post (a civilidade e os discursos que pregamos).
Vamos ver se estou em pensamento afiado com o seu. Acho que sim.
Até quinta!

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