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Comunicação como ferramenta

Conheça os benefícios de uma comunicação mais eficiente.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Tá nervoso? Vá pescar!

                  
           Perder a compostura até pode parecer bonito na novela das oito. Mas, na vida real, o desaforo verbalizado pode render frutos (ou pencas mesmo) de situações delicadas. E quando o assunto é mercado de trabalho, então, não caia na tentação de ser um desaforado.
        Que a vida anda meio estressante, todo mundo sabe. Aliás, um dos grandes desafios da atualidade é conseguir manter o equilíbrio em qualquer situação do dia a dia. No entanto, o que muita gente não percebe é que, em geral (ou em via de regra), as pessoas não são responsáveis pelos problemas que lhe acometem. Pelo contrário.
        Sei que vai parecer um pouco abrangente o que vou dizer, por isso, vou tentar delimitar uma esfera para explicar o argumento. Parte do estresse do dia a dia é decorrente da expectativa depositada em coisas ou em pessoas mesmo. E, então, quando as coisas e as pessoas não são como se espera, pode-se gerar um estresse. Por exemplo, você quer comprar uma casa, mas não calculou seus anos de economia pra isso. Ou até mesmo um carro. Isso pode gerar um estresse!
        Assim também quando você conhece alguém e deposita toda sua expectativa naquela pessoa (até fantasiando mesmo, afinal, você acha que a grama do vizinho é sempre mais verde) e, quando aquela pessoa não se mostra como você esperava, pronto! Aí, começa a detonar a pessoa.
        O nome disso é ponto de vista. E os pontos de vistas são repletos de ilusões, buscas equivocadas e projeções erradas. E, em geral, eles não são construídos com base na empatia ou troca justa. Pelo contrário, acredito que os conflitos ocorrem porque o ponto de vista de alguém foi pautado apenas em seu desejo, e não na realidade.
        Pois, bem. Onde entra a comunicação em tudo isso, você pode me perguntar? É que boa parte dos conflitos ocorre justamente em virtude da falta da empatia. E para se ter empatia é preciso tirar as paixões da frente e simplesmente ouvir seu interlocutor, assim como se escuta uma sinfonia. Fácil, não? Mas, por que é que não se faz isso?
        Ah, porque é tão mais fácil se deixar levar pelas paixões, não é mesmo? E, mais, culpar os outros é tão mais simples do que olhar para os próprios problemas! Quando alguém perde o controle e é rude com alguém pessoalmente, por e-mail ou por telefone mesmo, deu o primeiro passo errado da comunicação: não entendeu que quem está com problemas é quem grita! Isso porque, quando alguém precisa defender seu ponto de vista, a ferro e a fogo, é porque nem ouviu o que o outro tem a dizer. Está desconsiderando não apenas o argumento do outro, mas como seus próprios defeitos. Muita gente é rude com os outros para ofuscar as suas próprias falhas!
        Particularmente, acredito que ninguém precisa concordar com um argumento seu (ou meu). Mas, é preciso ter respeito na hora de contra-argumentar. Mostrar desaforos, caras feias ou rispidez é um sinal de deselegância e também revela pouco preparo profissional, afinal, quem aguenta gente estouradinha se o mundo é repleto de oportunidades e de gente é muito mais fácil de lidar?

        Não use o trânsito como desculpa pra despejar seus problemas em cima de alguém, bem como não despeje sua raiva apenas porque não concorda com o argumento de alguém. Se está nervoso, vá pescar! 















quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A vida pronta


        Viro-me para uma moça que também aguardava o mesmo voo que eu e lhe pergunto: “está atrasado, né?” A moça, irritada, se vira e diz: “por uma hora e meia”. Eu não esperava ter tanto tempo livre fazendo nada. Mas, aconteceu.
        Então, pensei: “com o que vou me entreter?” Depois de checar todos os e-mails no celular, tomar um chá gelado e ficar olhando para o painel como quem aguarda um milagre, simplesmente desisti. E, aceitei que teria, mesmo, que esperar.
        Então, saí da sala de embarque e fui até uma livraria (praticamente a mesma em todos os aeroportos desse país). Dei uma olhada nas revistas (com calma, afinal, teria que ocupar esse tempo, mais ou tempo do voo, ou seja, teria que me ocupar, mesmo). E foi que, pensei: “vou comprar um livro!”
        Comecei a passar os olhos entre os títulos e não reconheci nenhum entre aqueles que um dia sonhei em comprar e que, numa ocasião como essa, seria perfeita. Na verdade, quase levei um susto ao observar títulos como esses: “como ser seu próprio coach”, “como conquistar homens acima de 40 anos”, “como fazer amigos de verdade”, “como buscar prazer no dia a dia”.  
        Intrigada, comentei com a atendente: “não sabia que a franquia estava vendendo somente autoajuda.” Ela, então, se virou pra mim e disse: “não são de autoajuda, são de literatura”.
Quando ela disse isso, senti-me Jack Sparrow olhando para algo absurdo ou duvidando daquilo que estava ouvindo! “Não, flor. São todos de autoajuda, olha aqui”, retruquei. E a mocinha, sem entender, apenas sorriu e abaixou os olhos.
        Literatura, para mim, é contar uma história. Não importa se é um drama, uma comédia ou um suspense. Na minha visão (talvez limitada) não tinha entendido que as pessoas prefeririam a receitas prontas da vida do que as histórias que poderiam “entreter” o cérebro ou o coração (depende do estado de espírito).
        A moça, ainda observando meu estranhamento disse: “é que as pessoas gostam de ler esses livros que trazem jeitos de viver”. Eu pensei: “gente, como assim, jeitos de viver”? Antes que eu seja apedrejada na esquina, preciso justificar o argumento: não sou contra livros de autoajuda. Já li alguns, como, por exemplo, O Segredo. Mas, acabou aí porque preferi ler filosofia que, a meu ver, considero mais reflexivo que autoajuda. Se o livro de autoajuda traz alguma reflexão, acho que está valendo. Mas, claro, esse é o meu argumento e não espero que ninguém concorde comigo.
        O que me assustou ver que em um aeroporto em que milhares de pessoas circulam, durante todos os dias, é que as pessoas querem fórmulas prontas pra sua vida e isso estava estampado na prateleira daquela livraria. Aliás, acredito que esses livros não podem ser classificados como autoajuda porque não trazem nenhuma reflexão. Apenas, apontam modos de como você deveria viver.
        Curiosamente, nenhum livro falava a respeito de “como ser você mesmo”. Vou explicar melhor: ser o reflexo de um molde (e não a reflexão sobre ele) é como abrir a revista de moda e querer ser a modelo que está no editorial central. Você não vai ter aquele corpo, aquele cabelo, aquelas roupas caras (talvez algumas delas). Mas, com certeza, terá uma infinidade de qualidades (físicas, inclusive) que a moça do editorial não tem. E, a meu ver, quando se diz que você deve fazer isso ou aquilo pra ser feliz é o mesmo que dizer: viva a vida de alguém que não a sua! Um perigo só!
        Claro, eu sei que o ritmo de vida é muito corrido (o meu também é), mas ter em mãos soluções que alguém formulou pra você parece simplista demais. Não que eu queira complicar a vida. Nada disso. Aliás, sou a primeira a levantar bandeiras do tipo: se não tem remédio, remediado está. Mas, até chegar a essa conclusão, acho que vale um pouquinho do exercício da observação! O que tal fato representa pra mim e como me posicionarei diante dele?
        Acredito, honestamente, que sem esse exercício, muito provavelmente se viverá pautado nos discursos alheios porque é mais fácil mesmo quando alguém chega a uma conclusão para si. Mas, e como fica o seu coração diante de uma decisão que alguém tomou por você? Até porque reflexões podem levar à dor e podem levar a outras coisas que vão exigir uma mudança de comportamento. Sim, é mais fácil mesmo quando alguém diz o que você deve fazer porque encurta esse caminho.

        Enfim, depois da minha reflexão diante daquelas prateleiras repletas de receitas prontas para a vida, peguei um sudoku, um lápis, me sentei num cantinho e, então percebi, que não gostava mesmo das fórmulas prontas! Nem nos joguinhos!

Pra quem não conhece Jack Sparrow:






quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A comunicação em tempos sem tempo!


Um dos maiores desafios dos dias de hoje é encontrar tempo suficiente para fazer tudo aquilo que se deseja. Mas, sem sombra de dúvida, ter tempo livre é quase como encontrar um tesouro.
        Por isso, hoje trago esse tema: o tempo. Se ele é o bem mais precioso na atualidade, por que é que muitas pessoas ainda “roubam” o tempo alheio?
        Não estou falando da conversa de bar ou do papo fora jogado com os colegas de trabalho. Nada disso. Estou falando daquele tempo (ou pouco tempo) livre entre uma atividade e outra. E aí, alguém lhe aborda para conversar contigo, sobre qualquer coisa. Mas, começa a sentir que está perdendo tempo. O papo parece estranho ou que vai ficar cumprido demais ou que a pessoa parece falar sozinha, sem se importar com sua presença. Pois, então. Isso é o que chamo de tempo perdido!
        Na verdade, não gosto de usar essa expressão (tempo perdido) porque acredito, honestamente, que todas as situações vividas no dia a dia são experiências válidas. Portanto, até uma conversa com alguém, que parece um monólogo enfadonho, tem o seu valor. Nem que seja para o “despertar” para alguma coisa.
        Mas, vamos nos ater à conversa esquisita. Sou bastante avessa às conversas curtas demais, sem que haja o mínimo de calor humano durante uma integração. Nem que seja aquele momento em que se compra um pão na esquina e se troca meia dúzia de palavras sutis com o atendente. Acredito que isso é o mínimo para a existência de um diálogo. 
        Quando me refiro a conversas esquisitas, no entanto, falo a respeito daquelas abordagens sem muito propósito. Vou listar alguns casos que acredito que se encaixem no que estou falando. A começar pelos famintos pela tecnologia: partindo do princípio de que toda comunicação deve ser realizada dentro de um processo colaborativo (com educação, com paciência para ouvir o outro e com assertividade nas respostas), acredito que não é nada colaborativo alguém que lhe aborda e fica teclando no celular ao falar contigo. É evidente que o mundo está digitalizado, mas em que você está, efetivamente, prestando atenção quando faz isso?
        Outro exemplo de “roubador de tempo” é o daquela pessoa que se considera realmente muito mais importante que os demais. Então, já chega falando e não dá espaço para o interlocutor tentar um diálogo.
        Da mesma forma, as pessoas que acham que suas dores são sempre as maiores e expressam suas preocupações, o tempo todo, podem ser tomadoras de tempo. Isso porque, em geral, elas têm pouca empatia. Elas acreditam que o que estão passando é de extrema relevância (e, para elas, deve ser mesmo. Afinal, não conseguem mudar de assunto). E, em geral, falam só sobre problemas, fazendo do interlocutor um muro das lamentações.
        Também roubam o tempo as pessoas que fazem qualquer tipo de comparação, a fim, claro, de tornar suas qualidades sempre mais evidentes. Nada é mais espontâneo e lisonjeiro do que uma pessoa que comenta a respeito do seu cabelo ou roupa ou qualquer outra coisa. Mas, interromper uma conversa para dizer que algo seu é melhor que o do interlocutor, é roubar tempo.
        É também um “roubador de tempo” a pessoa que precisa trazer tensão para o diálogo. Tem gente que faz isso com maestria. Consegue dar um peso tão grande às coisas, que acaba com qualquer clima de tranquilidade. Inicia-se um diálogo e, de repente, a pessoa começa a achar ruim o que você disse ou quer lhe contrariar com uma ênfase tão grande, que acaba perdendo o “tom” da conversa. E o diálogo mais se parece com uma briga do que com uma tentativa de prosear. No mesmo grupinho estão também os maldosos, que precisam sempre analisar alguém por meio de um aspecto negativo.
        E ainda tem aquelas pessoas que são as “sabem tudo”. Basta iniciar um diálogo para os “sabem tudo” já começarem a dizer o que você deve fazer, ler, pesquisar, qual médico ir, que remédio tomar. Esses são os campeões da falta de escuta ativa.
        Enfim, o leitor também poderia fazer sua listinha das pessoas que considera como um “roubador de tempos”. Por isso, não vou lhe tomar mais seu tempo, leitor.
        Apenas lhe dizer: o que lhe é mais precioso do seu tempo? Portanto, não ocupe o tempo dos outros quando você não sabe qual é a intenção de sua conversa. Aliás, nem a inicie, se não lhe estiver claro o que deseja com o outro. Até porque um tempo perdido não volta mais. 





quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Comunicação Corporativa, o que é?



      Quando se fala em comunicação interna, muita gente ainda pensa no “jornal mural” como símbolo máximo desse trabalho. Já faz tempo que pensar a comunicação de uma empresa – seja ela de pequeno, médio ou grande porte - representa não apenas organizar a informação institucional dentro de uma corporação. Acima de tudo, representa ter uma visão mais humana, real e assertiva das pessoas e do trabalho.
        As empresas só funcionam por causa das pessoas! São elas que fazem qualquer negócio funcionar, seja apertando um botão ou auxiliando na parte criativa de uma corporação. Uma frase atribuída a Peter Drucker (considerado o pai da administração contemporânea) diz assim: “As empresas são construídas com base na confiança, que, por sua vez, é construída com base na comunicação e na compreensão mútua”. Se um desses itens falha é porque a comunicação não está sendo eficaz.
        Parece lógico, mas a princípio, os diretores (e muitos colaboradores também) das corporações parecem ter dificuldade de assimilar que a confiança e a compreensão mútua são consequências de uma comunicação bem realizada. E mais, nem sempre dão a devida importância ao “clima organizacional”, que pode sim ser agradável e de confiança entre as pessoas de uma empresa.
        Para explorar mais a fundo esse tema (comunicação + colaboração + negócios) convidei duas “feras” na área da comunicação corporativa para debaterem a comunicação corporativa. São figuras expoentes de duas gerações diferentes, o que enriquece o nosso debate. E juntos vão trazer, para nós, as novidades em relação à comunicação nas empresas, vão falar sobre o papel chave da comunicação nas corporações e apontar as consequências de uma comunicação pouco eficiente.
        Reinaldo Ramos é jornalista, articulista e proprietário da RR Comunicação Corporativa e Isabela Botaro é gerente de comunicação na D.E Master Blenders, também na Região de São Paulo. Fiz várias perguntas a eles. A primeira resposta é da Isabela e a segunda é do Reinaldo.


- Vamos começar pelo mais básico: expliquem, para que serve a comunicação corporativa?
Isabela: Em uma frase, eu diria que a comunicação dentro das organizações tem a missão de estabelecer processos que proporcionam o diálogo entre a empresa e o funcionário por meio das mais diversas ferramentas de comunicação que, em geral, assumem o papel de informar desde os assuntos mais estratégicos para o negócio até aqueles mais funcionais e relacionados ao dia a dia das pessoas.
Reinaldo – É cada vez mais crucial. Em recente entrevista, Allen Morrison, diretor do respeitado Centro de Gestão Global da Escola de Negócios suíça IMD, declarou: “o mau caráter é pior que um incompetente”, completando: “desvios éticos podem destruir para sempre a imagem de uma empresa”. Ou seja, hoje, as empresas são mundialmente obrigadas a manter condutas éticas de fato similares às suas imagens públicas. Em outras palavras, inverteu-se o antigo aforismo romano. Hoje, não basta a mulher de César parecer honesta, ela terá, de fato, ser honesta. A Comunicação Corporativa tem tudo a ver com isso. Não importa o porte da empresa: do CEO ao chão de fábrica, todos devem estar nessa mesma sintonia. Com isso, a Comunicação, interna ou externa, assume um papel estratégico, diria inédito, para o cotidiano de qualquer business.

- Existem várias ferramentas que fazem a comunicação girar dentro de uma empresa, não é? Podem citar algumas?
Isabela: Entre as ferramentas tradicionais eu destaco o e-mail, mural, jornal, e intranet, mas também as redes sociais internas, TV corporativa e estação de Rádio, são boas alternativas para gerar interação com o público interno. Eu os vejo como formas de suportar (dar suporte) a comunicação face a face, pois acredito que ela tem um poder imenso de mobilizar e engajar por meio do diálogo com a vantagem de obter ofeedback imediato sobre um determinado tema.
Reinaldo – A colega Isabela sintetizou muito bem as ferramentas disponíveis e o poder da Comunicação Corporativa ao utilizá-las. Outras virão com muita rapidez, tenho certeza. Gostaria de abordar mais um aspecto. Se no passado não tão remoto era muito custoso concorrer com os rumores dos chamados “corredor press” ou a “rádio peão”, no contemporâneo é dificílimo. Mas não impossível! Para não me alongar, resumo: o responsável pela Comunicação precisa ser o primeiro a saber dos fatos e estratégias da corporação, positivos e, sobretudo, negativos. Para isso, parece-me imprescindível ter acesso à alta administração, ao board internacional se for o caso, e, claro, colaborar estreitamente com setores chaves, como o RH. Além de ter voz para que possa convencer e, assim, aplicar as ferramentas adequadas a cada fato, como expert que é em sua área. Ah, e lembrar sempre: somente fatos afastam boatos, além de que é pecado mortal em comunicação brigar com os fatos.
                          
- A comunicação não é aquela “informação” passada pela empresa e pregada no mural dos corredores. A Comunicação Corporativa pode ser entendida como a maneira como nos comunicamos dentro do ambiente de trabalho, certo? Portanto, todos têm responsabilidade sobre a comunicação de uma empresa. Faz sentido isso para vocês?
Isabela: O entendimento da forma de se comunicar de uma empresa passa necessariamente pelo seu DNA, ou seja, a sua cultura e os seus valores. Nesse contexto, a área de comunicação contribui como especialista na definição da estratégia que, pautada no jeito de ser da empresa, estabelece ferramentas para garantir o alinhamento da forma e do discurso. Feito isso, quem sabe “aquela informação pregada no mural” faça algum sentido para as pessoas. Se ela for definida única e exclusivamente pela área de comunicação, a chance de não representar em nada as pessoas será imensa. Por isso eu defendo o papel extremamente relevante da liderança como “embaixador” desse jeito de ser. Não será com o papel pregado na parede que vamos conseguir gerar o entendimento ou mudar o comportamento das pessoas, mas ele também tem a sua importância à medida que é traduzido em atitudes do dia a dia.
Reinaldo – De novo concordo com a Isabela: empresas são as pessoas. Sem conhecer as pessoas, a Comunicação é só mais um cargo no organograma. E, nem sempre – acho que hoje, mais do nunca – o que está inscrito na missão da empresa reflete a cultura da empresa. A cultura da empresa são as pessoas no papel de funcionários. Cabe à comunicação, utilizando a empatia – o saber se colocar no lugar do outro, mesmo discordando – reescrever sempre que necessário essa cultura. Apenas uma observação: penso que Comunicação Corporativa é uma engrenagem na qual as peças (comunicação interna, externa, seus instrumentos, ferramentas etc.) formam um todo maior que a soma das partes. E isto se reflete tanto interna como externamente.


- Muitos empresários não atribuem à boa comunicação uma maneira de atingir metas. Como essas duas coisas têm correlação?
Isabela: Assim como lá fora as empresas estão se esforçando para entender o comportamento do consumidor e assim gerar vantagem competitiva no mercado, aqui dentro ela precisa exercer o mesmo movimento, através de uma comunicação, ágil, direta e transparente trazendo significado para o funcionário sobre qual a importância do seu trabalho para o atingimento dos objetivos do negócio. Quanto mais clara for essa mensagem, mais bem informado e envolvido com a missão do negócio ele estiver, melhor irá entregar seus resultados. Ou seja, a comunicação trata de fornecer a visão global do processo, além de apoiar no processo de transformação cultural.
Reinaldo – O mundo está mudando cotidianamente em velocidade exponencial. Talvez os empresários que você menciona na pergunta ainda não se deram conta que há uma revolução digital em curso. E que seu motor é exatamente a comunicação. Olhando dessa perspectiva, parece-me que fica evidente a correlação entre uma boa comunicação, tanto interna como externa, com o alcance de metas de negócio. Um exemplo: o primeiro passo para uma boa comunicação sempre foi conhecer os públicos-alvo do business. Arrisco-me a cogitar que, em face da revolução em curso, dificilmente se atingirá metas sem conhecer, compreender e interpretar novos anseios e necessidades de clientes, funcionários e demais públicos que compõem a cadeia negócios da corporação empresarial – aí incluídos a mídia e formadores de opinião. 

- Muitos empresários também acreditam e esperam que os funcionários devam mudar a sua comunicação. Na verdade, todos (inclusive os líderes) devem utilizar a comunicação de maneira assertiva. A comunicação do líder, afinal, é de extrema importância?
Isabela: A liderança é espelho para a equipe! Tenha ela comportamento alinhado com os valores, crenças e cultura da empresa ou não. O fato é que uma comunicação eficaz precisa, necessariamente, passar pelas mãos do líder. Por essa razão as empresas estão investindo cada vez mais na formação do líder para exercer esse papel entendendo que, com uma comunicação mais assertiva os resultados serão expressivos para o negócio. Um profissional é o melhor porta-voz da empresa em que trabalha. Uma pessoa de dentro da organização tem toda a credibilidade necessária para defender ou destruir uma marca.  
Reinaldo – Ô! O verdadeiro líder, para mim, tem como uma das suas qualificações essenciais ser um comunicador. Claro, cada caso é um caso. Portanto, cada equipe é uma equipe. Penso que cabe à Comunicação Corporativa identificar as pessoas sob a persona dos líderes e dos componentes de cada equipe. E, também acho: porta-voz da empresa é o líder (ou o especialista em cada área específica – de novo, do CEO ao chão de fábrica). E Media Training é um instrumento de Comunicação que, acho, quanto mais for incluído nos processos internos de Treinamento & Desenvolvimento mais próximos estarão os funcionários do que almejam os empresários que você citou na pergunta.


- Deixar os funcionários opinarem sobre qualquer parte do processo de uma empresa é fundamental para uma boa comunicação corporativa?
Isabela: Quando a cultura da empresa permite essa abertura e incentiva a participação, sim. Dito isso, eu acredito que vale o esforço de dedicar um minuto para perguntar e outro minuto para ouvir com atenção o que o funcionário tem a dizer. Primeiro porque ao ter a oportunidade de compartilhar o que pensa o funcionário sente-se reconhecido e respeitado. Segundo que, ao adotar essa prática a empresa poderá encontrar dentro de casa soluções dos problemas do dia a dia.
RR – Isabela, ‘tô concordando demais da conta com você, não é verdade? Só acrescentaria que corporações, necessariamente, precisam de alguma hierarquia pra funcionar. Mas, sobretudo do ponto de vista da Comunicação, escutar (e consultar) é primordial. E, também sob esse olhar, há uma diferença entre escutar e apenas ‘ouvir’. Escutar pressupõe se colocar no lugar do outro e, só depois disso, avaliar o impacto que a opinião terá sobre a eficiência, a eficácia e, principalmente, a mudança da cultura da empresa para melhor. 


- Que sugestões vocês dão para as empresas que querem implantar a comunicação interna?
Isabela: Estude! A cultura da empresa, o estilo de liderança, o perfil dos funcionários. Dialogue com as pessoas para entender os seus pontos de vista e também com a alta gestão, para então fazer um cruzamento das expectativas com relação aos objetivos do negócio. A partir daí, eu acredito que fica mais simples saber qual caminho seguir.
Reinaldo – Estude de tudo! Segundo o Prêmio Nobel da Literatura, Saramago: “as crianças e, principalmente, os adultos devem ler de tudo, de preferência o que não entendem – sobretudo os adultos”. Além disso: escutem o outro. Sempre. Se discordarem, façam-no com assertividade, mas com muita educação. E uma última sugestão: não tenham medo de errar. Aprendam com o erro. Como disse Clarisse Lispector: “o erro é também um caminho”. 

Leitor, veja quantas coisas aprendemos com esses dois profissionais, não: Isabela e Reinaldo, agradeço muito a participação de vocês!  




Isabela Botaro é publicitária, especialista em comunicação com MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Possui 10 anos de experiência profissional adquirida em empresas nacionais e multinacionais. Apaixonada por gente e pelas suas histórias encontra a paz em um simples bate papo - com gente ou com livros - acompanhado de um bom café.


Reinaldo Ramos é jornalista há quase 40 anos, com particular atuação em negócios, economia e política. Foi repórter e editor em revistas e jornais como “O Globo”, “Jornal do Brasil” e “O Estado de S. Paulo”. Formado pela USP, especializou-se em Comunicação Corporativa, exercendo cargos como executivo de grandes organizações locais e multinacionais, além de prestar consultoria para empresas e lideranças empresarias. É articulista em diversas mídias e proprietário da RR Comunicação Corporativa. https://plus.google.com/u/0/+ReinaldoRamosjornalista/posts/p/pub