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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Lapso

        Uma das interpretações para a palavra “lapso” é engano involuntário. Depois de muito tempo, nesse blog, tive um engano involuntário com a data de publicação de um texto. Por acaso, simplesmente, deixei passar a data de publicação.
        Não, não é o cansaço ou estresse. Não existem desculpas. Na verdade, fiquei analisando alguns textos já prontos, em mãos, e que apreciei como quem degusta um bom vinho. Melhor, como quem olha uma tela em que ainda faltam algumas pinceladas.
        E, então, deixei o tempo passar. Entre uma passada de olhos entre uma folha e outra (sim, porque eu imprimo os textos antes de publicá-los, hábito de quem trabalhou a vida toda em redações!), deixei-me levar pelo tempo, como se ele não tivesse importância. Afinal, eu estava com os textos em mãos. Nada mais importava.
        Mas, num lapso, esqueci-me que não sou só eu que compartilho essas palavrinhas. Fiquei tão intrigada com a minha “saída de rotina” que entendi que o lapso merecia destaque.
        Não cumprir algo causado por um esquecimento me diz muito mais coisas do que se “as coisas” tivessem saído, exatamente, conforme o planejado. Não comparo o lapso ao chiste ou ato falho. Até porque, nesses casos, existe a verbalização imediata de algo que, a princípio (e escondido pelo consciente), não deveria ser dito. O lapso é algo que não aconteceu para que outras coisas viessem à tona. Uma não verbalização, uma não realização, um esquecimento. Mas, o que está por trás de algo que não se concretizou?
        Fiquei pensando sobre o porquê, depois de três anos, ter esquecido a data de publicação de um texto. Talvez porque meu aniversário foi por esses dias, ou porque estava focada em prospectar novos clientes.
        Cheguei à conclusão de que os lapsos são, inevitavelmente, um não dito. E também uma não conclusão. Várias coisas podem causar um lapso. Todas ao mesmo tempo ou nenhuma razão única, em específico, causam um lapso.
No entanto, é inevitável também que um lapso comunique, no mínimo, uma mudança de comportamento. Quem sabe eu não me importasse de não publicar às quintas-feiras, como é de praxe há anos?
        No fundo, talvez tenha encontrado uma razão em apreciar sem pressa, em entender sem angústia, em viver sem expectativas pautadas, em mudar sem planejar. E, por um curto período de tempo, tenha admirado a leveza e não me amarrar a rotinas que, honestamente, não sejam tão necessárias como quis me impor.
        Portanto, convido você, leitor, a ter lapsos. A se deixar perceber em seus “erros” mais bobos, em seus enganos involuntários, sem se condenar porque um “eu” mais esquecido se permitiu a se esquecer.
        Quem sabe não aparecem versões melhores de si mesmo entre um lapso e outro?
        Eu já tentei e gostei muito! E você?





4 comentários:

Amei seu texto...

Tenha mais lapsos...

"uma razão em apreciar sem pressa, em entender sem angústia, em viver sem expectativas pautadas, em mudar sem planejar."

Um abraço!

Lindo texto, tenho muito admiração pelo seu talento, conheci esses dias seu blog e já estou impressionado pela sua escrita, seu modo de comunicar e sua opinião nos assuntos abordados! Muitas deles me fizeram abrir os olhos em determinados assuntos da vida!! Agradeço de coração! Abraço.

Alloyse... shi: esqueci. Ah, Lembrei! Mesmo mega atrasado, parabéns pelo aniversário!

Klau, muito obrigada pelo comentário. Super gentil.
Edmar, muito, mas muito obrigada pelo seu carinho! Namastê por todas as palavras.
Reinaldo, meu querido, obrigada pelos parabéns! E pelo carinho de sempre! ;)

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