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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A ética na balança

        É histórica aquela frase de que “para se dar bem na vida” é preciso estar “melhor” que os outros. Profissionalmente, então, observo algumas pessoas levando esse conceito tão a sério que mais me parece um “mantra para a vida”. “Preciso dar certo”! “Preciso dar certo”!
        Quem não quer dar certo? Mas, o que é dar certo para você? Num mundo onde “as aparências” contam mais que a “essência” das pessoas, “dar certo” é circunstância completamente subjetiva. Poucas pessoas talvez concordassem com o meu ponto de vista sobre o “dar certo”. Até porque não acredito que “se comparar” a alguém é sinônimo de “dar certo”. Mas, isso não vem ao caso.
        O que quero trazer à tona é a questão em torno da ética por trás do “dar certo”. Não é incomum ver pessoas fazendo “de tudo” para saírem na frente dos colegas. Ou, pelo menos, para parecerem ser tão originais quanto seus concorrentes. Não gosto de usar a palavra concorrente porque, honestamente, não acredito que duas pessoas ou duas empresas possam ou querem fazer/ oferecer um serviço/produto completamente igual. Partindo desse princípio, não seria mais fácil pensar que se vive em um mundo repleto de oportunidades? Se o serviço que oferece não é igual ao do seu “concorrente”, ele deixa de “concorrer” com você, certo?
        Mas, em geral, os profissionais têm preferido observar o outro como um “concorrente” que deve ser eliminado. Quase um inimigo. É aí que entra a ética (ou a falta dela).
        Existem alguns movimentos que se percebe nos profissionais, que estão mais preocupados com “dar certo” do que com a palavra “ética”. O que importa é o “dar certo a qualquer custo”. E aí, a comunicação ajuda a identificar mais facilmente essas pessoas. Observe! Uma profissional que quer aparecer a qualquer custo tende a ter alguns tipos de comportamentos. Falar mal da “concorrência” é o primeiro passo. Pode reparar. Essa é uma maneira de tentar depreciar o outro, para que o seu serviço/produto se sobressaia. O “falador da vida alheia” só não repara que, ao fazer isso, está demonstrando sua imensa insegurança que, muitas vezes, é percebida por seu interlocutor.
        Assim como verbalizar algo negativo sobre o outro, tentar imitar, roubar ideias ou até investigar (aqui no aspecto de xeretar mesmo) a vida do concorrente, são outras maneiras de depreciar o profissional ou a empresa “concorrente”. É como juntar informações para poder tentar encontrar brechas no serviço do outro para, novamente, fazer com que seu serviço se sobressaia. Esse tipo de verbalização de concorrência era muito comum no marketing da década de 80, quando as empresas, literalmente, declaravam guerra entre elas. Alguns profissionais dos dias de hoje parecem ainda utilizar esse tipo de “comunicação”. E mais, tem gente que “investiga” a concorrência até para dizer para seus clientes: “olha, andei pesquisando e sei que aquela empresa cobra o dobro pelo mesmo serviço que ofereço”.  
        E, nesse caso, uma ação como essa é como um “benchmarking” que não funcionou, afinal, o conceito de trocar ideias e avaliar processos mais bem desenvolvidos para sua própria evolução profissional cai por terra quando não é realizado com essa intenção.
        Existem ainda outros comportamentos e verbalizações muito comuns de quem acha a ética uma palavra (e um conceito) em desuso: não cumprir o que prometeu a seus clientes; não estar preocupado com o bem estar na organização, instituição ou empresa a qual contatou, visando apenas o lucro; criar rivalidades ou intrigas; não estar preocupado com os prazos que foram pedidos. Esses são apenas alguns exemplos. Tenho certeza, leitor, que você tem alguma outra observação que não foi apontada aqui.
        No entanto, também gostaria de trazer à tona as consequências desses comportamentos e desse tipo de comunicação. Apesar de algumas pessoas acharem que a concorrência está acima da ética, trouxe um vídeo do filósofo Cortella para contra argumentar essa situação. Diz Cortella (e concordo plenamente com ele) que a ética é que move as pessoas. E os que não são éticos, muitas vezes, querem fazer com que as pessoas acreditem que o mundo é dos “espertos”.
        Particularmente, acredito que as pessoas estão sim bastante focadas na ética. A título de ilustração, cito um caso: certa vez, uma estudante de jornalismo me pediu uma proposta de Media Training. Achei estranho, porque realizo Media Training com grupos de estudantes, mas não havia recebido, até então, um pedido único. Encaminhei a proposta. Dois dias depois, liga-me um responsável por uma instituição renomada, dizendo que a moça tinha oferecido uma proposta idêntica a minha aos diretores daquela instituição. A moça só não sabia que eu já havia realizado o Media Training com aquele grupo. E o responsável por aquela instituição ligou para a moça dizendo que sabia que a proposta não era dela.
        Portanto, apenas para finalizar e deixar o leitor se deliciar com o vídeo do Cortella, digo assim: acredito, de coração, que ter a consciência tranquila e fazer um trabalho bem feito traz mais sucesso do que qualquer tentativa de alcançá-lo!





O vídeo do Cortella está no Facebook e não no Youtube.
Então, precisa acessar o link, clicando AQUI





sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Lapso

        Uma das interpretações para a palavra “lapso” é engano involuntário. Depois de muito tempo, nesse blog, tive um engano involuntário com a data de publicação de um texto. Por acaso, simplesmente, deixei passar a data de publicação.
        Não, não é o cansaço ou estresse. Não existem desculpas. Na verdade, fiquei analisando alguns textos já prontos, em mãos, e que apreciei como quem degusta um bom vinho. Melhor, como quem olha uma tela em que ainda faltam algumas pinceladas.
        E, então, deixei o tempo passar. Entre uma passada de olhos entre uma folha e outra (sim, porque eu imprimo os textos antes de publicá-los, hábito de quem trabalhou a vida toda em redações!), deixei-me levar pelo tempo, como se ele não tivesse importância. Afinal, eu estava com os textos em mãos. Nada mais importava.
        Mas, num lapso, esqueci-me que não sou só eu que compartilho essas palavrinhas. Fiquei tão intrigada com a minha “saída de rotina” que entendi que o lapso merecia destaque.
        Não cumprir algo causado por um esquecimento me diz muito mais coisas do que se “as coisas” tivessem saído, exatamente, conforme o planejado. Não comparo o lapso ao chiste ou ato falho. Até porque, nesses casos, existe a verbalização imediata de algo que, a princípio (e escondido pelo consciente), não deveria ser dito. O lapso é algo que não aconteceu para que outras coisas viessem à tona. Uma não verbalização, uma não realização, um esquecimento. Mas, o que está por trás de algo que não se concretizou?
        Fiquei pensando sobre o porquê, depois de três anos, ter esquecido a data de publicação de um texto. Talvez porque meu aniversário foi por esses dias, ou porque estava focada em prospectar novos clientes.
        Cheguei à conclusão de que os lapsos são, inevitavelmente, um não dito. E também uma não conclusão. Várias coisas podem causar um lapso. Todas ao mesmo tempo ou nenhuma razão única, em específico, causam um lapso.
No entanto, é inevitável também que um lapso comunique, no mínimo, uma mudança de comportamento. Quem sabe eu não me importasse de não publicar às quintas-feiras, como é de praxe há anos?
        No fundo, talvez tenha encontrado uma razão em apreciar sem pressa, em entender sem angústia, em viver sem expectativas pautadas, em mudar sem planejar. E, por um curto período de tempo, tenha admirado a leveza e não me amarrar a rotinas que, honestamente, não sejam tão necessárias como quis me impor.
        Portanto, convido você, leitor, a ter lapsos. A se deixar perceber em seus “erros” mais bobos, em seus enganos involuntários, sem se condenar porque um “eu” mais esquecido se permitiu a se esquecer.
        Quem sabe não aparecem versões melhores de si mesmo entre um lapso e outro?
        Eu já tentei e gostei muito! E você?





quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Reunião? Ah, não!


             Não, não.
        Reuniões não precisam ser chatas, nem demoradas, muito menos não servir para nada. Diante de tantas reuniões realizadas sem nenhum rumo definido, muitos profissionais têm verdadeiro desespero da palavra “reunião”.
        Não é por menos.  Além de virar mania nas corporações (precisa-se, mesmo, convocar as pessoas para todas as decisões a serem tomadas?), as reuniões têm um grau de eficiência relativamente baixo. Basta questionar os colaboradores da sua empresa se entenderam o motivo da última reunião e as decisões apontadas.
        Mas, nem sempre foi assim. Não é de hoje que se “reunir” para debater assuntos é prática comum. Aliás, muito antes dos ternos e gravatas e dos cartões de visitas, reunir-se era um hábito cotidiano. Na Antiguidade, por exemplo, as pessoas se reuniam em teatros abertos, em praças públicas, para trocar ideias. Assim como os espetáculos aconteciam em “teatros de arena”, as reuniões também eram realizadas da mesma maneira. Mas, para que as pessoas se reuniam, você pode perguntar. Ué, por que as pessoas se reúnem? Para trocar ideias, claro!
        De volta para a atualidade, os problemas das reuniões parece ser justamente esse: a maneira como se trocam ideias. Defendem alguns especialistas do mundo corporativo que a tentativa de democratização da “palavra” durante as reuniões empresariais fez surgir um movimento desconexo de apresentações de ideias, repleto de achismos e de alfinetadas, numa mistura de falta de respeito sobre opiniões alheias e puxadas de tapete. Enfim, o circo dos horrores! Seja honesto leitor: você acredita que mesmo quando pode dar a sua opinião em uma reunião, você é ouvido? Não à toa, as pessoas ODEIAM (em caixa alta mesmo) fazer reuniões. Muita gente sai com a sensação de que nada foi resolvido e que “alguém” se sobressaiu, quando não o chefe um colaborador puxa-saco (em geral). Ainda há a turma os revoltados, os que resolvem falar sobre outros problemas que não os que estão sendo discutidos, os engraçadinhos que nada acrescentam, os chatinhos que ficam de cara amarrada e demonstram não estarem nem ouvindo, os que olham para o celular, sem parar...
        E, é por isso que as reuniões também não funcionam! Porque quase ninguém colabora para tornar algo que é relativamente difícil em eficiente. É claro que há momentos em que fazer reunião é chato, mas se existem assuntos a serem discutidos, não adianta fugir. O jeito é encarar a “missão reunião” com bom humor, elegância e, acima de tudo, prontidão.
        Com alguns passos simples é possível dizer tudo o que precisa e ainda ouvir os “companheiros”, fazendo com que todos interajam e entendam a mensagem. E sem fazer mágica! Rsssss.
         Se for você quem conduzirá uma reunião, anote tudo o que irá falar, por tópicos. Comece o encontro com simpatia (por mais árduo que seja um assunto – dizer bom dia ajuda e bastante), e lembre-se de não se prolongar. Abra espaço para os comentários, mas lembre os participantes de que é preciso manter o foco. Entenda que comentários contrários surgirão. Alguns deles são inválidos, porque sempre há os do contra. Nesse caso, é possível contra-argumentar (sem se demorar muito), mostrando que o argumento dessa pessoa não vai fazer diferença naquele momento ou que pode representar um segundo passo ou que não representa a melhor saída para a questão.
        Mas, tem horas que o argumento alheio pode ser a solução que todos esperavam. Por isso, também é importante dar espaço para que os participantes, com o perdão da palavra, participem! Rssss. Não exercer o autoritarismo, durante uma reunião, não é uma demonstração de cordialidade. É respeito, mesmo! As corporações se esquecem de que são feitas de pessoas e que as pessoas que ocupam cargos maiores não são semideuses. Ninguém nasce sabendo! Um profissional aprende por meio da educação, adquire experiências e é isso. Ninguém se torna um ser humano “edificado” por causa do seu cargo.
        Portanto, ouvir verdadeiramente, respeitando a fala do outro, torna sua reunião mais eficiente. Assim como, um “bom organizador de reuniões” precisa saber dar os feedbacks sobre as opiniões, numa avaliação se são válidas ou não.
        Se você não conduz a reunião, mas participa dela, é hora de prestar atenção! Em geral, uma reunião tem um porquê. Se ela não tem um motivo real, ao final dela, você expressa, a quem a conduziu, a sua opinião, lembrando que alguns assuntos podem ser resolvidos com uma simples conversa.
        Se, no entanto, a reunião tem motivo, é hora de participar. Escute a apresentação dos temas e veja se você irá acrescentar alguma coisa com seu ponto de vista. Se não, é hora de apenas ouvir.
        Já pensou em uma reunião em que as pessoas falam e entram em um acordo facilmente?  Acha impossível? Comece a praticar. Um amigo, que certa vez trabalhou na Disney (no parque), contou-me que lá as reuniões, ao final do expediente, duram poucos minutos. A equipe responsável se junta e cada um tem um minuto para contar como foi o seu dia. Segundo ele, isso evitava entrar em assuntos que não fossem necessários! Não sei se as reuniões ainda são assim, mas achei muito boa solução!
        Afinal, para que falar mais do que o necessário, não é mesmo?





quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O verbo no passado

        Lembro-me de ser muito pequenininha (uns três anos), passeando de mãos dadas com meu pai, ao ver um símbolo de um banco próximo à praça central da cidade onde nasci. Era um dia de comemoração, havia fanfarra, possivelmente, uma data cívica.
        Aquilo me chamou a atenção e fiquei com a imagem na cabeça por muitos anos. Até que o símbolo do banco se tornou nítido na minha mente. E, então, trinta anos depois, perguntei a meu pai: “já teve Citibank aqui na cidade”? Surpreso com a pergunta completamente descabida ele disse: “ah, há muito tempo. Você nem era nascida”. Claro que não me dei por vencida, afinal, eu me lembrava daquela cena, nitidamente, durante quase a vida toda!
        E, então, fui pesquisar. Enquanto não descobri quando foi que a agência da cidadezinha tinha desaparecido, não sosseguei! Levou um certo tempo para aceitar que meu pai estava certo! A agência havia fechado três anos antes de eu nascer. Então, como é que aquela cena poderia ser tão nítida em minha cabeça?
        Porque ela estava só na minha cabeça. Talvez eu tenha sonhado com a cena e um dia encontrei um símbolo parecido com o do Citibank e então assimilei uma coisa com a outra. Ou ainda, a cena poderia, realmente, ter acontecido, mas sem todos os detalhes.
        De certa forma, meu equívoco – depois que passou a surpresa pelo não ocorrido – trouxe um pouco de alívio. Num primeiro momento, achei que estava louca ou que havia começado a ver coisas. Depois, veio o otimismo junto com um pouco de lógica e razão: percebi que as histórias do passado podem ser tão reais como as situações que realmente vivemos ou podem, simplesmente, ser uma mentira contada por nós mesmos.
        É um alívio poder tornar um passado “esquisito” transformado em pó, assim, como um piscar de olhos. Basta não atribuir a ele nenhum peso. Afinal, ele não existe mais mesmo, não é verdade?
        Se se observar os passados mais difíceis por essa perspectiva, fica bem mais fácil deixar as bagagens do passado no passado, simplesmente. E permitir-se construir uma nova realidade para seu próprio passado.
        Mas, observo um movimento (que eu mesma fiz durante algum tempo) de conjugar o passado no presente. Repare, leitor, como as pessoas trazem à tona as experiências do passado como se pudessem vivê-las naquele exato momento. Muitas vezes, com a mesma emoção vivida na situação que já se passou, independentemente se é uma situação boa ou ruim.
        No entanto, observe como um “equívoco” pode ajudar as pessoas a enxergar uma situação como uma “lembrança sem peso”. O meu sonho de criança era tão real que podia ouvir o que a fanfarra tocava. Mas, depois de perceber o equívoco, a cena desapareceu da minha cabeça. Agora, é uma lembrança sem sentimentos, como uma observação neutra sobre um assunto.
        Já pensou, então, poder apagar o passado que nos traz amarguras no coração? Muita gente vai dizer que não é fácil, assim, apagar um problema, um drama e até um trauma. Concordo plenamente. Existem assuntos que demandam mais atenção e tratamentos.
        Agora, já pensou em praticar o “equívoco” com seu passado em algumas situações menos importantes? Por exemplo, pode ser o medo de dormir no escuro ou de comer beterraba. E, se você simplesmente acreditasse que adora um escurinho e que suco de beterraba é uma delícia? Sua vida não poderia ficar melhor?
        Pelo menos, para mim, tem sido útil. Desde que deixei o “equívoco” entrar em minha vida, observei o passado como “coisas que passam”. Já não me importam mais se foram verdadeiras ou não, ou se tem o peso ou não do passado. Deixo as coisas irem! Deixo as pessoas irem. Deixo as tristezas irem! Assim como uma lembrança de um momento que pode ou não ter existido!