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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Do direito ao respeito



                Uma vez, uma pessoa disse durante um churrasco: nossa, não existe nada mais chato do que se sentir “esquisito” perto de alguém. O que é esquisito para você?, perguntei. O rapaz, então, disse: “quando a gente não fica à vontade. Quando sabe que vai rolar uma alfinetada, uma comparação ou uma ‘diminuída’.”
        Diminuída é sinônimo de depreciar?, perguntei. E, então, a pessoa disse: “é, isso aí!” Diz o ditado que palavra de bêbado é pensamento de sóbrio! 
      Volta e meia, a depreciação é um dos temas que aparecem aqui nesse blog. E não é à toa. As pessoas estão muito cansadas das relações difíceis que têm encontrado, quase que diariamente. Seja no trabalho ou em casa, com familiares ou amigos, é um fato que (por experiência própria e por ouvir as pessoas reclamarem) as relações pessoais têm passado por testes de fogo.
        E, hoje, vou me ater ao ponto de vista do meu amigo bêbado: por que é que as pessoas não se sentem à vontade quando estão na presença de alguém? Realmente, quando não se é recebido de uma maneira harmoniosa. Mas, esse argumento é tão subjetivo que uma pessoa que “deprecia a outra” é capaz de entender esse argumento de maneira equivocada e dizer: “realmente, não sou recebido com harmonia”, sem ao menos pensar se não é o contrário o que ocorre. Por isso, é preciso explorar um pouco mais a fundo o assunto.
        Particularmente, entendo que estar ao lado de alguém que você conhece ou não, não deveria produzir, exatamente, uma sensação. Deveria ser um ato comum, entre pessoas, como uma cordialidade, sem preocupações, sem uma resposta imediata, afinal, como é possível tirar conclusões sobre alguém sem conversar um certo tempo com essa pessoa?
        Mas, sabe-se que, mesmo conversando bastante com uma pessoa (ou que essa pessoa seja próxima), é também possível que se leve uma alfinetada ou indireta. A depreciação é, infelizmente, mais comum do que se gostaria ou deveria ocorrer.  Então, focando-se em argumentos mais reais e palpáveis, diria assim: é preciso avaliar como você se sente perto de algumas pessoas!
        Um dos diagnósticos mais razoáveis para avaliar se suas relações são nocivas ou não é perceber se: 1) você se sente à vontade com essas pessoas que te dão alfinetadas? Tem gente que diz assim: “ah, eu tô brincando, não posso brincar com você?” Particularmente, não gosto de brincadeiras de pessoas que precisam me colocar para baixo por qualquer motivo. Mas, vai de cada um.  2) Você sente qualquer mal-estar por estar perto de algumas pessoas? 
        Mas, você precisa passar por isso? Tem que estar ao lado de quem deprecia você ou que lhe causa qualquer mal-estar?
        Filosofando um pouco a respeito das relações, acredito que qualquer relacionamento pautado por conveniência (ou porque é parente ou chefe ou amigo de longa data) está fadado ao fim. Sabe por quê? Ninguém tem tempo mais a perder com gente chata. Com pessoas que não acrescentam sentimentos positivos ou que não trazem amor verdadeiro. Claro que não se tem amor verdadeiro o tempo todo. Mas, o respeito existe. E, se você demonstra que só se relaciona com os outros de maneira respeitosa e defende o seu direito de ser respeitado, é bem provável que as relações nocivas tendem a desaparecer.
        Isso porque, quando se corta o barato de quem te desrespeita, você, inevitavelmente, será atacado. Porque o ataque é o argumento de quem manipula com o intuito de depreciar. Quem deprecia é porque sente a necessidade de diminuir os argumentos dos outros para que se sinta mais importante. O ataque surge de tudo quando é lado: pode ser sobre sua vida afetiva, sexual, financeira ou profissional. Pode ser uma viagem que você faça. Não importa! O depreciador sempre vai ter um argumento para jogar contra. E ainda, quando você começar a pôr limites no depreciador, por entender que você não quer mais esse tipo de relacionamento nocivo, o depreciador irá jogar você contra os demais. Se unirá, pelas costas, com outras pessoas que também buscam a depreciação (em vez da compreensão) e vai dizer que você está louco, que está intolerante com as brincadeiras, que você não aceita críticas!
        Não se preocupe com isso e não dê bolas! Sabe por quê? Quem deprecia você já fez isso com outras pessoas e é evidente que outras pessoas também percebem esse comportamento.  E mais, acredito honestamente que todo depreciador merece limites! E se você não coloca limites, o depreciador irá repetir e repetir e repetir a depreciação, lhe dando novas chances para que se coloque o limite.
        E aí, há duas chances quando se coloca o limite: de que o depreciador se envergonhe, em algum momento, do que está fazendo. E que, talvez, até se pergunte por que faz isso. Ou irá jogar contra você a vida toda, porque não consegue aceitar que você também tem felicidades e alegrias e que merece amor como os demais.
        Mas, como não se sabe o que o depreciador irá fazer, é seu direito usar a comunicação a seu favor: expresse sua insatisfação com quem lhe faz mal. E mais, expresse, a si mesmo o direito de ter relações mais saudáveis, com pessoas que irão lhe acolher verdadeiramente quando precisar, sem julgamentos!
        Como disse o meu amigo bêbado: “eu não gosto de gente que não me deixa à vontade”! Concordo, cordialmente, com ele!



2 comentários:

Obrigado Alloyse: recuperou um pouco minha autoestima. E olha que eu nem bebo mais.

Kkkkkkkk. Só você, Reinaldo! ;)

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