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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Da gratidão...

                Já reparou que a gente está sempre pedindo algo?
        É evidente que, ao longo de um dia, todo mundo irá pedir uma série de coisas para você e você para elas. É normal. Podem ser pedidos pequenos, como: “me passa aquela folha”? Ou pedidos grandes como: “vamos viajar para Amsterdã, amanhã”?
        Já observou quantos pedidos se realiza ao longo de 24 horas? Pede-se o pão na padaria, pede-se café, também! Pede-se que alguém cuide do seu carro no estacionamento. Pede-se para o amigo “segurar” a reunião enquanto você não chega. Pede-se para a sogra levar as crianças na escola. Pede-se para a amiga te acompanhar ao pilates. Pede-se um sorvete. Pede-se a revista na banca. Pede-se o salto emprestado para a prima querida. Pede-se um aumento para o chefe. Pede-se férias adiantadas.
        Pedir é um ato muito comum. E, particularmente, acredito que não exista nenhum problema em pedir.
        Mas, hoje, trago a reflexão a respeito do pedido porque verbalizar um pedido é muito fácil. No entanto, tenho observado que a verbalização pela gratidão dos pedidos realizados, não acontece com a mesma frequência do que os pedidos feitos.
        Por exemplo, estava em uma loja, esses dias, e uma moça chegou com uma sacola em mãos, e, então disse: “não quero nada”. E, simplesmente, saiu. E aí, achei a cena, esquisita e perguntei: “o que é isso”? A gerente da loja, bastante paciente, explicou que essa era uma cliente de longa data e que, todas as semanas, a gerente separava as melhores roupas (a pedido da cliente) para levar até a casa dela, para que não tenha que experimentar na loja. E, então, pensei: “nossa, mas ela não pode agradecer, simplesmente, pela gentileza”?
        Outra situação: uma moça parou o carro e sinalizou para eu ir até ela. E, então, me perguntou: “onde fica tal rua”? Aí, respondi: “é a de cima, você vira aqui e já está lá”. Aí, a moça, pisou fundo no acelerador e foi embora. Aí, falei alto: “de nada”! Rssssss. As pessoas que estavam na rua - e que viram a moça perguntando o destino - deram risada da situação.
        Não pode ser tão difícil agradecer! E, não falo isso pelas situações apresentadas acima! Falo porque é bem comum quando vou dar aula de comunicação pessoal, a primeira coisa que os alunos reclamam é da “ingratidão” alheia. Poderia ficar aqui horas citando casos que já me contaram. Mas, prefiro trazer a reflexão: por que parece difícil agradecer?
        No fundo, no fundo, acredito (e é uma conclusão minha, não precisa ser a sua) de que as pessoas se acostumaram a ter, facilmente, seus pedidos aceitos. Pergunte às pessoas que hoje estão na faixa dos 70 anos. Como era difícil conseguir qualquer coisa quando se morava no sítio, por exemplo. Imagine-se no seguinte cenário: caminhar um quilômetro para emprestar o carro do fazendeiro vizinho. Complicado, né? Tão mais fácil hoje, certo?
        Mas, as desculpas da correria e do “muito a fazer” estão realmente revelando uma coisa muito simples na comunicação: a falta de cuidado com aquele que você aborda! É como não levar o seu interlocutor em consideração. Ou como minha vó chamaria: “falta de educação”.
        Não é necessário teorizar muito para entender que quando se aborda alguém, é preciso entender a intenção ao fazer tal abordagem. Quando se faz um pedido, então, é preciso estar bastante consciente daquilo que se está pedindo. Afinal, você irá “roubar” a atenção do seu interlocutor, duas vezes: ao fazer a comunicação do seu pedido e o tempo que a pessoa levará realizando o seu pedido (independentemente de qual seja).
        Quando se entende que “comunicar” é interagir com alguém levando o outro em consideração, dificilmente irá fazer como a moça do carro: sair correndo achando que as pessoas têm obrigação de lhe servir!
        Portanto, convido a você a demonstrar toda a gratidão que tiver ao longo de um dia. Não porque é feio ou mal educado ser um ingrato. Até porque, isso é você quem escolhe.

        Mas, porque acredito, de coração, que todo mundo merece um sorriso (e a verbalização, claro) de agradecimento quando pode ou não realizar meus pedidos. A meu ver, é uma questão de transmitir todo o amor e respeito que tenho a quem me acolhe com seu tempo ou dedicação.



3 comentários:

Obrigada por este puxãozinho de orelha. Eu procuro ser educada e gentil, mas confesso que já esqueci de agradecer em algum momento. Valeu o lembrete!

Oi, Adelir.
Não era para funcionar como um puxão de orelha, rsssss. Era para trazer uma reflexão, apenas. E que bom que trouxe. Aquele abraço!

Alloyse, como é de minha índole obrigado pelo excelente texto.

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