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quinta-feira, 5 de junho de 2014

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        Seja honesto! Quando você se olha no espelho, se compara a quem? Ou ao quê? Essas são perguntas difíceis, especificamente, para mulheres. Em um mundo onde as comparações estão em todos os lugares é muito difícil não cair na tentação de se comparar a alguém.
        Convido, então, o leitor(a) a fazer uma voltinha pelo tempo junto comigo para tentar descobrir (ou pelo menos levantar pistas) sobre por que é que as pessoas se comparam.
        Particularmente, acredito que a comparação se confunda à própria história da humanidade. Dizem os especialistas em informação – em especial os pesquisadores que buscam entender por que elas são tão essenciais na vida das pessoas - que seria impossível viver sem se informar, assim como Robson Crusoé fez, durante um tempo, ao morar em uma ilha. E isso se deve ao Instinto de Percepção, tão comentado entre os estudiosos no assunto. Não gosto de fazer citações em blog, mas aqui é necessário. Segundo Kovach & Rosenstiel, “as pessoas precisam de informação por causa de um instinto básico do ser humano, que chamamos de Instinto da Percepção. Elas precisam saber o que acontece do outro lado do país e do mundo, precisam estar a par dos fatos que vão além de sua própria experiência. O conhecimento do desconhecido lhes dá segurança, permite-lhes planejar e administrar suas próprias vidas”.
        Portanto, ter informações é ter referência para olhar para si mesmo! E ainda bem que elas existem, porque algumas atividades realizadas na atualidade são feitas, na verdade, há milhares de anos. Por exemplo, ninar uma criança para dormir é uma atividade que sempre existiu entre os humanos! Como uma pessoa saberia em que período de tempo se está se não fossem os costumes, roupas, jeitos, trejeitos, músicas e todas as “novidades” trazidas pelas informações de cada época? Na Antiguidade, imagino que ninar uma criança seria um ensinamento passado de mãe para filha, o que ocorre até hoje. Com a diferença que, além da família, as mães da atualidade têm à sua disposição uma infinidade de outras informações, como revistas, jornais, canais pagos e abertos, tutoriais na internet que mostram como fazer isso.
        Então, o que seriam dos pobres mortais sem uma mísera referência? O que questiono, no entanto, é o que a referência tem a ver com a comparação?  São coisas muito distintas, a meu ver, mas que na prática se aproximam quase que o tempo todo para a mente humana. Quem nunca olhou uma revista, assim do nada, e encontrou uma mulher linda e pensou: nossa nunca vou ser assim! Ou aquele gato que você bate o olho na revista e pensa: meu Deus, por que o namorado não é assim? Isso é comparação e não referência. Particularmente, acredito que comparar é usar a referência sem saber, exatamente, o que fazer com ela. Nossa, existe essa referência no mundo, quero ela! Mas, quantas referências sobre o mundo servem de “comparação” para aquilo que você deseja para si mesmo?
        Quando se vive em uma mundo extremamente comunicativo, onde há novidades vindas de todos os cantos, é muito fácil de se perder no meio de tantas informações. É muito fácil de se perder! Qual é a referência que se tem de si mesmo? Quanto mais alguém se deixa levar pelos modismos, tendências, mais facilmente estará olhando para o conjunto (sociedade) e não para si! E aí, claro, começam as comparações: quero aquele peito, aquele carro, aquela boca, aquele trabalho, aquele, aquele, aquele...
        E o mais grave não é apenas fazer a comparação para si. Se você quiser ter o rostinho da Angelina Jolie, manda ver!  O problema é que quem se compara, também tende a “comparar” as pessoas como se fosse possível tabelá-las. Fulana é gorda, ciclano é magro. E, fatalmente, tentará enquadrá-las em padrões (ou tendências, se preferir). E é aí que mora o perigo! Quando alguém se acha maior ou menor que alguém, por qualquer comparação que tenha feito, usará dessa comparação com os familiares, colegas de trabalho e todos os demais. E aí, começam as comparações de comportamentos mesmo: não casou? Não fez faculdade? Não está trabalhando em uma mega empresa? As pessoas não deveriam ser valorizadas pelo o que elas são e não pelo o que elas possuem?
        Lembro de uma situação (uma conversa no elevador) em que uma moça estava aflita porque o noivo não lhe respondia pelo inbox do Facebook. E durante a subida do elevador, ela estava xingando o noivo para a amiga. Até que a amiga perguntou: “sim, mas você já ligou para ele?” E ela: “não, ele vai ter que falar comigo por lá mesmo”.
        Comparar maneiras de “se comunicar”, em um mundo tão comunicativo, é o primeiro sintoma de quem não entendeu o que é referência e o que é comparação. Por que é que as pessoas têm que ser do jeito que você quer? Não é possível observar os cenários, o e jeitão das pessoas, antes de julgar? E para que julgar, não é mesmo? Não vou entrar mais nesse debate porque a comparação é uma extensão da reflexão sobre a expectativa, que escrevi semana passada. Quem não compara, não cria expectativas.
        O que me deixa triste, na verdade, é que as pessoas não param de olhar para fora na tentativa de serem melhores para si mesmo. Tudo bem, você irá precisar de referências para viver. Mas, será que as pessoas não percebem a beleza de serem quem é? O valor que tem em ser um ser humano único? 
        Se você permite ser você mesmo (mesmo fora do cardume) exercerá mais facilmente o respeito por entender uma coisa muito básica: permito ser quem eu sou e permito que você seja quem é!
        Sem aquele papo de ter que ser maior ou menor que alguém.
        Que tal hoje, ser você mesmo, sem comparações?


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