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quinta-feira, 19 de junho de 2014

Das doçuras da vida...




        Estava parada junto com uma amiga, embaixo do sol, para fazer exatamente isso: celebrar o sol! Em um dos bosques mais lindos de Curitiba, fomos papear depois de muitos meses sem nos ver. Foram horas de tricô até que, finalmente, o cansaço e o tempo de amizade, permitiram contemplar o momento sem nada a dizer.
        Então, quebrando o silêncio, eu disse: vamos comer um doce! Um doce é sempre um presente de Deus! Digam o que quiser, que engorda, que não faz bem para a dieta. Eu discordo! E, então, cada uma, escolheu um mil folhas para saborear. Ao dar a primeira mordida (cada uma), eu entendi que não precisaria esconder a felicidade, afinal, minha amiga estava tendo a mesma reação! Uma sensação de plenitude tomou conta! Por tudo! Por não precisar esconder aquele olhar de criança diante de um simples doce, da doçura do momento em si. E, então, ficamos as duas olhando uma para a outra e rindo da maravilha que é comer um doce inesquecível, em um momento único!
        A vida oferece umas coisas deliciosas quando não estamos esperando nada dela. Quando não somos espectadores de desejos que não nos preenchem. Quando vivemos, apenas! Alguns chamariam isso de momentos mágicos, eu chamo de as doçuras da vida!
        Não é difícil perceber como a vida é doce. Claro, ela não é doce o tempo todo. Mas, se navegarmos apenas em conflitos (o que é muito fácil), acredito que compreendemos apenas uma parte da vida. Ela não seria feita de altos e baixos? E as doçuras da vida não existem para sairmos justamente de um frenesi criado por nós mesmos? Então, por que não aproveitá-las?      
        Brinco que os momentos de doçura, muitas vezes (mas, não é regra), vêm acompanhados de uma comida saborosa! Sei que minha memória afetiva é gastronômica, apesar de não ser a moça do prato cheio! Mas, quantos momentos de doçura existem quando compartilhamos refeições? Existe um amigo meu que toda vez que vou na casa dele digo: Cláudio, você é um insuportável, rsssss! Só tem coisas gostosas aqui! A doçura não está na preocupação de servir bem, mas, em ser tão carinhoso comigo, que às vezes tenho vontade de dizer: Deus, que esse momento não acabe nunca! Que pessoas lindas eu conheço! Não é uma doçura ser recebido com tanto amor?
        A comida, assim como a bebida, invariavelmente é um meio de compartilhar a doçura da vida. Tenho amigos que amam beber comigo. Não beber até cair, mas festejar e comemorar. Eu acredito, realmente, que Bacco merece muitos brindes, porque celebrar e compartilhar felicidade trazem atos de doçura. É claro que não precisamos de bebida nem comida para compartilhar, mas já vou chegar nesse ponto.
        Tenho uma amiga tão honesta, que toda vez que sai para brindar comigo, me economiza dez anos de terapia! Ela sempre escuta, educadamente, minhas historias e lembra-me das besteiras que faço. “Lois, para de acreditar cegamente nas pessoas” – posso ouvir ela falando! E, então fico muito aliviada, porque ela conta causos muito piores e damos risadas. Uma amizade tão franca e honesta (e verdadeira) é quase melhor do que qualquer brinde! É a doçura da vida!
        Acredito que também há doçura em algumas atitudes simples ou palavras ditas... Lembro-me de uma festa de aniversário que, ao ver minha angústia ao cantar o parabéns (eu não gosto desse momento), um amigo me ofereceu o braço para ficar junto comigo. E, então, baixinho, disse: “sei que você não gosta. Então, fica aqui contigo até terminar”. Não é uma doçura?
        Outro exemplo de doçura em forma de verbalização é quando ligo para a minha mãe. Quase todas as vezes que telefono, ela me pergunta: “filha, você está comendo direitinho?”  Por que não estaria, fico pensando (eu realmente aprecio uma boa refeição). Sei que, no fundo, ela apenas tem saudades! Mas, como é boa a doçura da preocupação de uma mãe! Não a cobrança, mas a doçura do apoio de quem te ama.
        Doçuras verbalizadas são como presentes materializados. Elas ficam eternizadas! Lembro também de um caso de uma pessoa que estava em profundo sofrimento e veio a falecer poucos dias depois de encontrá-la. Ao me abraçar, ela me deu uma canequinha, onde está escrito “i love you”, e ainda enfatizou: “você merece ser muito feliz!” Apesar de todo sofrimento que ela tinha, foi capaz de transformar meu dia com seu jeitinho doce.
        Pessoas conseguem ser incrivelmente doces (e propiciar momentos de doçura) até quando não as conhecemos muito bem. Lembro-me de um dia estar muito triste e com muita raiva de alguns acontecimentos. E, então, uma pessoa muito querida virou para mim e disse: “não devemos gravar as palavras ditas em momentos de amarguras”. Essa pessoa tinha toda razão! Fiquei tão chocada com a minha incapacidade de digerir fatos mundanos, que comecei a questionar meus melhores sentimentos. Onde está minha doçura, me perguntei? E, então, comecei a procurá-la, todos os dias. Não foi preciso um esforço tão grande para me lembrar de meia dúzia de fatos e de rostinhos que trouxeram o amor num formato tão gratuito que nem é possível descrevê-lo.
        Próximas ou distantes, presentes ou ausentes, pessoas transformam as nossas vidas com toda doçura que lhes é possível oferecer. Às vezes com um olhar, outras com um sorriso. Às vezes, elas apenas nos lembram que a doçura está ali na nossa frente, basta estender a mão para si mesmo. Há sempre o outro lado, que nem sempre vemos.
        Mas, ainda bem que existe sempre “um alguém” mais atento que a gente para abrir nossa cabeça, quando estamos contaminados demais com a “realidade”. Porque a doçura está em cada um de nós ou em uma mordida em um mil folhas. Você é quem escolhe!


p.s: gente, poderia ficar aqui dias contando casos de doçuras. Sou muito grata a todos os que são ou foram doces comigo. Espero ter retribuído a todos, com muita doçura.
p.s1: Bacco (só encontrei em italiano, por que será? Rsssss) http://it.wikipedia.org/wiki/Bacco

1 comentários:

Alloyse, como sempre: uma doçura de texto - me lambucei todo!

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