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quinta-feira, 26 de junho de 2014

Professor de Deus!



        Brinco que no mundo há mais professores de Deus do que Deus gostaria de, realmente, ter tido! Brincadeiras à parte, acredito que exista sim um Deus, mas não um homem de barba branca comprida. Talvez algo (como uma energia) que mova a tudo e a todos e está presente em absolutamente todas as situações ocorridas na Terra (mesmo naquelas em que parece que Ele não estava presente, como em tsunamis, por exemplo).
        Você há de convir comigo que, pensando a partir da perspectiva de que Deus é uma energia (não precisa concordar comigo, apenas acompanhe o raciocínio até tirar suas conclusões), não precisaria de professores, certo?
        Mas, por que tanta gente parece ter feito doutorado em “sabe tudo” e sabe tanto que se Deus, se fosse uma pessoa, consultaria tal pessoa como fonte segura? Estão entre as tentações dos professores de Deus: dizer o que os outros deveriam fazer; corrigir os outros com sarcasmo; ter preconceito por qualquer argumento que não seja o seu. Identificou-se com algum desses casos?
        É muito tentador “dizer que sabe algo” quando se está na era da informação, já que o acesso a fatos e dados é muito, muito fácil. No entanto, acredito que tentar ensinar (ou tentar mostrar que sabe), aos outros, o tempo todo, é um dos meios de extermínio da comunicação.
        Comunicar é tentar trocar informações, estabelecer diálogos. Para isso, é preciso que se escute, com atenção e mente vazia, o que o seu interlocutor está dizendo. E mais, não cair na tentação da reatividade imediata de um “sabe tudo”, que logo dá a sua opinião sem considerar o que foi dito. O foco do problema é esse: não levar em conta o seu interlocutor. Um sabe tudo, em geral, faz isso porque considera que seu ponto de vista é o ideal. Ideal para quem, lhe pergunto?
        Não ouvir o que o outro tem a dizer é não se colocar em pé de igualdade com quem se dialoga (ou se sentir superior), pelo simples fato de que você tem uma informação (talvez extra) em mãos (ops, na boca). Seja honesto, quantas vezes você teve aquela “coceirinha” de dar a sua opinião sobre o fato sem mesmo ter terminado de ouvir a pessoa com quem você conversava?
        Não vejo nenhum problema em discordâncias. Aliás, muito pelo contrário. Particularmente, aprendo, cada vez mais, quando estou distraída com os meus argumentos e alguém chega e fala algo extremamente precioso que eu não havia pensado. Ou quando alguém me dá um ponto de vista diferente, com uma profundidade de argumentos que chega a me chocar. Mas, esse é o meu modus operandi. Não precisa ser o de ninguém.
        Você leva em consideração a pessoa com quem fala? Pode ser a maior besteira o que a pessoa está falando, mas quem disse que seu argumento é sempre o mais correto? Nem mesmo a Ciência ousa dizer que algo é isso ou aquilo definitivamente. Veja o ponto de vista da Ciência em relação aos alimentos, por exemplo: uma hora o ovo é um bom alimento e outra hora é ruim.
        Quando se escuta a fundo o que o outro está dizendo, é possível simplesmente observar um argumento sem se sentir afetado por ele. Você apenas escolhe se lhe é útil ou não. Existe a opção de dizer: considero o seu argumento, mas o meu ponto de vista é diferente do seu (e é bom que você tenha mesmo um bom argumento, porque discordar por discordar é muito chato). Ou ainda, pode-se simplesmente apreciar a opinião do outro, sem dar qualquer parecer.  O que raro tem acontecido, no entanto, é observar esse momento de discordância (ou concordância) sem qualquer afetação melodramática de alguém que vai tentar te catequisar com seus pseudos argumentos.
        Aliás, um dos grandes problemas do excesso de dados é que nem sempre eles são confiáveis. Consultar o Google, por exemplo, como se fosse o Oráculo é não entender a profundidade dos fatos! Existem zilhões de dados no Google que são, sem dúvida, muito úteis. Mas, fazer do Google sua fonte segura para a conversa de bar pode ser um equívoco!   Portanto, acredito, de coração, que não existe espaço para fatalismo em um diálogo, a não ser que se queira valorizar muito o passe (ou se sentir importante mesmo)!
        Existem opiniões diferentes a cada nova situação discursiva e cabe, a você, saber o que fazer com essa informação. Sugiro, apenas, não cair, claro, na tentação de dizer o que Deus faria em seu lugar. Porque, honestamente, nesse momento, Ele certamente tem outras coisinhas pra fazer. 


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Das doçuras da vida...




        Estava parada junto com uma amiga, embaixo do sol, para fazer exatamente isso: celebrar o sol! Em um dos bosques mais lindos de Curitiba, fomos papear depois de muitos meses sem nos ver. Foram horas de tricô até que, finalmente, o cansaço e o tempo de amizade, permitiram contemplar o momento sem nada a dizer.
        Então, quebrando o silêncio, eu disse: vamos comer um doce! Um doce é sempre um presente de Deus! Digam o que quiser, que engorda, que não faz bem para a dieta. Eu discordo! E, então, cada uma, escolheu um mil folhas para saborear. Ao dar a primeira mordida (cada uma), eu entendi que não precisaria esconder a felicidade, afinal, minha amiga estava tendo a mesma reação! Uma sensação de plenitude tomou conta! Por tudo! Por não precisar esconder aquele olhar de criança diante de um simples doce, da doçura do momento em si. E, então, ficamos as duas olhando uma para a outra e rindo da maravilha que é comer um doce inesquecível, em um momento único!
        A vida oferece umas coisas deliciosas quando não estamos esperando nada dela. Quando não somos espectadores de desejos que não nos preenchem. Quando vivemos, apenas! Alguns chamariam isso de momentos mágicos, eu chamo de as doçuras da vida!
        Não é difícil perceber como a vida é doce. Claro, ela não é doce o tempo todo. Mas, se navegarmos apenas em conflitos (o que é muito fácil), acredito que compreendemos apenas uma parte da vida. Ela não seria feita de altos e baixos? E as doçuras da vida não existem para sairmos justamente de um frenesi criado por nós mesmos? Então, por que não aproveitá-las?      
        Brinco que os momentos de doçura, muitas vezes (mas, não é regra), vêm acompanhados de uma comida saborosa! Sei que minha memória afetiva é gastronômica, apesar de não ser a moça do prato cheio! Mas, quantos momentos de doçura existem quando compartilhamos refeições? Existe um amigo meu que toda vez que vou na casa dele digo: Cláudio, você é um insuportável, rsssss! Só tem coisas gostosas aqui! A doçura não está na preocupação de servir bem, mas, em ser tão carinhoso comigo, que às vezes tenho vontade de dizer: Deus, que esse momento não acabe nunca! Que pessoas lindas eu conheço! Não é uma doçura ser recebido com tanto amor?
        A comida, assim como a bebida, invariavelmente é um meio de compartilhar a doçura da vida. Tenho amigos que amam beber comigo. Não beber até cair, mas festejar e comemorar. Eu acredito, realmente, que Bacco merece muitos brindes, porque celebrar e compartilhar felicidade trazem atos de doçura. É claro que não precisamos de bebida nem comida para compartilhar, mas já vou chegar nesse ponto.
        Tenho uma amiga tão honesta, que toda vez que sai para brindar comigo, me economiza dez anos de terapia! Ela sempre escuta, educadamente, minhas historias e lembra-me das besteiras que faço. “Lois, para de acreditar cegamente nas pessoas” – posso ouvir ela falando! E, então fico muito aliviada, porque ela conta causos muito piores e damos risadas. Uma amizade tão franca e honesta (e verdadeira) é quase melhor do que qualquer brinde! É a doçura da vida!
        Acredito que também há doçura em algumas atitudes simples ou palavras ditas... Lembro-me de uma festa de aniversário que, ao ver minha angústia ao cantar o parabéns (eu não gosto desse momento), um amigo me ofereceu o braço para ficar junto comigo. E, então, baixinho, disse: “sei que você não gosta. Então, fica aqui contigo até terminar”. Não é uma doçura?
        Outro exemplo de doçura em forma de verbalização é quando ligo para a minha mãe. Quase todas as vezes que telefono, ela me pergunta: “filha, você está comendo direitinho?”  Por que não estaria, fico pensando (eu realmente aprecio uma boa refeição). Sei que, no fundo, ela apenas tem saudades! Mas, como é boa a doçura da preocupação de uma mãe! Não a cobrança, mas a doçura do apoio de quem te ama.
        Doçuras verbalizadas são como presentes materializados. Elas ficam eternizadas! Lembro também de um caso de uma pessoa que estava em profundo sofrimento e veio a falecer poucos dias depois de encontrá-la. Ao me abraçar, ela me deu uma canequinha, onde está escrito “i love you”, e ainda enfatizou: “você merece ser muito feliz!” Apesar de todo sofrimento que ela tinha, foi capaz de transformar meu dia com seu jeitinho doce.
        Pessoas conseguem ser incrivelmente doces (e propiciar momentos de doçura) até quando não as conhecemos muito bem. Lembro-me de um dia estar muito triste e com muita raiva de alguns acontecimentos. E, então, uma pessoa muito querida virou para mim e disse: “não devemos gravar as palavras ditas em momentos de amarguras”. Essa pessoa tinha toda razão! Fiquei tão chocada com a minha incapacidade de digerir fatos mundanos, que comecei a questionar meus melhores sentimentos. Onde está minha doçura, me perguntei? E, então, comecei a procurá-la, todos os dias. Não foi preciso um esforço tão grande para me lembrar de meia dúzia de fatos e de rostinhos que trouxeram o amor num formato tão gratuito que nem é possível descrevê-lo.
        Próximas ou distantes, presentes ou ausentes, pessoas transformam as nossas vidas com toda doçura que lhes é possível oferecer. Às vezes com um olhar, outras com um sorriso. Às vezes, elas apenas nos lembram que a doçura está ali na nossa frente, basta estender a mão para si mesmo. Há sempre o outro lado, que nem sempre vemos.
        Mas, ainda bem que existe sempre “um alguém” mais atento que a gente para abrir nossa cabeça, quando estamos contaminados demais com a “realidade”. Porque a doçura está em cada um de nós ou em uma mordida em um mil folhas. Você é quem escolhe!


p.s: gente, poderia ficar aqui dias contando casos de doçuras. Sou muito grata a todos os que são ou foram doces comigo. Espero ter retribuído a todos, com muita doçura.
p.s1: Bacco (só encontrei em italiano, por que será? Rsssss) http://it.wikipedia.org/wiki/Bacco

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Por que parece difícil dizer não?



        Você já parou na frente de uma pessoa que lhe faz um pedido, sem saber como dizer “não”? Se isso nunca lhe ocorreu, você não é um humano!
        Brincadeiras à parte, dizer “não” tem sido motivo de sofrimento há milhares de anos. Por isso, não é de se espantar que, em pleno século XXI, com tantas ferramentas de comunicação eficazes e ágeis, ainda é bastante delicado fazer uma negativa.
        Por que se tem medo de dizer um “não”, você já se perguntou? De fato, as pessoas me dizem (e não me convencem) de que é para “não ferir alguém”. Claro, existem inúmeros motivos para se evitar um “não”. Mas, sugiro iniciar por esse: o medo de ferir alguém.
        Quando pergunto às pessoas se elas seriam madrinhas e padrinhos de casamentos de alguém, mesmo não podendo ser ou não querendo, escuto, quase em todas as vezes, que, sim, elas seriam apenas para não ferir alguém. E, então, pergunto, na sequência: mas, você preferiria fazer algo que não quer fazer ou nem pode fazer (às vezes as pessoas não têm dinheiro)? E, então, a resposta é quase sempre sim! E, para ir um pouquinho mais longe, pergunto: quantas vezes você foi verdadeiro com essa pessoa que lhe pede algo que você não quer fazer?
        Em geral, não recebo respostas! E, vou um pouquinho além: quanta honestidade há nessa relação em que você não pode ser você? E, para meu espanto, em geral, recebo a seguinte resposta: nunca pensei nisso!
        Com certeza, é muito duro quando nos pegamos fazendo coisas para “agradar” as pessoas que estão ao nosso redor, sejam elas amigos ou não. Mas, é muito mais duro quando percebemos que não somos capazes de sermos verdadeiros com elas, nem conosco. Acredito que o “medo de ferir” muitas vezes é confundido com a “preguiça de se assumir”.
        E, tenho uma teoria (minha mesmo) sobre esse assunto, que diz assim: não assumimos os nossos posicionamentos quando não somos honestos, nem conosco. Queremos ter papéis, assumir posturas (de boazinhas, por exemplo) e direcionar a culpa para alguém (porque fica mais fácil), quando temos medo de não agradar. É possível agradar o tempo todo? Que chatice! E, além disso, por que é que ser você mesmo não agradaria alguém? Só porque você vai dizer um não?
        Existe uma linha muito tênue entre a verdade e a verdade que queremos passar. Essa segunda é muito dolorosa porque, se não tomarmos cuidado, acabamos virando todos manipuladores. Não poder dizer não, porque, senão, fulano(a) vai dizer não para mim no futuro é manipulação. Não poder dizer não para alguém que me emprestou dinheiro é ser manipulado! Não poder dizer não para quem me deu um emprego ou uma casa, é compactuar com a covardia e assumir a submissão.
        Vale lembrar que quem te deu tudo isso o fez porque assim quis. Não podemos esperar que as pessoas sejam tão conspiratórias e tão manipuladoras quanto a nossa própria mente e, então, acredite na benevolência do mundo. Nem todo mundo quer tirar vantagem! Até porque, quando as pessoas são manipuladoras, nos afastamos naturalmente delas. E quando nós somos manipuladores, as pessoas também se afastam de nós. E, então, vamos chegar a uma outra face do medo de dizer “não”: a maneira como nós enxergamos o amor.
        O amor não é uma moeda de troca. Não existe uma porcentagem x de amor que a pessoa te deu que você terá que retribuir a mesma porcentagem x. Se for isso, é mesquinharia, não é amor. Honestamente, acredito que ter gratidão, nós mostramos com aquilo que podemos mostrar, no momento em que podemos mostrar! Muitas vezes surpreendemos as pessoas não com coisas, mas com posturas. Com amor de verdade, mesmo que venha em formato de um “não”. “Não, amiga, não posso compactuar com o seu ódio”. “Não posso compactuar com suas ilusões”. Não quero ir a seu aniversário porque não gosto de barzinho”. Para mim, isso é amor, porque demonstra que a pessoa se preocupa em ser verdadeiro contigo e não está tentando apenas agradar.
        Então, quando somos verdadeiros o medo de dizer não desaparece.
        Particularmente, acredito que só ferimos alguém quando não deixamos claro quem somos. Não minta, nem para você, nem para os outros. Se você não gosta disso ou daquilo ou não quer fazer, por que continuar insistindo na mentira?
        Existe ainda um outro fator que impede as pessoas de dizerem “não”: a falta de clareza sobre aquilo que se quer. Vou usar uma metáfora para exemplificar: sabe aquele cara com que você sai, de vez em quando, mas não é seu namorado. Daí, você arranja um outro gatinho e o cara fica enciumado. Mas, por que, se não quer assumir um namoro contigo? Então, muitas vezes fazemos isso com as pessoas: “não estou muito certa se quero ir na casa de fulana, mas ainda não tenho outro compromisso em vista. Então, é melhor não dizer “não”. Aliás, é melhor não dizer nada. Aliás, vamos deixar quieto, né? Vou fingir que esqueci, caso arranje outro compromisso!! Não é assim que as pessoas pensam?
        Pois, é. O nome disso é falta de respeito! Se você não sabe o que quer com as pessoas, por que as aborda?
        Portanto, não vejo motivos para não dizer “não”. Tudo pode ser dito com carinho e amor e palavras suaves que, tenho certeza, existem no seu vocabulário. Tem horas que você vai errar no tom das palavras, nos gestos ou tentar encontrar justificativas demais para o seu “não”. Não tem problema! Somos humanos!
        O único problema é: por que “não” tentar ser honesto? 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

< ou > que




        Seja honesto! Quando você se olha no espelho, se compara a quem? Ou ao quê? Essas são perguntas difíceis, especificamente, para mulheres. Em um mundo onde as comparações estão em todos os lugares é muito difícil não cair na tentação de se comparar a alguém.
        Convido, então, o leitor(a) a fazer uma voltinha pelo tempo junto comigo para tentar descobrir (ou pelo menos levantar pistas) sobre por que é que as pessoas se comparam.
        Particularmente, acredito que a comparação se confunda à própria história da humanidade. Dizem os especialistas em informação – em especial os pesquisadores que buscam entender por que elas são tão essenciais na vida das pessoas - que seria impossível viver sem se informar, assim como Robson Crusoé fez, durante um tempo, ao morar em uma ilha. E isso se deve ao Instinto de Percepção, tão comentado entre os estudiosos no assunto. Não gosto de fazer citações em blog, mas aqui é necessário. Segundo Kovach & Rosenstiel, “as pessoas precisam de informação por causa de um instinto básico do ser humano, que chamamos de Instinto da Percepção. Elas precisam saber o que acontece do outro lado do país e do mundo, precisam estar a par dos fatos que vão além de sua própria experiência. O conhecimento do desconhecido lhes dá segurança, permite-lhes planejar e administrar suas próprias vidas”.
        Portanto, ter informações é ter referência para olhar para si mesmo! E ainda bem que elas existem, porque algumas atividades realizadas na atualidade são feitas, na verdade, há milhares de anos. Por exemplo, ninar uma criança para dormir é uma atividade que sempre existiu entre os humanos! Como uma pessoa saberia em que período de tempo se está se não fossem os costumes, roupas, jeitos, trejeitos, músicas e todas as “novidades” trazidas pelas informações de cada época? Na Antiguidade, imagino que ninar uma criança seria um ensinamento passado de mãe para filha, o que ocorre até hoje. Com a diferença que, além da família, as mães da atualidade têm à sua disposição uma infinidade de outras informações, como revistas, jornais, canais pagos e abertos, tutoriais na internet que mostram como fazer isso.
        Então, o que seriam dos pobres mortais sem uma mísera referência? O que questiono, no entanto, é o que a referência tem a ver com a comparação?  São coisas muito distintas, a meu ver, mas que na prática se aproximam quase que o tempo todo para a mente humana. Quem nunca olhou uma revista, assim do nada, e encontrou uma mulher linda e pensou: nossa nunca vou ser assim! Ou aquele gato que você bate o olho na revista e pensa: meu Deus, por que o namorado não é assim? Isso é comparação e não referência. Particularmente, acredito que comparar é usar a referência sem saber, exatamente, o que fazer com ela. Nossa, existe essa referência no mundo, quero ela! Mas, quantas referências sobre o mundo servem de “comparação” para aquilo que você deseja para si mesmo?
        Quando se vive em uma mundo extremamente comunicativo, onde há novidades vindas de todos os cantos, é muito fácil de se perder no meio de tantas informações. É muito fácil de se perder! Qual é a referência que se tem de si mesmo? Quanto mais alguém se deixa levar pelos modismos, tendências, mais facilmente estará olhando para o conjunto (sociedade) e não para si! E aí, claro, começam as comparações: quero aquele peito, aquele carro, aquela boca, aquele trabalho, aquele, aquele, aquele...
        E o mais grave não é apenas fazer a comparação para si. Se você quiser ter o rostinho da Angelina Jolie, manda ver!  O problema é que quem se compara, também tende a “comparar” as pessoas como se fosse possível tabelá-las. Fulana é gorda, ciclano é magro. E, fatalmente, tentará enquadrá-las em padrões (ou tendências, se preferir). E é aí que mora o perigo! Quando alguém se acha maior ou menor que alguém, por qualquer comparação que tenha feito, usará dessa comparação com os familiares, colegas de trabalho e todos os demais. E aí, começam as comparações de comportamentos mesmo: não casou? Não fez faculdade? Não está trabalhando em uma mega empresa? As pessoas não deveriam ser valorizadas pelo o que elas são e não pelo o que elas possuem?
        Lembro de uma situação (uma conversa no elevador) em que uma moça estava aflita porque o noivo não lhe respondia pelo inbox do Facebook. E durante a subida do elevador, ela estava xingando o noivo para a amiga. Até que a amiga perguntou: “sim, mas você já ligou para ele?” E ela: “não, ele vai ter que falar comigo por lá mesmo”.
        Comparar maneiras de “se comunicar”, em um mundo tão comunicativo, é o primeiro sintoma de quem não entendeu o que é referência e o que é comparação. Por que é que as pessoas têm que ser do jeito que você quer? Não é possível observar os cenários, o e jeitão das pessoas, antes de julgar? E para que julgar, não é mesmo? Não vou entrar mais nesse debate porque a comparação é uma extensão da reflexão sobre a expectativa, que escrevi semana passada. Quem não compara, não cria expectativas.
        O que me deixa triste, na verdade, é que as pessoas não param de olhar para fora na tentativa de serem melhores para si mesmo. Tudo bem, você irá precisar de referências para viver. Mas, será que as pessoas não percebem a beleza de serem quem é? O valor que tem em ser um ser humano único? 
        Se você permite ser você mesmo (mesmo fora do cardume) exercerá mais facilmente o respeito por entender uma coisa muito básica: permito ser quem eu sou e permito que você seja quem é!
        Sem aquele papo de ter que ser maior ou menor que alguém.
        Que tal hoje, ser você mesmo, sem comparações?