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Treinamento para falar bem na mídia, palestras, reuniões e vídeo aulas.

Comunicação como ferramenta

Conheça os benefícios de uma comunicação mais eficiente.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Expectativa

Toca o telefone:
        - Sra. Alloyse?
        - Sim, sou eu?
      - Estou procurando uma pessoa para fazer um serviço X e me         indicaram a senhora.
        - A senhora está no céu, rssss! - brinquei.
        - Pois, é. Quando a senhora (o interlocutor não entendeu a brincadeira!) pode começar?
       - Fulano, eu agradeço o seu contato, mas não faço esse serviço nesse momento. Posso indicar um profissional de confiança, tudo bem?
        - Como assim não faz o serviço?
        Respirei, fundo, por uns 10 segundos. Pensei: nossa, essa pessoa está com muita expectativa, né? Então, depois da pausa, disse:
        - Olha, há um ano e meio, mais ou menos, optei por ter minha empresa. São escolhas de vida, entende?
        Normalmente, não justifico minhas escolhas (afinal, são minhas), mas achei por bem explicar para simplificar a questão e encurtar a história.
        - E a senhora não vai voltar a fazer esse serviço?
        Geralmente, não respondo uma pergunta com outra pergunta. Mas, foi inevitável:
        - Qual a urgência do senhor para esse serviço?
      - Não tenho urgência. Só quero saber se você vai voltar a fazer! (bom, agora ficou explícito a curiosidade de uma pessoa que nem se apresentou a mim e que queria filosofar sobre as escolhas de minha vida).
        - Sei, eu disse. Anote, por favor, o telefone do profissional que vou passar.
        - A senhora não vai mesmo fazer o trabalho – perguntou, atônito!
        - Meu senhor, aprecio esse serviço, mas não o desenvolvo nesse momento, porque estou focada em outras coisas (perceba que é a segunda vez que repito a mesma informação). O senhor gostaria que eu lhe passasse o telefone da profissional? Do outro lado da linha escuto o bip, bip, bip do telefone. Desligou.
        Não é incomum situações, assim, ocorrerem no cotidiano das pessoas. Principalmente, quando o assunto é oferecer um serviço ou produto. Quem nunca passou aperto com um cliente?
        Dizem as estatísticas (e a prática comum também), que os consumidores estão cada vez mais exigentes, o que é um ponto positivo para os brasileiros. No entanto, junto com uma leva de pessoas que querem melhores serviços, também há os “exigentes sem causa”, aqueles que acreditam que, porque estão pagando, podem falar qualquer coisa ou dispender o tratamento que quiser. Não é bem assim, né? Aliás, esse é um limiar muito tênue: o que se quer e o que os outros podem oferecer.
        Particularmente, acredito que isso só ocorre com os produtos e serviços porque,  na vida real, íntima e familiar, as pessoas também da mesma maneira. Exigem que os outros dispendam atenção na hora em que eles querem. E exigir atenção, pode ser lido de várias maneiras. Vou dar minhas interpretações: querer que as pessoas compartilhem de seus momentos bons ou ruins sem perceber se as pessoas podem fazer isso; querer que o outro esteja na mesma vibe que você (se você está triste ou feliz e quer que o outro também esteja), ou ainda querer que as pessoas correspondam a suas expectativas.
        Opa! Esse é um ponto bem importante. Ter expectativa é criar um cenário de esperança pautada nas suas necessidades e não na realidade. O dicionário Michaelis traz uma definição da palavra expectativa, que acho muito apropriada: “esperança, baseada em supostos direitos”. É isso mesmo! Supostos direitos! Por que se acredita ter supostos direitos quando se interage com alguém? Por que você acredita ter o suposto direito de ter a atenção quando se quer ter, sem avaliar o que está acontecendo em sua volta?
        Agora, fale a verdade. Quantas vezes, nas situações corriqueiras, se exige dos outros aquilo que nem se tem certeza de que se quer realmente? Vou dar um exemplo: você quer porque quer um produto em uma loja, fica cheio de expectativas, e sai do comércio aborrecido porque não encontrou o que queria. Passam-se alguns dias, e aquilo que você tanto queria já não faz mais sentido.
        O problema é que, de modo geral, se atribui expectativas não apenas à coisas, mas às pessoas também. O que, honestamente, acredito ser uma grande ilusão.  Talvez você não esteja percebendo o que as pessoas podem, efetivamente, te oferecer. E aí, criam-se paixões mentais pautadas em mentiras que você criou para si mesmo: a pessoa vai fazer isso por mim porque eu quero ou porque eu posso pagar por aquilo que essa pessoa pode fazer por mim.  
        Por isso, digo (em quase todos os textos desse blog e como um mantra) que a comunicação só funciona bem quando se entende qual é a real intenção que se tem ao abordar alguém! O que você pretende ao interagir com uma pessoa ou um grupo? Que tipo de pedidos você está fazendo a essa pessoa? Como você realiza essa abordagem? E mais: será que aquilo que você está pedindo faz sentido para a pessoa que você abordou? Há uma frase no livro Comunicação Não-Violenta (Marshal Rosemberg) que acho muito pertinente para esse texto e que diz assim: “quando não somos claros quanto à resposta que desejamos, podemos iniciar conversas improdutivas que terminam sem satisfazer as necessidades de ninguém.” A honestidade na intenção ao abordar alguém é o princípio básico para evitar conflitos. O que você quer do seu interlocutor? Seja, primeiramente, honesto com você!
        Sou a primeira a defender a atenção (a presença), a compaixão e também o amor naquele momento em que se está com um cliente ou qualquer pessoa que se esteja interagindo. Tento, de coração, mostrar como as pessoas com quem interajo fazem a diferença em minha vida e como sou grata. No entanto, dar atenção, não pode ser confundido com “resolver caprichos”. Querer atenção naquele momento só porque se quer não é uma troca justa, não é verdade? Por isso, já faz um certo tempinho que tento ter consciência ao abordar as pessoas: como estou interagindo com elas e elas comigo? É um exercício difícil, mas muito produtivo.
        Por isso, hoje, convido a todos a começarem a entender suas expectativas em relação aos outros. Sem endeusar ou minimizar ninguém. Acredito, realmente, que as pessoas estão fazendo o seu máximo, por isso, entenda-as apenas como elas são.



quinta-feira, 22 de maio de 2014

A Comunicação e o Empreendedorismo

        Uma das definições para o verbo empreender é “resolver-se a praticar”[1]. Achei essa definição bastante próxima da realidade do empreendedorismo brasileiro. Para ser empreendedor é necessário ter uma série de habilidades como visão, por exemplo. E perspicácia para enfrentar os obstáculos mais inesperados possíveis – apesar de todo planejamento.
        Tenho chegado à conclusão de que o brasileiro é mesmo corajoso porque, para empreender, é preciso muita coragem. Em uma nação onde 27% da população[2] adulta são empreendedores, só posso concluir que temos quase 30% de brasileiros que adoram um desafio.
        No entanto, particularmente, acredito que a palavra que mais se encaixe ao perfil do empreendedor é persistência. Como é preciso ser persistente para continuar em frente! Claro, é preciso uma série de coisas, como inovação e planejamento também. Mas, persistência é uma palavrinha que todo empreendedor conhece. E é por isso que hoje vou contar uma história de persistência e sucesso.
        Há uns dois anos, subi dois lances de escadas de um prédio e adentrei o primeiro espaço coworking de Curitiba. Um local charmoso, modesto e com um ar cool. Lá estava o dono do local, André Pegorer. Um rapaz novinho (aparentava ter mais ou menos a minha idade), com um olhar bem profundo e uma voz mansa que tranquiliza até os mais agitados. Quando cheguei, ele estava varrendo o chão. E, então, parou o que estava fazendo para me apresentar o local. Fiquei muito feliz com a visita e nunca mais parei de ir ao Nex.
        André conseguiu, em poucas palavras e com toda sua diplomacia característica, me explicar o que era um espaço coworking. Para alguém como eu, que sempre teve um destino certo de trabalho (ou seja, fui empregada durante 15 anos), entender essa nova dinâmica de trabalho pareceu-me um pouco estranha em um primeiro momento. Mas, André logo me advertiu: “além de um escritório, o ambiente de coworking é um local muito bom para se fazer networking, conhecer gente nova e fazer amigos”. Ele estava certo em tudo. Enquanto estive no Nex (não deixei de ir lá, apenas mudei de cidade), troquei serviços com outros empreendedores, ganhei clientes e conheci pessoas maravilhosas, que hoje são meus amigos. O que me chamou a atenção, dois anos atrás, era que, em Curitiba, ter um espaço coworking poderia ser um grande risco. Inaugurar um produto ou serviço novo é sempre um risco.
         Lembro-me do André dizendo, naquela época: “eu tenho que varrer o chão, lavar a louça, trocar a lâmpada, arrumar os móveis, cuidar da contabilidade, receber as pessoas, tudo sou eu que faço.” E, foi, então, que, dois anos depois, eu vi o resultado de tanta persistência. O Nex vai mudar de endereço e se torna o maior espaço coworking do país. Além disso, planeja abrir filiais no Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Porto Alegre e Belo Horizonte.
        No ano passado, André participou como painelista na quarta edição da Conferência Europeia de Coworking, Barcelona, na Espanha. O evento reuniu empreendedores de mais de 40 países que, durante quatro dias, debateram sobre as novas formas de trabalho e novos modelos de negócios baseados em colaboração e inovação.
        E, como o André é um baita empreendedor, convidei-o para um bate papo sobre empreendedorismo e comunicação, claro.

-      Para começar, uma curiosidade minha. Por que você escolheu ter um espaço coworking? Quando ocorreu essa escolha?  E o que você fazia antes de ser empreendedor?
Antes de empreender com o Nex, trabalhei em diversos projetos no terceiro setor e no poder público. Gosto muito dessas duas áreas. No início de 2011, encerrei um ciclo de trabalho no Governo do Paraná e tomei a decisão de empreender na iniciativa privada. A primeira ideia era um negócio de consultoria nas áreas de comunicação e sustentabilidade. Comecei a trilhar esse caminho, me preparar. Durante esse processo, conheci o conceito de coworking e me encantei. Três meses depois, iniciei a operação do Nex em Curitiba.

-      Nossa, três meses! Uau! Bom, já são três anos de Nex, muito intensos. Conte para o leitor, como foi essa trajetória até aqui?
Muito intensos mesmo! Abrir um negócio é uma experiência muito nova pra mim. Quando você toma essa decisão, precisa entender que vai passar por muita coisa ao mesmo tempo. Desde reorganizar as finanças pessoais, porque cada centavo conta, até liderar uma equipe de uma pessoa só ou aprender a lidar com a incerteza. A responsabilidade é grande, às vezes pintam dúvidas, mas a jornada é muito prazerosa.

Nos primeiros dias de operação eu tinha um escritório lindo, mas vazio. Dava um grande frio na barriga. Devagar, os primeiros coworkers foram chegando, os primeiros contratos sendo assinados. De repente, a primeira funcionária, a segunda, a terceira. É quando você se dá conta de que tem uma equipe, uma série de clientes e, no nosso caso, uma comunidade incrível. Você percebe que tem uma empresa funcionando e gerando impacto. Essa sensação é muito boa.


-      Em algum momento você pensou em desistir ou teve medo de não dar certo?
Tive medo em vários momentos e, em alguns, desistir foi uma hipótese. Aliás, esse é um dos grandes aprendizados da minha caminhada até aqui. Penso que numa jornada empreendedora não há espaço para valentões, aqueles caras que batem no peito e dizem que não têm medo de nada. Esses são inconsequentes. Acredito que o que há é espaço para quem tem dúvidas e, ainda assim, segue em frente. O medo existe, mas o propósito e a crença são muito maiores e te lançam com uma intensidade tão boa no caminho, que a hipótese de desistir fica cada vez mais remota.

-      Coworking é uma palavra em inglês que traduz um sentido de “trabalho compartilhado”. Essa é uma tendência que veio para ficar? Compartilhar espaços, ideias e projetos é o futuro presente?
Sim, tenho plena convicção. Se você parar o que está fazendo agora e olhar pela janela, o que vai ver é que há um mundo novo florescendo. Estamos em uma mudança de era incrível e vem muita coisa boa por aí. E o que adoro nisso tudo, é que essa nova era no trabalho e nos negócios está resgatando valores humanos muito importantes.

Um escritório compartilhado, enquanto negócio, resolve um problema muito simples: tira as pessoas do isolamento. Quantas pessoas você conhece que, por muito tempo, desejaram poder trabalhar um home-office e, quando isso aconteceu, entraram em parafuso? Ficar sozinho por muito tempo é péssimo para as pessoas e para os negócios. O mesmo acontece com as empresas. Quando elas se isolam, não inovam e, se não inovam, morrem. Estamos aqui pra ajudar a resolver esse problema.

-      Como você observa hoje o cenário do empreendedorismo no país?
Quando falo em uma nova era, vejo isso também no cenário empreendedor. Conhecemos gerações inteiras que cresceram com a cultura de que arrumar um emprego é segurança e empreender é insegurança. Me parece que este paradigma está caindo e isso é ótimo. Estamos inaugurando um tempo em que as pessoas escolhem as empresas e não o contrário. É um reposicionamento no eixo das escolhas, colocando o ser humano acima das instituições. Isso favorece o empreendedorismo, encoraja.

Vemos os movimentos de formalização de empreendedores que por muito tempo trabalharam na economia informal. Vemos os movimentos de startups e a criação de ecossistemas de empreendorismo e inovação. Vemos instituições e empresas criando programas internos para estimular internamente a jornada empreendedora. Tudo isso cria um ambiente muito favorável.

Por outro lado, vejo dois desafios muito claros e para os quais ainda não encontramos resposta. O primeiro é na educação. O modelo educacional brasileiro - público e privado -, salvo raras exceções, não prepara empreendedores. Você entra em uma faculdade e não é estimulado a correr riscos, a tomar decisões. Aí essa formação precisa vir depois e perdemos um tempo precioso. O segundo problema é marco regulatório. Acho que já avançamos muito nesse sentido, mas ainda é muito difícil abrir uma empresa, dar os primeiros passos. A legislação e a carga tributária ainda afastam muita gente da decisão de empreender. Precisamos dar passos mais largos no sentido de simplificar esses processos.


-      Eu citei algumas habilidades que os empreendedores devem ter, como inovação e persistência, por exemplo. Quais características você acredita que todo empreendedor deve ter?
Vou começar por uma que acho desnecessária: talento. As pessoas dizem que é preciso talento para empreender. Não é verdade. Você não precisa ter um talento especial, precisa ter coragem. É isso que te leva longe. Vejo isso em vários empreendedores e, esses dias, vi isso ser muito bem colocado em uma aula da Perestroika (uma escola que todo empreendedor precisa conhecer).

Outra característica que considero super importante é resiliência. O conceito vem da física e vale a pena pesquisar melhor. Mas, em síntese, é a capacidade de passar por problemas e sair deles mais forte do que entrou. Quando você empreende, enfrentar problemas vira uma rotina. Você erra, cai, fracassa. Se você é resiliente, tudo isso é importante para que você possa crescer.

-     Concordo com você. Ninguém precisa ter talento para empreender, precisa coragem mesmo. Mas, continuando, vamos falar um pouquinho de comunicação: você é uma pessoa bastante diplomática. Como a comunicação pode ajudar ou atrapalhar o empreendedor?
Penso que em uma jornada empreendedora é preciso se relacionar bem com as pessoas. Tem uma série de valores importantes aí, como transparência, honestidade, paixão, cuidado. E a comunicação é a ferramenta para dar forma a esses valores.


-      Como comunicadora, uma das coisas que observo é que, nem sempre, os empreendedores dão importância real à comunicação. E quando falo comunicação não estou falando apenas sobre marketing ou “como fazer com que minha empresa se destaque na mídia e nas redes sociais”. Estou falando sobre comunicação pessoal mesmo. Vejo gente investindo pesado em maquinário e estrutura física da empresa, mas não sabe ter uma conversa interessante com um cliente ou não sabe, simplesmente, abordá-lo. Como você observa essa situação?

Concordo plenamente. Em um negócio, quando você está vendendo e entregando um produto ou um serviço, as pessoas precisam perceber claramente os seus valores, o que você pode agregar, o impacto que você pode gerar. Isso vai fazer com que elas se sintam bem. Se você tiver tudo isso, mas não comunicar, vai ter dificuldade.

E por comunicação, entendo desde definir bem toda a sua estratégia de marketing, seu posicionamento, a descrição do seu negócio até o saber olhar nos olhos e dizer as palavras certas. Sem comunicação você não se relaciona. Se não se relacionar, fica sozinho. E se ficar sozinho, não vai longe.

-   E para encerrar: como o André empreendedor imagina o futuro do empreendedorismo no país? Ou no mundo?
Confesso que não gosto de falar muito sobre o futuro. Acredito que o futuro é uma consequência natural e inevitável do que estamos fazendo hoje. Pra mim, a caminhada é muito mais excitante que o destino.

O que estamos vivendo em termos de jornada empreendedora, no Brasil e no mundo, é algo muito grande. A tecnologia dá poder às pessoas, facilita a colaboração. E quando as pessoas se conectam entre si, on-line e off-line, coisas incríveis acontecem. E o que me anima é que as pessoas estão usando isso para o bem. Todos os dias ficamos sabendo de um novo negócio que gera grande impacto, e isso acontece em todos os cantos. Não tem como não se apaixonar por esse novo mundo que estamos construindo.

André, me sinto muito grata por você compartilhar com a gente os seus conhecimentos. Fiquei emocionada com a última frase que você disse. Por isso, a destaquei na sua resposta. Prosperidade e sabedoria são as palavras que desejo ao Nex! E a todos os empreendedores também!

Para quem quer conhecer um pouquinho mais sobre o André:

André Pegorer  é empresário e jornalista. Fundador do NEX Coworking e Inovação, empresa de escritórios compartilhados que atualmente conta com uma unidade em Curitiba e outra em Cascavel. Junto com um grupo de investidores, até o final de 2016 pretende inaugurar outras cinco unidades no Brasil. Desde 2001, utiliza ferramentas de colaboração em projetos de governo, organizações sem fins lucrativos e empresas privadas.  Foi palestrante do painel Colaboração entre espaços de coworking, na 3ª Conferência Europeia de Coworking em Barcelona.





Para quem quiser conhecer o NEX: NEX COWORKING!
p.s: Leitor, alguns dados interessantes sobre empreendedorismo:



[1] Definição do dicionário Michaelis.
[2] Referência: http://exame.abril.com.br/pme/noticias/brasil-e-o-terceiro-maior-pais-em-numero-de-empreendedores


http://dnacomunicativo.com.br/produtos/




quarta-feira, 14 de maio de 2014

O som do silêncio

                Já parou para pensar em quanto barulho você escuta ao longo de um dia? Pela constatação óbvia, muitos não?
        Uma das características da nossa era é o excesso de informação, e junto com ela, vem outra: uma enxurrada de estímulos sonoros.
        Quase tudo o que rodeia as pessoas, hoje em dia, tem som. O seu celular emite uma infinidade de sons. Ainda tem a televisão, o Ipod, o som dentro do carro, qualquer loja tem música ambiente. Tem o barulho do trânsito, dos elevadores de prédio (sim, porque o elevador do prédio onde moro parece esconder um Tiranossauro Rex no fosso). Em alguns supermercados existem aparelhos de TV que transmitem as programações de notícias. Há televisões também dentro dos ônibus de transporte coletivo, em algumas cidades. Há músicas (nem sempre de qualidade) dentro dos ônibus.
        Há som nos restaurantes e barulho de gente conversando. Alguns ainda oferecem, som (ao vivo ou gravado).
        Já tentou trabalhar em um café? O barulho da máquina do expresso chama a atenção de qualquer um. Tem também o barulho dos pratos, das pessoas arrastando as cadeiras. Famílias inteiras falando alto. Há músicas até nos parques, por meio da caixas de música espalhadas. Há som dentro de algumas igrejas.
        Essa parece ser mesmo a era dos estímulos! As pessoas são estimuladas a tudo: a comer mais, a trabalhar mais, a se preocupar mais com tudo (saúde, família, segurança, sexo) e acabam recebendo estímulos auditivos também cada vez mais.  E essa constatação não me soa como música para os meus ouvidos!
         Há duas décadas, lembro de ouvir a minha respiração ofegante voltando do treino de futsal. Eu podia ouvir o meu coração bater muito forte, parecendo que ia sair pela boca. E, então, ficava ouvindo, durante muito tempo uma composição inesperada ritmada pelas batidas do meu coração e pela respiração que tentava acompanhar bravamente, algumas vezes, sem fôlego. Quando o treino era em um ginásio, tinha que caminhar ainda mais um pouquinho até chegar em casa. Para o meu deleite, ouvir que o meu coração ia se acalmando conforme as quadras iam ficando para trás, era recompensador, quase um alívio. Era sinal de que iria ter fôlego para o treino do dia seguinte!
        Há duas horas, não consegui ouvir o que uma pessoa tentava me falar ao telefone, enquanto cruzava uma rua. Eu dizia “alô, alô”, e a pessoa no fundo dizia: “não te escuto”. Eu não tenho dúvidas disso.
        Tenho um pouco de saudades - e olha que não sou saudosista -  daquele momento em que eu podia me acalmar ao ouvir que meu coração ditaria um novo ritmo, conforme os sons das passadas. E tenho a sensação que hoje “o mundo” me oferece tantos estímulos sonoros que “se ouvir” teria se tornado uma prática incomum (quase uma esquisitice).
        Será? Mas, esse não é o grande ensinamento de qualquer ciência que fala sobre o bem estar? Não é isso que prega qualquer filósofo? Que diz o pessoal da Yoga? Que falam os grandes gurus? Não é isso que prega a sua mãe? “Filho, escute o seu coração”, não é isso que elas falam?  Se ouvir? Se interiorizar?
        Acredito que a era do barulho pode ser bastante estimulante em um primeiro momento. Mas, e quando o estímulo passa? Não seria necessário outro estímulo e outro e mais outro?
        O que acho contraditório da era dos sons é que cada ser já tem dentro de si tanto barulho que vem de fora (e de dentro mesmo), que questiono por que é que as pessoas querem se encher de mais sons? É evidente que eles são completamente necessários para a vida e manutenção dos sentidos. Mas, será que tantos estímulos auditivos não estariam encobrindo ou até apagando alguns sons mais simples, como o barulho de pássaros, o de andar na rua, os saltos que caminham sobre o piso de madeira? Ou até mesmo fazendo apagar a singeleza dos sons dos pensamentos?
        Confesse, qual foi a última vez que você escutou os seus passos?
        Por isso, hoje, proponho o som do silêncio. Isso mesmo. Desligue-se de tudo, sente-se em seu sofá ou um lugar bem confortável e observe. Faça companhia a si. E descubra a agradável sensação do não estímulo! De não conversar, de não interferir a uma provocação sonora. Apenas escute o seu redor.
        E, o melhor, escute-se, apenas! E, se conseguir, deixe que o silêncio tome conta de si, tirando qualquer barulho que você, no estímulo de seus pensamentos, possa produzir.
        Perceba o som do silêncio!







P.s: gente, o título não tem nada a ver com a maravilhosa música Sond of Silence, de Simon e Garfunkel. Não vou postar a música aqui porque quero que você fique em silêncio.

terça-feira, 13 de maio de 2014

A comunicação e as vendas!

Pessoal, mediarei um bate papo sobre a importância da comunicação nas vendas! Vai ser no Instituto Keynes, em Londrina!! Venha trocar informações com a gente e enriquecer esse debate!! Dia 19. Vagas limitadas!!

Mais informações CLIQUE AQUI

Te espero.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Quer escrever para blogs?

Mas, não sabe por onde começar?
Então, não perca esse curso que eu vou dar, dia 17 de maio (próximo sábado) só sobre textos para blogs.
Não vai perder! É gratuito e online. 
Todas as informações (e também a inscrição) CLIQUE AQUI
Aguardo você!






quinta-feira, 8 de maio de 2014

Pré-conceito!

        Um dos grandes mistérios da vida é entender aquilo que não é igual a você! Ser diferente não é apenas um ponto de vista aceito como se fosse uma mostra de produtos variados (ou até excêntricos) vendidos em Camden Town[1] (Londres). Até porque, particularmente, penso que seria muito mais fácil ser diferente em Londres do que em qualquer outro lugar do mundo.
        Falo isso porque a “diferença” entre o que você é e aquilo que espera das pessoas pode, de verdade, ser um abismo. Sei que a palavra abismo soa um pouco pesada demais. Mas, convido você a colocar, em prática, o seu olhar diante do diferente. Como você reage àquela pessoa que te incomoda muito? E ela te incomoda por quê? Pelo jeito dela se vestir? Você não gosta dos amigos dela? Você não aprecia suas escolhas de vida?
        Vou te dar uma forcinha nesse exercício! Sei que você vai dizer que não faz julgamentos sobre os outros e, num mundo correto, você aceita todas as tribos, todas as maneiras de ser das pessoas e formas de sexualidade. Sei! O Facebook está repleto dessas mensagens bonitas de pessoas dizendo que “quer um mundo melhor” e que acha um absurdo esse tal de “pré conceito” sobre os outros. Mas, na prática, você já se observou fazendo pré-julgamentos em relação aos outros?
        Vou pontuar uma coisa bem importante antes de dar continuidade ao exercício da observação sobre o diferente. A palavra “julgamento” muitas vezes é mal interpretada. Se for pesquisar no dicionário, julgamento nada mais é do que analisar antes de dar um parecer, assim como o juiz faz. Você já viu um juiz dando uma sentença sem antes “julgar” um caso? Então, julgamento é a análise diante de algo. Análise!
        Agora, no caso do diferente que você não gosta (pode ser um assunto religioso – porque sempre dá polêmica), já se questionou por que não gosta?
        Assim como existe nas Redes Sociais um monte de mensagens compartilhadas sobre o comportamento que os outros deveriam ter, existe também uma série de prejulgamentos sobre os outros. Ah, agora a história ficou um pouco diferente!
        Digo isso porque observar as pessoas falando é o meu exercício diário. Não apenas porque a comunicação é a minha área, mas porque adoro o comportamento humano e a melhor maneira de se observar o “jeitão” de alguém é deixando essa pessoa falar.
        Ocorre, no entanto, num mundo moderno cheio de ferramentas que permitem a expressão, que nem sempre as pessoas estão, realmente, observando o discurso do outro. Estão pré-julgando!
        Eu diria que a pior maneira de se conhecer alguém é observar o Facebook dessa pessoa. Não me dou ao trabalho de entrar na página de ninguém porque, honestamente, se quero conhecer alguém vou pessoalmente até essa pessoa (ou no máximo, faço um Skype) e tento entender quem ela é.
        Mas, sei que está virando regra as pessoas “lerem” os outros numa passada de olhos no Facebook. Fiquei em choque esses dias quando uma “conhecida” chegou perto e me disse: “fulana é uma trabalhadora, pena que é lésbica. Vi uma foto dela no Facebook beijando uma moça.” Outra coisa que ouvi também foi algo assim: “eu sei que fulana tem um caso com ciclano só pela maneira como estão abraçados naquela foto que vi no Face”.
        Eu tive que rir. E, então, perguntei: “mas, você não vai lhe perguntar se ela realmente tem um caso com o colega de trabalho?”. A resposta foi: “capaz! Não faria isso”. E, então, retruquei: “sei, então você acha que a moça tem um caso no trabalho, faz um pré-julgamento e vem me contar como se você estivesse falando da qualidade da maçã na feira de quinta?”
        Onde quero chegar? Acredito que o pré-julgamento sobre o diferente, sobre aquilo que nem sempre é possível entender ou que parece um pouco difícil de digerir sempre existiu na história da humanidade. Mas, é aí que todo mundo (me incluo nisso) deve prestar atenção! E entender: por que é que eu não sei lidar com “esse” diferente? E ainda fazer um exercício de análise e observação. Talvez não se chegue a nenhuma conclusão. Mas, tenho certeza de que, numa próxima vez em que você cruzar com “esse” diferente, não será tão estranho assim.
        Agora, é uma pena pensar que a não análise sobre o diferente (que sempre existiu) se intensifica muito com as Redes Sociais. Se a pessoa viaja, é rica. Se tem um namorado, não é encalhada. Se aparece de saia curta, não tem boas intenções.
        Apesar das inúmeras possibilidades de expressão do ser humano, nunca se foi tão taxativo e tão pouco analítico sobre as pessoas, fatos e coisas. E não me venha com aquele discurso vazio de que as pessoas que se expõem merecem ser julgadas. É evidente que existem pessoas que se expõem de maneira abusiva. Mas, cabe a quem prejulgar?
        Então, o que você tem feito? Tem observado o diferente ou prejulgado? Como anda o seu pré-conceito?





[1] Quer conhecer um pouquinho de Camden Town? Acesse:
http://mapadelondres.org/2011/04/camden-town-aqui-o-estranho-e-voce/





segunda-feira, 5 de maio de 2014

Problemas com e-mail na sua empresa?

Olá, pessoal.
No próximo sábado, dia 10, vou ministrar um curso só sobre e-mail.
Isso mesmo!
Devido a demanda e tantos questionamentos de clientes e também ouvintes da Bandnews (tenho uma coluna na rádio toda quarta-feira, sobre comunicação - Clique aqui para ouvir os podcasts) que sempre me perguntam como usar a comunicação de maneira eficaz nos e-mails, resolvi fazer um curso só sobre o tema. Você não pode perder. O curso vai ser, boa parte, prático! 
O curso vai ser realizado na Admita RH, em Londrina. Quem quiser se inscrever, Clique aqui no site da Admita para se inscrever!

Aguardo vocês!