Marcadores

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Entro em um acordo contigo!

        Uma das frases mais lindas da música escrita por Caetano Veloso, Oração ao tempo, fala assim: “quando tempo for propício”! E quando tempo é propício? Quem não está correndo contra o tempo? Tempo é sempre propício!
        Lembro-me uma vez quando era mais novinha e tinha um namorado estrangeiro que, assim como seu passaporte, teve prazo de validade. Acabou o seu tempo! Exceto para o meu coração, naquela época. E, então, eu escutei minha avó dizer: “o tempo cura tudo, filha!” Aos 23 anos você não quer acreditar nisso! Aliás, ninguém quer acreditar que é preciso esperar a vida “decantar” assim como acontece com os vinhos. É assim com a nossa vida também! O tempo cura realmente tudo!
        Passaram-se muitas estações, invernos e verões, até eu entender que tempo é a comunicação da sabedoria. O tempo não é a cura das feridas das nossas vidas! O tempo é o sabor que damos à vida.
        Olhe para trás: como você passou o seu tempo? Eu tenho tantas histórias dentro do meu tempo de 35 anos que, de vez em quando, tenho a sensação de ser uma velhinha acomodada na sacada de um prédio rústico de dois andares (uma velhinha bem charmosa, devo dizer, rssss), segurando uma canequinha de chá em uma das mãos, dizendo aos transeuntes: “viva intensamente. Viva cada segundo. Respire a sua vida”.
        E hoje, quando olho para trás, digo ao tempo: “olha só, seu tempo, já vivi muita coisa, entendeu? Agora é hora de relaxar.” E toda vez que faço esse pedido, você, leitor, pode imaginar o que acontece? Eu vivo cada vez mais e intensamente, sem pausa! E imagino que seja assim com todo mundo.
        Honestamente, se o tempo me permite dizer isso, tenho ainda muita vida para viver. Vida, não é só sinônimo de trabalho. Vida é sinônimo de experiências. E, se você pedir ao tempo que elas apareçam, não tenha dúvidas: elas surgirão!
        Nos últimos meses, apreciei o tempo de outra maneira. E, entendi (ainda que meio que obrigada) que cada dia seria apenas um dia. Fechei meus pertences em um depósito (acredite) e fiquei me dividindo entre duas cidades (mais cidades, na verdade). Sem casa, sem uma agenda definida, sem saber o que iria acontecer. Não importava! Eu saí na aventura da minha própria vida!
        Foi a atitude mais valiosa que tive comigo mesmo! Nunca aprendi tanto sobre mim. Nunca tive tanto desapego em minha vida.  (não minto: senti saudades apenas da minha luminária marroquina, o que é pouco perto da minha coleção de bloquinhos que amava de paixão, mas que não senti saudades nesse período de observação da vida).
        Conheci pessoas, sorri e chorei! Amei e perdoei (não nessa ordem)! Sofri com o calor e morri de frio! Trabalhei horrores e me permiti ler um livro sobre o gramado de um parque, às três da tarde! Vivi! Sob todas as formas, de todas as maneiras. E tive o maior aprendizado da minha vida: a paciência!
        Talvez eu não tenha me tornado, de verdade, uma pessoa mais paciente. Mas, sei que ela existe (já não me é tão desconhecida assim). Afinal, eu tive que ter paciência para esperar colher as sementinhas que joguei em cada cidade. Honestamente, a sensação que eu tive em cinco meses (viajando entre cidades) foi de que, apesar de tantas experiências colhidas, apenas duas semanas se passaram. Foi então, que percebi que, finalmente, havia entrado em um “acordo com o tempo”. Em vez de saber onde iria morar, pedi ao tempo que tivesse com ele “um outro tipo de vínculo” (como diz a letra de Caetano), e que levasse o tempo que fosse necessário até definir onde seria melhor pousar. Com um pouco mais de sabedoria do que os 23 anos, entendi que o tempo estava, finalmente, ao meu lado.
        E hoje, ao me estabelecer em uma cidade nova e com a luminária marroquina em mãos (thanks, God!), sei que fiz uma viagem ao espaço e não necessariamente ao tempo, porque tudo veio no tempo certo. Comprovei que o tempo comunica, realmente, a sabedoria. Por isso, digo (assim como Caetano) que o tempo é, além de tudo, compositor de destinos! E não é?








p.s: bom, aí vão algumas versões de Oração ao tempo:












Gente, tentei, de todas as formas linkar ou baixar a versão da Maria Bethânia, mas não quis baixar. É uma das versões mais lindas!! Se alguém conseguir baixar, por favor, coloque em comentários ou me mande, que acrescento aqui com o seu crédito, ok?

1 comentários:

Ô se é Alloyse! ("compositor dos destinos"...). Seu texto permitiu-me respirar no meu tempo. E descobrir que tenho meu espaço no tempo.

Postar um comentário