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quinta-feira, 17 de abril de 2014

A lâmpada queimada!

        Diz uma lenda que durante um incêndio em seu laboratório, Thomas Edison observava todos os seus projetos sendo queimados. Uma vida inteira de pesquisas. Observou, observou e então, depois de algum tempo, disse a seu filho: ainda bem que queimaram todos os nossos erros! O pai de muitos inventos patenteados no mundo teria entendido que aquela era uma maneira de lançar um “olhar diferente” sobre seu trabalho. De recomeçar!
        Realmente, não existe na vida nada mais tedioso do que a falta de desafio. Mas, a prontidão para aceitar perdas como recomeços é mais do que um desafio. É um ato de coragem mesmo.
        Mas, acima de tudo, é um ato de permissão. Permitir-se se entender, reelaborar seu caminho, reinventar seu trabalho ou buscar uma maneira diferente de viver exige uma permissão. Mas, não é uma permissão de outros, não. É para si mesmo. Você terá que se permitir viver dentro de você, mas de outra maneira. E só realmente consegue fazer isso quem se permite.
        Pense você que fôlego incrível teve Thomas Edison, ao entender que suas ideias estavam ultrapassadas? Não é uma imensa permissão reconstruir maneiras de se pensar? O “gênio” da lâmpada permitiu se reinventar. E mais, não pediu permissão a ninguém. Apenas concluiu: permito-me pensar diferente!
        O mais interessante da permissão é que, com o tempo, você a entende sem culpa. Quer dizer, aos poucos, a culpa vai dando espaço para sua identidade e aí você se permite viver, cada vez mais, dentro das suas próprias invenções ou jeito de ser.
        Eu sei que falando assim parece bem bonito e que prática a vida parece ser bem diferente. Mas, se permita “conjecturar” junto comigo. É claro que não se vive sem as convenções sociais. No entanto, viver apenas para as convenções sociais faz algumas pessoas serem cheias de regra e vazias de amor, vou assim simplificar.
        Porque permitir-se não é um capricho. É lançar sobre si mesmo um olhar tão compassivo e amoroso sobre seus projetos e desejos que irá tratá-los com tanto respeito, que mesmo quando as convenções sociais digam que você está errado, você não concordará muito com isso. Você não duvidará de quem é. E irá permitir-se se amar, no nível mais elevado de sentimento por si. Como se pudesse abraçar a alma, como uma criança que é embalada.
        E essa permissão pode ser nas pequenas e grandes coisas: o sonho de pintar um quadro, se permitir dizer não, se permitir ser diferente, se permitir não abrir mão do seu tempo, se permitir se sentir feliz e livre com quem é, se permitir compartilhar alegrias, se permitir se sentir linda(o). Se permitir ao silêncio, a mudar de trabalho, a encontrar um grande amor. Se permitir ao inesperado, se permitir ao erro, se permitir ao banho de chuva. Se permitir às lágrimas.
        A permissão é sua. Permita-se ao que você quiser.
        Mas, não falo daquela permissão burra e inconsequente da adolescência, em que tudo é permitido. Falo da permissão que proporciona você se deixar acontecer, se deixar fluir. E aí, sonhos começam a brotar.
        Porque quem não se permite, acaba cumprindo apenas convenções sociais. Acaba entendendo que uma situação ruim não era um ponto de mudança para um novo ciclo, mas o fim de algo. Quem não se permite olhar seus desafios com respeito e carinho, carrega frustrações. Não seriam os obstáculos evidências sobre novos rumos ou jeito de olhar sobre um trabalho ou seu modo de ser?
        Lembro-me uma vez quando estava no mestrado que uma amiga de uma amiga havia ficado admirada de eu ter conseguido a única vaga na linha de pesquisa que buscava. Confesso que também fiquei bem surpresa, porque a concorrência era enorme, mas fiquei muito feliz de ter passado no exame. E, então, essa amiga da amiga sempre dizia que era uma vergonha ela não ter passado no mestrado, porque ela era professora (e eu uma pobre jornalista) e que deveria ter entrado junto comigo. E eu dizia: veja, tente novamente! Até onde eu sei, ela nunca mais foi atrás. O perfeccionismo é o oposto da permissão. Quem não se permite talvez espere alcançar uma performance tão inimaginável que talvez não alcance nunca mesmo.
        Por isso, digo: permita-se a permitir. A permissão é a maior comunicação consigo mesmo.
        Permita-se se olhar e se entender dentro de seus defeitos e qualidades. Mas, acima de tudo, permita-se às suas pequenas e grandes invenções.
        Tenha certeza, que Thomas Edison, quando olhou seu laboratório em chamas, não pensou: “aí vai minha lâmpada queimada”. Talvez tenha imaginado: “agora está faltando música em minha vida”. E não é que ele inventou o fonógrafo? Grande Thomas!






p.s: pessoal, gostaria de agradecer as inúmeros e-mails e mensagens de carinho a respeito do post anterior (sobre a escrita). Estou até hoje respondendo alguns. Escrevi sobre a “permissão”, porque uma pessoa anônima me encaminhou um e-mail perguntando como é que se permite escrever. Confesso que também estou aprendendo muito sobre isso. Mas, que tal se permitir um pouquinho para saber? 

4 comentários:

Permita-me concordar. Alloyse.

Muito bom! Também trabalho com comunicação e virei fã dos seus posts!! Abs,

Cinthia, muito obrigada por seu comentário. Volte sempre!

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