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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A confiança nasce pela boca.

        A confiança não nasce ao acaso. Não escolhe destinos incertos, não se estabelece em pessoas confusas. A confiança não depende da sorte, depende de verdades.
        Esse é um ato muito bonito que temos em relação aos outros e que, por instinto ou intuição, nos faz reconhecer em algumas pessoas. E, então, confiamos. É como voltar para a casa. Nós entendemos que ali estamos à vontade e podemos ser nós mesmos. Podemos confiar.
        Para a confiança, não há limites entre o eu e o outro. Confiamos segredos, pequenas besteiras ou grandes atos, conquistas ou derrotas, amores ou desafetos.   Ela nos instiga a observar nossos próprios mistérios e nos faz surpreender com os sentimentos que temos. Quando confiamos em alguém, às vezes ecoamos “um alguém” que nem sempre reconhecemos. A confiança faz com que nos encontremos. Por isso que, às vezes (ou muitas vezes), temos mais confiança no palpite de alguém do que em nosso próprio.
        A confiança é um ato que nasce pela boca. Pequenos fatos nos ajudam a ter confiança no outro: alguém que nos faz uma gentileza, uma cortesia ou um elogio, um sorriso engraçado que transforma o nosso dia. Mas, confiamos mesmo naquelas pessoas que, por algum motivo, falaram algo que nos tocou. Por isso, insisto: a confiança nasce pela boca. As pessoas depositam sua confiança em nós quando nós dizemos algo que soa próximo, íntimo, real. Ou porque alertarmos alguém sobre alguma coisa. E, então, a partir desses discursos, uma relação, em construção, se estabelece. Eu confio em você, que confia em mim.
        E apesar da confiança nascer com o discurso, uma das maiores formas de se reconhecer alguém em que se pode confiar é olhar profundamente nos olhos dessa pessoa. É muito prazeroso quando podemos olhar para alguém que nos acolhe com o olhar. É o ponto máximo da confiança. E quando as almas se permitem a uma fluidez de sentimentos sem precisar dizer nada, pronto, a confiança está concretizada!
        Não confundamos, no entanto, que confiança é quando alguém concorda com a gente. Nada disso! A confiança é quando nos sentimos livres para debatermos nosso ponto de vista sem sermos atacados. É quando entendemos que podemos abrir, a alguém, um medo, uma insegurança, uma vergonha, tristeza ou incoerência ou até mesmo um grande problema sem que o outro tente nos diminuir, nos humilhar ou nos enquadrar em seus moldes.
        A confiança só existe quando entendemos que o outro é igual a gente, apesar de todas as diferenças. É um semelhante, no sentido mais puro da palavra. E, como igual, é capaz de sentir o que sentimos e de compreender que precisamos de um Norte, seja ele uma opinião contrário ou igual a nossa.
        Confiamos em quem é verdadeiro. Em quem não tem interesses, em quem não nos julga.
        Por isso, a perda da confiança é tão dolorosa. Podemos abrir o nosso coração ou a nossa vida às pessoas que utilizam a nossa confiança com vários propósitos. Que podem utilizar essas informações, inclusive, contra nós. Ou isso nunca lhe aconteceu?
        O que ocorre é que, a confiança é um muro que despenca de uma só vez. Se confiamos nossa vida a alguém que fez várias coisas legais conosco (tijolo a tijolo), mas que, por qualquer motivo mostrou-se obscuro em suas intenções, dificilmente voltaremos a confiar nessa pessoa novamente (o muro despenca) da mesma maneira. Pode ter sido um segredo que foi vazado ou a maledicência do outro ou ainda um julgamento sobre você pautado em algo que foi dito. A confiança não resiste às más intenções.
        No entanto, é possível perdoar alguém que quebra a nossa confiança. Sem sombra de dúvida. Mas, para que a confiança seja estabelecida novamente, é necessário que esse muro seja reconstruído, novamente tijolo a tijolo até que se torne uma fortaleza. E que fortaleça novamente uma relação.

        Acredito, de coração, que todas as dores entre duas pessoas possam desaparecer. Mas, para isso, é preciso que o tempo faça o seu trabalho e que a verdade volte a aparecer. E, então, a confiança comunica aquilo que ela veio fazer: mostrar quem nós realmente somos.




2 comentários:

Obrigada, Julia! Seja sempre bem-vinda!

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