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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Deixar ir!!!

        Essa é uma época do ano muito propícia para “deixar ir” tudo aquilo que não se quer mais carregar. No mundo todo, há poucos dias (há poucas horas, na verdade) muita gente pediu por coisas melhores ou fez oferendas, orações, para que o ano trouxesse novidades.
        Os anos sempre trazem novidades. Se não com você, com alguém perto. Algum primo que se casou, um filho que nasce, uma mudança de casa, um amor novo. Mas, para que novidades ocorram com você é preciso comunicar, a si mesmo, que novas coisas vão entrar na sua vida e que velhas coisas (hábitos, jeitos, tradições ou preconceitos) terão de sair. É o “deixar ir”.
        E não é fácil “deixar ir” porque, em geral, as pessoas até falam aquilo que desejam ser, mas não percebem que é preciso uma mudança de comportamento para que as coisas realmente aconteçam. Para que o novo entre! O que pode representar um certo “sacrifício” para alguns. Você gostaria de um relacionamento mais saudável, mas não quer largar sua relação tóxica? Então, não está se comunicando conscientemente consigo mesmo (o famoso: “não quer se ouvir").
        Não existe nenhum problema em “deixar ir”. É preciso seguir o fluxo da vida e, muitas vezes, é necessário tomar decisões, por vezes difíceis, e “deixar ir” até mesmo quem mais amamos. “Deixar ir” não é uma ingratidão, pelo contrário, mas pode parecer por quem foi deixado. Acredito, do fundo do coração, que as pessoas não precisam ter a mesma linha de pensamento para conviverem ou coexistirem. Mas, é preciso respeito. A ausência dele é um dos principais fatos que fazem as relações minarem. E, quando isso acontece, muitas vezes é preciso “deixar ir”.
        Aprendi um ritual importante para não “deixar ir” batendo a porta na cara das pessoas. “Deixar ir” pode ser um ato suave e cheio de gratidão que, com a experiência e o tempo, se faz com mais destreza. O primeiro deles é ter certeza de que se quer “deixar ir”. Se todas as suas fichas se esgotaram e não se chegou a nenhum denominador comum em uma relação (amorosa ou de amizade), então, agradeça o aprendizado e deixe a pessoa ir.
        Esse não é um ato de bondade, mas de gratidão mesmo. Demorei certo tempo para entender que as pessoas que não gostavam de mim poderiam me ensinar muita coisa, como o respeito e o amor próprio, por exemplo. Com o tempo, essas relações foram diminuindo cada vez mais. E, naquelas relações que mantenho e vejo que há falta de respeito, não pestanejo mais: garanto o direito de ser respeitada. Se assim não for, “deixo ir”.
        “Deixar ir” é um movimento cíclico. Pessoas vêm e vão na vida, entram e saem da rotina. Amigos próximos e muito unidos podem deixar de se ver por meses, assim como aquela colega de trabalho que não era tão íntima passa a lhe reencontrar. Tudo depende do momento que se vive. Por isso, “deixar ir” é o oposto do apego. Não se apegue às pessoas. Ame-as e as deixe ir quando necessário porque, tudo aquilo que é movido pelo amor, volta. 
        É preciso “deixar ir” tudo o que não lhe faz mais bem. Pode ser um pensamento sobre você mesmo. Um hábito antigo. Um medo ou insegurança. Um jeito de falar. “Deixar ir” é uma prática diária (ou deveria ser).
        Particularmente, “deixei ir” coisas que para mim faziam um mal danado, como os que me julgaram de maneira errada, as relações que não me traziam trocas verdadeiras, ilusões sobre mim mesmo (vixi, não foi fácil!), formas de trabalhar, de aprender, de entender o mundo. Sei que ainda “deixarei ir” muitas coisas. Mas, sempre com a certeza de que “deixar ir” é um recomeço. É a comunicação de algo “novo” que todos (inclusive eu) buscam!



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