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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Amor em dose única!

                Segundo o dicionário, a palavra amor significa “afeição” por outra pessoa. É uma definição justa, mas pouco romântica a meu ver. Acredito que ao falar de “amor” é preciso profundidade e atenção. Profundidade porque esse é um sentimento fundamental em nossa vida (temos amor a pessoas, ao trabalho, a um bichinho, a um hobby), e atenção porque acredito que existem muitas visões diferentes para a definição de amor. Então, é preciso um pouco de atenção ao tocar no assunto porque outras visões vão surgir e, em geral, cada um vai defender o seu ponto de vista a respeito desse sentimento.
        É sempre estar atento a outras visões a respeito do amor, não há dúvidas, no entanto, como esse blog é meu, tenho o direito de defender meu ponto de vista. E quero começar assim: o amor é o tema de centenas de milhares de obras escritas por centenas e milhares de poetas e escritores espalhados pelo mundo todo. O amor está também na música e nas artes, em geral. E isso não é à toa.
        Particularmente, acredito que o amor é a energia que move todos os outros sentimentos do ser humano, por isso é tão comentado. Mas, nem sempre se percebe a maneira como “se comunica” o amor aos outros. Aliás, acredito que as pessoas nem percebam o quanto de amor elas transmitem ou deixam de fazer isso pelo simples fato de não ter consciência do “como” estão transmitindo esse sentimento.
        Você fala abertamente às pessoas o quanto as ama?
        Existem aquelas pessoas que vivem dizendo a seus amigos: “eu te amo”! Para a sua secretária: “você é um amor. O que seria me mim sem você”?  A um familiar: “ah, que amor. Obrigada por tudo.”
        Há, no entanto, as mais diversas maneiras de se falar de amor. Homens, por exemplo, quando querem dizer “eu te amo” a um amigo, dizem: “mas, é um filho da p... mesmo”.
        Falar de amor é falar com amor. Não importa muito a palavra ou expressão que defina o seu sentimento por aquela pessoa. O que importa é a intenção por trás da fala. Lembro-me uma vez quando minha sobrinha tinha uns três anos e fez um desenho para mim. E, ela, me disse: “tia Lois, é para trazer amor a sua casa.” Ela tinha apenas três anos. Fiz um quadro do desenho e pendurei na porta.
        Acredito que as crianças falem com muito mais naturalidade sobre o amor do que os adultos e que elas não têm tantos filtros quanto os adultos. A psicologia deve explicar isso...
        Com o tempo, infelizmente, as experiências vão moldando novas maneiras de olhar para o amor, como se fosse possível redefinir aquilo que o seu coração tem de mais puro. Talvez, as situações mais pesadas dos anos que se passaram da sua infância até aqui fizeram esquecer o quanto de amor exista em seu coração. Mas, juro que se você cavar um pouquinho, vai achá-lo aí de novo.
        Falo isso porque tenho observado, cada vez mais, as pessoas com medo de dizer o quanto elas amam umas às outras.  
        Vou dar alguns exemplos simples. Há um certo tempo, uma amiga comentou comigo que uma outra amiga em comum começou a namorar e que não fazia mais programas com a gente. Então, eu disse: “por que você não liga para ela e diz que está com saudades e que a ama?” E, então, ela disse: “quem disse que estou com saudades? Só estou dizendo que ela é oportunista e que quando precisa da gente, liga.” E, então, ela ligou para a amiga, mas brava, e começou a ligação discutindo e dizendo o quanto a amiga não valia a pena. A amizade chegou ao fim! Aliás, já vi “amigas” conspirando umas em relação às outras: “vocês não acham que fulana não está esquisita com a gente?” Sim, conspirar não vai trazer a amizade de volta. O que não é o medo da perda, não?
        Aliás, esse é um movimento mais comum do que se imagina. Brigar é uma maneira torta de tentar dizer ao outro o quanto se ama. Isso, claro, é mais comum entre as pessoas que não têm habilidade de dizer “eu amo você”. Aí, fica chamando a atenção com provocações ou chatices mesmo, só para que o outro lhe dê atenção. Uma psicóloga me contou um caso, certa vez, de uma situação que ela presenciou. Estavam mãe e filha (pelo menos era o que parecia) no aeroporto de Guarulhos e a mãe não queria que a filha embarcasse. E, então, a mãe começou a colocar defeito na mala que a filha carregava e que não mandou arrumar; no corte novo de cabelo da filha; no porquê daquela viagem naquele momento. Enfim, a mãe fez que fez e conseguiu chamar a atenção daquela ala do aeroporto. Não era mais fácil dizer: “filha, eu te amo e tenho medo de perdê-la e então vou torcer para que tudo dê certo?”
        O medo de perder alguém é um capítulo à parte. Particularmente, não acredito que medo e amor caminhem juntos. Ninguém precisa ter a mesma opinião que a minha, mas acredito que se você ama alguém, estando perto ou longe, aquela pessoa vai estar contigo, não é verdade? Onde entra o medo da perda, então? Você já não tem o amor daquela pessoa? E se não tem, você merece ficar à mercê da falta de amor dos outros? O amor verdadeiro conecta pessoas e não os distancia.
        Por isso, apenas questiono assim: se se quer demonstrar amor a alguém, porque é que não faz?
        Uma das coisas mais importantes que aprendi com uma pessoa que amo muito é que o amor não deve ser servido em conta gotas, mas em doses únicas. Dizia essa pessoa: “querida, não economize no amor. Desde que ele seja verdadeiro, diga às pessoas o quanto você as ama. Amor em conta gotas é para aqueles que não conseguem amar de verdade, então, ficam dosando o amor conforme as suas necessidades”.
        Como ela sabia das coisas! E foi também uma das pessoas que me mostraram a importância de entender que o amor não é moeda de troca. E que só conseguimos mesmo amar os outros, quando nos amamos antes. E que devemos estar próximos das pessoas que realmente nos ama e nos aceita!
        Mas, o maior ensinamento que tive com essa pessoa foi: não perca a oportunidade de comunicar o amor porque essa oportunidade pode passar. A vida é curta, dizia ela.
        E como tinha razão! A minha sorte é que nunca deixei de demonstrar todo amor e gratidão que tenho a essa pessoa. Ela se foi na, semana passada, para virar estrelinha no céu.  Mas, viverá eternamente em meu coração porque, como disse antes, o amor conecta pessoas! E quanto amor nós trocamos!
        Então, hoje, posso dizer, com propriedade e pieguice mesmo: ame em dose única! Porque amor é o melhor que podemos oferecer às pessoas.






p.s: Esse texto é uma homenagem a Berenice Morozowki, terapeuta, amiga, conselheira e entendedora nata do amor.  

2 comentários:

Amei o artigo. Sua sobrinha mandou bem. Deve ser de família. (publiquei como anônimo porque o sistema não aceitou minhas assinaturas oficiais. Beijo, Mariel)

Obrigada, Mariel. Participe sempre!

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