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Conheça os benefícios de uma comunicação mais eficiente.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Outras 10 maneiras de se comunicar melhor

        Como último post de 2014, não poderia deixar de dedicar a um assunto que beira o imaginário de qualquer pessoa nessa época do ano: será que 2015 será um ano melhor?
        Muitos sonham com um mundo sem violência, outros pedem o fim da corrupção e outros ainda verbalizam o desejo de dias mais amorosos, onde a compaixão e a fraternidade não sejam apenas temas das propagandas da Coca-Cola.
       Acredito, sem pestanejar, que é possível sim se ter um mundo melhor. Desde que (sempre existe um “desde”) cada um faça a sua parte, claro. E, como comunicadora, afirmo que é possível sim modificar pequenas e grandes “coisas” no mundo apenas usando sua comunicação com eficiência. Não falo da Oratória, mas sim da comunicação.
      Gosto de lembrar uma frase proferida por Gandhi quando as pessoas falavam pra ele sobre o desejo de um mundo melhor. A frase dizia assim “que sejamos a mudança que desejamos ao mundo”. Se ele conseguiu modificar a situação do país dele (naquela época), por que é que você não pode fazer o mesmo?
        Gandhi tinha em mente uma vida dentro de um processo colaborativo. O mundo, por si só, está se tornando mais colaborativo. Por exemplo, há dez anos seria meio impossível pensar em trabalhar em escritórios onde você não conhecia outros profissionais. Atualmente, os escritórios colaborativos são uma febre no mundo todo e uma realidade vivida por profissionais brasileiros. Assim como não fumar em locais fechados é atualmente uma regra que parece ter sido acatada pela maioria das cidades do mundo. Poderia ficar aqui horas citando inúmeras mudanças que “colaboraram” para um mundo melhor. Mas, tenho certeza de que você já entendeu essa parte.
        Por isso, digo: você também pode ser a mudança que tanto almeja para o mundo, tornando-se um agente ativo de pequenas e grandes atitudes. E, para isso, basta usar sua comunicação. Vamos aos 10 pontos.

1) Antes de iniciar qualquer conversa, observe como você amanheceu naquele dia, observe como irá se comunicar. Triste? Alegre? De TPM? O exercício da observação já é meio caminho andado para evitar a agressividade, tensões desnecessárias ou qualquer outro problema causados por uma comunicação mal feita.

2) Use a cordialidade para conquistar o mundo. Não é muito mais legal quando você entra em uma loja e alguém vira pra você e diz um “olá, tudo bem”, com um sorriso no rosto e boa vontade? A cordialidade é um antídoto contra qualquer embaraço, nervosismo ou mal humor.

3) Eu sei que existem dias cansativos, pesados. Nesses dias, espalhe esperança. Lembre as pessoas que nada é permanente na vida (nem mesmo a vida é permanente). Uma palavra de esperança pode mudar tudo e “contaminar” um ambiente inteiro de alegria (em casa ou trabalho).

4) Quem espalha esperança, em geral, não reclama da vida. Reclamar (um ato tão comum hoje em dia que mais se parece com um mantra), não leva a lugar algum. Conversar com alguém pode sim ajudar a chegar a algumas soluções para seus problemas, mas ficar reclamando não te leva a nada. Em pleno século XXI, reclamar é como jogar tempo fora. Só faz quem não está focado em buscar soluções (e honestamente, o que é que não tem solução hoje em dia).

5) Uma coisa que muita gente não repara na comunicação é que quando se aciona alguém está lhe “roubando” tempo. Nem que seja para coisas bobas como “amor, vem cá ver isso na televisão”. Quando for acionar alguém, lembre-se do por que você precisa da atenção e do tempo daquela pessoa. Tenho certeza que fazendo essa observação, você irá ficar espantando com a quantidade de vezes que acionou alguém só por acionar.

6) Pelo mesmo motivo (o tempo ou a falta dele) que digo que ter uma linguagem objetiva é uma maneira muito mais rápida de resolver a sua vida. Seja objetivo nos seus pedidos, nas suas respostas e o “mar vermelho” se abrirá diante de ti (em outras palavras, terá soluções mais rápido).

7) Cuidado com aquilo que você conta. Odeio teorias da conspiração, mas é um fato que uma ideia é apenas uma ideia até que você a coloque em prática. Em tempos de redes sociais, onde sua vida é quase que plenamente exposta, não vá se adiantar e contar seus planos aos quintos cantos. Se preserve. Uma comunicação fluída também é resultado das relações afetivas que temos. Então, cerque-se de pessoas que te amam, de verdade, e divida (agora sim) com elas seus planos, metas, pequenas besteiras. Contar coisas legais pra quem joga contra é perda de tempo (e de energia, em alguns casos).

8) Da mesma maneira quando alguém  joga contra, com indiretas, provocações, apenas se afaste e não fale nada (não seja reativo). O que as pessoas que fazem provocações esperam é que você entre na “vibe negativa” delas. Apenas se dê o direito de ser indiferente a provação alheia. Quem provoca não está em paz com o seu coração. 

9) Assim como você gosta de ser ouvido, ouça também. Ouça sem criar prejulgamentos, sem criar críticas. Ouça acolhendo, deixando a pessoa falar sem interrupções, sem dizer “o que a pessoa deve fazer”. Ouça e se a pessoa pedir (e só se ela pedir) dê a sua opinião.

10) E sempre, mas sempre mesmo (pelo menos quando possível) seja empático. O que é empatia? Roubei a definição do Dicionário Michaelis, que diz assim: “segundo a psicanálise, estado de espírito no qual uma pessoa se identifica com outra, presumindo sentir o que esta está sentindo”. Eu sei que esse exercício parece meio difícil quando se tem um dia estressante, por exemplo. Mas, por que não tentar? Lembro-me de uma amiga ter me contado, certa vez, que ela se sentia tão profundamente triste que imaginou que ninguém gostava dela. Então, ela ligou pra outra amiga que a alertou, dizendo: “saia já de casa, pare qualquer pessoa na rua e peça pra ela lhe contar a história de sua vida”. A amiga fez isso. Parou uma senhora. Era uma mãe que havia perdido os dois filhos em um acidente de carro, dois anos antes. Mas, naquele dia, ela estava feliz porque tinha tido coragem de voltar a trabalhar depois da “tragédia”. E, então, perguntei a minha amiga: “e você conseguiu ficar feliz?”. Ela disse: “profundamente”. Ser empático poder ser um benefício não apenas a pessoa na qual você se coloca no lugar dela, mas a você mesmo.
Simples, não? Que tal, então, ser a mudança que deseja ao mundo?



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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Você se comunica bem?



        É impressionante como algumas situações traduzem a sensação de clareza de uma intenção. Uma senhora que consente com a cabeça a um jovem que quer ajudá-la a atravessar a rua; um carteiro que percebe a alegria no sorriso de alguém que recebe a encomenda tão esperada; a feição do médico que vai dar uma notícia a uma família que aguarda o resultado de uma cirurgia demorada...
        Perceba que mesmo que essas pessoas (das situações acima) não digam nada, é fácil entender o que está acontecendo e o que, posteriormente, possa ser verbalizado. Mas, por que, então, em outras situações, parece que a comunicação não se faz de maneira simples ou transparente?
        Você já parou para refletir se você se comunica bem? Mas, o que seria a boa comunicação?
      Confundida muitas vezes com a Oratória (que tem sua importância, mas sem uma boa comunicação talvez não tenha muito efeito), a comunicação eficiente nada mais é do que prestar atenção naquilo que se verbaliza, como se fala algo, em que momento que você diz.
        Na prática, ao contrário do que muita gente possa pensar, a comunicação está atrelada muito mais ao seu comportamento diante dos fatos do que qualquer outra coisa. Tudo o que você diz é um reflexo da maneira como você percebe “as situações” no seu dia a dia. Há pessoas, por exemplo, que conseguem manter um humor incrível mesmo nos momentos mais difíceis. Elas conseguem, inclusive, fazer piadas em dias mais tensos, descontraindo o ambiente. Isso não quer dizer que só tem uma boa comunicação quem tem bom humor. Mas, é mais fácil lidar com pessoas bem humoradas, principalmente em momentos de tensão.
        Por isso, indico às pessoas (quando me perguntam o que fazer para se comunicar bem) que para uma boa comunicação é preciso, acima de tudo, prestar atenção em você. Antes mesmo de sair de casa, sinta como está o seu estado de espírito e seja um termômetro para você.
        Quem assume a responsabilidade sobre seus sentimentos não corre o risco de acusar os outros, indevidamente, por suas tristezas ou angústias. É evidente que problemas externos afetam o dia a dia de qualquer pessoa. Desde uma fechada no trânsito até mesmo uma demissão podem causar tristeza, por exemplo. No entanto, a maneira como você lida com sua tristeza é que vai fazer sua comunicação ser mais fluída ou não. Despejar a sua raiva em alguém, porque foi demitido, não vai lhe ajudar, por mais que as pessoas que estejam ao seu redor sejam compreensivas. Que tal verbalizar que precisa de ajuda?
     Em um mundo tão agitado, tão repleto de angústias, questionamentos, dúvidas, não espere que as pessoas estejam prontas para entender o seu sentimento verbalizado de maneira ríspida. Elas não têm tempo para chiliques e nem sempre conseguem entender suas próprias necessidades, tão quanto a dos outros. Por isso, o exercício da observação sobre si mesmo (não como um sentinela dos seus sentimentos, mas observador, apenas) deve partir de você.
        E é um exercício que deve ser feito desde o momento em que se levanta até quando for dormir. Como você se percebe pela manhã? É mau humorado? É isso que quer verbalizar para as pessoas, mau humor? Agora, a pergunta que se deve fazer é por que está mau humorado? Você não gosta do seu trabalho? Está frustrado com algo? Seus planos de vida não deram certo até aqui? Então, é hora de observar não somente seus sentimentos, mas mergulhar mais fundo no que o seu coração está lhe falando e que talvez você não tenha escutado, mas que sua boca talvez esteja verbalizando sem parar.
        Perceba também que quem se isenta do exercício da observação sobre si mesmo não vai se isentar da dor. Quantas pessoas sofrem de ataque cardíaco porque se afogam em suas dores, sem nunca as terem verbalizado? O problema é que as pessoas acreditam que, se esconderem seus sentimentos embaixo do tapete, “cumprindo” suas obrigações de mulher, marido, filho(a), nora, genro, evitam o conflito. Não se engane. A falta de observação sobre si mesmo em situações que não lhe agradam é que nunca o(a) fizeram perceber o quanto você já verbalizou chatices apenas porque não queria cumprir suas obrigações (você não ouviu seu coração, mas ele deixou escapar aquilo que está lhe incomodando).
        Portanto, não tem como fugir. Observar o que se passa em seu coração é o melhor indicativo para ter uma boa comunicação. Quem faz isso, entende: a diferença entre você e o outro, respeitando as opiniões alheias (porque aceita as suas); tem mais chances de não ser preconceituoso (porque quem aceita seus posicionamentos de vida, entende a dos outros, sejam quais forem eles); não tenta impor sua opinião (quem se observa antes de falar algo entende que sua opinião pode não ser a mesma das demais pessoas); não deixa ninguém em saia justa e não faz provocações; estabelece relações mais harmoniosas (pelo simples fato de saber observar antes de falar); se permite ficar calado (porque afinal, se for para polemizar e não acrescentar nada é melhor ficar quieto mesmo).
        Enfim, viu quanta coisa pode mudar em sua vida pelo simples fato de observar os seus sentimentos antes de verbalizá-los? Por isso que insisto que a boa comunicação é o resultado daquilo que você fala, como fala e quando fala. E somente o exercício da observação sobre si (e seus sentimentos) é que dará essa garantia.         
       Como dizia Confúcio: “não posso ensinar a falar a quem não se esforça por falar.”





quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Você fica feliz com a felicidade alheia?



         Um dos temas mais debatidos na atualidade é a felicidade. O que é a felicidade, no entanto?
        Eu poderia encher uma página dessas só com “coisas” que me fazem feliz. Tenho quase certeza que não são todos os leitores que concordariam com meu conceito de felicidade.
        Mas, para provocar um pouquinho (rssss), um dos conceitos de felicidade de que mais gosto e que, pelo menos para mim, traz muita tranquilidade ao coração, é quando chego em casa e consigo escrever antes de fazer qualquer outra coisa, como, por exemplo, lavar a louça. É minha pílula de felicidade incondicional. Assim como nadar na piscina em um horário que não tenha ninguém e poder sentir a imensidão das águas.
        Entendi, com o tempo, que felicidade são pequenos momentos que, se você se distrair um pouco da sua rotina, são capazes de trazer sensações incríveis e inexplicáveis. Tomar um sorvete, vestindo terno e gravata, pode traduzir uma sensação de felicidade. Achar dinheiro no bolso da calça pode traduzir felicidade. Ganhar folga quando se estaria de plantão pode traduzir felicidade. Ganhar um abraço quentinho pode ser uma felicidade e tanto. Olhar-se no espelho e perceber que perdeu uns quilinhos pode ser o melhor presente dos últimos anos.
        Mas, felicidade é algo subjetivo. Só não é intransferível porque é possível sim contagiar alguém (ou mais pessoas) com sua felicidade. Uma das coisas mais bonitas que percebo ao tentar conceituar felicidade é que, quando é verdadeira (não as fotos que vemos no Facebook, rsssss) permite elevar o pensamento a outro nível, como se fosse possível flutuar. É um êxtase tão grande que nada pode tirar essa sensação por minutos, dias, meses e até anos.
        Pensando bem, não seria essa felicidade algo meio egoísta? Só se está feliz quando algo aconteceu em benefício próprio? Não existe felicidade quando algo de bom acontece a outras pessoas? Você não fica feliz quando pessoas encontram soluções (ou respostas simples) para as suas vidas?
        Certa vez, assisti a uma história de uma senhora que passou sua vida arrecadando comida para outras pessoas. Quando questionada por que ela tinha feito isso, ela disse: “não existe nada mais compensador do que a felicidade alheia”.
         Não existe mesmo. Porém, no fluxo da vida, essa parece ser uma daquelas inferências que um ser humano faz em determinado momento, toca-lhe o coração e depois esquece. É como se a felicidade pela felicidade alheia durasse apenas alguns momentos. Um registro que passa, sem ficar efetivamente gravado.
        Trago a felicidade como tema do post de hoje porque, no final do ano, esse é sempre um tema debatido entre as pessoas e quase obrigatório pois, afinal, o mês de dezembro tende a trazer mais momentos felizes. Só pelo fato de se ter mais confraternizações, as chances de felicidade aumentam.
        No entanto, é de se espantar como a demonstração de felicidade pela felicidade dos outros não segue o mesmo ritmo quando as atenções não são atribuídas a nós mesmos. Pelo contrário, parece haver um movimento de competição entre as pessoas que lutam pelo seu espaço de felicidade na Terra (antes elas não almejavam apenas um lugar no céu?), como se fosse impossível colaborar com a felicidade alheia.
        Não estou dizendo que as pessoas não têm um pingo de compaixão e amor no coração, que não possam ficar, em alguns momentos, felizes com as felicidades dos outros. Mas, seja honesto, demonstrar felicidade pela felicidade alheia é um ato muito mais raro de encontrar do que ficar feliz pela sua felicidade.
        O tema é tão instigante, que não passou despercebido pelo Papa Francisco. Disse o pontífice (uns dizem que foi num discurso, enquanto outros atribuem a uma oração que ele teria escrito): “as pessoas invejam mesmo é o sorriso fácil, a luz própria, a felicidade simples e sincera e a paz interior.”
         Observe que ele disse a felicidade simples. Não disse: “as pessoas invejam o iate (ou qualquer outro bem material) que você vai comprar com suas economias”. E por que há a inveja? Porque, em tese, a inveja é aquilo que se almeja o que o outro possui. É uma sensação de querer ter algo porque alguém o tem e em teoria você não. E, na prática, é um sentimento que todos nós (me incluo nisso) deveríamos observar melhor.
        Digo que a inveja é aquele momento em que deixamos de nos sentir agradecidos por tudo o que se temos e passarmos a achar que o que os outros têm é infinitamente melhor ou maior. Particularmente, acredito que é uma pobreza de espírito não considerar como “dádiva” tudo aquilo que cada um de nós construiu até aqui. Então, em tese, você deveria estar feliz com suas conquistas, ainda que não tenha sido exatamente como tenha sonhado. Em outras palavras, se sentir gratificado, em vez de querer algo mais.
        Que tal tentar trabalhar seu pensamento para enxergar beleza na felicidade alheia? Não seria um belo exercício (e meta) para 2015?
       Mahatma Gandhi dizia que “não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.”
        Lembre-se de que quem faz seu caminho é você!






quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Você vai sobreviver ao final do ano!



        Dezembro, aquele mês tão sonhado por você. O décimo terceiro no bolso (para os que são empregados), a família reunida em poucas semanas e a viagem dos sonhos marcada. Na teoria, o final do ano é lindo de viver! Na prática, um pesadelo para muitas pessoas.
        Por que pesadelo?  Porque o final do ano é aquele momento em que as pessoas querem resolver tudo o que não fizeram no ano todo. Perder sete quilos, entrar numa academia de ballet power water, fazer inscrição para aquele curso que já está quase no fim.
        A ansiedade também se amplia: ver a amiga que teve bebê há quatro meses e até agora você não foi visitá-la, comprar aquela travessa de vidro (que você encontrou tão baratinha naquela loja do centro) pra sua sogra, mas que até agora você não teve tempo de ir buscá-la, levar os sapatos no conserto, arrumar o vestido de festa. Enfim, sua lista parece não ter fim. E é isso mesmo o que acontece.       E é por essa lista infindável de coisas a fazer que as pessoas tendem a ficar mais irritadas, mais cansadas, mais ansiosas e menos pacientes, menos cordiais e, claro, verbalizam todo o seu desgosto no fim do ano. Não à toa, as brigas de família ocorrem, geralmente, entre o Natal e o Ano Novo. Você não quer deixar essa marca nesse ano, certo?
        Por isso, a organização das informações pode lhe dar uma forcinha no mês de dezembro. Em princípio, é preciso pensar que dezembro é um mês como outro qualquer. Você não ficará mais bonito até o final do ano (quer dizer, se ganhar na Mega da virada pode ficar não só mais bonito como mais rico. Mas, não conte com essa possibilidade antes que ela ocorra).
        A sugestão que dou é: antes de fazer qualquer coisa, coloque tudo no papel acerca daquilo que você gostaria de fazer em dezembro. Tire 50% das atividades dessa lista, porque a maioria delas (uns 80%) são “coisas” que podem ser feitas em outro momento. Se você não as fez até agora é porque, talvez, não tenha tido vontade mesmo de fazer, como, por exemplo, comprar a travessa de vidro pra sogra. É preciso coragem e honestidade para olhar para a sua lista e tirar os excessos. Veja bem, não estou dizendo para você “adiar” alguns projetos da sua vida, mas priorizar aquilo que realmente é importante.
        Feito isso, lembre-se de TUDO, mas TUDO mesmo que é preciso para você realizar a sua agenda. Um exemplo para ilustrar melhor: você quer dar uma festa bonita na sua casa, para os amigos, no Natal. No entanto, ainda nem comprou a árvore de Natal. Então, antes de sair de casa, anote tudo o que vai precisar para o Natal e separe um ou dois dias de compras para isso. Assim mesmo, como os sacoleiros e comerciantes fazem. Leve sua dose extra de paciência (talvez leve uma amiga com você), mas nunca os filhos. Eles pedem atenção extra.
        É importante ressaltar um detalhe sobre o “ir às compras”. É pouco provável que encontre lojas vazias nesse período. Então, seja breve em suas escolhas. Desenhe em um papel ou até mesmo na sua mente os tipos de presentes que servem a cada pessoa e quanto pode gastar. Confira valores em site, ligue para as lojas para ver a disponibilidade de cores e tamanhos antes de ir até o shopping ou loja de rua.
        Outra maneira de não se estressar tanto para fazer as compras é observar se é possível deixar o carro em casa. Ruas lotadas, shoppings com os estacionamentos abarrotados. Quem aguenta? É hora de usar o transporte coletivo (para ir até as compras – não é muito seguro na volta, com as compras já feitas) e o táxi. Divida táxi com os amigos, assim evitará despesas extras.
        Se você tem muitas informações para lidar ao mesmo tempo (filhos + administração da casa + trabalho + marido – não necessariamente nesta ordem) é hora de delegar funções. Distribua (e coloque num papel também) quem cuida do quê: se é o marido que vai cuidar das crianças enquanto você faz as compras, se é a sogra que passará no conserto para levar sapatos e roupas, se é a prima que ficará responsável pela compra dos produtos da ceia e se depois todos dividem as despesas. O importante é não tentar dar uma de super herói nessa época. Até porque super heróis salvam o mundo, não precisam ficar se preocupando com a ceia do Natal.
        E o mais importante: preste muita atenção na maneira como você faz seus pedidos. Você já fala bravo(a), como se as pessoas fossem obrigadas a cumprir os seus desejos, ou você consegue solicitar apenas? Verbalizar chatices só aumenta a pressão nessa fase. Se as pessoas já estão estressadas, porque você irá ajudar a aumentar a irritabilidade? Como diz o ditado (dizem que é uma passagem bíblica): “pois a boca fala do que está cheio o coração”. Na verdade, entenda o seu estado de espírito antes de falar qualquer coisa. Se as coisas não estão saindo como o esperado, relaxe. Se não deu para comprar aquele presente que gostaria para os sobrinhos, se permita encontrar outro. Se não teve tempo de encontrar outro, se permita a dar um presente após o Natal. Seu sobrinho entenderá que o Papai Noel virá um pouco mais tarde.
        Se você não conseguiu fazer nada disso, lembre-se que ter um Natal e um Ano Novo mais simples, sem planejamentos milaborantes, festas incríveis pode ser a saída para a sua saúde mental e a daqueles que estão ao seu redor.
        O mais importante, nessa fase, é demonstrar todo carinho que você pode dar às pessoas que viverão o final do ano com você. Não importa muito o presente, a mesa bonita, a rouba elegante. Isso tudo são acessórios quando se é capaz de uma coisa muito simples: verbalizar o seu amor!





          

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Como Vinícius de Moraes

     Quando dois chefes de estado apertam as mãos em um cumprimento, sinalizando um acordo fechado, significa muito mais do que uma pose para uma foto.
        A diplomacia é um exercício que há algum tempo domina as nações numa representação respeitosa de que não é mais necessário mais matar ou morrer para que conflitos sejam resolvidos.
        Mas, o que parece óbvio não é tão simples na prática. Não apenas os chefes de Estado, assim com os próprios diplomatas, sabem que estão quase sempre em campo minado e que, por isso mesmo, não podem expressar uma vírgula fora de lugar. Não à toa, estudam muito durante sua carreira para que possam compreender leis, regras, culturas, política e organizações diferentes da sua.
        Não seria a diplomacia uma prima íntima da empatia? Diplomatas têm que participar de cerimônias e reuniões muitas vezes cansativas e difíceis. Fazem de tudo para preservar uma regra básica da diplomacia: nunca faça nada (e nem fale nada) que no território alheio possa significar uma ofensa porque é preciso, acima de tudo, entender (e respeitar) o outro.
        Gosto muito dessa “regrinha” da diplomacia para explicar um fato muito comum na comunicação: a falta de cuidado ao falar com o seu interlocutor. Por si só a palavra diplomacia traduz sentidos como bom senso, cordialidade e resolução. Por que resolução? Porque ser diplomático (não apenas na carreira, mas na vida) é compreender que o diálogo terá que fluir. Os argumentos serão expostos e que para se chegar a um denominador comum será necessário ter tranquilidade para argumentar, paz de espírito (ou algo parecido) para falar sem pesar nas palavras e encontrar argumentos que levem a uma solução. Não raro será preciso ceder, nem que seja um pouco.
        Não lhe parece incomum essa situação? O que ocorre, atualmente, é que a imposição de ideias é tão grande que a diplomacia parece ter ficado ultrapassada. A sensação que se tem ( e não é só minha) de que quanto mais plataformas de comunicação são criadas, menos as pessoas têm se preocupado com aquilo que expressam.
        E, expressar suas ideias não é o problema em si. A falta da diplomacia a um diálogo é o que leva a um conflito e aí uma conversa que seria básica pode virar um problemão. Em outras palavras, ao impor suas ideias poderá iniciar uma grande briga.
        Mas, já se perguntou por que é necessário impor suas ideias? Num universo tão abrangente e repleto de possibilidades porque é que alguém ainda acredita que as pessoas são obrigadas a engolir suas ideias?
        Não à toa também as pessoas andam reclamando das mídias sociais, que tem se parecido com verdadeiros campos de batalhas, repletos de falta de respeito e, muitas vezes, sem nenhuma diplomacia. A meu ver, claro.
Pode-se achar que a diplomacia é um exagero. Lembro uma história atribuída a Vinícius de Moraes, que teria sido expulso do Itamaraty (quando era diplomata) por não concordar com as formalidades. Mas, como um diplomata nato, fez muitas parcerias ao longo de sua vida. Algumas boêmias, outras românticas (teve nove casamentos) e outras políticas.
        Pelo menos para mim, o poetinha é um exemplo de que para ser diplomata não precisa ser chique. Basta ter bom senso!









quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Aquilo que comunica você!


        Tempos atrás, algumas pessoas me pediram para criar um curso sobre o que escrever para os clientes no Natal. Fiquei pensando que o melhor seria encaminhar mensagens que partissem do seu coração.
        Mas, claro, existe uma regrinha básica na comunicação, que é: observe o seu interlocutor antes de falar. Isso ajuda a criar mensagens empáticas e simpáticas (olha o trocadilho!). Mas, é preciso ir um pouquinho além! Que tal destacar na mensagem uma característica da pessoa a quem você deseja o seu “Feliz Natal”?
        A observação sobre os outros nada mais é do que um exercício muito simples de parar de julgar o outro com seu olhar discriminatório: se a pessoa se veste assim é porque é assado. Se a pessoa come isso é porque não faz dieta da moda. Infelizmente, o julgamento sobre os outros parece ser uma constante em nossa sociedade. Por isso, o exercício da observação pode, em alguns casos, ser até demorado ou doloroso (tô cheia dos trocadinhos!).
        Por isso, sugiro apenas olhar o outro com seu coração. E, então, deixe-se perguntar: o que há de peculiar nessa pessoa? É muita prepotência achar que só você tem coisas legais a oferecer nessa vida. Outras pessoas estão ao seu redor justamente para oferecer contrapontos a seus conceitos, já tão enraizados, que fazem cegar a mais bela característica alheia.
        Um fato curioso sobre a opinião que se tem dos outros é que muitas pessoas não percebem também outra regrinha básica da comunicação e que trago Vera Martins (grande comunicadora) para explicar: "o conflito existe como resultado da afirmação do nosso eu perante o outro". Não imponha qualquer coisa a uma pessoa, muito menos o seu ponto de vista sobre ela!
        Vou dar um exemplo: eu não uso chinelos porque eu não sei andar com eles. Mas, admiro quem os usa. Acho que, inclusive, quem usa chinelo tem um senso de liberdade talvez muito maior do que o meu.  Mas, conheço muita gente que acha que usar chinelos é sinônimo de “pé de chinelo.” Como você quer transmitir mensagens bacanas para alguém se não para de julgar essa ou aquela pessoa?
        Faça então o exercício: pare na frente de uma pessoa, observa-a falando, andando, comendo, correndo, conversando intimamente, conversando no trabalho. Observe a riqueza de detalhes que cada ser humano tem. Cada detalhe é mais facilmente identificável quando você permite ao outro se expressar, tranquilamente.
        Então, observe as peculiaridades daquela pessoa: se sorri quando alguém chega perto; se sua bebida preferida é um cafezinho pequeno; se fala baixinho ou se fala alto; se usa roupa colorida ou é monocromático; se espera você falar ou fala sem parar; se olha nos olhos dos outros ou se é tímido; se come o mesmo tipo de comida todos os dias; se escreve com a mão direita ou esquerda. Tudo isso são detalhes que muitas vezes passam despercebidos pelo simples fato de que você ficou reparando no seu preconceito em relação ao outro e não no que o outro é efetivamente.
        Escrever mensagens de fim de ano pede também leveza em seu coração. Pede paz de espírito, pede harmonia, serenidade. Na verdade, acredito que essa deveria ser uma regra também para a comunicação no dia a dia: se pacificar antes de conversar com alguém! Já tentou? Pode ser incrível.
        E, para encerrar, sei que você tem caraterísticas incríveis a comunicar de si mesmo. Que tal, então, colocar abaixo, nos comentários? Comunique comigo (e com todos que lerão) o seu eu!





p.s: o curso que ministrarei é sobre mensagens de fim de ano para clientes. Não é tão fácil identificar as características de um cliente. Por isso, o curso traz dicas super bacanas de mensagens para quem você não conhece profundamente. Segue o link do curso a quem se interessar: Como escrever mensagens de fim de ano para seu cliente?
Para quem não puder fazer o curso online, pode se inscrever que receberá o curso por e-mail, posterior a realização do mesmo.



quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Entre o falar e o fazer


        Que quase todo mundo deseja um “mundo melhor”, isso é óbvio. Mas, o que seria o “mundo melhor” para a maioria? Existe uma tendência a explorar o mundo com uma visão mais positiva e otimista, proporcionada por pequenas ou grandes mudanças.
        Nunca antes na história da humanidade (sempre quis escrever isso, rsssss), ouviu-se falar tanto de processos colaborativos efetivamente sendo colocados em prática. As pessoas estão mais participativas, é um fato. Dividir e compartilhar parecem ser as regras do novo mundo. O Zeitgeist dos últimos anos (ou até mesmo da última década) é o reflexo de uma geração (a Y, em especial) que quebrou regras e paradigmas sobre o trabalho e trouxe reflexões mais profundas a respeito do dinheiro, tempo e as visões de sociedade. Ela funciona como uma grande questionadora dos “deve ser assim?” e impulsionadora de novas metodologias, atitudes e, principalmente, a noção de que tudo é possível. Claro que nem todos veem isso como virtudes, mas enfim, deixe os problemas da geração Y para outro dia. Foquemos o processo colaborativo.
        Também faz parte do processo colaborativo da atualidade a preocupação com o meio ambiente, o cuidado com os animais (ou a falta dele),     a preocupação com o envelhecimento da população, demonstrações mais reais sobre espiritualidade (ou uma religião – como queira entender) e também a busca pela verdade. As pessoas estão buscando mais facilmente os seus direitos e estão fazendo garantir (ou pelo menos tentando) se sentirem cidadãos, efetivamente.
        Olha que mundo bonito! É o que você vive? Não, né? Isso porque entre o dizer e o fazer há uma diferença muito grande. Levantar bandeiras, em especial nas redes sociais, pode trazer algum benefício para a sociedade. Pode. No entanto, de pouco adianta levantar bandeiras em prol dos animais no Facebook se você não fecha a torneira na hora de escovar os dentes. Quer dizer, na prática, de um lado você defende a natureza, mas a consome, sem piedade, de outro. Você quer viver em um mundo mais colaborativo, mas não conhece seus vizinhos? Pois, então. Por que não bate na porta deles?
        É que desde que o mundo é mundo (também sempre quis falar isso, rsssss), “o dizer” está vinculado a uma imagem de quem fala, muitas vezes diminuindo as atribuições de seus deveres, uma vez que já foram verbalizados. Em outras palavras: faça o que eu digo, não faça o que eu faço.
        É uma ilusão muito grande (e eu peço que me desculpe pela franqueza) pensar que o mundo vai melhorar porque você deseja que ele seja melhor. O fato de desejar, por si só, já traz uma alegria interior, eu concordo. Mas, você acha mesmo que, por gratidão ao seu desejo de um mundo melhor, a mãe Terra vai lhe dar toda a água do mundo, se você a continuar gastando, sem nenhum cuidado?
        E aí, só mesmo quando seu coração for tocado por essas questões é que sua verbalização vai deixar de ser apenas palavras ditas ao vento. Esses dias, um monge, ao comentar sobre os avanços tecnológicos, disse uma frase que achei maravilhosa: “a humanidade evoluiu muito com a mente e se esqueceu de evoluir com o coração.”
        Faz todo o sentido essa análise dele. Pois, afinal, todo mundo sabe que não se deve gastar água (poderia ser qualquer outra situação, a água é apenas ilustrativa), mas, por que efetivamente não se faz economia com esse recurso já tão pouco abundante?
        Para encerrar, trago uma velha frase de Mahatma Gandhi que, infelizmente, é também pouco utilizada: “que nós sejamos a mudança que desejamos no mundo.” 
            Será que estamos fazendo a nossa parte? Que tal parar de falar e fazer, de verdade, um mundo melhor?






quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Namastê

        Há algumas interpretações para “Namastê”. Falada com mais frequência na Ásia, a palavra virou hit nas academias de Yoga e se popularizou no Ocidente.
        “Eu me curvo diante de ti” é uma das interpretações para Namastê. Existe outra, a qual (pelo menos, eu acredito) traduz melhor o sentido da palavra. Diz assim: “o Deus que habita em mim saúda o Deus que há em você.” Não existe nada mais lindo quando se consegue reverenciar alguém com o seu coração, permitindo se curvar diante da grandeza dos outros.
        E aí é que está, talvez, um ponto de vista muito sutil sobre a palavra Namastê. Na maioria das vezes, a reverência é realizada para pessoas que são próximas, amigas, e que trazem algum benefício imediato ou a longo prazo. Reconhecer um ato de bondade, uma mão amiga que chega em boa hora, com certeza merece toda a gratidão. Portanto, Namastê! Namastê também para aqueles que trazem sorrisos e distribuem carinho.
        Mas, você seria capaz de reconhecer o Deus que há dentro daqueles que lhe fazem ou fizeram algum “mal”? Sim, existe um Deus dentro deles.
        Quando uma pessoa machuca seu coração, seja por qualquer motivo (desde a ingratidão até a traição), essa pessoa está lhe mostrando inúmeras coisas. A primeira delas é: você precisa de relacionamentos como esse? A segunda é: você precisa mesmo se cercar de pessoas que não lhe respeitam? E, ao mostrar isso, também estão lhe servindo como guias na escuridão de seus sentimentos. Eles vão fazer você chorar, sofrer, vão lhe difamar, vão tentar te ver no chão. Mas, o que alguém que lhe causou um dano não percebe é que funciona como bússola de verdades que ficaram escondidas atrás das ilusões criadas por você.
        Então, por mais que doa, o sofrimento traz a luz da verdade. Traz a percepção de que você merece um outro caminho. De que merece qualquer coisa que não esse sofrimento que lhe foi causado.
        Eu sei que é um pensamento indigesto acreditar que aqueles que lhe fazem “o mal” lhe trazem o bem. Mas, eu não disse que essa digestão ocorre do dia para a noite. É preciso ruminar muitos sentimentos para entender esse mecanismo.
        É preciso entender, acima de tudo, por que é que se chegou àquela situação: por dinheiro? Por carência? Por conveniência? Sua ilusão fortaleceu um pensamento, que virou verdade, então não era verdade, não é mesmo?
        Portanto, quando se percebe a dor (da traição, da mentira, da ingratidão) percebe-se apenas a verdade como ela é. Quer guia melhor para a vida do que a verdade?
        No entanto, muitas vezes ela dói porque a ilusão se pareceu com um grande amor da vida, que, na verdade, era um boicotador. Ou uma amiga querida, que morria de inveja de você, ou ainda um colega de trabalho que não tem um quinto do seu talento e que fala mal de você por trás. Quando as máscaras caem é porque, finalmente, se enxergou a verdade.
        Quem lhe atrapalha, portanto, lhe apresenta oportunidades de ver a vida com outros olhos. Talvez lhe faça enxergar um mundo muito mais amoroso para si mesmo, mais harmonioso e próspero. Fortalecendo-o, fazendo-o crescer, amadurecendo e gerando o autorespeito. Talvez leve um tempo para esquecer, perdoar ou simplesmente não se incomodar mais com o fato. Depende de cada um.
        O que as pessoas que querem lhe prejudicar, como se fosse uma vantagem, não percebem, é que enquanto alguns entendem a vida como possibilidades de aprendizados e crescimento, esses passarão, talvez a vida toda, perdidos entre uma rasteira e outra. E o mais triste: jamais conseguirão reconhecer no outro um “Deus” porque, com certeza, não o reconhecem em si mesmo.  A busca desesperada pela vantagem já é, por si só, a demonstração de um coração vazio de amor verdadeiro.
        E, é nesse momento que é preciso agradecer e reconhecer que aqueles que lhe querem “o mal” lhe serviram como verdadeiros professores da vida. Trouxeram a verdade (mesmo que em forma de dor), comunicaram todas as suas ilusões e mentiras que inventaram para si. Agradeça e deixe a situação ir embora, porque a verdade se pronunciará.

        Portanto, nos desafios da vida (entre o sofrimento e a verdade) quando tudo parecer ruir, curve-se diante do outro e o reverencie.  A verdade jamais lhe será negada. Namastê!






quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O tempo a seu favor


        Imagine-se na seguinte cena: em um longo campo de trigo, você caminha com uma enxada em mãos. Vestindo roupas sobrepostas feitas de algodão e linho, percebe que começar a chover. Distante de casa lembra-se de que deixou as crianças brincando com objetos feitos de pano. Você não tem como avisá-las. Corre contra a chuva por mais de vinte minutos, perdendo o fôlego e preocupado(a) com o que pode ter acontecido a elas. Os trovões, junto à tempestade, trazem-lhe uma angústia ainda maior. O ano é 1645. Não há comunicação e não há o que se possa fazer, além de correr.
        Uma cena que traz aflição a qualquer pessoa. Se a situação fosse na atualidade você até poderia sair correndo, mas com certeza usaria o celular para estabelecer uma comunicação mais rápida.
        Assim como o telefone móvel, todas as demais plataformas de comunicação são benefícios que ajudam a aproximar pessoas e estabelecer uma comunicação mais urgente. Seria incrível se a comunicação, em pleno século XXI, não angustiasse tanto quanto correr contra uma tempestade em 1645.
        Mas, a enxurrada de informações que se vive hoje parece inundar o cérebro até dos mais famintos por novidades. O autor Richard Wurman afirmou, em um dos seus livros que “uma edição do The New York Times em um dia da semana contém mais informação do que o comum dos mortais poderia receber durante toda a vida na Inglaterra do século XVII”. Essa pode ser uma explicação para que você, seus parentes, amigos e vizinhos parecem se sentir sufocados com as inúmeras plataformas de comunicação e a velocidade com que as informações aparecem.
        Como lidar com tudo isso, então?
        Administrar o que é realmente importante é o primeiro passo para separar as informações necessárias das tentações que pipocam de todos os cantos, em forma de “novidades”. Você precisa mesmo abrir o Facebook antes de abrir seus olhos na cama, assim que acorda? É necessário ler os e-mails enquanto toma o café? Estabelecer uma ordem para o fluxo de informações é como coloca-las em gavetinhas. Elas vão estar lá, mas você deve “pegá-las” somente quando for necessário.
        Por isso, “o importante” é o quesito mais relevante a ser destacado na “seleção natural das informações”. E disciplina é palavra de ordem para auxiliar nesse processo.
        Escreva em uma folha (à mão ou digite na sua agenda) como será a sua semana. Feito isso, separe (na agenda mesmo) um tempo, todos os dias, para acessar o Facebook (e escreva quanto tempo você irá passar nesta rede social); estabeleça o tempo e os dias da semana para ver o Linkedin (e participar de grupos, se esse for seu propósito); tire momentos do dia para interagir no Whatsapp e, de nenhuma maneira, faça seu trabalho acessando esse aplicativo (ou qualquer outro). Assim como essas redes, as demais também precisam “constar na agenda”. Chato, né? Mas, não se engane! De outra forma, as redes sociais parecem muito mais tentadoras do que você imagina. E aí, seu dia, simplesmente, se foi e você não desenvolveu seu trabalho.
        Alguns aplicativos ajudam nessa missão: eles “travam” suas redes sociais durante um período estabelecido por você mesmo (veja exemplos no rodapé).
        Outra maneira de sair da enxurrada de informações é desligar o celular. É evidente que essa plataforma é fundamental para seu trabalho e sua vida. Mas, seja honesto! Você precisa mesmo deixar o celular ligado durante aquela reunião? Ou o dia todo no trabalho? Estabelecer alguns horários em que não se utilizará o celular também auxilia no processo de “limpeza de informações”. Fica mais fácil de trabalhar quando o telefone móvel não lhe desfoca naquilo que estava concentrado. Se for urgente, a sua família poderá ligar no telefone da empresa a qual trabalha.
        No entanto, se sua vida financeira depende do telefone é possível direcionar a chamada para centrais que funcionam como verdadeiras “secretárias”. Elas anotam quem ligou e passam o recado, por torpedo, para quem as contratou. As empresas de telefonia móvel também oferecem serviços para “administração das chamadas”. Basta acessar sua operadora e investigar qual é o melhor serviço para você ou sua empresa. Assim como desligar as notificações dos celulares (toda vez que receber torpedo, e-mail ou whatsapp) ajuda a não desviar do trabalho.
        É preciso também delimitar o tempo para as conferências ou ligações via SKYPE/HANGOUT. Não é porque essas ferramentas oferecem planos gratuitos que você vai “arrastar” o assunto. Faça uma lista do que precisa ser conversado nessas “reuniões”. Apresente-se e seja gentil com seu interlocutor. No entanto, se foque à lista de assuntos e traga seu “parceiro(a)” de conversa de volta ao foco toda vez que dispersar. 
        E, por último (apesar de parecer que deveria ter sido o primeiro tópico) separe, para o final do dia, as leituras de tudo aquilo que quer ver na internet. Quando você chega em casa já está cansado. Portanto, é nesse momento que seu cérebro, intuitivamente, irá escolher o que mais lhe agrada.
        Ufa! Com esses passos simples é possível fazer tudo o que é preciso e ainda não se “atrochar” de novidades que, honestamente, talvez não fizessem tanta diferença no seu dia.
        Pensando bem, correr contra uma chuva por vinte minutos não deve ser tão ruim assim. Difícil mesmo (pelo menos me parece) é separar o joio do trigo. Não é mesmo?


Curiosidades:
Serviços de atendimento ao telefone:
http://www.atendemos.com.br/site/index.php

Serviços que bloqueiam distrações:


O tempo que o brasileiro passa na internet:

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Uma conversa com Callas

     
      Entramos em um café (daqueles centenários) e sentamos na mesa do canto. Olhamos o “menu” vagarosamente, estudando o cardápio, aproveitando o momento de êxtase. Foi um dia corrido, mas delicioso. Andamos por várias horas, sem parar, entre um museu e outro, aproveitando a folga dos estudos, até que pausamos para o café.
        E, ainda com o cardápio em mãos, Dani disse: “Paris é mesmo linda! Ainda mais na primavera!” Eu disse, brincando: “Dani, Paris é linda em qualquer época. Mas, concordo contigo, o dia está especialmente lindo, amiga”.
        Apesar de ser cinco da tarde, abro o jornal do dia, que ainda não tinha lido. O ano, 1972. Paris não era mais uma festa! Pelo contrário: o fervilhar político deu um ar tênue ao aspecto mais romântico da cidade Luz. Nada que tirasse o humor de duas mocinhas que resolveram se aventurar fora do país, num intercâmbio (uma palavra pouco mencionada naquele Brasil oprimido pela ditadura) para realização de um mestrado. Foi tão difícil conseguir essas bolsas, mas nos esforçamos muito!
        Entre uma passada e outra de olhos no cardápio, desfoquei para observar as outras mesas. Apenas para contemplar! Na mesa mais próxima, estava uma mulher com um chapéu grande e “vestida” de um batom tão vermelho que chamou minha atenção. Ela me vê. Seus olhos enormes parecem paralisar os meus. Observo-a, apenas. Linda, com movimentos clássicos, sem pressa, leva a xícara à boca deixando marcar com batom a porcelana chinesa do café francês.
        Viro-me para Dani e digo: “que engraçado, a mulher se parece tanto com Maria Callas”. Não demora muito e, então, aquela Diva usando um chapéu se levanta, deixando mostrar também seu lindo vestido, que vai um pouco abaixo dos joelhos. Comenta algo com um rapaz e aponta para nossa mesa.
        O homem, então, dirige-se até nós. Nesse momento, digo: “Dani, o que será que está acontecendo? Será que atrapalhamos a mulher, só de olhar para ela?”
        E, então, o rapaz nos convida para nos sentarmos junto com a senhora do chapéu. Achei tudo aquilo muito estranho, mas resolvi “arriscar”. Ao chegar perto dela, cumprimentei-a com aperto de mão firme, me apresentando no meu francês não tão fluente como gostaria. “Alloyse”, disse eu. “Daniele”, disse minha amiga. A bela mulher não se apresentou, apenas perguntou se queríamos nos sentar com ela, afinal, “estávamos olhando para ela”, disse.
        E então foi que, ainda meio que sem jeito, havíamos comentado que éramos estudantes e que estávamos há pouco tempo na cidade e que achávamos tudo lindo. Dani é fonoaudióloga e veio estudar canto lírico, expliquei. Eu sou escritora, nas horas vagas, claro. Estudo antropologia. Nada melhor que Paris para fazer isso, comentei. E a senhora?
        “Eu povoo o imaginário de muita gente”, disse a mulher exuberante.
        “Entendi. Você é famosa, então, perguntei.”
      “A fama não é bem o que as pessoas pensam o que é. A fama é uma grande ilusão. Mas, claro, tem o seu lado bom”, disse a senhora.
        “Como o quê?”, perguntei.
        “Ah, como saborear tudo o que a vida pode lhe oferecer, sem culpa, sem medo, sem pressa, sem dar satisfações”, acrescentou.
        Nesse momento, pensei: “essa mulher deve ser muito rica”. Mas, antes que meu pré-julgamento saísse pela boca, ela disse: “mas, há muito mais sofrimento na ilusão do que felicidade. Iludir-se com o coração pode criar feridas profundas, tão tristes que, às vezes, é difícil removê-las.”  
        Dani, então, disse: “bom, nesse caso, vamos lembrar do lado bom da fama. O que a senhora faz?”
        “Eu loto teatros”, disse ela, sorrindo com o canto da boca, ainda marcada pelo batom vermelho.
        “Você é Maria Callas, não é?” Eu tinha que perguntar.
        E, então, ela apenas consentiu com a cabeça. Olhei para Dani, que olhou para mim e ficamos mudas. Coloquei a xícara de chá na mesa antes que a derrubasse no chão.
        “Você sabe o quanto admiramos seu trabalho”, enfatizei, com ênfase mesmo!
        Num gesto de timidez, ela apenas baixou o olhar. E quando saí do meu estado de choque (e a Dani também), resolvemos, então, perder a vergonha e conversar, de verdade, com Maria Callas.
        Dani comentou: você é mesmo Anna Cecília Sofia Kalogeropoulos? “Não estou acreditando”, afirmou ela. Dani sabia quase tudo sobre sua vida. Era uma de suas cantoras líricas preferidas.
        Vamos abrir parênteses antes de retomarmos a conversa com Callas: a “Casta Diva” estudou canto no conservatório de Atenas, onde permaneceu até 1945. Com apenas 15 anos, estreou no canto lírico na Ópera de Atenas e alcançou o sucesso com a ópera La Gioconda, de Ponchielli, que interpretou em 1947, em Verona, na Itália. É considerada a maior musa que já existiu na Ópera. Isso porque produziu uma importante discografia, que a fez brilhar nos cenários mais famosos do mundo. É também dona de uma qualidade vocal ímpar, que certifica os fatores imprescindíveis para um cantor lírico: domínio da técnica e dom.
        Naquele pequeno universo de uma mesa (sim, porque diante de Maria Callas, quem se importa com os croissants?), havia muito pra se conversar. Na verdade, não sabíamos muito bem o que fazer diante de Callas, que tão gentilmente havia nos recebido.
        Como entendia mais sobre canto lírico, Dani puxou assunto. Lembrou ela: a voz para música erudita exige empenho, dedicação e longos anos de estudo. É preciso consciência vocal, postural e respiratória. Todo esse conjunto na senhora é tamanho, tanto que pode ser considerada uma cantora lírica excepcional. Muitas pessoas ainda se lembram de suas lendárias apresentações, como na Norma, de Bellini:






        Callas sorriu. “Foi lindo, o Opera Garnier estava sempre lotado. Minha voz estava muito aquecida naquela época” – comentou a Diva.
        “Eu não quero parecer fanática, mas sua voz é incrível”, lembrei-a. Todos ainda se lembram de sua interpretação de Mio Bambino Caro:





        Dani, então, comentou: “é verdade. Suas interpretações ficaram marcadas. Aliás, a dedicação aliada à força para interpretar seguramente lhe fizeram alcançar o patamar dos grandes artistas do século.” Um exemplo disso, comentou Dani, é o concerto em que se apresentou no Convent Garden, em Londres, em 1962:





        Callas deu uma grande gargalhada, soltando a cabeça para trás. “Cantar é praticar. Pratiquei muito e me dediquei. Mas, com certeza esses foram anos de ouro.” É evidente que a Diva tinha conhecimento da sua grandeza. Não se mostrava modesta, mas também não era arrogante. Ela apenas sabia do que era capaz.
        Quando pergunto como se sente atualmente (depois de um escandaloso casamento com o milionário Onassis e também da dura relação com os teatros - não cheguei a mencionar isso, mas era sabido que Callas tinha temperamento difícil, a ponto de abandonar alguns teatros e de ser expulsa de outros), a Diva deixa escapar sua alegria de ter vivido uma vida intensa, de luxo, beleza e, acima de tudo, talento.
        “Hoje, estou em paz comigo mesma e aceito quem eu sou, com meus limites, com minhas vantagens. Tomei minhas próprias decisões, cometi alguns erros, mas tenho muita sorte. Eu me considero uma pessoa, muito, mas muito sortuda, porque eu vim do nada e aqui estou.”
        Gostaríamos de ficar horas ali conversando com a Diva, mas o chofer a chama. “Sra. Callas, o carro está pronto”.  Olho pra Dani como quem acorda de um sonho maravilhoso. “Ainda tenho tantas coisas a dizer e a perguntar à senhora Callas”, digo a ela tentando fazê-la ficar. Antes de sair, estende as mãos para nós e complementa:
        “A vida é assim, mocinhas. Vocês irão amar, viver intensamente, mas o importante é continuarem a ser vocês mesmas”. 
         Observamos uma mulher elegante, dentro de um vestido azul marinho e um chapéu preto desaparecer pela porta do café. Uma mulher única, numa voz única!








p.s: Claro que essa história é fictícia, afinal, esse encontro seria impossível. Nasci três anos depois da morte de Maria Callas e Danielle, oito anos. Já que o destino não nos uniu (mas, me apresentou a Dani, uma amiga que mora em meu coração), tivemos o capricho de reinventar o destino. Abrimos nosso coração e convidamos Maria Callas para papear com a gente. Não é que ela aceitou o convite?

Uma breve apresentação sobre Daniele Almeida:
 Fonoaudióloga pela Universidade Tuiuti do Paraná (2004), Aperfeiçoamento em Voz no Centro de Estudos da Voz - CEV-SP.(2008) Consultora na RICTV Record-Paraná. (2008 - atual). Diretora da Expressiva-Fonoaudiologia - Voz e Comunicação (2013 - atual). 

Para os apaixonados por Callas:

Aves Marias:








Algumas entrevistas de Maria Callas:










Curiosidades: