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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Como anjos...

        Cláudia dá o último retoque na maquiagem antes de sair de casa. Olha no espelho rapidamente, vê o relógio e observa que está atrasada. É uma reunião importante para ela e bastante decisiva. Lembrou-se que tem que pegar o filho de cinco anos mais cedo, que ficou na casa dos avós para que pudesse trabalhar até de madrugada.
       Mas, a arquiteta ainda estava preocupada com o projeto. Antes de dormir, pensou: “não sei, não estou gostando muito daquele canteiro central que desenhei para o cliente. Gostaria que fosse diferente.”
        Apressada, entrou no carro, soltou um grande suspiro e bravejou contra o trânsito. Pensou: “vai dar certo!” No meio do caminho percebeu que ainda estava com tempo de sobra e não queria chegar tão cedo ao cliente, para não parecer desesperada com o projeto. Ela, realmente, estava desesperada para conquistar aquele cliente! E, claro, precisava do dinheiro. Viu um posto de combustível e resolveu parar para comprar uma água.
        Entrando na loja, pegou água, um suco e umas bolachinhas. Mas, não observou que a fila estava grande. Foi, então, que pensou: “Saco! Por que é que eu fui parar?” E, não teve outro jeito a não ser esperar. E, então, a sua frente, dois homens conversavam. Um deles, disse: “estava pensando em fazer um canteiro lá para o consultório para colocar umas plantinhas bacanas. Como médico, gostaria de tornar o espaço mais legal para os pacientes. E você sabe que minha mulher me deu uma opção interessante? Ela disse: por que você não faz um canteiro assim e assado?”
        Cláudia não pôde acreditar naquilo que ela estava ouvindo! Era a solução ideal para o canteiro. Aquela ideia era brilhante e se encaixava perfeitamente no projeto. Ficou tão interessada na história que puxou conversa com o médico: “olha, você me desculpa, mas eu não pude evitar ouvir sua conversa. Estou fazendo um projeto que tem canteiro e essa ideia que você teve é maravilhosa e acredito que vá se encaixar no meu projeto. Você se importa se eu usá-la?”
        Depois daquela conversa, Cláudia chegou ao cliente muito mais confiante e feliz! E, claro, fechou o negócio. O cliente ficou satisfeito com o projeto e com o canteiro. Além disso, acabou fazendo amizade com o médico e sua esposa.
        Cláudia é o nome fictício de uma amiga que prefere não se identificar. Mas, que conta essa história com muito orgulho. Certa vez, ela me disse: “tudo o que é nosso chega até a gente! Mas, é preciso estar com os ouvidos e olhos bem abertos!”
        Concordo plenamente com ela. Acredito, honestamente, que ao longo de um dia, recebemos sinais diferentes com dicas daquilo que podemos fazer para nós mesmos ou para o nosso trabalho. Mas, nem sempre estamos atentos por causa das preocupações do dia a dia. E, claro, quando ficamos pensando e pensando nem sempre chegamos a alguma conclusão, não é mesmo? E aí, vem alguém de fora e fala algo assim, despretensiosamente, que pode se encaixar perfeitamente naquilo que precisamos para aquele momento.
        Brinco que quando isso acontece, é porque nosso anjo da guarda tentou falar algo para a gente, mas não demos muito pelota. E aí, eles têm trabalho redobrado. Devem pensar: “tá bom, vou tentar alguém mais atento que você”.
        Confessem, vocês nunca ouviram algo que era exatamente aquilo que precisavam ouvir? Mesmo que seja de pessoas que você não conhece muito? Vocês acreditam no acaso? Eu não! E quanto mais acredito nisso, mais encontro pessoas que podem ser pontes para algo novo. Pessoas que me conectam a outras, que me levam a ter ideias que não tive e que me ajudam a me cuidar naquilo que não prestei atenção.
        Apenas para comprovar essa teoria, esse ano perdi um voo. Enquanto estava no caminho para o aeroporto, o taxista disse: “olha, não quero parecer pessimista, mas o tempo está fechado em todo o Brasil, vi na televisão”. Pensei: “chato, não quero lhe ouvir”. E aí, peguei congestionamento, me deu dor de cabeça, enjoo. Pensei: “nossa, eu estava tão bem”. Enfim, cheguei ao aeroporto e já tinha feito o check in antes,  então, faltava apenas embarcar. Mas, quando cheguei ao embarque a moça me disse: “corre, que esse voo acabou de ser encerrado.” Não deu tempo! Fiquei tão chateada que pensei: “como deixei isso acontecer!” Então, fui para a rodoviária e peguei o primeiro ônibus.  Quando cheguei ao destino, seis horas depois, liguei a televisão: “todos os voos para o destino tal foram cancelados”. O voo que iria pegar voltou para Curitiba porque não conseguiu pousar no destino.
        Lembrei-me, então, do taxista. Não é que ele tinha razão? Pessoas podem ser como anjos da guarda, dependendo da atenção ou abertura que damos ao acaso. E mais, depende também da nossa humildade e flexibilidade em admitir que não sabemos tudo!
        Nesse ano tive tantos anjos da guarda que só tenho a agradecer. Pessoas me lembraram de que eu devia cuidar melhor da minha saúde, deram-me ótimas dicas de trabalho, me ajudaram com o blog, me inspiraram com suas histórias, me levaram a lugares que nunca fui antes, me ajudaram a ter coragem. Então, agradeço a esses anjos da guarda, ainda que eles não saibam que tiveram esse papel!
        E me ajudaram a lembrar de que anjos da guarda existem! Esses dias estava dando aula para uma classe bastante cheia, o que torna mais difícil guardar os rostinhos e nomes. Lembro-me de depois de quatro dias de trabalho, ter dividido alguns planos meus com os alunos, em conversas mais descontraídas. E, no último dia, no último minuto de aula, uma aluna virou para mim e disse: “professora, você está nas minhas orações! Você vai conquistar tudo o que deseja!”
        Quantas pessoas lhe desejam tão bem assim, dessa maneira tão gratuita? Eu a agradeci! Nem preciso dizer que fiquei emocionada!
        São ou não são como anjos da guarda essas criaturas que nos visitam de vez em quando? 








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