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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Sem licença para existir!

             Para ser você mesmo é preciso coragem! Isso porque talvez você cause alguns desagrados!
        É que as pessoas, em geral, querem que você seja conveniente. Pense: o mundo exige, acima de tudo, adequação. É preciso ser adequado para trabalhar, para entrar em rodas de “amigos”, para se manter em determinados grupos.
        Já faz algum tempo que as pessoas pedem mais liberdade de expressão ou liberdade para serem elas mesmas. Quando os jovens de duas gerações atrás nadaram peladões em poças de lama em Woodstock, estavam tentando dizer: “ninguém quer mais esses padrões. O que se quer é poder escolher, viver, experimentar, se expressar.”
        É claro que de lá para cá o mundo ficou mais democrático e as pessoas puderam realmente expressar mais facilmente suas escolhas. O Facebook é um exemplo disse. Hoje é possível expor desde desejos sobre a moda até mesmo a opção sexual (ou opções) em quase qualquer lugar. Mas, não sem cair na tentação de tentar se adequar aos demais. Vai que a amiga não gosta do seu namorado novo? Ou da sua calça jeans?
        A adequação é necessária quando a conveniência é uma verdade mais urgente do que a autenticidade. Mesmo que se tente muito, um advogado não pode ir trabalhar peladão só porque seus ancestrais abriram o caminho da paz e do amor, décadas atrás, nadando muito à vontade na lama. Mas, não é exatamente dessa adequação que me refiro. Falo de seguir o fluxo mesmo, sem parar para se reconhecer no meio da multidão.
        Durante muito tempo fiz parte do cardume que nadava pelas correntes mais seguras e conhecidas e que, portanto, não temia os tubarões. Mas, a “normalidade” me trouxe uma estranheza tão grande que sofri, durante muito tempo, ao tentar me adequar aos que os outros achavam o “certo sobre a vida”. Bullshit!
        Ninguém sabe nada sobre nós além de nós mesmos. Ainda que se tenha por perto pessoas amáveis que vão lhe dar referências valiosas sobre si mesmo(a), ainda assim corre-se o risco de tentar atender a uma demanda alheia. Uma opinião alheia é um ponto de vista do outro sobre você. Não é o que você sente!
        Mas, desagradar ao não concordar com uma opinião faz parte da vida assim como nadar com o cardume, só que nem sempre as pessoas contam isso para a gente. E aí, percebe-se que não se está feliz quando algo dói, quando o coração aperta ou o peito sufoca e o corpo comunica aquilo que a mente sabe, mas a falta de coragem não permite dizer: “eu não quero ser igual a todo mundo!” E como custa ser honesto consigo mesmo!
        O mais custoso (e também curioso) é que as pessoas esperam que, porque elas lhe dão atenção, você justifique suas escolhas. O que é, praticamente, a mesma coisa que justificar sua existência! Por que as pessoas simplesmente não podem aceitar as escolhas alheias em vez de tentar classificá-las como se fossem suas? Que chatice! E o mais chato é o pedido de explicação: por que você gosta de fulano e não de ciclano? Por que não usa amarelo se está na moda? Por que se vai em um lugar em vez de outro? Por que comprou esse carro e não aquele? Por que fez psicologia e não direito? Por quê? Por quê? Por quê?
        Por que as pessoas tem tanto medo de que não a sigamos em suas escolhas? Isso é um desagrado? Um desacato? Um pecado?
        Tenho várias frases chaves naquelas situações em que percebo que não estou seguindo o fluxo. Juro que espero ao máximo para abrir a boca antes de dar minha opinião porque sei que pode chocar. Mas, tem horas que admito: eu não curto sorvete (eu odeio mesmo!) e não gosto das canções de Adele. São duas coisas que não me descem! Ah, também não gosto de lasanha. Aliás, se fosse fazer uma lista de coisas das quais não sigo o fluxo talvez esse texto tivesse muitas laudas. Mas, entre as que posso assumir publicamente (rsssss) ainda estão: sou uma comunicadora silenciosa e prefiro ouvir a falar; dou curso de Oratória e falo baixinho (e ninguém reclamou até hoje ou percebeu); odeio fofocas e quando alguém vem me contar já digo que não quero saber. No entanto, guardo segredos (dos outros) tão bem guardados que não confesso nem sob tortura. E uma vez já admiti aqui que acho o Brad Pitt sem sal. Já James Franco, quanto tempero!
        E aí, quando falo qualquer uma dessas coisas, fico esperando a frase que vem na sequência: você é normal?
        Dou risada. Claro que sou! E replico: você é que não descobriu os mistérios sobre você mesmo ou não tem coragem de assumi-los.
        Como diz uma das últimas frases do filme cult (rsssss) “Marley e eu”, somente um cachorro vai lhe amar assim, na sua autenticidade e ainda gratuitamente, sem esperar muito em troca. Achei bem válida a frase!
        Por isso, concluo assim: há dois movimentos estranhos quando se tenta seguir o fluxo: 1) seguir o fluxo por si só já é estranho. Quando se tenta agradar aos outros, fatalmente você irá se desagradar. 2) Você até pode não seguir o fluxo, mas justifica suas escolhas? Não justifique! Você nasceu assim, desse jeitinho, com todos os seus desejos e sonhos e chatices! Esse é você! Não é necessário justificar o que se vá fazer ou do gosta de fazer só porque não é o que todo mundo faz (ou gosta)! Comunique quem é você!
        Eu farei isso, gostando você ou não! 



1 comentários:

A conveniência é uma putinha com ares angelicais...

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