Marcadores

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Play it again, Sam!

        Esses dias percorri quatrocentos quilômetros ouvindo, basicamente, uma única música: California Dreaming, do The Mamas & The Papas. Claro, que alternei a música com algumas outras só para variar um pouquinho. Mas, um pouquinho!




        Numa interpretação livre e sem nenhum embasamento científico chamo essa necessidade de ouvir uma mesma música de “sentimento único”, que é quando a gente não quer mudar uma sensação que uma música pode nos passar, e aí fazemos de tudo, mas de tudo mesmo (até apertar o botão “voltar” inúmeras vezes), para aquela música não sair da cabeça.
        Brinco que, infelizmente, músicas legais são como Yakult, quando se percebe, já passaram e sempre se quer mais um pouquinho. Acredito que algumas músicas poderiam fazer parte do hall do rock progressivo, aquele gênero musical que embalou muitas viagens de gente que tomou chá de fita e nunca mais desligou o play.
        Já pensou se as músicas bacanas tivessem a duração de Shine on you crazy diamond, do Pink Floyd...






... ou as mais conhecidas do Jethro Tull? 





      Mas, claro, essa era outra época e talvez as pessoas tivessem mais tempo de apreciar uma música. Ou mais loucura mesmo!
        E quando se gosta de uma música que não sai da cabeça e não se sabe de quem é?  Dá um nervoso! Aí se pergunta aos colegas de trabalho ou amigos todo tipo de coisa para tentar lembrar da dita-cuja da música: “sabe aquele filme de tal atriz, que tem aquele ator conhecido também? Então, sabe aquela cena que tem aquela música?”
        Numa dessas foi que criei uma briga bem grande com amigos fãs de Pearl Jam. Jurava que Like a Stone, do Audioslave, fosse do Pearl Jam. Uma vez escutei-a em qualquer lugar (não me lembro onde) e pensei: “nossa, Pearl Jam mudou a pegada das músicas”. E, durante anos, sem nunca ir ao Youtube verificar, jurava que a voz de Like a Stone era de Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam! E, foi que, em uma roda de amigos, comentei sobre a música: só faltou a conversa acabar em tiroteio! Tá bom, gente, entendi que não é o Pearl Jam. Mas, cá entre nós, não parece?
        



       Outra coisa difícil é quando se tem uma música na cabeça e não se sabe cantá-la, principalmente quando se é em outra língua. É como tortura chinesa! Carla Bruni é sempre um desafio. Além de linda e talentosa, tem uma voz única, com letras super charmosas e ainda algumas com uma certa profundidade. Qual mulher não se identifica? Ela é um  símbolo feminino na música contemporânea! E foi por causa dela que fiz uma coisa de adolescente: imprimi as letras para poder acompanhar o que cantava! Não podia perder La dernière minute ou a leveza de Chez Keith Et Anita.
        



      Mas, claro, nem toda música que temos na cabeça contém uma letra do maestro Antônio Carlos Jobim. De vez em quando, a melodia vem do outro lado do Rio de Janeiro. Esses dias, coloquei em sala de aula a música abaixo para fazer um estudo sobre o que as pessoas tentavam comunicar sobre sua realidade.


        

        Você também ficou com ela na cabeça? Foi a primeira coisa que os alunos falaram: “ah, professora, agora vai impregnar.” Desculpa, gente, mas foi necessário!
        Se você ficou com essa música na cabeça, dou uma dica. Tem um site chamado “desescute” (link no rodapé) que tem por objetivo lhe ajudar a tirar uma música da cabeça. E, ainda, faz você vai ficar com outras na sua mente. Por exemplo, quem nunca cantou o refrão de Losing my religion, do R.E.M? Gruda como chiclete! Mesmo que não escute a música, já pensou no refrão! Funcionou!
        Ah, o que tudo isso tem a ver com comunicação? Músicas comunicam estados de espírito. E, se você não sabe que estado de espírito está agora, então, olhe para o seu Ipod ou celular e observe sua seleção. Ela vai dizer muito sobre você mesmo!
         Ainda não consegui tirar California Dreaming da cabeça. Tomara que fique na de vocês! Play it again, Sam!






p.s: o site desescute! Clique aqui!

p.s1: Play it again, Sam, é uma brincadeira com o filme Casablanca! Essa frase que nunca foi dita, apesar das pessoas acreditarem que sim. Ingrid Bergman diz apenas: “Play it, Sam. Play As Time Goes By”. Taí uma música bem legal para se ficar na cabeça!





2 comentários:

Postar um comentário