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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

as perdas comunicam...

         Ninguém gosta de ter perdas de nenhuma maneira. Ninguém quer perder o seu tempo, dinheiro, saúde, amigos ou a paciência. Mas, às vezes, se perde. Existem alguns períodos da vida em que a perda parece visitar os corações quase que diariamente. E, então, se pergunta: por quê?
        Em geral, a perda é considerada a partir do ponto de vista do merecimento. Acredita-se que todo mundo merece ter alguma coisa, como um carro, um apartamento, pessoas em volta, funcionários ou amigos. Mas, quando alguma coisa é subtraída, é como se tivessem tirado o chão porque, a princípio, tudo aquilo fazia parte da sua vida. Então, por que lhe foi tirado?
        A perda faz parte da vida, assim como os ganhos, mas nem todo mundo percebe assim, porque se quer ter ganhos todos os dias sem entender que, para isso, será preciso abrir mão de outras coisas. Existem, claro, algumas perdas significativas, que não são tão simples assim de se absorver. Diante da morte, por exemplo, a dor faz questionar vários outros “pertencimentos”. Isso porque quando alguém não convive mais com a gente, o vazio anuncia aquilo que o coração não quer entender: não vai mais existir o contato físico. No entanto, prefiro acreditar que a morte não é algo tão trágico assim. É claro que a dor vai existir, mas para mim é a representação máxima de um novo começo.
        Ninguém precisa acreditar nisso, mas, eu acredito! Não só porque acredito que possa existir algo além da vida, mas uma perda é uma maneira de se enxergar a vida em novas circunstâncias. Você será obrigado a se repensar, a se reconstruir em sua rotina, em seu todo.
        Por isso, digo que toda perda é acompanhada de dor, infelizmente. Se você perde uma nota de cinquenta reais, que tinha certeza que estava no bolso da sua calça, você fica triste, não fica? Mas, a circunstância lhe mostra a sua desatenção com dinheiro. Por que guardar dinheiro no bolso da calça? Então, a perda serviu para lhe advertir.
        É claro que essa dor não é a mesma dor do que perder alguém, por exemplo. Acredito também que a dor é um ponto de vista muito peculiar. Lembro-me, anos atrás, temer muito a dor e as perdas. E, então, chegou um momento em que parei de brigar com esses sentimentos. E, comecei a observá-los, como quem esperava que me contassem algo. Foi aí que, como comunicadora, entendi uma coisa muito básica para algumas pessoas, mas que para mim não era: perdas comunicam nova vida!
        Sei que parece um ponto de vista ilusório ou otimista demais. Mas, não é não. As perdas mostram que nem sempre se está no caminho certo. Perdem-se coisas porque talvez elas nunca fizeram realmente parte de você. Quem nunca teve uma amiga querida, querida, que lhe pediu um favor e nunca mais apareceu? Então, você não a perdeu pelo simples fato de que ela nunca esteve ali. Mas, esse sentimento de perda lhe fez perceber o quanto se dá atenção a quem não lhe dá atenção alguma. Foi uma perda, portanto?
        Outro exemplo que para mim é nítido de que vai haver uma perda é quando as pessoas faltam com respeito. E, então, em conversa com alguns amigos, entendi que esse comportamento era mais comum do que imaginava. Ninguém quer ter por perto alguém que não lhe respeita. Até porque quem não lhe respeita lhe rouba o tempo e a paciência. E mais, em geral é um egoísta que só enxerga a si. Então, por que esperar respeito de quem não lhe enxerga? Portanto, existem perdas necessárias. Pergunto-lhe novamente, foi uma perda, portanto?
        O mais doloroso do que o sofrimento causado pela perda é entender que a perda pretende comunicar algo, mas nem sempre se está pronto para ouvir. Diante da morte, em geral, questiona-se o quanto se despendeu tempo ou que sentimentos se teve por quem se foi. Não parecem os mesmos sentimentos que se tem com algumas outras perdas?
        E mais: a perda diz, escrachadamente, que a dor existe porque você não se ouviu. É como aquela velha conselheira que vai lhe dizer: não disse? Você sabia, mas não quis se ouvir!
        Por isso, quando a dor e as perdas são inevitáveis, agradeço. E, assim como o respeito que tenho pela morte, entendo que esses sentimentos nos dizem algo muito forte: você se perdeu! Mesmo diante de fatos inevitáveis ou inimagináveis, a perda lhe coloca em prova, para que você se conheça diante do novo ou se reencontre!
         Então, quando tenho um dia ou uma semana inteira de perdas e o coração parece sufocar, paro para ouvir. Dói, claro que dói. Mas, hoje sei que o ganho posterior é muito maior.
        É como o anúncio de um novo tempo! E que também pode vir acompanhado de outras perdas porque, claro, faz parte da vida. Ou posso esperar que a experiência me traga dias melhores!







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