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Treinamento para falar bem na mídia, palestras, reuniões e vídeo aulas.

Comunicação como ferramenta

Conheça os benefícios de uma comunicação mais eficiente.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

a fala sustentável

               Em geral, começo minhas aulas dizendo algo assim: nós estamos muito preocupados em separar o lixo de casa e ajudar o mundo a se tornar mais sustentável. Fato! Mas, não estamos preocupados com o lixo verbal que produzimos todos os dias. Não é estranho isso?
        Antes de criar qualquer conflito com possíveis ambientalistas presentes na aula, explico aos alunos: pessoal, separar o lixo é muito importante mesmo. Vamos continuar fazendo isso. Com certeza, vai ajudar a natureza a se recompor, literalmente, tornando-se um benefício a todos nós e às próximas gerações.
        Mas, por que não somos “sustentáveis” também com aquilo que falamos? Por que não cultivamos a sustentabilidade na nossa comunicação?
        Anos atrás, quando comecei a estudar a comunicação pessoal, levei muitos sustos. E os levo ainda hoje, principalmente quando observo a força que há por trás daquilo que falamos. Por que dizemos certas coisas? E o que queremos efetivamente dizer quando abrimos a boca? De que maneira fazemos isso?
        Nem preciso dizer que foram anos de observações sobre como a comunicação poderia fluir melhor. A minha, inclusive! E fluir não é como o leito do rio, que flui naturalmente. Descobri que comunicação só flui quando há uma tranquilidade na alma! Já explico isso melhor.
        Foram anos de pesquisa e muitas indagações para perceber uma coisa muito triste: produzimos muito lixo quando falamos. Senti-me como Al Gore, ex-vice-presidente americano e ativista ecológico, observando o derretimento da neve no monte Kilimanjaro. Fiquei pasma! Al Gore recebeu muitas críticas quando fez um documentário tratando de pesquisas científicas que comprovariam (mas, que não exatamente foram comprovadas) que a poluição tem ajudado a derreter a neve naquele monte. Não sei exatamente a veracidade desses fatos, mas para mim, é evidente que a neve do Kilimanjaro está derretendo, assim como a dos Andes. Não lhe parece prático entender que o clima está meio louco e que existem mais catástrofes causadas pela variação climática hoje do que há cinquenta anos? Então, a sustentabilidade, nos tempos de hoje, é uma palavrinha que vem a calhar. Entendemos que precisamos ser sustentáveis para continuar vivendo.
        E já que ela está ao nosso alcance, por que não a usamos também para a comunicação? Percebi uma coisa muito engraçada nas minhas pesquisas: as pessoas nem sempre querem tornar suas relações estáveis (diria até sustentáveis) e, por isso mesmo, não utilizam a comunicação como um meio para solucionar suas questões de afetividade. Vamos lembrar que nos comunicamos pelo simples fato de que precisamos estar conectados a alguém, independentemente de quem seja esse alguém (família, amigos, chefe, contatos).
        Então, por que não falamos de maneira simples e tranquila com quem nos relacionamos? Acredito que não usamos nossa fala para solucionar pequenos conflitos ou apenas entendê-los porque, muitas vezes, preferimos o conflito, a dor, o equívoco. Meio masoquista isso, mas é verdade! Quantas vezes falei sobre assertividade, por exemplo, com pessoas ao meu redor e tudo o que ouvia era: ah, mas isso não vai dar certo lá na minha empresa!
        O mundo está tão cheio de lixo (por nós mesmos produzidos), que não percebemos que traduzimos esse lixo também em palavras. Claro que nosso discurso atabalhoado é fruto de nossa estafa mental, é consequência de um trânsito pesado, de muitas metas no trabalho, do “ter que, ter que”. Mas, aí que eu penso: não selecionamos e tiramos o lixo de nossa casa? Por que não podemos fazer o mesmo com nossas palavras? Não seria melhor selecioná-las antes de dizer qualquer coisa?
        Tornar a comunicação sustentável não parece algo prático, mas podemos tentar. E quando entendemos que temos que ser “limpinhos” com nossa mente, para que a voz não reproduza aquilo de que vamos nos arrepender mais para frente, começamos a tornar isso um hábito, assim como separar o lixo.
        Digo que para tornar as palavras sustentáveis não basta ter um discurso “ecochato”. É preciso alguns movimentos muito simples, que podem ser utilizados em qualquer situação comunicativa, onde você estiver: 1) escute quem está falando, 2) preste atenção no argumento da pessoa e não na pessoa em si, 3) responda apenas o que lhe foi pedido.
        Se você tiver que ouvir o seu interlocutor, mas de verdade, estará limpando sua mente naquele momento. Se tiver que prestar atenção no discurso da pessoa e não na pessoa em si, tem maiores chances de não fazer julgamentos. Não precisamos analisar os outros o tempo todo. Precisamos ouvi-las, apenas. E se respondemos apenas o que foi pedido, evitamos a poluição verbal ou um desgaste desnecessário. Precisamos falar muito o tempo todo? Precisamos dar nossa opinião como se estivéssemos em um palanque discursando para Deus? Nem Deus aguentaria!
        Não precisamos nos preocupar muito com as embalagens da nossa fala. As pessoas querem, assim como em um mundo sustentável, fazer trocas justas com a gente, como se fosse um processo colaborativo. Então, podemos trocar informações de maneira sustentável. Por isso, ao falar esteja com a alma tranquila. Seja “limpinho” com seus pensamentos. Seja seletivo com seu próprio discurso. Economize a sua energia e a dos outros.
        Não queremos viver melhor? Não vamos promover a poluição verbal. Já temos lixo demais no mundo!






sexta-feira, 20 de setembro de 2013

as perdas comunicam...

         Ninguém gosta de ter perdas de nenhuma maneira. Ninguém quer perder o seu tempo, dinheiro, saúde, amigos ou a paciência. Mas, às vezes, se perde. Existem alguns períodos da vida em que a perda parece visitar os corações quase que diariamente. E, então, se pergunta: por quê?
        Em geral, a perda é considerada a partir do ponto de vista do merecimento. Acredita-se que todo mundo merece ter alguma coisa, como um carro, um apartamento, pessoas em volta, funcionários ou amigos. Mas, quando alguma coisa é subtraída, é como se tivessem tirado o chão porque, a princípio, tudo aquilo fazia parte da sua vida. Então, por que lhe foi tirado?
        A perda faz parte da vida, assim como os ganhos, mas nem todo mundo percebe assim, porque se quer ter ganhos todos os dias sem entender que, para isso, será preciso abrir mão de outras coisas. Existem, claro, algumas perdas significativas, que não são tão simples assim de se absorver. Diante da morte, por exemplo, a dor faz questionar vários outros “pertencimentos”. Isso porque quando alguém não convive mais com a gente, o vazio anuncia aquilo que o coração não quer entender: não vai mais existir o contato físico. No entanto, prefiro acreditar que a morte não é algo tão trágico assim. É claro que a dor vai existir, mas para mim é a representação máxima de um novo começo.
        Ninguém precisa acreditar nisso, mas, eu acredito! Não só porque acredito que possa existir algo além da vida, mas uma perda é uma maneira de se enxergar a vida em novas circunstâncias. Você será obrigado a se repensar, a se reconstruir em sua rotina, em seu todo.
        Por isso, digo que toda perda é acompanhada de dor, infelizmente. Se você perde uma nota de cinquenta reais, que tinha certeza que estava no bolso da sua calça, você fica triste, não fica? Mas, a circunstância lhe mostra a sua desatenção com dinheiro. Por que guardar dinheiro no bolso da calça? Então, a perda serviu para lhe advertir.
        É claro que essa dor não é a mesma dor do que perder alguém, por exemplo. Acredito também que a dor é um ponto de vista muito peculiar. Lembro-me, anos atrás, temer muito a dor e as perdas. E, então, chegou um momento em que parei de brigar com esses sentimentos. E, comecei a observá-los, como quem esperava que me contassem algo. Foi aí que, como comunicadora, entendi uma coisa muito básica para algumas pessoas, mas que para mim não era: perdas comunicam nova vida!
        Sei que parece um ponto de vista ilusório ou otimista demais. Mas, não é não. As perdas mostram que nem sempre se está no caminho certo. Perdem-se coisas porque talvez elas nunca fizeram realmente parte de você. Quem nunca teve uma amiga querida, querida, que lhe pediu um favor e nunca mais apareceu? Então, você não a perdeu pelo simples fato de que ela nunca esteve ali. Mas, esse sentimento de perda lhe fez perceber o quanto se dá atenção a quem não lhe dá atenção alguma. Foi uma perda, portanto?
        Outro exemplo que para mim é nítido de que vai haver uma perda é quando as pessoas faltam com respeito. E, então, em conversa com alguns amigos, entendi que esse comportamento era mais comum do que imaginava. Ninguém quer ter por perto alguém que não lhe respeita. Até porque quem não lhe respeita lhe rouba o tempo e a paciência. E mais, em geral é um egoísta que só enxerga a si. Então, por que esperar respeito de quem não lhe enxerga? Portanto, existem perdas necessárias. Pergunto-lhe novamente, foi uma perda, portanto?
        O mais doloroso do que o sofrimento causado pela perda é entender que a perda pretende comunicar algo, mas nem sempre se está pronto para ouvir. Diante da morte, em geral, questiona-se o quanto se despendeu tempo ou que sentimentos se teve por quem se foi. Não parecem os mesmos sentimentos que se tem com algumas outras perdas?
        E mais: a perda diz, escrachadamente, que a dor existe porque você não se ouviu. É como aquela velha conselheira que vai lhe dizer: não disse? Você sabia, mas não quis se ouvir!
        Por isso, quando a dor e as perdas são inevitáveis, agradeço. E, assim como o respeito que tenho pela morte, entendo que esses sentimentos nos dizem algo muito forte: você se perdeu! Mesmo diante de fatos inevitáveis ou inimagináveis, a perda lhe coloca em prova, para que você se conheça diante do novo ou se reencontre!
         Então, quando tenho um dia ou uma semana inteira de perdas e o coração parece sufocar, paro para ouvir. Dói, claro que dói. Mas, hoje sei que o ganho posterior é muito maior.
        É como o anúncio de um novo tempo! E que também pode vir acompanhado de outras perdas porque, claro, faz parte da vida. Ou posso esperar que a experiência me traga dias melhores!







quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Sobre aquilo que sentimos!

        Esses dias li uma frase em um livro que foi a comprovação de algo que eu desconfiava há muitos anos: não somos ensinados a olhar para os nossos sentimentos até que eles comecem a nos sufocar.
        De uns anos para cá, comecei a observar mais a fundo as conversas que tenho tido com amigos e também conhecidos (e até mesmo com estranhos). Como estudiosa da linguagem, sei que existe um canhão de desejos e sentimentos que ficam evidenciados quando falamos, mesmo quando não queremos mostrá-los. E, então, passei a observar mais os discursos das pessoas, não com o intuito de chegar a alguma conclusão ou encontrar “a verdade” (mesmo porque verdade não existe. Existem pontos de vista sobre a vida) Enfim, queria observar, apenas.
        E, então, quando alguém me contava uma história, ao final (quando sentia que não seria muito invasiva) perguntava: como você está se sentindo com isso? A maioria respondia: não sei! A pessoa não sabia mesmo, não era preguiça da sua parte. Simplesmente não sabia o que fazer com aquele sentimento. Não havia adjetivos para ele.
        Observei também que muitas pessoas tinham vergonha de ter um sentimento. Então, por exemplo, quando eu perguntava: você ficou chateada(o) com essa história toda? A pessoa me respondia: imagina, eu não!
        E comecei a questionar o porquê um sentimento deveria ser escondido para nós mesmos. O que nos faz ficar vivos são nossos sentimentos! Não saímos de casa e deixamos nossos sentimentos no guarda-roupa. Não à toa, às vezes chegamos ao trabalho com uma cara não muito boa. E naquele dia alguém pergunta: aconteceu alguma coisa? E só aconteceu porque estamos sentindo algo. Parece óbvio isso, não? Mas, no dia a dia, nem sempre identificamos nossos sentimentos.
        Uma amiga me falou que se ela contasse todos os sentimentos dela no trabalho temia ser mandada embora. Eu disse, mas por que você precisa contar? Acredito que os ruídos de comunicação acontecem por vários motivos, mas um deles, sem sombra de dúvidas, é quando não sabemos o que estamos sentindo e queremos verbalizá-los. Estamos bravos com o trabalho? Com o cliente? Com os colegas? Com a família? Com os quilinhos a mais? E aí, como somos relacionais e no Brasil tendemos a contar nossa vida pessoal para os colegas de trabalho, achamos que eles também têm que nos ajudar a resolver nossos problemas pessoais. No trabalho, qual é o sentimento com o trabalho? No relacionamento, qual é o nosso sentimento com a pessoa com quem nos relacionamos?
        Acredito que não precisamos expressar nossos sentimentos o tempo todo. Nem seria viável. Mas, que tal identificá-los?
        Uma vez ouvi de uma pessoa assim: se eu fosse lhe contar todos os meus sentimentos acredito que não seríamos mais amigos. E, então lhe disse: perfeito! Agora eu sei o que sente por mim e não precisa esconder os seus sentimentos mais para você, porque para mim eles estão nítidos.
        Eu já escutei tanto sobre sentimentos nesses últimos anos, mas um tipo de sentimento me chama muito a atenção: o que as pessoas esperam que você seja por elas. E, então, identifiquei que esse é um método bastante doloroso de pedir ajuda, já que, em geral, afasta as pessoas. Se você não identifica um sentimento é possível que exija do outro que ele identifique o que você está sentindo. É bastante injusto porque como é que podemos saber o que se passa na cabeça de outra pessoa?
        E é aí que repito: que tal identificar o que estamos sentindo? É claro que não temos sentimentos nobres sempre. Aliás, não temos sentimentos nobres muitas vezes ao longo de um dia. Mesmo assim, em vez de fugir dos meus sentimentos, entendi que estava na hora de entendê-los. Mesmo os menos legais, comecei a observar e não julgá-los mais. E mais: comecei a anotar que sentimento existia em determinado momento para ver se era recorrente. Foi aí que percebi que o que sentia podia ser passageiro ou não, dependia do que eu gostaria de fazer com aquele sentimento. E para isso é preciso se despir para você mesmo, com a certeza de que o que vá encontrar pode não ser bom.
        Foram anos sondando os meus sentimentos e os dos outros e então, não cheguei a conclusão alguma. Sabe por quê? Sentimentos não são exatamente conclusivos. Apenas sentimos algo em um determinado momento. Acredito que eles aparecem para percebermos algo e não necessariamente nos acompanharão pelo resto da vida.
        E, então, entendi também que nos despedimos de alguns sentimentos como quem se despede de um parente muito chegado. Aliás, de alguns deles desapeguei-me completamente como quem deixa uma pessoa em uma estação de trem daquelas bem velhas. Sem olhar para trás, apenas fui embora na esperança de que nunca mais retornariam. Não é que funcionou?
        Ainda continuo sentindo um bando de outras coisas! Mas, no ritmo do meu coração, os sentimentos vão e vem dando novos passos a antigos hábitos sem esperar que eles me sufoquem para então percebê-los. 
         E falo isso com todo o meu sentimento!




quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Nothing box!

        Quando um homem vai ao salão – primeiro que homem vai ao barbeiro e não ao salão – bate nas costas do barbeiro (que, em geral é barbudo), abre uma revista pornográfica, não puxa assunto e não pensa em nada. Tenho uma admiração profunda pelo “nothing box” masculino, que é aquele momento em que os homens não pensam absolutamente em nada. Só eles conseguem fazer isso com tanta maestria!
        Um grande exemplo de “nothing box” é o personagem Homer Simpson do seriado americano. Em alguns momentos, o personagem abre uma cerveja e se imagina fazendo algo completamente diferente daquilo que ele estava fazendo. E aí, ele se vê, por exemplo, namorando a atriz da revista pornô (que é o que muitos homens devem pensar no barbeiro, rssss) e depois de alguns minutos, até aquela cena maravilhosa desaparece da cabeça dele. Esse é o “nothing box”, o momento em que os homens não pensam nada.
        Sabe quando a mulher vira para o marido e fala assim: amor, o que você está pensando? E o marido fala: nada! É nada mesmo! Acredite!
        Eu chamo esse momento de não pensar em nada como uma dádiva da natureza masculina. Afinal, como é bom não pensar em nada. Para não pensar em nada, nós, mulheres, precisamos nos concentrar. E aí há um esforço que envolve tempo e energia. Quer dizer, até para não pensar em nada, temos que pensar. Que injusto!
        E isso tem uma explicação: nós somos ensinadas, desde crianças, a dar o “suporte” ao outro, a dar atenção e colo, a sermos gentis. Quer ver como? Menina educada não fala palavrão e responde quando é chamada. Se um menino não responde a sua mãe, o que é bem comum, a mãe fala: esse menino, vou te contar! Mas, permite que ele não responda nada. E, então, os homens aprendem, desde cedo, a dar suporte a seus neurônios: cansou, entra no “nothing box”.
        O que quero dizer é que, ao contrário do que muita gente diz ou pensa, não pensar em nada (que é a mesma coisa de entrar no “nothing box”) é uma prática que nós mulheres deveríamos nos permitir, de hora em hora. Até para não ficarmos pensando em dar suporte para os outros, quando não damos nem a nós mesmos. Pensou na celulite? “Nothing box”. Está se preocupando demais com os filhos? “Nothing box”! Não sabe como prospectar clientes? Nothing box!
        É claro que, numa sociedade como a nossa, o “nothing box” nem sempre é bem visto. Afinal, espera-se das pessoas que elas tenham um comportamento receptivo. Mas, e daí? As pessoas esperam muitas coisas! Eu defendo que, se for para o bem dos seus neurônios, use o “nothing box”.  Seja você homem ou mulher, criança ou idoso, pobre ou rico, use o “nothing box”.

        Perguntem aos homens se eles estão, assim, tão preocupados com o corpinho, conta bancária, de não pegar nem gripe, de não ter o carro do momento? Bendito “nothing box”!