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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Sua vida é um Facebook aberto?



A frase “minha vida é um livro aberto” é utilizada por aqueles que querem reafirmar que nunca cometeu nada de errado e que não tem o que esconder em sua vida. Setenta anos atrás, a expressão poderia fazer todo o sentido: se você não fosse investigado pela CIA ou KGB, a sua vida jamais seria, realmente, um livro aberto. Pense só com quantas pessoas um adulto se comunicava ou se relacionava durante um dia, sem televisão, internet e celulares? A comunicação era muito mais limitada do que hoje. Portanto, naquela época, a frase não deveria ser entendida ao pé da letra! Honestamente, acredito que pouquíssimas pessoas poderiam ter uma vida “de livro aberto”.
E ainda que uma pessoa se esforçasse muito para se expor, como por exemplo, sair na rua nua com apenas um sutiã na cabeça, a fama passaria rápido, afinal, jornais impressos (principal fonte de notícias até a década de 50, na maioria dos países) acabavam virando embrulho para peixes no dia seguinte. Seriam como os quinze minutos de fama atuais.
        Aliás, a frase “quinze minutos de fama” foi criada pelo famoso Andy Warhol, que, ao explicar de onde vinha a inspiração para algumas de suas obras (principalmente as que apresentavam situações cotidianas, como acidentes de carro), teria dito: “No futuro, todo mundo merece ter pelo menos 15 minutos de fama!”
        O mundo estava longe de conhecer os reality shows e Mark Elliot Zuckerberg nem sonhava em nascer. Mas, como visionário que era, Warhol sabia que o POP iria, literalmente, trazer popularidade aos desconhecidos. E, em pleno século XXI, a profecia do artista virou realidade. Vive-se hoje em um mundo de exposições da autoimagem.
        Muita gente pode considerar a exposição das redes como algo nocivo. Outros vão afirmar que elas não têm a função de expor as pessoas, mas apenas as une e encurta distâncias. Cada um vai olhar para as redes como gostaria de entendê-las. Então, pularei a parte se as redes são legais ou não ou se são nocivas ou não. Não vem ao caso! O que pretendo questionar é que sendo uma ferramenta de comunicação, por que ainda muitas pessoas tratam as redes sociais como se estivessem falando sozinhos?
        Desabafos, desafetos, tristezas ou melancolias, ódio e rancor, euforia e medos, alegrias, encantamentos, desejos, sonhos, buscas, amor. Quantos sentimentos são mostrados, agora assim como um livro aberto, sem nenhum receio de quem lê o que é publicado? Aliás, uma das perguntas que o Facebook lhe faz é “o que você está sentindo agora”? Claro, muita gente responde. Não que eu acredito que se deva ter receio de “dizer algo” no Facebook! Mas, creio que, para algumas pessoas, no mundo virtual é mais fácil de se falar “coisas” do que no real. E não tenho certeza se no mundo real essas coisas realmente seriam ditas. E mais, quanto do que é dito no mundo virtual é uma reafirmação para si mesmo?        Talvez para que as pessoas pudessem se ouvir falando: “sou feliz, sou feliz, sou feliz” ou “estou muito puto com esse trabalho” ou “quero que todo mundo vá à merda porque estou em um mal dia”. E pessoalmente, você faria isso com seus colegas de trabalho ou com a família ou namorado?
        Então, questiono quantas denúncias e pistas sobre si mesmo são mostradas no Facebook sem que você perceba a exposição que faz da sua imagem? Você não xinga, mas mostra sua vida pessoal? Sua casa, seu carro, seu jardim, a rotina dos filhos, vida social, amigos e bares? Veja, não estou questionando se essa exposição é ruim. É realmente difícil não compartilhar momentos legais da vida. Esses dias, estive em Florianópolis e, ao final do dia, postei uma foto de uma praia (claro, Floripa é rodeada de praias). E, então, comecei a receber ligações de pessoas, algumas próximas e outras não, me perguntando: quando foi que eu havia me mudado para Floripa? Pensei, meu Deus, é muita exposição! E, então, entendi que a dimensão nas redes é muito maior do que se imagina. Portanto, a dúvida é: é possível mensurar quem vê o que se posta?
        Essa semana rolou, justo no Facebook, um vídeo que mostra a maneira como as pessoas se expõem nessa rede social e como elas estão vulneráveis às informações que elas mesmos deram sobre si. O vídeo é surpreendente! São menos de três minutos, vale a pena assistir.

        E a sua vida, é um Facebook aberto?



p.s: deem uma olhadinha no vídeo:



p.s1: agradeço ao queridíssimo Mariel Fernandes que se deu ao trabalho de baixar o vídeo para mim. 
Gente, Mariel é publicitário  e também blogueiro. Tem um blog bem bacana. Vale a pena ler os textos! Basta acessar: http://marielfernandes.com/ 





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