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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A história do vínculo

             Uma das coisas mais básicas da comunicação é que toda vez que se inicia uma nova conversa com alguém está se criando um vínculo.
        Sei que parece meio fatalista esse ponto de vista. Mas, a longo prazo, é possível se observar com mais profundidade como os vínculos são estabelecidos a partir de uma simples conversa. Mesmo àquelas aparentemente bobas, como um bate papo com um atendente enquanto compra-se pão, representam vínculos. Se durante ano, você comprar pão na mesma padaria, vai perceber que conhece a família do padeiro e que, volte e meia, ele reserva um pão especial para você. Esse é um exemplo de um vínculo concretizado.
        Quando se inicia uma conversa com alguém talvez o propósito não seja o de gerar uma amizade. Mas, sempre existe um propósito, nem que seja o da gentileza. Quando se vai comprar algo, por exemplo, sabe-se que se você tratar bem um atendente ele também retribuirá com um bom atendimento, assim como um cliente com raiva ou impaciência gera, no mínimo, um desconforto em uma loja. Talvez até seja bem atendido, mas será evitado posteriormente por qualquer comprador, naturalmente.
        No entanto, uma pessoa que é bem recebida em uma loja retorna, uma vez que se cria um laço de confiança com alguém que lhe recebeu bem. Então, portanto, cria-se um vínculo.  
        E, enquanto se vive as vinte e quatro horas de um dia, é possível se estabelecer inúmeros vínculos com várias pessoas usando a comunicação. Mesmo que esse vínculo seja sutil, ele existe.
        Uma pessoa que lhe pede um orçamento é um vínculo. Se o cliente acreditar em suas palavras ou serviços, possivelmente voltará a entrar em contato contigo não apenas pela indicação de alguém, mas porque confiou em você.  E o oposto também existe. Quando se usa a comunicação só quando há interesse, é inevitável que isso gere um ruído.
        Por exemplo, imagine você sendo o cliente de uma loja, do qual é muito bem recebido até efetuar uma compra. Chega-se em casa e percebe-se que a roupa que havia comprado estava com um defeitinho e gostaria de trocá-la. Ao retornar na loja, nota-se que você não foi tão bem atendido quanto no momento da compra. Mas, o que aconteceu de diferente? Você não é cliente?
        Pois, bem. O problema é justamente esse. Você já é cliente e “não precisa mais ser conquistado”. É exatamente assim que as pessoas se sentem após perceberem que uma conversa que começou muito bem começou a falhar ou deixou de existir.
        E é aí que eu digo que a comunicação é a mãe da responsabilidade. É importante ter muito cuidado com os vínculos que se cria com alguém por meio daquilo que se fala. Quando você aciona alguém você tem um propósito, mesmo que seja apenas uma possibilidade de negócios. E quando não se pretende mais estabelecer esse vínculo é necessário ter maturidade para finalizá-lo, tanto quanto se teve ao cria-lo.
        Parece complicado? Basta identificar seus propósitos. Mas, deixe claro essas intenções para você mesmo e para o outro. Você não é obrigado a criar vínculos com ninguém e pode, claro, mudar de ideia no meio do caminho. Mas, é preciso saber desvincular. É preciso ter a mesma gentileza que quando você acionou alguém e dizer “obrigada até aqui”.
        É interessante observar que as pessoas, geralmente, reclamam de falta de abertura no mercado ou percebem que realizam as mesmas trocas com um mesmo estilo de pessoas, sempre. Mas, quanto se é aberto aos vínculos? E quantos vínculos foram efetivamente finalizados?
        Particularmente, fico impressionada com a quantidade de possibilidades de ferramentas de comunicação existentes hoje no mundo e a tão pouca importância que se dá aquilo que se fala.
        Eu acredito, realmente, que vínculos vão e vem como pequenos pactos. Mas, se não soubermos tratá-los com respeito, nunca mais serão vínculos. Eu sei que isso também parece fatalista! Mas, no fundo, no fundo, isso é apenas comunicação.




1 comentários:

Excelente esse texto!
Eu tava precisando ler algo assim. Muito obrigado por postá-lo.

Abraço!

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