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quinta-feira, 18 de julho de 2013

O velho e o novo mundo do ensino




        Ensinar é mesmo uma arte. Quem nunca teve um professor que lhe marcou a vida ou simplesmente disse algo que iria mudar sua carreira? Pois é. Essa troca em sala de aula é maravilhosa! Quem é professor sabe que ensinar não é simplesmente transmitir conhecimentos. É uma ação que envolve ouvir, absorver, falar e trocar. Os professores aprendem muito (pelo menos, eu) quando conseguem entender as dúvidas de seus alunos. Cada pergunta é um desafio para, não apenas melhorar seu conteúdo, mas também enxergar novas possibilidades de cursos ou novas ferramentas de aprendizagem.
        E sabe aquele instante em que estão todos juntos, na sala de aula, trocando ideias? Ele está diminuindo ou sendo substituído pelo ensino à distância. Não há nenhum mal nisso! Com a expansão das universidades e com a agilidade de se criar cursos novos, a cada ano que passa, tem se tornado inviável para as universidades manterem campi em cada cidade. Não apenas pelo custo da estrutura física de ensino, mas também pela administração e contratação de professores. E as universidades perceberam que seria melhor estender o ensino para outras cidades de maneira mais eficiente. Além da questão do valor, existem lugares tão remotos no país que instituições de ensino jamais pensariam em se instalar, devido às dificuldades de acesso. O ensino à distância também vem preencher essa lacuna.
        Diante de tudo isso, foi que o E-learning tornou-se uma vantagem. Segundo o Censo de Educação Superior, o ensino à distância cresceu 571% no Brasil, apenas entre os anos de 2004 e 2006. E se tornou um mercado tão especializado que já é possível encontrar cursos de graduação, pós e até mestrados realizados à distância.  
        Essas são as vantagens para o ensino à distância. Não necessariamente representam vantagens também para os professores. A principal reclamação que ouço, ao treinar professores para adaptarem a linguagem para as vídeoaulas, é que justamente não há, na maioria dos casos, o que os professores chamam de “troca com o aluno”. Aliás, existem algumas dificuldades ao se fazer a adaptação das salas de aula para o ensino à distância: primeiramente, muda-se o cenário! Em vez de salas de aula, os professores ganham um novo ambiente, os estúdios. O aluno é representado por uma câmera ou teleprompter, e o plano de aula passa a se chamar roteiro. É bastante novidade para quem estava acostumado a chegar a uma sala, com livros embaixo do braço e um vínculo já estabelecido com o aluno. Como se faz a troca com o aluno via internet? – me perguntam!
        Há séculos, ensinar é mesmo um desafio! E, nos novos tempos, um dos principais obstáculos tem sido adaptar-se à Era Digital. Sinto muito dizer, mas não vai dar para escapar, professor. Aliás, é possível fazer essa adaptação da linguagem acadêmica para a do ensino à distância, de maneira tranquila. Vou listar alguns passos que podem ajudar:
        Primeiro, entenda que existe um novo conceito de ensino. E que você terá que fazer suas explanações para uma câmera ou duas ou até mais. Mas, não fuja do seu foco de ensino, que são as câmeras. Olhe para elas com firmeza e tranquilidade.
        Depois, entenda que mesmo que você possa ficar nervoso, o que é comum, com o tempo irá se adaptar melhor. Sei que parece paradoxal o que vou lhe dizer, mas quanto mais relaxado estiver diante desse novo mundo, mais facilmente será a sua adaptação ao ensino à distância. Sabe por quê?
        Esse é o terceiro ponto. Se você ficar relaxado diante de uma câmera, não fará alteração de voz, nem de postura e nem terá vontade de sair correndo. Você já deve ter assistido alguma vídeoaula (ou vídeo do Youtube), em que o professor fala tão rápido que quase não dá para entender o que diz, certo? Ou quase não pisca e nem respira direito? Essas são algumas demonstrações de nervosismo. Respire fundo antes de entrar em um estúdio de gravação, relaxe a aproveite para entender como funciona esse tipo de ensino, sem preconceitos ou medos. Apenas sinta que está em uma nova condição de trabalho.
        O quarto ponto é observar a maneira como você está se “comunicando” na sua aula. O ensino à distância não permite que o professor tenha tanta liberdade ao falar. É preciso “editar” aquilo que se fala como quem escolhe melhor suas palavras ao dizer algo. Por isso é que o ensino à distância não permite vícios de linguagem, como o “entende” ou pausas grandes na fala, que são possíveis em sala de aula. Não pense que se muda a linguagem, assim no botão automático, apenas porque se passou da sala de aula para um estúdio.  É preciso treino. Então, treine sua videoaula antes de gravá-la. Primeiro, crie uma aula comum e grave-se. Você vai perceber que há várias sobras. Então, dentro desse seu pré-roteiro, elimine o que não é interessante e regrave a aula, agora com os cortes. Isso é uma edição da sua própria aula! É possível se gravar até mesmo com aquelas câmeras de celular ou do próprio computador.
        A gravação é uma simulação da situação real. Ao ver sua imagem gravada, é possível fazer uma leitura geral de quem é você, como se fosse um raio-x seu, por inteiro. Talvez você não goste de algumas coisas que perceba em si. Não importa e não se apegue à imagem negativa. Perceba os pontos que considera mais críticos para depois, então, ir eliminando o resto das dificuldades.
        E você vai me perguntar: o que eu faço com a falta de interação com o aluno? Vou explicar! Existem dois tipos mais clássicos de ensino à distância: as aulas que são gravadas e distribuídas em CDs, DVDs ou arquivos pagos no Youtube ou ainda as aulas que são presenciais. No caso de aulas gravadas, geralmente, as dúvidas dos alunos chegam por e-mail, claro, depois dele ter assistido à aula. Uma dica é o professor fazer várias perguntas ao longo da aula, como quem estivesse conversando com o aluno. Por exemplo: então, aluno, o que você faria nesse caso? Faça uma pequena pausa e volte para explicar o tema.
        No caso de aulas presenciais, os professores não podem abrir para tantas perguntas como em sala de aula porque, geralmente, existe um cronograma de tempo a ser seguido. Portanto, quando estiver criando o roteiro de sua aula, programe pequenas pausas para perguntas. Imagine quais são os temas ou situações da aula que podem gerar dúvidas no aluno e programe alguns minutos para responder a essas perguntas. E se não puder responder a todos, ao mesmo tempo, diga que responderá por e-mail ou qualquer canal de comunicação que tiver, posteriormente à aula.
        O ensino à distância não é um bicho de sete cabeças, mas confesso que é esquisito dar aula para uma câmera. A falta do calor humano, da troca imediata com alguém contribuem ainda mais para tornar essa adaptação, às vezes, chata.
        Mas, não custa tentar. Já dizia o educador e filósofo brasileiro, Paulo Freire: “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”.   


p.s: pessoal, as dicas também valem para empresas que fazem tutoriais. No entanto, nem sempre os tutoriais são gravados em estúdios. Por isso, para cada tutorial é preciso analisar a situação, o cenário, o tipo de equipamento que será utilizado para fazer a gravação para só depois programar a linguagem que será utilizada.

p.s1: a DNA Comunicativo tem cursos para professores que querem fazer a adaptação da linguagem da sala de aula para a videoaula. E  há cursos para quem quer aprender a adaptar sua linguagem também para tutoriais. Informações no link:

p.s2: abaixo, coloco algumas das principais empresas de ensino à distância do país:
A Integração é considerada a maior empresa do país de ensino à distância. O site é www.integracao.com.br




Outras empresas de ensino à distância:
DTCOM:

O CIEE tem um portal de ensino à distância:

Associação Brasileira de Ensino à distância:


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