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Conheça os benefícios de uma comunicação mais eficiente.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Putz!





Não existe nada mais irritante do que deixar uma ideia escapar. É como ganhar na loteria e não ver o dinheiro. É como o gol na trave. Ou como o sorvete que cai no chão depois da primeira lambida. Dá vontade de sentar e chorar.
É claro que existem inúmeros eventos hoje que vão levar o cérebro (de todos nós) a se distrair. É uma interferência que, geralmente, não contribui com muita coisa e que, com certeza, altera o seu olhar e seu estado de espírito em pouco tempo. E aí, em segundos, qual era mesmo a ideia incrível que você teve? Poderia ser a solução de um grande problema. Poderia ser a resposta que esperava há meses. Ou então a reta final daquele projeto que você há um ano, praticamente a cereja do bolo. Poderia! Mas você se desvirtuou tanto em seus pensamentos que deixou escapar aquela obra prima do seu cérebro.
Existem algumas interferências que são mais corriqueiras, como: o colega que fala alto no telefone, tentar fazer reunião em um café (vocês já repararam quantos barulhos existem em um café? Acredito que é possível se concentrar por apenas cinco minutos) ou receber e-mail pelo celular. Fala a verdade, quantas vezes você parou o que estava fazendo para checar o seu e-mail hoje?
Mas, acredito que a campeã número um de desvirtuamento de pensamentos são as redes sociais. Elas foram criadas para que as pessoas ficassem, assim, mais próximas. Deu certo! As pessoas não conseguem mais parar de se falar. É quase um vício. Lá estão as fotos dos amigos, o comentário de um colega, um contato interessante, a piada do dia. Pois, é! E aí, quando você vê, puxa, já se passaram horas. E, você que tinha uma ideia tão boa na cabeça acaba deixando escapar aquele pensamento que faltava para você ter uma conclusão incrível. Mas, se você não acha que as redes sociais atrapalhem tanto assim, vou listar outras coisas que, por unanimidade, deixam qualquer um com a cabeça cheia (e vazia de criatividade): trânsito, barulho de trânsito, fila (para qualquer coisa), locais cheios de barulho de gente falando, ir ao banco.
Acredito que já existem interferências demais, hoje, para se viver e pensar com tranquilidade. Não à toa um dos principais mandamentos do yoga é: relaxa, deixa o ar entrar e sair os pensamentos! É, não vai dar para meditar em qualquer lugar, assim, do nada. Então sugiro algo mais prático para quando não se pode meditar: pegue um papel e comece a anotar suas ideias, como os avós faziam. Não anote no celular porque vai lhe dar vontade de olhar as redes sociais. Então, leve um bloquinho contigo (pequeno, para caber na bolsa ou mochila) e aí, pintou uma ideia, anote.
Muito bem! Você anotou a sua ideia, mas não sabe o que fazer com ela! Não se preocupe. Sente na frente do seu computador e escreva tudo o que vier na sua cabeça, mesmo que pensamentos paralelos venham junto. É o que chamo de “download”, não importa muito bem a “plástica” da ideia. O importante é deixar fluir os pensamentos. Se for útil tudo o que escreveu, releia e tire umas palavrinhas desnecessárias. Se for uma porcaria, não delete. Talvez isso não lhe leve sirva para nada, agora. Talvez seja o projeto dos seus sonhos, no futuro.
Agora, se você fez tudo isso e ainda não conseguiu colocar nada no papel, então faça como o pessoal da yoga. Relaxe, deixe o ar entrar e os pensamentos saírem. Não se conecte a nada, nem a ninguém. Falo com propriedade (afinal, estou sempre produzindo conteúdo e não posso deixar escapar meus pensamentos): nada funciona quando se está com a cabeça cheia! Grite, chore, esperneie, bote para fora todos os sentimentos, se isole, cante, brinque ou dance, mas não deixe sua ideia fugir. Se ela apareceu na sua mente é porque só pode ser algo brilhante!
Concluo o assunto da semana com um poema de Quintana que se chama “das ideias" e diz assim:
“Qualquer ideia que te agrade,
Por isso mesmo... é tua.
O autor nada mais fez que vestir a verdade
Que dentro de ti se achava inteiramente nua...



p.s: resolvei escrever sobre as ideias que somem porque havia pensado em uma outra coisa para escrever para essa semana. Anotei-a em um bloquinho e coloquei-o no bolso do casaco. E, levei-o para a lavanderia. No dia seguinte me liga a moça da lavanderia: Senhora, encontramos um caderninho no bolso de seu casaco, infelizmente foi molhado. Fiquei tão triste!!!!!! Eu não conseguia me lembrar sobre o que ia escrever, então tive que mudar de tema. Como diz o Quintana (sempre ele): “dar conselhos traz sempre um grande alívio porque nos desobriga de os seguir”. 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

O velho e o novo mundo do ensino




        Ensinar é mesmo uma arte. Quem nunca teve um professor que lhe marcou a vida ou simplesmente disse algo que iria mudar sua carreira? Pois é. Essa troca em sala de aula é maravilhosa! Quem é professor sabe que ensinar não é simplesmente transmitir conhecimentos. É uma ação que envolve ouvir, absorver, falar e trocar. Os professores aprendem muito (pelo menos, eu) quando conseguem entender as dúvidas de seus alunos. Cada pergunta é um desafio para, não apenas melhorar seu conteúdo, mas também enxergar novas possibilidades de cursos ou novas ferramentas de aprendizagem.
        E sabe aquele instante em que estão todos juntos, na sala de aula, trocando ideias? Ele está diminuindo ou sendo substituído pelo ensino à distância. Não há nenhum mal nisso! Com a expansão das universidades e com a agilidade de se criar cursos novos, a cada ano que passa, tem se tornado inviável para as universidades manterem campi em cada cidade. Não apenas pelo custo da estrutura física de ensino, mas também pela administração e contratação de professores. E as universidades perceberam que seria melhor estender o ensino para outras cidades de maneira mais eficiente. Além da questão do valor, existem lugares tão remotos no país que instituições de ensino jamais pensariam em se instalar, devido às dificuldades de acesso. O ensino à distância também vem preencher essa lacuna.
        Diante de tudo isso, foi que o E-learning tornou-se uma vantagem. Segundo o Censo de Educação Superior, o ensino à distância cresceu 571% no Brasil, apenas entre os anos de 2004 e 2006. E se tornou um mercado tão especializado que já é possível encontrar cursos de graduação, pós e até mestrados realizados à distância.  
        Essas são as vantagens para o ensino à distância. Não necessariamente representam vantagens também para os professores. A principal reclamação que ouço, ao treinar professores para adaptarem a linguagem para as vídeoaulas, é que justamente não há, na maioria dos casos, o que os professores chamam de “troca com o aluno”. Aliás, existem algumas dificuldades ao se fazer a adaptação das salas de aula para o ensino à distância: primeiramente, muda-se o cenário! Em vez de salas de aula, os professores ganham um novo ambiente, os estúdios. O aluno é representado por uma câmera ou teleprompter, e o plano de aula passa a se chamar roteiro. É bastante novidade para quem estava acostumado a chegar a uma sala, com livros embaixo do braço e um vínculo já estabelecido com o aluno. Como se faz a troca com o aluno via internet? – me perguntam!
        Há séculos, ensinar é mesmo um desafio! E, nos novos tempos, um dos principais obstáculos tem sido adaptar-se à Era Digital. Sinto muito dizer, mas não vai dar para escapar, professor. Aliás, é possível fazer essa adaptação da linguagem acadêmica para a do ensino à distância, de maneira tranquila. Vou listar alguns passos que podem ajudar:
        Primeiro, entenda que existe um novo conceito de ensino. E que você terá que fazer suas explanações para uma câmera ou duas ou até mais. Mas, não fuja do seu foco de ensino, que são as câmeras. Olhe para elas com firmeza e tranquilidade.
        Depois, entenda que mesmo que você possa ficar nervoso, o que é comum, com o tempo irá se adaptar melhor. Sei que parece paradoxal o que vou lhe dizer, mas quanto mais relaxado estiver diante desse novo mundo, mais facilmente será a sua adaptação ao ensino à distância. Sabe por quê?
        Esse é o terceiro ponto. Se você ficar relaxado diante de uma câmera, não fará alteração de voz, nem de postura e nem terá vontade de sair correndo. Você já deve ter assistido alguma vídeoaula (ou vídeo do Youtube), em que o professor fala tão rápido que quase não dá para entender o que diz, certo? Ou quase não pisca e nem respira direito? Essas são algumas demonstrações de nervosismo. Respire fundo antes de entrar em um estúdio de gravação, relaxe a aproveite para entender como funciona esse tipo de ensino, sem preconceitos ou medos. Apenas sinta que está em uma nova condição de trabalho.
        O quarto ponto é observar a maneira como você está se “comunicando” na sua aula. O ensino à distância não permite que o professor tenha tanta liberdade ao falar. É preciso “editar” aquilo que se fala como quem escolhe melhor suas palavras ao dizer algo. Por isso é que o ensino à distância não permite vícios de linguagem, como o “entende” ou pausas grandes na fala, que são possíveis em sala de aula. Não pense que se muda a linguagem, assim no botão automático, apenas porque se passou da sala de aula para um estúdio.  É preciso treino. Então, treine sua videoaula antes de gravá-la. Primeiro, crie uma aula comum e grave-se. Você vai perceber que há várias sobras. Então, dentro desse seu pré-roteiro, elimine o que não é interessante e regrave a aula, agora com os cortes. Isso é uma edição da sua própria aula! É possível se gravar até mesmo com aquelas câmeras de celular ou do próprio computador.
        A gravação é uma simulação da situação real. Ao ver sua imagem gravada, é possível fazer uma leitura geral de quem é você, como se fosse um raio-x seu, por inteiro. Talvez você não goste de algumas coisas que perceba em si. Não importa e não se apegue à imagem negativa. Perceba os pontos que considera mais críticos para depois, então, ir eliminando o resto das dificuldades.
        E você vai me perguntar: o que eu faço com a falta de interação com o aluno? Vou explicar! Existem dois tipos mais clássicos de ensino à distância: as aulas que são gravadas e distribuídas em CDs, DVDs ou arquivos pagos no Youtube ou ainda as aulas que são presenciais. No caso de aulas gravadas, geralmente, as dúvidas dos alunos chegam por e-mail, claro, depois dele ter assistido à aula. Uma dica é o professor fazer várias perguntas ao longo da aula, como quem estivesse conversando com o aluno. Por exemplo: então, aluno, o que você faria nesse caso? Faça uma pequena pausa e volte para explicar o tema.
        No caso de aulas presenciais, os professores não podem abrir para tantas perguntas como em sala de aula porque, geralmente, existe um cronograma de tempo a ser seguido. Portanto, quando estiver criando o roteiro de sua aula, programe pequenas pausas para perguntas. Imagine quais são os temas ou situações da aula que podem gerar dúvidas no aluno e programe alguns minutos para responder a essas perguntas. E se não puder responder a todos, ao mesmo tempo, diga que responderá por e-mail ou qualquer canal de comunicação que tiver, posteriormente à aula.
        O ensino à distância não é um bicho de sete cabeças, mas confesso que é esquisito dar aula para uma câmera. A falta do calor humano, da troca imediata com alguém contribuem ainda mais para tornar essa adaptação, às vezes, chata.
        Mas, não custa tentar. Já dizia o educador e filósofo brasileiro, Paulo Freire: “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”.   


p.s: pessoal, as dicas também valem para empresas que fazem tutoriais. No entanto, nem sempre os tutoriais são gravados em estúdios. Por isso, para cada tutorial é preciso analisar a situação, o cenário, o tipo de equipamento que será utilizado para fazer a gravação para só depois programar a linguagem que será utilizada.

p.s1: a DNA Comunicativo tem cursos para professores que querem fazer a adaptação da linguagem da sala de aula para a videoaula. E  há cursos para quem quer aprender a adaptar sua linguagem também para tutoriais. Informações no link:

p.s2: abaixo, coloco algumas das principais empresas de ensino à distância do país:
A Integração é considerada a maior empresa do país de ensino à distância. O site é www.integracao.com.br




Outras empresas de ensino à distância:
DTCOM:

O CIEE tem um portal de ensino à distância:

Associação Brasileira de Ensino à distância:


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Someday is today



        Quando tinha 17 anos, sonhava em ser correspondente internacional. Achava que ter trinta anos era ser velho, muito velho, e que quando chegasse nessa idade eu teria já vivido minha vida inteira, com todos os sonhos realizados. Nem me passava pela cabeça o que faria, então, aos 50. Isso, não era uma idade que existia!
        Confesso que parte dos sonhos se realizou. Na verdade, tive uma carreira muito mais exponencial do que imaginava. A vida pessoal também foi, assim, agitada, eu diria.  E, então, antes mesmo que se passassem 17 anos, contados a partir dos meus 17, entendi que eu tive mais do que tudo aquilo que sonhei. E, por incrível que pareça, tudo o que havia sonhado já não fazia o menor sentido!
        Portanto, minha previsão estava certa: morre-se aos 30! Não quero usar aqui a palavra morte no sentido literal a que ela se propõe. Mas, uso-a como uma metáfora (sim, eu vou parar de usar as metáforas, um dia) para ampliar a noção de “desejo”. Acredito que os desejos mudam conforme a vida vai acontecendo.
Gosto de brincar que a vida é como aquelas séries americanas que não acabam nunca: alguns personagens vão saindo e outros entrando ao longo dos capítulos, mas os atores centrais se mantém. Assim é a vida real. Você é o personagem central, cheios de sonhos e desejos que, como os personagens da série da sua vida, também perdem a graça. E, então, é hora de fazer com que novos elementos deem mais audiência a sua série!
        Por isso, acredito que é importante estar atento não apenas ao que surge como “novo”, mas é necessário ouvir o coração sem medo do que vá descobrir. Mas, que difícil! Admito que  realmente é delicado se ouvir, assim, de peito aberto! Vai que você se flagra se contradizendo! A imagem que cada um constrói de si pode estar pautada em planos que, um dia existirão, mas que, na realidade, você mesmo não tinha tanta certeza de que eles se realizariam. Esse é o “someday”, o dia em que, talvez um dia, as coisas aconteçam.
        Acredito que é possível entender a frase do bilhete de várias maneiras. Trago duas que considero mais evidentes: someday é um dia que se planeja tanto a acontecer que, enquanto você trabalha e trabalha e planeja e planeja, o dia chega, mas passa despercebido. O foco central do desejo foi desvalorizado pela forma de se chegar até ele. Acredito que também se possa interpretar assim: someday é um dia que você desejou ter, um empregão, por exemplo, e aí, depois de anos lhe cai a ficha de nada disso lhe faz feliz. E o que lhe conforta são outras coisas. Então, someday vira yesterday porque seus sonhos envelheceram.
        E, é aí, que entra a escuta de si mesmo: como é possível entender que tipo de novo é importante para sua vida sem ouvir o coração? Ninguém quer que os seus sonhos se tornem, novamente, um someday. E para isso, vai ser preciso uma certa dose de introspecção. Ninguém conta, assim abertamente, mas se ouvir custa tempo, dinheiro, talvez noites de sono, choro, frustrações, alguma inquietação e uma pitada de fé! Mas, dizem, que depois de tudo isso, o someday se torna today. Aliás, uma amiga me disse esses dias: sonho é algo que nunca vai acontecer, já desejo é aquilo que programo para existir. E que mal há nos desejos?
        Portanto, se pudesse lhe enviar um bilhete, escreveria assim: espero que, todos os dias, o today lhe faça mais feliz do que aquilo que você sonhou someday

quinta-feira, 4 de julho de 2013

As escadas que se movem!

Se você não sabe que as escadas de Hogwarts se movem, veja o trailer abaixo antes de ler o texto!

        Digo sempre que a vida é como as escadas de Hogwarts, que se movem em direções inusitadas. Você nunca sabe ao certo para onde se vai. No entanto, o mais legal de se estar nas escadas que se movem é perceber que existem várias pessoas que também estão indo na mesma direção que a sua. Algumas optam, no entanto, por escadas que se movem em sentido contrário. E mesmo aquelas que pareciam seguir na mesma direção que você, simplesmente não o acompanham.
        A metáfora das escadas de Hogwarts serve para dizer que o inesperado em nossas vidas está lá, à espera de nossa reação (ou da ausência dela) quando as escadas se movem. E, o mais bacana nesse instante, é observar como as pessoas se comportam perante o inusitado.
Particularmente, acredito que é numa situação inesperada que a comunicação mostra quem cada pessoa é. A comunicação formal, do dia a dia de trabalho, ou aquela que se exerce dentro de casa é conhecida e, portanto, não é feita com qualquer esforço. Agora, diante do desconhecido, como você se comunica com o seu interlocutor “inusitado”?
As escadas também representam a saída da zona de conforto, que é quando algo novo surge e obriga qualquer pessoa a repensar seus comportamentos. E é por causa disso que trago o questionamento a partir das escadas de Hogwarts: quero lhe tirar da sua zona de conforto!
Você até pode me dizer: nossa, que chato! Não quero imaginar escadas que se movem! Eu lhe digo: não, não fuja! É importante, por alguns instantes, se imaginar fora de um contexto real.
Eu brinco que realidade é aquilo que se vê e não o que acontece de verdade. Portanto, o que importa é que, até o final do texto, as escadas se movem e você vai estar nela, sem saber para qual direção irá caminhar. O que lhe resta fazer?
Esperar que a escada lhe leve para algum canto até que você possa passar de um andar para o outro. Mas, aí a obrigação lhe levou a isso, certo? Perceba que quando qualquer pessoa é obrigada a fazer algo diferente, ela o faz! Afinal, não tem escolha.
E por que é que não se dá chance para o desconhecido, a não ser quando se é obrigado? E é aí que eu digo que as pessoas passam a se conhecer melhor: quando precisam se comunicar de uma maneira diferente! E, no andar da carruagem (ou melhor, enquanto as escadas não param de se mexer), é possível perceber que há outras pessoas que estão na mesma situação que a sua. E, se a escada nunca mais parar de se mexer, você não vai conversar com ninguém que esteja nela? Claro que vai! Como os seres humanos não vivem sem comunicação, começa-se a conversar com quem está mais perto, principalmente em situações desconfortáveis.
Mas, volto a questionar: você só conversa com o desconhecido quando está na sua zona de “desconforto”? Portanto, agora que você já está bastante desconfortável, gostaria de lhe perguntar mais uma coisa: como você olha alguém que não conhece? Como um inimigo?
Os outros são apenas os outros. Não melhores nem piores! Ainda que muitos possam se sentir melhores que você, continuam sendo apenas “os outros”. Você não pode se responsabilizar pelo sentimento que o outro tem por você, mas pode se responsabilizar por aquilo que sente pelo outro. Portanto, gostaria de lhe propor um exercício (quando você sair das escadas de Hogwarts), que é o de observar as pessoas e tentar entender quem são, sem pré-julgamentos. E até conversar com elas.
 O desconhecido é alguém que, mesmo que fale mal de você ou que não lhe aprecie em um primeiro momento, simplesmente não sabe como lidar com você! Não é simplesmente não gostar de você. Claro, talvez nunca vá gostar! Mas, apenas por isso, você não trocaria meia dúzia de palavras com um desconhecido?
Perceba como, na maioria das vezes, a comunicação pode ser altamente seletiva e preconceituosa. Muita gente nem tenta falar com alguma pessoa porque não se “enquadra nos seus padrões”.  Mas, quantas oportunidades essa pessoa pode lhe trazer para a vida? Oportunidades não só de trabalho, mas também de uma futura amizade ou trocas de qualquer ordem. Isso é o que chamo de ter responsabilidade sobre o sentimento pelo outro. Você não sabe ainda o que vai sentir. E nunca saberá se não tentar. Preciso avisar: nem sempre essas tentativas dão certo. Não se preocupe! Outras pessoas farão essa conexão consigo!
Cada vez mais tenho tentado observar as pessoas a partir do ponto de vista do que elas podem me trazer de bom. De ruim, todo mundo pode dar alguma contribuição. Inclusive, eu! Isso é fato! Mas, e de bom?
Digo sempre que conheço inúmeras pessoas espalhadas pelo mundo e que não são, assim, irmãos camaradas. Mas que, dentro do seu melhor, me trouxeram muito conhecimento, oportunidades de trabalho, momentos únicos de alegria e trocas justas, às vezes, em uma única conversa. E sou eternamente grata a essas pessoas! Por que é que eu tenho que considerá-las como desconhecidas? Só por que não as trouxe para dentro de casa ou não são meus amigos de infância?
Então, dentro daquele exercício que foi proposto há pouco, sobre tentar conversar com o desconhecido, lhe pergunto: quem não é igual a você, é contra você?
Considero que quem não é igual a mim, simplesmente não é igual a mim. As pessoas apenas estão em uma escada diferente da minha. Mas, na minha escada, ninguém passa despercebido, porque quem não é igual a mim deve ser alguém tão legal quanto eu! Rsssss.
Ah, mais uma coisinha. Sua escada parou de se mexer! O que você vai fazer agora?


p.s: para quem não conhece, Hogwarts é a escola da magia e bruxaria do encantador mundo de Harry Potter. E, nela, claro, as escadas se movem!

p.s: Senhoras e senhores, Harry Potter!!!