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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Sedução x imposição




        A era da informação é também a era da expressão. Nunca antes na história da humanidade (o que não é pouca coisa), foi possível expressar com tanta franqueza e honestidade os sentimentos, desejos e opiniões.
        No entanto, questiono: desde quando se expressar é tentar fazer com que os outros aceitem um argumento seu?
        Depois de muito observar trocas de informações entre pessoas, nas diversas ferramentas de comunicação que permitem a expressão (redes sociais, blogs, conversas informais), notei um comportamento, infelizmente, comum. E, que é o que acaba levando, também infelizmente, a muitas discussões. Observo que, ao expressar sua opinião (indiferentemente do meio de expressão), as pessoas esperam que os outros (seus interlocutores) não apenas escutem sua opinião, como também as aceite.
        E, então, fiquei chocada ao perceber as incontáveis vezes em que notei a imposição de ideias como uma prática comum, principalmente nas redes sociais. E não foi só esse comportamento que observei, não. Como forma de impor um argumento, notei: o desmerecimento do interlocutor para que o argumento tenha validade, o comportamento defensivo a qualquer custo (em especial das pessoas que não aceitam que o seu argumento não tenha sido aceito), as indiretas como forma de detonar um primeiro argumento que foi colocado em questão.
        Não é raro observar dentro de uma situação discursiva casos como “veja esse meu argumento, ele é muito melhor!” Ou “eu acho isso e o que você acha é errado ou equivocado”.
        Espera aí! A troca de argumentos é muito saudável, até para se chegar a uma conclusão que não se chegaria sozinho, afinal, nenhum ser humano tem conhecimento sobre absolutamente tudo. Um argumento diferente é muito bem vindo, mas desde que feito com respeito.
        É uma ilusão imaginar que as pessoas estão dispostas a aceitar um ponto de vista seu apenas porque ele é seu. Um argumento só é aceito quando ele é necessário para a pessoa que escuta.
        Pense comigo: você é uma pessoa única, com determinado conhecimento de mundo e que trouxe uma bagagem de comportamentos da sua família criando padrões específicos, inclusive de fala, que vão refletir aquilo que você é hoje: uma pessoa única. Portanto, sendo você essa pessoa única, por que é que considera que todo mundo tem que pensar igual a você? O seu colega de trabalho ou seu amigo do Facebook também são pessoas únicas e, claro, talvez tenham opiniões diferentes da sua, já que cresceram com visões de vida e experiências diferentes.
        Você pode não concordar com um argumento de um colega seu, mas jamais deve desmerecê-lo ou tentar dizer que é equivocado. Esse é o seu ponto de vista! O ponto de vista do outro é o modo como ele vê a vida. Acredite! Você não pode mudá-lo, mesmo que tente muito.
        Um argumento imposto por alguém passa a mesma sensação de quem entra numa loja e o vendedor fica ofertando roupas que não são para seu tamanho ou do seu gosto. Só uma das partes quer aquele argumento: o vendedor. Aliás, a venda é sempre um campo minado da comunicação. Se você não sabe perceber o seu cliente por meio da escuta e da leitura de contexto, jamais vai conseguir vender nada para ele.
        Mas, vamos focar nos argumentos do Facebook, das conversas informais ou de trabalho. Quando vejo pessoas tentando convencer o outro sobre seu argumento, por meio da imposição, eu penso: que perda de tempo!        Uma vez, uma colega me disse: “existem pessoas preconceituosas no mundo! Eu não me aguento, vou lá e digo na cara!” E, então eu disse: eu sei que elas existem, mas não merecem minha atenção. Você acredita, realmente, que pode “salvar” alguém de seu preconceito, ainda mais usando argumentos?
        É preciso prestar muita atenção naquilo que se diz e na maneira como você utiliza seus argumentos com colegas ou clientes. Você impõe ou seduz? A imposição é tentar fazer com que seu interlocutor engula seu argumento, porque você acredita que só exista ele.  Quando me refiro à sedução, no entanto, não estou falando da tática sexual de conquista. Refiro-me à persuasão. Você sabe como conquistar seu público utilizando bons argumentos?
        O filósofo grego Aristóteles sabia fazer isso como ninguém. Considerado o pai da Retórica, deixou vários estudos sobre o assunto e que são utilizados, na prática, até hoje. Diz a Retórica aristotélica que é preciso “estudar seu auditório para conquistá-lo”. Ou seja, quem são as pessoas com quem vou conversar e o que elas esperam de mim? Que imagem elas fazem de mim? Com base nessa avaliação, cria-se um discurso (não só o léxico, mas também um tom que dará ao discurso, as gesticulações, os argumentos em si) que vai ser mais “atraente” para o público e, portanto, tem-se mais chance de conquistá-lo. Se esse auditório vai realmente “comprar” suas ideias, é outra história. Mas, pelo menos, você não impôs suas vontades e permitiu que o público mostrasse as dele.
        A persuasão só ocorre quando você escuta, literalmente, o que seu público está dizendo, para então, persuadi-lo, seduzi-lo.
        A imposição é sempre o caminho mais curto para àqueles que não querem ter trabalho, mas também não querem conquistar ninguém. Qualquer coisa imposta (uma ideia ou até um sorriso) é uma invasão para seu interlocutor. E, nesse momento em que se expressar é tão fácil, por que não fazer com um pouco mais de sedução?

p.s: um cliente bastante antenado, Sergio Moschioni, me mandou um artigo da revista Exame que fala sobre “como se vender”. Refiro-me, neste post, não só à persuasão durante a "venda", mas, em qualquer situação discursiva. O artigo da Exame, (que é, na verdade, uma entrevista) está bem bacana. Vale a pena conferir. Já de antemão, gostaria de dizer que discordo de um único ponto de vista dessa entrevista. O entrevistado diz que vendedor não precisa ser um “comunicador”. Eu acredito que precisa sim! Um dos pontos-chave da comunicação é a escuta ativa, que é quando você escuta absolutamente tudo o que o outro está dizendo, sem preconceitos ou imposição de ideias. E, então, se respeitar a escuta ativa, mesmo que não seja um vendedor, será um comunicador. No entanto, esse é meu argumento. Talvez o entrevistado, Daniel Pink, tenha um entendimento diferente sobre o assunto. Portanto, deixo-o com seu argumento e eu fico com o meu. Aí vai o link da matéria: http://exame.abril.com.br/revista-voce-sa/edicoes/180/noticias/sem-medo-de-se-vender


p.s1: ah, gente!! O Sérgio não é antenado à toa. Ele tem uma consultoria muito bacana de gestão de projetos para empresas. E a empresa dele tem uma metodologia super inovadora. Se chama Visual Project Solutions. Deem uma olhadinha no site: www.visualprojectsolutions.com

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A voz do Brasil!

        


        
        De duas semanas para cá, as manchetes dos jornais de todo o país têm sido sobre as inúmeras manifestações nas principais cidades brasileiras. Aliás, até em cidades do interior.
        Um movimento que se iniciou por causa do aumento, em vinte centavos, da passagem do transporte coletivo da cidade de São Paulo. Mas, sabe-se que o motivo da voz coletiva que se ergueu Brasil afora, não é só por isso.
        O brasileiro está mais do que cansado de ver impostos pagos em meses de trabalho, não se reverterem nunca naquilo para o qual deveriam ser destinados: serviços públicos de qualidade. Apesar de saber que alguns desses serviços melhoraram nas últimas décadas, ainda há muito trabalho a fazer. A saúde pública é um caso desses. Exemplo mundial no tratamento de portadores de HIV é a mesma que não oferece serviços básicos, como exames simples, por exemplo.
        Também é difícil acreditar que nas maiores cidades do país o transporte público é ineficiente. Basta tentar pegar um ônibus nos momentos de rush! E fora dele, é preciso paciência para aguardar o coletivo que passa apenas de 40 em 40 minutos. Quem não usa esse meio de transporte talvez diga: ah, mas isso não é um problema. É sim! Menos pessoas usando o transporte coletivo significam mais carros nas ruas. E mais poluição e mais demora para se chegar em casa. E menos qualidade de vida, com certeza.
        Mas, isso são apenas dois exemplos do por que o brasileiro está cansado. O cidadão tem sido protagonista de uma história que não muda nunca! Sem ensino decente, sem saúde, sem transporte, sem planejamento urbano. E mais, muitos ainda: sem água potável, sem polícia, sem comunicação (ou telecomunicações), sem bombeiros, sem limpeza pública. E então, a voz do Brasil resolveu falar!
        Até hoje, foram inúmeras manifestações. A maioria pacífica! Essa voz coletiva, em várias tonalidades do português brasileiro, estava guardada por tanto tempo que, agora, é difícil abafá-la, mesmo com a ação da polícia. Mesmo com a indiferença de muitos partidos políticos!
        As manifestações expõem a grande ferida da alma do brasileiro que é a de ter que esperar indefinidamente por um milagre de transformação dos serviços públicos. Para que esperar mais se é possível cobrar?
        Atribuo as manifestações a alguns motivos: uma consciência maior do brasileiro, uma busca por qualidade de vida (que antes não era tão evidente), uma tentativa de não ser mais passado para trás!
        Mas, também é digno de nota que o brasileiro tem utilizado melhor a comunicação através das redes sociais. Muitos desses protestos foram marcados via Facebook, por exemplo. E que eficiência que têm as Redes Sociais! Milhões de pessoas têm saído às ruas, todas as noites, em protesto e em cidades que antes era inimaginável qualquer ação popular. É a comunicação dando uma forcinha para a mobilização nacional.
        Mas, ainda falta muita informação na hora de escolher um político! O brasileiro também está cansado de ver seus “representantes” elaborarem projetos sem propósitos que são colocados em votação. Nesse caso, não adianta terceirizar a culpa! Se não se analisa bem seu candidato (seja ele vereador, prefeito, deputado etc) é nisso que dá. Não quero generalizar, mas muitos políticos brasileiros ainda parecem viver na época colonial: fazem o que querem! A máquina pública deveria ser administrada assim como uma empresa, afinal, é o seu dinheiro que está em jogo. E se você coloca esse valor na mão de alguém que não tem valor nenhum, joga-se dinheiro fora. Simples assim!
        Portanto, acredito que existem duas maneiras de se protestar. Ir às ruas, exercer sua voz, seus direitos, garantir a sua liberdade de expressão e reclamar. Sempre! Mas, é preciso também exercer a voz coletiva para limpar a política suja e corrupta, de pensamento pequeno, preconceituosa e indigna que não propõe nada nem coisa alguma! Esse cenário tem que mudar. E para isso, essa voz, não pode se calar nunca! Inclusive a sua!



p.s: enquanto escrevia esse texto, foi anunciada a revogação do aumento da tarifa da passagem em São Paulo e Rio de Janeiro.
p.s1: queria fazer parênteses no assunto “violência nos protestos”. Há muita gente reclamando dos protestos afirmando que há sempre violência. É preciso um pouco de frieza (apesar de haver quase uma comoção nacional ) e distanciamento para analisar a violência nesses casos. É claro que existem oportunistas que vão se valer dessas mobilizações para saquear, quebrar bancos e por aí vai. No entanto, sabe-se que os movimentos, em sua maioria, tem sido pacíficos. E que essa voz coletiva não se cale enquanto os movimentos forem pacíficos, afinal, está mais do que na hora de ser ouvida. 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Além da fechadura!


“ - Dança com Engraçadinha, meu bem.
Saem os dois. A princípio engraçadinha não fala nada. Está comovida até as raízes do ser. Finalmente, ergue e aproxima o rosto; fala bem de perto para que ele sinta o gosto de sua boca e veja a cor molhada da sua língua. Sussurra: - ‘depois da dança, deixa passar uns cinco minutos e vai pra biblioteca. Eu te espero lá’. Fora, sim, na frente. E, na biblioteca, numa espécie de embriaguez foi tirando tudo. Por um momento, teve a sensação de que jamais uma mulher se despira tanto ou ficara tão nua.”
Engraçadinha é uma das personagens mais marcantes de Nelson Rodrigues, jornalista, escritor e dramaturgo brasileiro que ficou conhecido (e também difamado) pelo erotismo em suas obras. Diziam os mais chegados que o escritor tinha obsessão por sexo e, não à toa, foi intitulado como “anjo pornográfico”. Pornografia ou erotismo?
A linguagem erótica é uma das vertentes da literatura. E só existe porque, desde que o mundo é mundo, a sexualidade e o ser humano caminham juntos, fundidos em seus desejos (ou pecados, para os mais puritanos!). Basta dar uma voltinha pelo tempo para perceber que uma coisa está diretamente associada à outra: Vênus – deusa do amor e da beleza - é uma das figuras mais conhecidas e citadas na mitologia grega. Mitologia essa que foi inventada milhares de anos atrás. Portanto, milênios atrás, a sexualidade e o amor já eram assuntos recorrentes na sociedade.
        Onde quero chegar com isso? Não vou revelar tudo de uma vez só. Mas, pense comigo: a linguagem é uma das formas de expressão do erotismo, assim como as artes. É possível se ver inúmeras estátuas dedicadas ao sexo espalhadas por centenas de museus pelo mundo. A linguagem, portanto, é apenas uma das maneiras de dar vazão à sexualidade e ao erotismo, justamente por ser um meio de expressão e comunicação. Também precisamos comunicar nossos desejos, não é mesmo?
        Os escritores com sua imaginação fértil conseguiram reproduzir o máximo do seu prazer ou a tentativa de chegar a ele e, então, criaram a literatura erótica. Ela tem sido condenada durante séculos e é facilmente confundida com a pornografia.
A linguagem erótica não trata o sexo como explícito, marcado, mostrado, evidenciado. É o que seduz, é o que provoca o desejo que vai levar ao ato em si. Já a pornografia não se esconde atrás da fechadura da porta. É o explícito, o carnal, por isso, muitas vezes é tachado como algo obsceno, promíscuo, devasso.
         Antes mesmo de estourar no mundo o livro os 50 tons de qualquer coisa, a linguagem erótica foi e tem sido uma das incentivadoras da sedução, da sexualidade e do prazer. Uma das obras mais famosas é Kama Sutra, um estudo sobre o amor e a arte do desejo. Dizem os estudiosos, que a obra não foi criada para servir de manual do sexo. E também não é considerado um livro sagrado, nem profano, mas acabou virando uma referência no assunto. Criada no século IV, atravessou séculos! A intenção do livro, dizem, era observar o comportamento humano sexual, apenas.  No entanto, teve um efeito muito maior: o de apimentar muitas relações.
        Por falar em apimentar, Sade, um aristocrata francês do século XVIII jogou pimenta nos olhos da sociedade da época ao expor, em suas obras, pessoas em situações depravadas e obscuras. Era uma crítica à sociedade francesa e, por conta disso, o autor foi preso inúmeras vezes, mas nunca se calou. Para Sade, a obtenção do prazer se dá através da dor do outro. Por isso, o termo sadismo foi adaptado não apenas às práticas sexuais em que há sofrimento, mas também àquelas situações em que há crueldade contra pessoas e animais. Há quem goste! Afinal, Sade não faria sucesso até hoje se não tivesse leitores assíduos.
        Um pouco mais leve e também mais dissimulada, a também francesa Anaïs Nin, é outro nome da literatura erótica que ajudou a elevar a libido de muita gente. Ela publicou inúmeros livros sobre o assunto e, dizem, que muitos dos seus textos são diários pessoais da escritora que foi amante do também escritor Henry Miller. Devia ser uma dupla para lá de caliente! Miller foi considerado um escritor pornográfico por causa de obras em que expôs a sexualidade em sua forma mais profana. Miller, pretendia, na verdade, fazer uma crítica aos pensamentos e atitudes de sua época.
        A linguagem erótica, portanto, é uma maneira de expressar não só desejos, mas de mostrar, sem inibições, o quanto o sexo ainda é um pudor dentro das sociedades mais hipócritas. Matar, roubar, difamar, passar a perna não é feio, feio é fazer sexo. Eu tenho preguiça dessas discussões bestas que surgem em torno da sexualidade.
        Portanto, vou concluir assim: a linguagem erótica ( que muitas vezes aparece na forma de literatura) não é apenas um conjunto de palavras que traduz sussurros, pele com pele, beijos, carícias. É uma maneira de você dar o melhor da sua imaginação no melhor do seu prazer!





p.s: “A pornografia é o erotismo dos outros.” – André Breton.
p.s1: O trecho citado no início do texto foi retirado da obra Asfalto Selvagem – Engraçadinha, seus pecados e seus amores.

                                                                                       

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A comunicação é seu melhor investimento!



         Alguém me perguntou, por esses dias, desde quando a comunicação tinha se tornado um bom negócio no mundo. E, então, inverti a pergunta: desde quando a comunicação deixou de ser um bom negócio?
         Vou voltar um pouquinho na história, para que seja possível entender a relação comunicação x lucro.
         Sabe quando os macacos subiam nas árvores para colher bichinhos, sementes ou frutas? Pois foi nessa época, mais ou menos uns quinze milhões de anos atrás, que os macacos (ou os primos mais distantes dos primatas) descobriram que comunicar significava questão de vida ou morte. Eles começaram a emitir sons para avisar sobre possíveis perigos à vista ou escassez de alimentos. Os cientistas não sabem ao certo quando o som emitido acabou virando uma língua (com certeza não universal para a época). Mas, é inegável para a ciência que a comunicação só existiu porque os mamíferos precisaram organizar o trabalho, distribuir atividades entre eles, inclusive para que pudessem preservar a segurança do bando enquanto outros buscavam o alimento. A comunicação já era, portanto, uma ferramenta para administração do tempo e do trabalho mesmo entre os mamíferos.
         Os cientistas também acreditam que a maneira como as pessoas se comunicam no mundo tenha se concretizado, mais ou menos, há apenas 6 mil anos. E de lá para cá, a comunicação passou por inúmeras transformações.
         Nos últimos séculos antes do ano zero, por exemplo, os romanos acreditavam que podiam conversar com os deuses. Boa parte do tempo era gasta com aquele papinho do tipo: “deus do Sol, se você me conceder o casamento com a bela dama da sociedade, sacrifico um boi inteiro em seu nome”.   
         Não é o mesmo tipo de comunicação que se percebia quatrocentos anos depois do ano zero, quando uma só religião ganhou espaço no velho mundo. As pessoas passaram, então, a praticar outro tipo de conversa: o que a Igreja gostaria que as pessoas conversassem. Um feito que durou mais de um milênio e meio.  
         Até que vieram as conquistas, guerras, quebra de fronteiras e os estados foram se dividindo. As pessoas se sentiram mais à vontade para conversar sobre aquilo que elas pretendiam. Principalmente, quando nem os estados nem a Igreja passaram a não mais provocar esse “medo” na sociedade.
         E, então, a festinha da “comunicação” só estava começando. No século XX criaram-se mais ferramentas que possibilitariam aos humanos trocarem suas ideias do que em toda história da própria humanidade. Ou melhor, eu diria que a comunicação evoluiu, em 30 anos, mais do que em 30 séculos. Foram precisos milhões de anos para que ela aparecesse assim, claramente, objetivamente e sem ruídos.
         Pura ilusão! Todo mundo sabe que os ruídos de comunicação podem existir em qualquer lugar e entre quaisquer pessoas. Mesmo entre amigos, sócios, clientes, parceiros, funcionários e chefes. Mesmo no século XXI.
          E é aí que entra a pergunta invertida que fiz a meu amigo: quando foi que a comunicação deixou de ser um bom negócio?
         Convido você a analisar um pouquinho comigo: comunicar não é apenas falar. É fazer com que haja troca de ideias, um relacionamento com o seu interlocutor. E para chegar nesse ponto, como se viu, foi preciso vencer inúmeras barreiras comunicativas: as distâncias, a conquista sobre o próprio conhecimento.
         Se hoje, no entanto, vive-se uma “efervescência” de plataformas comunicativas (seu smartphone, seu Ipad, seu note, etc), por que é que há tantos problemas com a comunicação no mundo?
         Acredito que possa haver algumas respostas para isso: 1) todo mundo quer e precisa se comunicar. Mas, são raras as pessoas que se percebem em situações comunicativas. Aliás, são poucas as pessoas que se importam em se comunicar de verdade. Elas são impactadas pela força do dinheiro ou do seu cargo e acreditam que, se forem agressivas, competitivas, vão mostrar um poder incrível sobre seus concorrentes e até funcionários. Uma pena que os profissionais ainda pensam assim! A diplomacia (mesmo através de guerras) foi o que levou o mundo a ser o que ele é hoje, redesenhado milhões de vezes em suas próprias fronteiras. Por que você nada contra a maré? Por que você é um peixe grande? Não se preocupe! Até peixes grandes morrem na praia, como as baleias encalhadas. Não à toa que, mesmo com o esforço das equipes de comunicação interna, ainda existem empresas que continuam tendo os mesmos problemas de comunicação há anos. Se o peixe grande não se preocupa com a sua comunicação, por que é que o cardume vai se preocupar?
         2) O segundo passo do insucesso da comunicação eu atribuo aos 10 passos de qualquer coisa. Os profissionais estão esperando que os 10 grandes milagres da comunicação caiam em seus colos para que se siga, ao pé da letra, o que é que as pessoas deveriam fazer. Espere aí! Eu mesma já escrevi sobre 10 maneiras de se comunicar melhor. No entanto, não espero que isso vire uma Bíblia. Você não sabe qual é o melhor da sua comunicação?  Você nunca se viu falando no espelho, nunca se gravou em uma aula ou nunca recebeu um feedback comunicativo de alguém? Está na hora de começar a pedir ajuda dos comunicadores! Eles vão poder lhe dar feedbacks profissionais sobre sua comunicação.
         Abrir sua mente para observar quem é você é fundamental para mudar a sua comunicação. E, em seguida, mudar a maneira como se comunica com o resto do mundo. Mas, nem sempre as pessoas querem ter essa profundidade para pensar na sua comunicação ou conseguem.
         A superficialidade de enxergar a si mesmo (no processo comunicativo) é também o motivo do “por que a comunicação não é vista como investimento”. As pessoas têm pressa de tudo hoje em dia e consomem informação e comunicação de uma maneira rápida, superficial. Investir em comunicação às vezes é demorado porque demanda uma mudança no comportamento de funcionários e de chefes. Então, a curto prazo, os gestores, executivos e afins não estão com essa paciência toda de esperar por essa mudança. Se você acredita nisso, pode sair correndo com sua pressa e esperar que, um dia, seus problemas de comunicação (ou da sua empresa) sejam resolvidos, assim, sozinhos. Ou criar problemas ainda maiores, como falhas de interpretação. Quantos problemas ocorrem quando se interpreta um fato a partir apenas do seu ponto de vista? Sim, isso também é superficialidade. Para buscar uma comunicação mais eficiente é necessário, no mínimo, que além de se analisar é preciso também analisar os contextos. Aí você vai me dizer: mas, é muito trabalho! Problema seu se é preguiçoso (a)!
         3) O terceiro ponto que acredito que a comunicação não é vista como um bom negócio é que, em geral, as empresas não enxergam o departamento de comunicação (que muitas vezes é reduzido ao de marketing) como uma mina de dinheiro. Não enxergam porque não querem! Pense só em uma empresa que oferece serviços. Se os funcionários desse local fossem treinados para se comunicar melhor com os seus clientes trariam lucros mais rapidamente para a empresa. Mas, nem sempre os empresários têm essa visão. Investe-se muito em treinamentos técnicos, línguas, dinâmicas para atingir metas. E tudo isso adianta se seu funcionário não sabe se comunicar com o cliente?
         Para a maioria das empresas, a comunicação não parece ser algo palpável. Se você não expõe a mensuração da comunicação em uma planilha bacana, em 3D, é provável que os profissionais vão achar que você é um novo desbravador do mundo, com ideias revolucionárias e pouco práticas.
         Se você acredita que a comunicação é uma utopia, vou listar alguns dos itens que vão diminuir os custos da sua empresa por meio da boa comunicação (sua e de seus funcionários): clareza nas ideias, o que diminui o tempo gasto com execução de tarefas; circulação mais eficiente de informações entre colaboradores, o que evita vendas erradas; trocas justas de informações entre funcionários e chefes, evitando desgastes e até afastamentos por estresse; aumento do censo de coesão, que é quando o funcionário se sente parte do time porque foram comunicadas a ele as ideias centrais da empresa, evitando que ele “jogue contra a empresa”. Ah, sem contar aquela parte em que os profissionais que se comunicam melhor têm uma vida mais focada e leve, porque não têm medo de expor seus sentimentos.
         Para se ter uma boa comunicação  é preciso foco, estudo, análise e aceitação. Coisa que nossos colegas primatas fizeram sem questionar. Eles não sabiam falar direito, mas tentaram tanto que conseguiram, com êxito.
         A comunicação deixa de ser um bom investimento quando as pessoas não querem vê-la como algo eficaz. Não parece um produto, não é mesmo? Parece sim, você é que não quer entende-la dessa maneira!
         Então, quando alguém me pergunta quando é que a comunicação é um investimento, eu digo: a comunicação é sempre seu melhor investimento.  E da sua empresa também. É só você tentar!

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