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terça-feira, 23 de abril de 2013

Falar com os olhos!

            Uma vez, uma amiga me disse que eu falava com os olhos. Que bastava olhar para os meus olhinhos de jabuticaba para saber o que eu estava sentindo. Essa é a mais pura verdade! Falar com os olhos é a minha especialidade porque, raramente, sei esconder o que sinto. Mesmo quando tento mentir para mim mesma.
            E, sabendo disso, com o passar do tempo acabei reparando na maneira como as pessoas expressam seus sentimentos por meio de um simples olhar.  E adoro essa sensação porque, honestamente, em um mundo em que as palavras jorram de nossos celulares como água da fonte, fica às vezes difícil entender o que as pessoas dizem, senão pelo olhar. É como ler a “alma” dos outros.
            E, então, depois muito observar, conclui que os nossos olhos não mentem, mesmo que nosso coração não esteja preparado para a verdade. Falar com os olhos é diferente de comer com os olhos. Comemos com os olhos quando desejamos algo que, imediatamente, não podemos ter. E falamos com os olhos quando expressamos o que sentimos, ainda que não abramos a boca. E mesmo de boca fechada, meus olhos estão lá para denunciar tudo o que quero esconder.
            E , ao contrário do que muita gente imagina, não são apenas os meus olhos quer entregam o jogo, mas os de quase todo mundo. E têm alguns em que já me tornei especialista: o olhar da raiva, por exemplo, quando falo alguma coisa que a pessoa não gostou; o olhar compassivo dos amigos quando os faço passar vergonha; o flerte. Ah, o flerte! Não existe nada mais denunciativo do que um flerte, porque é um tipo de olhar que a gente não consegue evitar, mesmo que a gente tente muito. É muito fácil perceber quando alguém está dando mole, porque o olhar fica sorridente e meio descontrolado e meio envergonhado também. Entramos em um estado de espírito tão bobo que é impossível evitar aquele olhar do “ai, ai”.
            Um olhar me marcou uma vez. Lembro-me de uma parenta que morreu e eu não sabia como reagir à morte dela, porque era uma pessoa muito próxima e querida. E, então, meu olhar perdido encontrou o olhar seguro de uma amiga, que apenas o abaixou lentamente (compreendendo meu sofrimento), como quem me dizia: eu sei que está doendo! E senti naquele olhar o conforto que não encontrei em muitas palavras. Mesmo estando completamente sem chão, sabia que não estava sozinha.
            E eu sei que nossos olhos gritam quando nos sentimos perdidos. Aliás, nossos olhos gritam por muitas coisas: quando não sabemos o que fazer, pela bolsa da colega que é linda e maravilhosa, pelo bolo da confeitaria que é delicioso, pelo sorriso de um bebê - quem não sorri com os olhos? Mas, existe um tipo de olhar que acho muito doloroso: aquele que não consegue me encarar de verdade porque é gerado pela “culpa”. E, quando eu vejo que alguém me olha com culpa eu digo, com meus olhos: “não olhe para a sua falha. Enxergue-me apenas.”
            Eu sei que ninguém é santo e que todos nós já fizemos um canhão de coisas erradas na vida e que, por isso mesmo, acredito que entre as idas e vindas da vida, não há mal que perdure ou verdade que permaneça para sempre. Até porque a verdade é uma coisa tão passageira que amanhã ela já vira mentira. A vida acontece, apenas.
            E, enquanto a vida acontece me olho no espelho sem questionar. Meu olhar encontra meus olhinhos para saber se ainda me flagro em meus pensamentos. E não é que me denuncio? Sempre!



2 comentários:

Ola Alloyse
Os olhos são mesmo o espelho da alma. Tenho por principio falar com as pessoas olhando-as nos olhos. Se não me olham de volta nos olhos, tendo a não confiar nelas.
É pelo olhar que sei que a minha filhota aprontou ou não. E ela sabe pelo meu olhar o que se passa na minha alma.
Uma coisa que me faz dó é ver que, devido as redes sociais, já não podemos ver a alma com quem conversamos, uma vez que não vemos os seus olhos :)

Ah, com certeza, Vera.
Nos tempos atuais, é uma pena que as relações pessoais estão sendo deixadas de lado.
Abraços.

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