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quarta-feira, 13 de março de 2013

Subir pra cima!

Eu havia acabado de entrar em um prédio à procura do segundo andar, quando vi uma placa onde estava escrito “sobe para cima”. Eu pensei: “não é possível, essa placa é alguma brincadeira!”. Então, eu “subi para cima” quando, ao final da escada, havia uma outra placa com os dizeres “desce para baixo”.
Ora, pois. Será que eu tinha entrado no mundo das redundâncias? Fiquei em desespero para fotografar as placas, mas a bateria do celular me deixou na mão. Quando cheguei ao compromisso, quase não conseguia mais pensar em outra coisa, além das placas. Aquilo ficou me perturbando durante dias.
Foi então que comecei a prestar atenção nas “redundâncias” que surgem nas falas dos outros. O nome disso, todos sabem, é pleonasmo, uma figura de linguagem utilizada quando queremos enfatizar algo. Mas, também é considerado um vício de linguagem por alguns especialistas.
Enfim, fiquei assustada com o resultado da minha pesquisa. Quando “entrei para dentro dessa brincadeira, a encarei de frente; não tinha mais volta para trás”. E, então, comecei a observar como nós temos mania de enfatizar quando falamos.
Em alguns momentos de um papo no elevador, anotei alguns pleonasmos. Uma moça disse que “num consenso geral”, os condôminos não poderiam deixar as bicicletas sem chaveá-las. Pensei: se é consenso é porque foi aceito pelo senso geral.
Em um consultório médico, ouvi: “nossa, ela teve uma hemorragia de sangue”. Existe hemorragia que não é de sangue?
E andando na rua, observei o seguinte diálogo: “esse é o segrego mais secreto que vou te contar. Tenho certeza absoluta que...” Quase pedi para ela “repetir de volta”. Se é segredo é secreto e se você tem certeza do que fala é absoluta.
Viram como somos redundantes?
O pleonasmo de que mais gosto é o tal “elo de ligação”. Um elo só pode existir se houver uma ligação, certo? E as “estrelas do céu”? Para mim, estrelas só aparecem no céu, nunca as vi no chão.
Mas, por que será que o brasileiro gosta tanto de uma redundância na fala? Fiquei pensando e, particularmente, acredito que talvez seja porque queremos não só contar um “causo”, mas supervalorizá-lo.
Nossa língua sofreu inúmeras mudanças ao longo de séculos e a maneira como falamos hoje resulta de um conjunto de fatores e influências que ajudaram na construção do nosso jeitinho de falar. E a ênfase, faz parte desse jeitinho.
Mas, confessamos, vai? O pleonasmo é uma delícia! Nós, brasileiros, usamos e abusamos dessa figura de linguagem porque adoramos enfatizar a nossa fala. Portanto, o jeito é “convivermos juntos” com os nossos próprios vícios de linguagem, porque “conviver em separado” é um pouco difícil.





p.s: se você tem um pleonasmo que gosta, escreva-o aí embaixo, no comentário.

3 comentários:

Ótima observação!
É interessante perceber como temos certos vícios de linguagem que nem nos damos conta.
Eu ,particularmente, adoro falar :"Acabamento Final"

Acabamento final é muito mais profissional do que acabamento...

Também ouço frequentemente "Basta apenas..."; "Menina mulher"; "Menino homem"... Eu procuro evitar o pleonasmo, especialmente estes que citei, mas confesso que às vezes é difícil fugir dele, especialmente em conversas informais, para evitar qualquer dúvida... rs

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