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quinta-feira, 28 de março de 2013

Satiagraha


Uma das coisas mais criativas que já vi na vida são os nomes dados, pela Polícia Federal, para as suas operações. De repente, você está em casa assistindo ao telejornal e aparece o apresentador falando na operação “Xeque Mate”, da Polícia Federal, e que um número x de pessoas é presa. E aí eu fico pensando: como alguém encontra um nome como esse para batizar uma operação policial? É no mínimo engraçado.
Se formos analisar os nomes das operações da Polícia Federal dos últimos anos vamos nos surpreender com a variedade de nomes diferentes, estranhos e divertidos. Quer um exemplo? Você se lembra da operação “Pinóquio”? E a operação “Neve no Cerrado”? E a operação “Caipora”?
Algumas outras operações ganharam nomes mitológicos, como a “Toque de Midas”, “Hígia”, “Afrodite”, “Akator”, “Caixa de Pandora” e "Têmis". Aliás, durante muito tempo a mitologia foi uma grande fonte inspiradora de nomes para a Polícia Federal. Assim como objetos, pessoas e até personalidades da ciência. Em 2007, a polícia deflagrou a operação “Freud”, na região de Contagem, Minas Gerais, para prender médicos do INSS que falsificavam atestados médicos para desviar dinheiro do Instituto. Segundo as investigações, mais de 400 laudos de atestado psicológico falsos teriam sido emitidos durante mais de 10 anos da prática do crime. Vale lembrar que Freud é considerado o pai da Psicanálise, o que explica o nome da operação.
E esses nomes são tão curiosos que as operações ganharam destaque nacional pela sua relevância, claro, mas também por causa do nome de batismo. Quem não se lembra da Operação “Sanguessuga”, em que uma quadrilha foi presa por desviar dinheiro público que deveria ter sido utilizado para a compra de ambulâncias?
Mas, quem decide esses nomes? Segundo o delegado da Polícia Federal de Curitiba, Algacir Mikalovski, existe uma equipe inteira que fica refletindo sobre os nomes antes de iniciar as operações: “A gente reúne a equipe e faz um brainstorm, com uma chuva de ideias para então decidir”. Se você, caro leitor, achava que o trabalho da Polícia Federal era apenas investigar e prender, acaba de se enganar. E, acredite, as equipes não se reúnem apenas para achar um nome. Segundo o delegado, eles precisam achar o nome certo: “Ele tem que dizer tudo e não pode dizer nada. Se você dá um nome que é obvio pode haver vazamento durante a investigação e alertar os criminosos, mas o nome tem que ter relação com a investigação”.    
Uma das operações deflagradas pelo delegado foi a “Mitos”, em que desarticulou um esquema de benefícios para uma escola de curso de corretores. Era um “mito” que as pessoas que queriam se tornar corretores deveriam se formar somente por meio dessa escola e daí vem o nome. Muito criativo!
O meu nome preferido de uma operação da Polícia Federal é “Satiagraha”, que investigou um escandaloso esquema de corrupção e lavagem de dinheiro em todo o país. Banqueiros, como Daniel Dantas, assim como diretores de banco e investidores foram presos. O nome Satiagraha é um “mantra” utilizado por Mahatma Gandhi (no original Satyagraha) para pedir a independência da Índia através da “firmeza na verdade”, que é o significado da palavra.
E firmeza na verdade não é o trabalho que a Polícia Federal faz, doa a quem doer? Faz todo o sentido!





p.s: Agradeço a participação do delegado Algacir Mikalovski, que me explicou como é realizado esse trabalho criativo de denominação das operações. 

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